O EVANGELHO
SEGUNDO MARCOS
Introdução
O Evangelho de Marcos, considerado o mais antigo de todos os Evangelhos, anuncia a boa notícia a respeito de Jesus Cristo, dando atenção especial à sua atividade constante e à sua autoridade. Jesus vai de um lugar para outro, anunciando a vinda do Reino de Deus, ensinando multidões, fazendo milagres e curando doentes. Para ajudá-lo, ele escolhe doze homens, a quem chama de “apóstolos”. Estes acompanham Jesus por toda parte, aprendem o mistério do Reino de Deus e depois saem para anunciar a mensagem da salvação e curar pessoas.
A autoridade de Jesus vem de
Deus. Ele é o Filho do Homem, aquele que Deus escolheu e enviou para ser o
Salvador de todos (10.45).
Portanto, ele tem autoridade para expulsar demônios, curar doentes e perdoar
pecados.
Este Evangelho começa com o batismo de Jesus
no rio Jordão por João Batista (1.9-11) e termina com a ressurreição de Jesus
(16.1-8).
Marcos 1
João Batista
"1 As boas notícias acerca de Jesus Cristo — a Mensagem! —
começam aqui; seguindo ao pé da letra o livro do profeta Isaías: Observem com
atenção: Enviei meu mensageiro adiante de vocês; ele preparará a estrada para
vocês. Trovão no deserto! Preparem-se para a chegada de Deus! Tornem o caminho
plano e reto!
4 João, o Batista, apareceu no deserto pregando um batismo de
mudança de vida que leva ao perdão dos pecados. As pessoas se atropelavam para
ir a ele, desde a Judeia e Jerusalém e, enquanto confessavam seus pecados, eram
batizadas por ele no rio Jordão, como sinal de uma vida transformada. João
vestia uma túnica de pelo de camelo, amarrada à cintura por um cinto de couro.
Alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre.
7 Sua pregação era esta: “O mais importante está por vir: O
protagonista deste drama, perante o qual sou um simples figurante, mudará a
vida de vocês. Eu os batizo aqui no rio, mudando a velha vida de vocês pela
vida no Reino. O batismo dele — com o Espírito Santo — irá mudá-los de dentro
para fora”.
9 Nessa época, Jesus de Nazaré apareceu na Galiléia e foi batizado
por João no Jordão. Assim que saiu da água, Jesus viu o céu aberto e o Espírito
de Deus, à semelhança de uma pomba, descendo sobre ele. Com a visão do
Espírito, ouviu-se uma voz: “Você é o meu Filho, escolhido e marcado pelo meu
amor, a alegria da minha vida”.
12 Imediatamente, o Espírito guiou Jesus ao deserto. Durante
quarenta dias e noites ele foi testado por Satanás. Animais selvagens eram sua
companhia, e os anjos tomavam conta dele.
14 Depois que João foi preso, Jesus mudou-se para a Galiléia e ali
pregava: “O tempo é agora! O Reino de Deus está aqui. Mudem de vida e creiam na
Mensagem”.
16 Caminhando pela praia do mar da Galiléia, Jesus avistou Simão e
seu irmão André pescando com redes. Era nisso que trabalhavam. Jesus
convidou-os: “Venham comigo! Vou fazer de vocês um novo tipo de pescadores. Vou
mostrar como pescar pessoas, em vez de peixes”. Sem fazer uma pergunta, eles
simplesmente largaram as redes e foram com ele.
19 Alguns metros adiante, perto da praia, ele viu os irmãos Tiago
e João, filhos de Zebedeu, que estavam no barco, consertando as redes. Jesus
fez aos dois a mesma proposta. Imediatamente, eles deixaram seu pai, Zebedeu, o
barco e os empregados, e o acompanharam.
21 Eles entraram em Cafarnaum. Quando o sábado chegou, Jesus logo
foi para a sinagoga e passou o dia lá, ensinando. O povo ficou admirado com seu
ensino objetivo e confiante, sem os sofismas e as citações usados pelos líderes
religiosos.
23 De repente, estando ele ainda na sinagoga, a reunião foi
interrompida por um homem extremamente perturbado, que gritava: “O que você
veio fazer aqui conosco, Jesus? Sei o que você veio fazer aqui, Nazareno. Você
é o Santo de Deus, e veio aqui para nos destruir”.
25 Jesus ordenou: “Quieto! Saia dele!”. O espírito perturbador
agitou o homem, protestou em voz alta — e saiu.
27 Os ouvintes, impressionados, cochichavam entre si: “O que está
acontecendo aqui? Um novo ensinamento, com demonstração prática? Ele consegue
calar espíritos demoníacos imundos e ainda os expulsa!”. A notícia correu
rapidamente, e todos na Galiléia ficaram sabendo do incidente.
29 Jesus saiu da sinagoga e foi para a casa de Simão e André,
acompanhado por Tiago e João. A sogra de Simão estava de cama, ardendo em
febre. Informado disso, Jesus foi até onde ela estava, pegou-a pela mão e a fez
levantar-se. Tão logo a febre a deixou e ela foi preparar o jantar para eles.
32 Ao anoitecer, depois do pôr do sol, foram trazidas a ele
pessoas doentes e afligidas por espíritos malignos. A cidade inteira fez fila
na porta da casa! Ele curou os corpos doentes e as almas atormentadas. Os
demônios conheciam sua verdadeira identidade, mas ele não permitia que se
pronunciassem.
35 Ainda não havia amanhecido, quando ele se levantou e retirou-se
para orar num lugar isolado. Simão e os que estavam com ele foram procurá-lo.
Eles o encontraram e disseram: “Todos estão à tua procura”.
38 Jesus decidiu: “Vamos a outras cidades para que eu possa pregar
ali também. Faz parte da minha missão”. Assim, por toda a Galiléia ele visitou
sinagogas, que era um lugar de reunião, pregando e expulsando demônios.
40 Um leproso aproximou-se dele, ajoelhou-se e implorou: “Se o Senhor
quiser, pode me purificar”.
41 Emocionado, Jesus estendeu a mão, tocou o leproso e disse:
“Quero! Fique limpo!”. A lepra desapareceu na hora. A pele do homem ficou lisa
e saudável. Jesus o despediu com ordens estritas: “Não diga nada a ninguém.
Apenas se apresente ao sacerdote e leve a oferta de purificação, como Moisés
prescreveu, para validar a cura diante da comunidade”. Mas, assim que se
afastou de Jesus, o homem saiu contando a cura que recebera, espalhando a
notícia por toda a cidade. Jesus, então, passou a entrar na cidade de modo mais
discreto, pois já não podia fazer isso publicamente. No entanto, ele logo foi
encontrado, e o povo corria para ele, vindo de todos os lugares."
Marcos 2
A cura de um paralítico em Cafarnaum
"1 Passados alguns dias, Jesus voltou para Cafarnaum, e a
notícia de que ele havia voltado logo se espalhou. Uma multidão se formou,
bloqueando a entrada da casa, de modo que ninguém podia entrar ou sair. Ele
estava ensinando a Palavra, quando quatro homens apareceram, carregando um
paralítico. Eles não conseguiram entrar por causa da multidão, por isso
removeram parte do telhado e desceram o paralítico em sua maca. Impressionado
com tanta fé, Jesus disse ao paralítico: “Filho, eu perdoo seus pecados”.
6 Alguns líderes religiosos que estavam presentes começaram a
cochichar entre si: “Ele não pode falar assim. Que blasfêmia! Só Deus pode
perdoar pecados!”.
8 Jesus sabia o que eles estavam pensando e perguntou: “Por que se
mostram céticos? O que acham que é mais fácil: dizer ‘Eu perdoo seus pecados’
ou ‘Levante-se, pegue sua maca e comece a andar’? Pois bem, para que fique
claro que sou o Filho do Homem e estou autorizado a fazer uma coisa e outra —
voltou-se para o paralítico e ordenou: —, “Levante-se! Pegue sua maca e vá para
casa!”. E o homem assim fez — levantou-se, pegou sua maca e saiu andando diante
de todos. Eles esfregaram os olhos, custando a acreditar no que viam, mas,
então, louvaram a Deus: “Nunca vimos nada igual!”.
13 Jesus foi uma vez mais caminhar à beira-mar, e, de novo, uma
multidão foi atrás dele, para ouvir seu ensino. Caminhando, ele viu Levi, filho
de Alfeu, que era cobrador de impostos. Jesus convidou: “Venha comigo”. Ele se
levantou e passou a segui-lo.
15 Mais tarde, Jesus e os discípulos estavam jantando na casa de
Levi, e seus convidados eram pessoas de má reputação. Surpreendentemente,
alguns deles se tornaram seguidores de Jesus. Os líderes religiosos e os
fariseus, vendo Jesus na companhia daquela gente, foram tomar satisfação com os
discípulos: “Que exemplo ele está dando, andando com essa gente desonesta e pecadores?”.
17 Jesus escutou a crítica e reagiu: “Quem precisa de médico: quem
é saudável ou quem é doente? Estou aqui para dar atenção aos de fora, não para
mimar os da casa, que se acham justos”.
18 Os discípulos de João e os discípulos dos fariseus tinham o
costume de jejuar, por isso alguns foram perguntar a Jesus: “Por que os
seguidores de João e os fariseus adotam a disciplina do jejum, mas os seus
seguidores não?”.
19 Jesus respondeu: “Numa festa de casamento, vocês não economizam
no bolo nem no vinho, porque estão festejando. Depois, poderão até precisar
economizar, mas não durante a festa. Enquanto o noivo e a noiva estão com
vocês, é tudo alegria. Depois que os noivos forem embora, o jejum pode começar.
Ninguém joga água fria na fogueira enquanto tem gente em volta. Essa é a vinda
do Reino!”.
21 Ele continuou: “Ninguém corta um cachecol de seda para remendar
uma roupa velha. Usa-se um remendo que combine. Ninguém guarda vinho em
garrafas rachadas”
23 Num sábado, Jesus atravessava uma plantação de cereal. Enquanto
caminhavam, os discípulos descascaram algumas espigas. Os fariseus reclamaram
com Jesus: “Seus discípulos estão quebrando as regras do sábado!”.
25 Jesus reagiu: “É mesmo? Vocês nunca leram o que Davi e seus
companheiros fizeram quando estavam com fome? Ele entrou no santuário e comeu o
pão fresco do altar, na frente do sacerdote principal Abiatar — o pão santo,
que ninguém podia comer, senão os sacerdotes —, e o repartiu com os
companheiros”. Jesus acrescentou: “O sábado foi feito para o nosso benefício;
não somos escravos do sábado. O Filho do Homem não é escravo do sábado: é o
Senhor dele!”."
Marcos 3
O homem da mão ressequida
"1 Depois disso, ele voltou à sinagoga e estava ali um homem
que tinha uma das mãos aleijada. Os fariseus estavam de olho, para ver se ele
iria curá-lo, quebrando o sábado. Ele disse ao homem da mão aleijada: “Fique
aqui, onde todos possam vê-lo”.
4 Então, ele perguntou aos presentes: “Que atitude é coerente com
o sábado: fazer o bem ou o mal? Ajudar as pessoas ou deixá-las sem ajuda?”.
Ninguém disse nada.
5 Ele os encarou um a um, indignado com a religiosidade inflexível
deles, e, então, ordenou ao homem: “Estenda a mão!”. Ele a estendeu — ela ficou
perfeita! Os fariseus se retiraram imediatamente, discutindo como unir forças
com os partidários de Herodes para acabar com Jesus.
7 Jesus partiu com seus discípulos para o mar, só para sair dali,
mas uma multidão imensa foi atrás dele, gente da Galiléia, da Judeia, de
Jerusalém, da Idumeia, da região próxima do Jordão e das vizinhanças de Tiro e
Sidom — um mundaréu de gente desejosa de conhecer ao vivo aquele de quem tanto
tinham ouvido falar. Ele recomendou aos discípulos que tivessem um barco
preparado, assim não seria atropelado pela multidão. Pelo fato de ele haver
curado muitas pessoas, todos os que sofriam de algum mal se acotovelavam para
chegar o mais perto possível dele e tocá-lo.
11 E, no caso dos espíritos malignos, quando o reconheciam, caíam
e gritavam: “Você é o Filho de Deus!”. Mas Jesus não dava atenção a eles.
Fazia-os calar, proibindo-os de dizer em público quem ele era.
13 Ele subiu a uma montanha e convidou alguns para o acompanhar.
Foram juntos, e lá ele escolheu doze e os designou apóstolos. Jesus os reuniu
para enviá-los a proclamar a Palavra. Também lhes daria autoridade para
expulsar demônios. Os Doze são: Simão (Jesus, mais tarde, chamou-o Pedro, que
significa “Rocha”); Tiago, filho de Zebedeu; João, irmão de Tiago (Jesus passou
a chamar os irmãos Zebedeu de Boanerges, que significa “Filhos do Trovão”);
André; Filipe; Bartolomeu; Mateus; Tomé; Tiago, filho de Alfeu; Tadeu; Simão, o
zelote; Judas Iscariotes (que o traiu).
20 Jesus foi para casa e, como sempre, uma multidão se formou em
volta. Era tanta gente pedindo ajuda que ele não tinha tempo nem para comer.
Alguns parentes, informados da situação, foram tirá-lo de lá — até pela força,
se necessário. Eles suspeitavam que Jesus estava perdendo o juízo.
22 Os líderes religiosos de Jerusalém espalharam o boato de que
ele estava praticando magia negra, fazendo truques diabólicos para impressionar
o povo, mostrando poder espiritual. Jesus contestou a calúnia: “Faz sentido um
demônio lutar contra outro demônio? Satanás expulsaria o próprio Satanás? Uma
família que vive brigando se desintegrará. Se Satanás expulsa Satanás, não irá
se destruir? Acham que é possível, em plena luz do dia, entrar na casa de um
homem forte e acordado e roubar seus bens, sem amarrá-lo primeiro? Amarrem-no,
e, então, poderão roubá-lo.
28 “Faço aqui uma advertência. Não há nada dito ou feito que não
possa ser perdoado. Mas, se vocês persistirem nas calúnias contra o Espírito
Santo de Deus, estarão deliberadamente rejeitando aquele que perdoa, rompendo
relações com aquele que os sustenta”. Ele fez essa advertência porque era
acusado por eles de ter ligação com o Maligno.
31 Naquele momento, sua mãe e seus irmãos apareceram. Estando do
lado de fora, mandaram um recado, dizendo que queriam falar com ele, Ele estava
cercado pela multidão quando recebeu o recado: “Sua mãe e seus irmãos estão lá
fora à sua procura”.
33 Jesus respondeu: “Quem vocês acham que são minha mãe e meus
irmãos?”. Olhando ao redor, para cada um dos que estavam sentados à sua volta,
ele declarou: “Estão bem aqui, na frente de vocês. Estes são minha mãe e meus
irmãos. Mais vale a obediência que laços de sangue. Quem faz a vontade de Deus
é meu irmão, irmã e mãe”.
Marcos 4
A parábola do semeador
"1 Ele voltou a ensinar à beira da praia. A multidão que se
formou em torno dele era tão grande que ele entrou num barco, perto da praia, e
assentou-se. Jesus usou o barco como púlpito, enquanto o povo se acotovelava
perto da água. Ele ensinava por meio de histórias, muitas histórias.
3 “Ouçam. O que vocês acham? Um agricultor estava semeando.
Enquanto fazia seu trabalho, algumas sementes caíram pelo caminho, e aves as
comeram. Outras caíram no meio dos pedregulhos. Brotaram rapidamente, mas não
aprofundaram raízes. Com o calor do sol, secaram tão rapidamente quanto haviam
brotado. Outras ainda caíram no meio das ervas daninhas. As sementes chegaram a
brotar, mas foram sufocadas. Nenhuma sobreviveu. Por fim, algumas, porém,
caíram em boa terra e floresceram, produzindo uma colheita que superou todas as
expectativas.
9 “Vocês estão entendendo?”.
10 Quando eles ficaram sozinhos, os que eram mais chegados a ele, além dos
Doze, pediram que ele explicasse a história. Ele disse: “Vocês têm o privilégio
de conhecer melhor o Reino de Deus. Conhecem as suas verdades. Mas, para
aqueles que ainda não podem ver, tudo é dito por meio de histórias, a fim de
guiá-los a discernimentos mais profundos. Essas pessoas são assim — Seus olhos
estão abertos, mas não veem nada; seus ouvidos estão abertos, mas não entendem
uma palavra; recusam-se a voltar-se para Deus para receber perdão”.
13 Ele continuou: “Entenderam o objetivo da história? Todas as
minhas histórias têm o mesmo propósito.
14 “O agricultor planta a Palavra. Alguns são como a semente que
cai à beira do caminho. Assim que ouvem a Palavra, Satanás arranca o que foi
plantado neles.
16 “Outros são como a semente que cai no meio dos pedregulhos.
Ouvem a Palavra e a recebem com grande entusiasmo. Mas, assim como a Palavra
não cria raízes, a emoção passa ou surge alguma dificuldade e não sobra nada.
18 “A semente lançada no meio das ervas daninhas é aquele que ouve
a mensagem do Reino, mas é vencido pela preocupação e pela ilusão de manter o
que tem e de ganhar mais. A mensagem é sufocada, e não sobra nada.
20 “A semente lançada na terra boa é a pessoa que ouve a Palavra e
a abraça, e a colheita supera todas as expectativas”.
21 Jesus continuou: “Alguém compra uma lâmpada para pôr debaixo do
tanque ou debaixo da cama? O que se faz não é colocá-la numa prateleira? Nós
não estamos guardando segredos. Nós os estamos revelando; não estamos
escondendo nada, mas tornando público.
23 “Vocês estão entendendo?
24 “Ouçam bem o que estou dizendo. Fiquem atentos quando algum
espertalhão ensinar que vocês podem vencer na vida por vocês mesmos. Dar é o
caminho, não ganhar. Generosidade produz generosidade. A avareza empobrece”.
26 Então, Jesus disse: “O Reino de Deus é como sementes lançadas
num campo por um homem. Ele vai dormir e se esquece do que fez. A semente brota
e cresce, mas ele nem imagina como isso ocorre. A terra dá conta de tudo, sem a
ajuda dele: primeiro o caule, depois a espiga e por fim o grão. Quando o grão
está maduro, ele o colhe — é o tempo da colheita!
30 “Como podemos descrever o Reino de Deus? Que ilustração podemos
usar? É como a semente de mostarda. É uma das menores sementes, mas, uma vez
plantada, germina e cresce tanto que os pássaros fazem ninhos em seus ramos e
abrigam-se à sua sombra”.
33 Com outras histórias semelhantes, ele apresentava sua mensagem
ao povo, aplicando as histórias à experiência e compreensão deles. Ele sempre
contava uma história. Quando estava sozinho com seus discípulos, explicava
tudo, desfazendo o emaranhado. Todos os nós eram desatados.
35 Naquele dia, ao cair da tarde, ele decidiu: “Vamos para o outro
lado do mar”. Eles entraram no barco em que ele estava. Outros barcos foram
atrás deles. De repente, uma tempestade violenta os envolveu. As ondas invadiam
a embarcação, ameaçando afundá-la, enquanto Jesus, com a cabeça sobre um
travesseiro, dormia na popa do barco! Os discípulos o acordaram, implorando:
“Mestre, não vais fazer nada? Nós vamos morrer!”.
39 Jesus acordou e ordenou ao vento que se acalmasse. Ele disse ao
mar: “Quieto! Sossegue!”. O vento virou brisa, e o mar ficou em plena calmaria.
Jesus repreendeu os discípulos: “Por que tanto medo? Vocês não têm fé?”.
41 Eles estavam apavorados e confusos. “Afinal, quem é este
homem?”. se perguntavam. “Até o vento e o mar se acalmam quando ele
ordena!”."
Marcos 5
A cura do endemoninhado geraseno
"1 Eles chegaram ao outro lado do mar, na terra dos
gerasenos. Assim que Jesus saiu do barco, um louco, vítima de demônios, saiu do
cemitério e correu para ele. O homem vivia no meio das sepulturas. Ninguém
conseguia prendê-lo. Era impossível acorrentá-lo ou amarrá-lo. Ele fora
amarrado muitas vezes com cordas e correntes, mas quebrava as correntes e
arrebentava as cordas. Ninguém era forte o bastante para subjugá-lo. Noite e
dia, vagava entre as tumbas e pelas colinas, gritando e cortando o próprio
corpo com pedras pontiagudas.
6 Quando ele viu Jesus, correu na direção dele e curvou-se
reverentemente — depois rugiu em protesto: “O que queres comigo, Jesus, Filho
do Deus Altíssimo? Em nome de Deus, não me perturbes!”. (Jesus havia ordenado
ao espírito maligno: “Fora! Saia deste homem!”.)
9 Jesus perguntou: “Diga-me seu nome”. Ele respondeu: “Meu nome é Legião.
Pois somos muitos”. Em desespero, implorou a Jesus que não o expulsasse daquela
região.
11 Uma grande manada de porcos estava pastando numa colina perto
dali. Os demônios, então, suplicaram a Jesus: “Manda-nos para os porcos,
permita que vivamos neles”. Jesus permitiu. Mas aos porcos aconteceu pior do
que ao homem. Enlouquecidos, correram, pularam de um penhasco, caíram no mar e
se afogaram.
14 Aterrorizados, os que cuidavam dos porcos saíram em disparada e
contaram o incidente na cidade e na região. Todos queriam ver de perto o que
havia acontecido. Eles encontraram Jesus e viram o louco assentado, usando
roupas decentes e em perfeita saúde não mais como alguém fora do juízo.
16 Os que haviam presenciado a cena contaram aos outros o que
acontecera ao endemoninhado e aos porcos. No princípio, os curiosos ficaram
impressionados. Depois ficaram revoltados por causa dos porcos que haviam
perdido e imploraram a Jesus que saísse dali e nunca mais voltasse.
18 Jesus estava indo para o barco, e o homem que fora liberto dos
demônios pediu para acompanhá-lo, mas o Mestre não o permitiu. Em vez disso,
aconselhou: “Vá para casa, para seu povo. Conte-lhes o que o Mestre, num gesto
de misericórdia, fez por você”. O homem voltou e, na área das Dez Cidades, dava
testemunho do que Jesus havia feito por ele. Ele se tornou o assunto da cidade.
21 Após a travessia, uma imensa multidão formou-se à beira-mar. Um
dos líderes da sinagoga, chamado Jairo, foi falar com Jesus. Ajoelhou-se diante
dele e suplicou: “Minha filhinha está à beira da morte. Vem comigo e impõe as
mãos sobre ela para que melhore”. Jesus foi com ele, e a multidão inteira os
acompanhou, apertando-o e empurrando-o.
25 Uma mulher que estava sofrendo de hemorragia havia doze anos
ouviu falar de Jesus. (Muitos médicos haviam tratado dela, mas sem sucesso;
levaram todo o seu dinheiro e a deixaram pior que antes.) Ela esgueirou-se por
trás dele e tocou sua roupa. Ela pensava: “Basta eu tocar em sua roupa para
ficar boa”. No momento em que o tocou, a hemorragia parou. Ela pôde sentir a
mudança. Sabia que estava livre daquele mal.
30 No mesmo instante, Jesus sentiu que dele saíra poder. Voltou-se
para a multidão e perguntou: “Quem tocou minha roupa?”.
31 Os discípulos disseram: “Como assim? A multidão empurra e
aperta de todo lado, e o Senhor quer saber quem o tocou?”.
32 Mas ele insistiu, olhando ao redor para ver quem o tocara. A
mulher, sabendo o que havia acontecido e que o havia tocado, tremendo de medo
ajoelhou-se diante dele e contou toda a história.
34 Jesus lhe disse: “Filha, você se arriscou por causa da sua fé,
e agora está curada. Tenha uma vida abençoada! Seja curada da sua doença!”.
35 Enquanto ele ainda falava, algumas pessoas chegaram da casa do
líder da sinagoga e informaram: “Sua filha morreu. Por que continuar
incomodando o Mestre?”.
36 Ouvindo o que diziam, Jesus tranquilizou o homem: “Não dê
atenção a eles, apenas confie em mim”.
37 Ele não permitiu que ninguém fosse com ele, exceto Pedro, Tiago
e João. Entraram na casa, abrindo caminho entre os fofoqueiros, sempre ávidos
por uma novidade, e pelos vizinhos, que haviam trazido comida. Jesus foi
ríspido com eles: “Por que todo esse falatório e essa choradeira sem sentido? A
criança não está morta; está dormindo!”. As pessoas na casa zombavam dele,
achando que ele não sabia o que estava dizendo.
40 Contudo, Jesus dispensou todos eles, chamou o pai e a mãe da
criança e seus companheiros e entrou no quarto da menina. Segurando a mão dela,
ordenou: “Talita cumi”, que significa: “Menina, levante-se!”. Ela se levantou e
começou a andar! A menina tinha 12 anos de idade. Os pais, obviamente, não
continham a alegria, mas Jesus deu ordens estritas para que não contassem nada
a ninguém e ordenou: “Deem a ela alguma coisa para comer”."
Marcos 6
Jesus prega em Nazaré. É rejeitado pelos seus
"1 Quando partiu dali, Jesus voltou para sua cidade. Seus
discípulos o acompanharam. No sábado, ele começou a ensinar na sinagoga. Os
ouvintes ficaram impressionados. “Ele é muito bom!”, comentavam. “De onde vem
tanta sabedoria, tanta capacidade?”, perguntavam-se.
3 Não demorou, porém, já estavam falando mal dele: “Ora, ele é
apenas um carpinteiro — o filho de Maria. Nós o conhecemos desde menino. Conhecemos
também seus irmãos, Tiago, José, Judas e Simão, e suas irmãs. Quem ele pensa
que é?”. Mesmo sem conhecê-lo direito, eles o desprezavam.
4 Jesus declarou: “Um profeta só não é importante em sua terra e
em sua família, nas ruas em que brincou quando criança”. Jesus não pôde fazer
muita coisa ali — impôs as mãos sobre uns poucos doentes e os curou; nada mais.
Não pôde vencer a resistência deles. Assim, decidiu visitar as outras cidades,
ensinando o povo.
7 Jesus convocou os Doze e enviou-os em duplas. Deu-lhes
autoridade e poder para enfrentar a oposição maligna, além das seguintes
instruções:
8 “Não pensem que precisarão de muito equipamento para cumprir a
missão. Vocês são o equipamento. Nada de depender do dinheiro. Sejam simples.
10 “Nada de hospedagem de luxo. Hospedem-se num lugar simples e
contentem-se com isso.
11 “Se não forem bem recebidos e se não os ouvirem, retirem-se sem
estardalhaço, sem fazer cena. É hora de dar de ombros e continuar o caminho”.
12 Então, eles partiram. Em alegre tom de urgência, anunciaram uma
mudança - radical de vida. Por onde passaram, expulsaram demônios e levaram
saúde aos doentes, ungindo o corpo e curando a alma.
14 Herodes tinha conhecimento de tudo isso porque o nome de Jesus
estava na boca de todo mundo. O rei dizia: “Esse deve ser João, o Batista, que
voltou dos mortos, por isso é capaz de fazer milagres”.
15 Outros discordavam: “Não, é Elias”. Outros ainda opinavam: “É
um profeta, exatamente como os profetas dos tempos antigos”.
16 Herodes, porém, insistia: “Tenho certeza de que é João. Eu o
decapitei, e agora ele está de volta — vivo!”.
17 Esse Herodes foi aquele que mandara que João fosse preso e
acorrentado, por causa de Herodias, mulher de seu irmão Filipe. Pois João havia
irritado Herodes por denunciar o adultério do rei. Fervendo de raiva, ela
queria matá-lo, mas não ousou fazê-lo porque Herodes respeitava João.
Convencido de que ele era um homem santo, o rei dispensava-lhe um tratamento
especial. Sempre que o ouvia, sentia-se culpado; mesmo assim, apreciava a
palavra de João.
21 Entretanto, chegou um dia especial: o aniversário de Herodes.
Ele convidou toda a elite da Galiléia, toda a nobreza. A filha de Herodias
entrou no salão do banquete e dançou para os convidados. Ela encantou Herodes e
todos os convidados.
22 O rei disse à moça: “Peça-me qualquer coisa. Darei o que você
quiser”. Entusiasmado, acrescentou: “Juro que divido meu reino com você, se me
pedir”.
24 Ela foi consultar sua mãe: “O que devo pedir?”. “Peça a cabeça
de João, o Batista”, foi a resposta.
25 Empolgada, ela correu até o rei e pediu: “Quero a cabeça de
João, o Batista, numa bandeja. E quero agora!”.
26 O pedido deixou o rei abalado, mas, para não perder o prestígio
diante dos convidados, concedeu o que ela desejava. Ordenou que o carrasco
fosse à prisão e trouxesse a cabeça de João. Ele cortou a cabeça de João e
trouxe-a numa bandeja; entregou-a à moça, que a levou para sua mãe. Quando os
discípulos de João souberam do fato, foram buscar o corpo e lhe deram um
sepultamento digno.
30 Os apóstolos voltaram de sua missão e relataram a Jesus tudo
que haviam feito e ensinado. Jesus disse: “Venham! Vamos parar e descansar um
pouco”. Era tanta gente indo e vindo que eles não tinham tempo nem para comer.
32 Eles entraram no barco e foram para um lugar mais tranquilo.
Entretanto, alguém os viu partindo, e a notícia se espalhou. Muita gente saiu
correndo das cidades vizinhas, e chegou ao lugar de destino antes deles. Quando
Jesus saiu do barco, uma multidão imensa o aguardava. Ao ver todo aquele povo,
ele ficou comovido. Afinal, eram como ovelhas sem pastor. Ele imediatamente
pôs-se a ensiná-los.
35 Já no cair da tarde, os discípulos viram que Jesus estava se
alongando e o interromperam: “Estamos no meio do nada, e está ficando tarde.
Despede o povo para que eles saiam e consigam o que comer nas redondezas”.
37 Jesus respondeu: “Vocês vão dar comida a eles”. Eles
perguntaram: “É sério? Mesmo que gastemos uma fortuna?”.
38 Mas ele não estava brincando. “Quantos pães vocês têm?
Verifiquem”. Não demorou para saberem. “Cinco pães e dois peixes”, informaram.
39 Jesus mandou que todos se assentassem em grupos de cinquenta ou
de cem na grama verde. Ele tomou os cinco pães e os dois peixes, olhou para o
céu, orou, abençoou o pão, partiu-o e entregou tudo aos discípulos, que por sua
vez o repartiram com o povo. Ele fez o mesmo com o peixe. Todos comeram e
ficaram satisfeitos. Os discípulos recolheram doze cestos de sobras. E os que
participaram da refeição foram cerca de cinco mil.
45 Terminada a refeição, Jesus insistiu em que os discípulos
entrassem no barco e fossem para Betsaida enquanto ele despedia o povo. Em
seguida, ele subiu a uma montanha para orar.
47 Tarde da noite, o barco já estava longe, e Jesus ainda estava
em terra. Ele podia ver a dificuldade de seus companheiros com os remos, pois o
vento estava contra o barco. Por volta das quatro horas da madrugada, Jesus foi
na direção deles, andando sobre o mar. E, quando se aproximou e eles o viram,
pensaram que fosse um fantasma e gritaram, apavorados.
50 Jesus tratou de tranquilizá-los: “Calma! Sou eu. Não tenham
medo”. Assim que ele entrou no barco, o vento cessou. Eles ficaram perplexos,
coçando a cabeça e tentando entender tudo que havia acontecido. Não haviam
entendido o que ele fizera na hora da refeição. Estavam com o coração
endurecido.
53 Concluíram a travessia, ancoraram o barco em Genesaré e lá o
deixaram. Assim que pisaram em terra, a notícia rapidamente se espalhou. O povo
correu até onde eles estavam, trazendo doentes em macas. Para onde quer que ele
fosse, aldeia, cidade ou rota de comércio, os doentes eram levados até um local
público. Eles imploravam que Jesus lhes permitisse tocar pelo menos na orla de
sua roupa. E todos que a tocavam eram curados."
Marcos 7
Jesus e a tradição dos anciãos. O que
contamina o homem
"1 Os fariseus e alguns líderes religiosos, vindos de
Jerusalém, reuniram-se à volta dele para reclamar que os discípulos dele eram
negligentes com as purificações rituais antes das refeições. Os fariseus — e
judeus em geral — jamais participariam de uma refeição sem primeiro proceder ao
ritual da lavagem das mãos, principalmente se tivessem chegado da feira (para
não mencionar como limpavam canecas, panelas e outras vasilhas).
5 Os fariseus e os líderes religiosos perguntaram: “Por que seus
discípulos desrespeitam as leis, fazendo as refeições sem lavar as mãos?”.
6 Jesus reagiu: “Isaías estava certo a respeito de enganadores
como vocês. Ele acertou em cheio: Esse povo faz um grande show, dizendo as
coisas certas, mas o coração deles não está nem aí para o que dizem. Fazem de
conta que me adoram, mas é tudo encenação. Eles me usam apenas como desculpa
para ensinar o que se adapta ao seu gosto, alterando o mandamento de Deus e
sempre adotando modismos”.
9 Ele continuou: “Que conveniente, não? Vocês se livram do
mandamento de Deus para seguir os modismos religiosos sem serem incomodados.
Moisés disse claramente: ‘Respeitem seu pai e sua mãe’. Disse também: ‘Quem
desrespeitar o pai ou a mãe será morto’. Mas vocês driblam o mandamento,
alegando que é perfeitamente aceitável dizer ao pai ou à mãe: ‘Vou ofertar a
Deus a ajuda financeira que eu deveria dar a vocês’. Assim, vocês se livram da
obrigação que têm para com os pais. Vocês anulam a Palavra de Deus e a trocam
por suas próprias regras. Vocês são especialistas nesse tipo de coisa”.
14 Dirigindo-se à multidão, ele acrescentou: “Ouçam agora, todos
vocês, prestem bastante atenção: não é o que vocês comem que contamina a vida.
É o que sai de vocês — essa é a verdadeira contaminação”.
17 Ele voltou para casa depois de falar à multidão, e seus
discípulos disseram: “Não entendemos. O Senhor poderia nos explicar?”.
18 Jesus respondeu: “Vocês também? Será que não entendem? Não
sabem que o que se come não pode contaminar ninguém? Pois o que se come não vai
para o coração, mas para o estômago, é digerido e depois é eliminado”. (Com
isso Jesus desafiou as minuciosas leis dietéticas dos judeus, afirmando que
todos os alimentos podem ser comidos.)
20 Ele continuou: “O que contamina é o que sai da pessoa. É do
coração que vomitamos maus pensamentos, obscenidade, imoralidade, roubo,
assassinato, adultério, cobiça, depravação, engano, bebedice, olhar maldoso,
calúnia, arrogância, insensatez. Essa é a verdadeira contaminação”.
24 Dali Jesus partiu e foi para os arredores de Tiro. Entrou numa
casa para não ser encontrado, mas a notícia de sua chegada se espalhou. Ele
estava dentro de casa quando uma mulher, cuja filha era perturbada por um
espírito maligno, ficou sabendo de sua presença ali. Ela se ajoelhou aos seus
pés, implorando ajuda. A mulher era grega, siro-fenícia de nascimento, e pediu
que ele curasse sua filha.
27 Ele disse: “Espere sua vez. Os filhos devem ser alimentados
primeiro. Se sobrar alguma coisa, os cachorrinhos poderão comer”.
28 Ela foi rápida: “Entendo, Mestre. Mas os cachorrinhos não comem
das migalhas que os filhos deixam cair?”.
29 Jesus ficou impressionado: “Tem razão! Vá para casa. Sua filha
não está mais perturbada. A aflição demoníaca se foi”. Ela foi para casa e
encontrou a filha tranquila na cama, livre daqueles tormentos.
31 Ele deixou a região de Tiro e voltou para o mar da Galiléia,
passando por Sidom e pelo distrito das Dez Cidades. Algumas pessoas trouxeram
um homem que não podia ouvir nem falar e pediram a Jesus que impusesse as mãos
sobre ele. Jesus tocou nos ouvidos do homem e passou-lhe um pouco de saliva na
língua. Então orou, suspirou profundamente e ordenou: “Efatá — Abra-se!”. E
assim aconteceu. O homem ouvia e falava perfeitamente!
36 Jesus ordenou que mantivessem o fato em segredo, mas eles,
entusiasmados, não paravam de falar no assunto. Diziam: “Ele faz tudo muito
bem. Faz até o surdo ouvir e o mudo falar”."
Marcos 8
A segunda multiplicação de pães e peixes
"1 Foi na mesma ocasião que Jesus outra vez se viu diante de
uma multidão faminta. Ele chamou seus discípulos e disse: “Estou com o coração
partido por causa desta gente. Há três dias estão comigo, e não têm o que
comer. Não posso mandá-los embora com fome, vão acabar desmaiando no caminho —
alguns vieram de muito longe”.
4 Os discípulos perguntaram: “Mas onde vamos encontrar comida
suficiente para todos neste lugar deserto?”.
5 Jesus perguntou: “Quantos pães vocês têm?”. “Sete pães”,
informaram.
6 Jesus, então, mandou que o povo se assentasse. Depois de ter
dado graças, tomou os sete pães, partiu-os e entregou-os aos discípulos para
que os repartissem com o povo. Havia também alguns peixes. Ele abençoou os
peixes e ordenou aos discípulos que os repartissem de igual modo. Todos comeram
à vontade, e foram necessários sete grandes cestos para recolher as sobras. E
os que participaram da refeição foram cerca de quatro mil. Depois de despedir a
multidão, Jesus entrou no barco com os discípulos e foram para Dalmanuta.
11 Quando chegaram, os fariseus vieram pressioná-lo para que ele
desse uma prova de quem era. Desafiado, Jesus perguntou: “Por que esta geração
pede um sinal milagroso como garantia? A verdade é que vocês não terão sinal
nenhum”.
13 Dali, ele voltou para o barco e dirigiu-se para o outro lado do
mar. Os discípulos, porém, esqueceram-se de levar pão, exceto por um pedaço.
Aproveitando a oportunidade, Jesus aconselhou-os: “Fiquem de olho no fermento
dos fariseus e dos partidários de Herodes”.
16 Pensando que ele os repreendia por haverem esquecido o pão,
começaram a culpar um ao outro. Percebendo o que se passava, Jesus perguntou:
“Por que estão discutindo por haverem esquecido o pão? Não entenderam ainda?
Não conseguem perceber? Não se lembram dos cinco pães que demos aos cinco mil?
Quantos cestos de sobras vocês recolheram?”. Eles responderam: “Doze”.
20 “E dos sete pães para os quatro mil? Quantos cestos de sobras
vocês recolheram?”. “Sete.”
21 Ele perguntou: “Ainda não entendem?”.
22 Ao chegarem eles à Betsaida, algumas pessoas trouxeram um cego
e pediram a Jesus que o tocasse. Tomando-o pela mão, ele o levou para fora da
cidade. Passou saliva nos olhos do homem, impôs as mãos sobre ele e perguntou:
“Consegue ver alguma coisa?”.
24 Ele olhou para cima e disse: “Vejo homens, só que eles parecem
árvores andando”. Jesus voltou a impor as mãos sobre ele. Dessa vez, o homem
percebeu que havia recuperado completamente a visão. Agora via tudo com
perfeição. Jesus mandou-o para a casa, advertindo: “Não entre na cidade”.
27 Jesus e seus discípulos visitaram as cidades ao redor de
Cesaréia de Filipe. Enquanto caminhavam, ele perguntou: “Quem o povo diz que eu
sou?”.
28 Eles responderam: “Alguns pensam que é João, o Batista. Outros
acham que é Elias. Há quem pense que é algum dos profetas”.
29 Ele insistiu: “E vocês? Quem acham que eu sou?”. Pedro
declarou: “Tu és o Cristo, o Messias”.
30 Jesus pediu que guardassem segredo, que não dissessem nada a
ninguém. Em seguida, resolveu explicar algumas coisas: “É necessário que o
Filho do Homem seja maltratado, levado a julgamento e declarado culpado pelos
líderes do povo, sacerdotes e líderes religiosos; que seja morto e três dias
depois ressuscite”. Ele falava de modo simples e claro, para que todos
entendessem.
32 Pedro, porém, protestou, segurando-lhe o braço. Vendo que os
discípulos hesitavam em aceitar os fatos, Jesus repreendeu Pedro: “Pedro, saia
do meu caminho! Fora, Satanás! Você não tem ideia de como Deus trabalha”.
34 Reunindo uma multidão e seus discípulos, Jesus disse: “Quem
quiser seguir-me tem de aceitar minha liderança. Quem está na garupa não pega
na rédea. Eu estou no comando. Não fujam do sofrimento. Abracem-no. Sigam-me, e
mostrarei a vocês como agir. Autoajuda não é ajuda. O auto sacrifício é o
caminho — o meu caminho — para ser realmente salvo. Qual é a vantagem de
conquistar tudo que se deseja e perder a si mesmo? O que vocês teriam para dar
em troca da própria alma?
38 “Se vocês têm vergonha de mim ou do meu caminho por causa dos
seus amigos inconstantes e sem futuro, saibam que irão enfrentar uma vergonha
muito maior na presença do Filho do Homem quando ele voltar, envolto pela
glória de Deus, seu Pai, com um exército de anjos”."
Marcos 9
A transfiguração
"1 Então, ele foi para casa, dizendo: “Não é sonho. Alguns de
vocês aqui verão tudo isso acontecer: o Reino de Deus chegando com força
total”.
2 Seis dias depois, três dos discípulos viram isso acontecer.
Jesus levou Pedro, Tiago e João a um alto monte. Ali, sua aparência mudou
diante deles. Suas roupas brilhavam intensamente, de uma brancura tal que
ninguém seria capaz de produzir. De repente, eles perceberam que Elias e Moisés
estavam ali também, conversando com Jesus.
5 Então, Pedro interrompeu a conversa: “Rabi, que grande momento!
Que tal se construíssemos três memoriais aqui na montanha — um para o Senhor,
um para Moisés e um para Elias?”. Ele falava sem pensar, apavorado e
maravilhado com o que via.
7 Naquele instante, uma nuvem brilhante os envolveu, e da nuvem
ouviu-se uma voz: “Este é meu Filho, marcado pelo meu amor. Ouçam-no!”.
8 No minuto seguinte, os discípulos olharam ao redor, esfregando
os olhos: não estavam vendo mais ninguém, a não ser Jesus!
9 Enquanto desciam a montanha, Jesus os fez prometer que
guardariam segredo. “Não digam nada a ninguém sobre o que viram, até que o
Filho do Homem se levante dos mortos. Mas eles ficaram imaginando o que
significaria “levantar-se dos mortos”.
11 Eles fizeram uma pergunta: “Por que os líderes religiosos dizem
que Elias tem de vir primeiro?”.
12 Jesus explicou: “Elias vem para deixar tudo pronto. A verdade,
porém, é que Elias já veio, mas eles não o reconheceram. Eles o desprezaram,
assim como irão tratar o Filho do Homem. De acordo com as Escrituras, ele
sofrerá terrivelmente. Será torturado e tratado com desprezo”.
14 Quando desceram a montanha para se reunir aos outros
discípulos, viram-se rodeados por uma multidão imensa, que debatia com os
líderes religiosos. Assim que viu Jesus, o povo ficou animado. Correram para
ele e o saudaram. Ele perguntou: “O que está acontecendo? Por que toda esta
agitação?”.
17 Um homem da multidão respondeu: “Mestre, eu trouxe meu filho,
que foi deixado mudo por um demônio. Toda vez que o demônio se apossa dele,
joga-o ao chão. O menino baba, range os dentes e fica rígido como uma tábua.
Falei com teus discípulos, esperando que o libertassem, mas não puderam”.
19 Jesus suspirou, inconformado: “Mas que geração! Vocês não
conhecem Deus! Até quando vou ter de aguentar esse tipo de coisa? Quantas vezes
ainda vou ter de passar por isso? Tragam o menino aqui!”. Eles o trouxeram.
Quando o demônio viu Jesus, apossou-se do menino, que ficou babando e se
contorcendo no chão.
21 Jesus perguntou ao pai do menino: “Há quanto tempo isso
acontece?”. “Desde que era pequeno. Muitas vezes o demônio o joga no fogo ou no
rio para matá-lo. Se o Senhor puder fazer alguma coisa, tenha misericórdia e
nos ajude!”.
23 Jesus disse: “‘Se eu puder’? Tudo é possível para quem tem fé”.
24 Assim que Jesus disse essas palavras, o pai do menino exclamou:
“Eu creio, mas me ajude a vencer as minhas dúvidas!”.
25 Percebendo que a plateia ficava cada vez maior, Jesus deu
ordens expressas ao espírito maligno: “Espírito mudo e surdo, eu ordeno: sai
dele e não volte!”. Com muito estardalhaço, o espírito saiu. O menino estava
pálido como um defunto, de modo que as pessoas começaram a dizer: “Ele está
morto”. Mas, tomando-o pela mão, Jesus o levantou. O menino ficou em pé.
28 Depois que chegaram à casa, os discípulos perguntaram a Jesus:
“Por que não pudemos expulsar o demônio?”.
29 Ele respondeu: “Não há outro meio de se livrar desse tipo de
demônio a não ser com jejum e oração”.
30 Saindo dali, viajaram pela Galiléia. Jesus não queria que
ninguém soubesse de seu paradeiro, pois queria ensinar seus discípulos. Ele
anunciou: “O Filho do Homem está para ser traído por gente que não quer nada
com Deus. Eles o matarão, mas três dias depois ele aparecerá — vivo”. Eles não
sabiam do que ele estava falando, mas tinham medo de perguntar.
33 Eles foram para Cafarnaum. Já em casa, ele perguntou: “O que
vocês discutiam pelo caminho?”.
34 O silêncio foi constrangedor, porque eles estavam discutindo
sobre quem deles era o maior.
35 Ele se assentou, chamou os Doze e disse: “Saibam que quem
quiser ser o primeiro ficará por último e será servo de todos”.
36 Ele pôs uma criança no meio da sala e, pegando-a nos braços,
disse: “Quem recebe uma dessas crianças, como eu estou fazendo, recebe-me
também. Mais que isso, recebe o próprio Deus, que me enviou”.
38 Então, João disse a Jesus: “Mestre, vimos um homem usando teu
nome para expulsar demônios e o impedimos, porque ele não é do nosso grupo”.
39 Jesus reprovou-os: “Não o impeçam. Ninguém pode usar meu nome
para fazer algo bom e poderoso e, no momento seguinte, afastar-se de mim. Se
ele não é inimigo, é aliado. Qualquer um que lhes der um copo de água em meu
nome está do nosso lado, e Deus levará isso em conta.
42 Mas quem prejudicar esses que são como crianças, intimidando-os
ou tirando proveito da simplicidade deles, logo irá desejar nunca ter feito
isso. Seria melhor jogar-se no meio do mar com uma pedra amarrada ao pescoço.
43 Se sua mão ou seu pé os atrapalha na caminhada com Deus, é
melhor cortá-los e jogá-los fora. É preferível viver mutilado ou aleijado do
que ter duas mãos e dois pés que o levem para a fornalha de fogo eterno. Se seu
olho desvia sua atenção de Deus, arranque-o e jogue-o fora. É preferível viver
com apenas um olho do que ter uma visão perfeita no fogo do inferno.
49 Todos, cedo ou tarde, irão passar por um fogo purificador.
Mas vocês serão preservados das chamas eternas. Por isso, preservem-se.
Vivam sempre em paz”."
Marcos 10
Jesus atravessa o Jordão
"1 Dali ele foi para a região da Judeia, do outro lado do
Jordão. Como sempre, uma multidão o acompanhava, e ele punha-se a ensiná-los.
Um dia, os fariseus vieram provocá-lo: “É permitido a um homem divorciar-se de
sua esposa?”.
3 Jesus perguntou: “O que Moisés determinou?”.
4 Eles responderam: “Moisés deu permissão que o marido a mandasse
embora, dando-lhe uma certidão de divórcio”.
5 Jesus disse: “Moisés deu esse mandamento apenas como concessão
ao coração duro de vocês. Na criação, no plano original, Deus fez e uniu o
homem e a mulher. Por isso, um homem deixa seu pai e sua mãe e, por meio do
casamento, se torna uma só carne com sua mulher. Não são mais dois indivíduos:
formam agora uma nova unidade. Deus criou uma união tão perfeita, que ninguém
pode ter a ousadia de profaná-la, separando-os”.
10 Depois que estavam em casa, os discípulos voltaram a tocar no
assunto. Jesus foi muito direto: “O homem que se divorcia de sua esposa para se
casar com outra comete adultério contra ela. A mulher que se divorcia do marido
para se casar com outro comete adultério também”.
13 Alguns estavam trazendo crianças a Jesus, na esperança de que
ele as abençoasse. Mas os discípulos deram uma bronca nessa gente. Jesus não
escondeu a irritação: “Não tentem afastar essas crianças! Não as impeçam de vir
a mim! O Reino de Deus é feito de pessoas que são como crianças. Prestem
atenção: se vocês não aceitarem o Reino de Deus com a simplicidade de uma
criança, nunca entrarão nele”. Então, tomando as crianças nos braços, impunha
as mãos sobre elas e as abençoava.
17 Jesus caminhava pela rua, e um homem veio correndo, ajoelhou-se
e perguntou: “Bom Mestre, que devo fazer para alcançar a vida eterna?”.
18 Jesus perguntou: “Por que você me chama ‘bom’? Ninguém é bom, a
não ser Deus. Você conhece os mandamentos: não mate, não cometa adultério, não
roube, não minta, não engane, honre seu pai e sua mãe”.
20 Ele disse: “Mestre, faço tudo isso desde muito novo”.
21 Jesus olhou-o nos olhos e, cheio de amor por ele, disse: “Falta
algo: venda tudo que você tem e dê aos pobres. Toda a sua riqueza, então,
estará no céu. Depois venha me seguir”.
22 Foi um choque! Aquela era a última coisa que ele esperava
ouvir. Assim, abatido, ele se foi. Sendo muito apegado aos seus bens, não
queria abrir mão de tudo.
23 Enquanto observava, Jesus disse aos seus discípulos: “Vocês
fazem ideia de como é difícil para os ricos entrarem no Reino de Deus?”. Os
discípulos foram pegos
26 de surpresa, mas Jesus continuou: “Vocês não imaginam como é
difícil. É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha”. Os discípulos
ficaram chocados. “Se é assim, quem tem chance?”, perguntaram.
27 Jesus olhou bem firme para eles e disse: “Ninguém tem
chance, se pensam que
28 conseguirão pelo esforço próprio. A única
maneira é deixar Deus agir. Só ele tem o poder de fazer”. Pedro, então,
lhe disse: “Nós deixamos tudo para te seguir”.
29 Jesus disse: “Guardem isto: ninguém que sacrifique casa,
irmãos, irmãs, mãe, pai,
32 filhos, propriedades — seja o que for — por minha causa e por
causa da Mensagem sairá perdendo. Eles terão tudo de volta multiplicado muitas
vezes em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e propriedades — mas também em
problemas. Terão ainda o prêmio da vida eterna. Aí está de novo a Grande
Inversão: muitos primeiros serão últimos; e muitos últimos, primeiros”. De
volta à estrada, eles foram para Jerusalém. Jesus ia adiante, e eles o seguiam,
35 confusos e um pouco amedrontados. Ele chamou os Doze e disse:
“Ouçam-me com atenção. Estamos a caminho de Jerusalém. Quando chegarmos lá, o
Filho do Homem será entregue aos mestres da lei e aos líderes religiosos. Eles
irão condená-lo à morte. Eles o entregarão aos romanos, que irão zombar dele,
cuspir nele, torturá-lo e matá-lo. Mas, depois de três dias, ele se levantará —
vivo”.
36 Tiago e João, filhos de Zebedeu, foram falar com Jesus:
“Mestre, queremos que o senhor faça algo por nós”. “Verei se posso fazer.”
37 Eles pediram: “Permite que tenhamos os lugares de maior honra
na tua glória,
38 um à tua direita e outro à esquerda”. Jesus disse: “Vocês não
fazem ideia do que estão pedindo. Vocês são capazes de
39 beber do cálice que estou para beber e de receber o batismo que
estou para receber?”. “Sem dúvida”, disseram eles. "Por que não?”.
41 Jesus disse: “Pensem nisto: vocês vão mesmo beber o cálice que
eu bebo e ser batizados com o meu batismo. Mas, quanto aos lugares de honra,
não é comigo. Isso já está decidido”. Os outros dez ouviram a conversa e
ficaram indignados com Tiago e João.
46 Então, Jesus os reuniu para consertar a situação. Ele disse:
“Vocês já devem ter notado como o poder sobe à cabeça dos governantes deste mundo
que logo se tornam tiranos. Vocês não devem agir assim. Quem quiser ser o maior
deve se tornar servo. Quem quiser ser o primeiro deve se tornar escravo. É o
que o Filho do Homem faz: Ele veio para servir, não para ser servido — e para
dar a própria vida para salvar muita gente”. Depois de passarem algum tempo em
Jericó, Jesus saiu da cidade, seguido pelos
49 discípulos e por uma multidão, e um mendigo cego, chamado
Bartimeu, filho de Timeu, estava sentado à beira do caminho. Quando ele soube
que Jesus, o Nazareno, passava por ali, começou a gritar: “Filho de Davi,
Jesus! Misericórdia! Tem misericórdia de mim!”. Muitos tentaram fazê-lo calar,
mas ele gritava ainda mais alto: “Filho de Davi! Tem misericórdia de mim!”.
Jesus parou e ordenou: “Tragam-no aqui!”.
51 Eles foram chamá-lo: “Hoje é o seu dia! Ele está chamando você!
Levante-se!”. Jogando longe sua capa, ele ficou em pé e foi até Jesus. Jesus
perguntou: “O que você quer de mim?”.
52 O cego respondeu: “Senhor, eu quero ver”. “Siga seu caminho.
Sua fé salvou e curou você”, disse Jesus. No mesmo instante, ele recuperou a
visão e seguia Jesus estrada afora."
Marcos 11
A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém
"1 Quando se aproximaram de Jerusalém, à altura de Betfagé e
Betânia, perto do monte das Oliveiras, Jesus enviou dois discípulos com estas
instruções: “Vão à aldeia que está adiante. Ali encontrarão um jumentinho
amarrado. Ele nunca foi montado. Desamarrem-no e tragam-no aqui. Se alguém
perguntar o que vocês estão fazendo, digam: ‘O Senhor precisa dele, mas vai
devolvê-lo’".
4 Eles foram e encontraram um jumentinho numa rua, amarrado a um
portão; eles o desamarraram, mas alguns dos que estavam ali perguntaram: “Por
que estão desamarrando o jumentinho?”. Os discípulos responderam exatamente
como Jesus os instruíra, e não foram mais incomodados. Assim, levaram o
jumentinho e puseram suas capas sobre ele, e Jesus o montou.
8 Muitos estendiam seus mantos pela estrada, dando a Jesus uma
recepção de rei. Alguns lançavam seus mantos na rua, outros espalhavam ramos
que haviam cortado nos campos. Havia muita gente por todo lado, gritando:
“Hosana! Bendito é o que vem em nome de Deus! Bendito o Reino do nosso pai
Davi, que está chegando! Hosana nos altos céus!”.
11 Ele entrou em Jerusalém e foi para o templo. Parou ali para
observar o movimento. Mas como era tarde voltou para Betânia com os Doze.
12 No dia seguinte, depois que saíram de Betânia, ele sentiu fome.
No caminho, avistou uma frondosa figueira. Aproximou-se dela para encontrar
figos, mas não achou nada além de folhas (não era época de figos). Ele disse à
árvore: “Nunca mais alguém comerá dos seus frutos”, e os discípulos ouviram.
15 Chegando a Jerusalém, entraram no templo, e Jesus começou a
expulsar todos os que faziam comércio ali. Ele derrubou as mesas dos agiotas e
as bancas dos vendedores de pombas. Também não permitiu que ninguém mais
passasse carregando cestos pelo recinto sagrado. Ele explicou suas ações com o
seguinte texto: Minha casa foi designada casa de oração para as nações; mas
vocês a transformaram em ponto de encontro de ladrões.
18 Ao tomar conhecimento desses fatos, os principais sacerdotes e
os líderes religiosos decidiram que era hora de se livrar dele. Estavam em
pânico porque o povo se mostrava encantado com os seus ensinamentos.
19 À noite, Jesus e seus discípulos deixaram a cidade.
20 Pela manhã, andando pela estrada, eles viram a figueira: estava
seca até à raiz. Lembrando-se do que acontecera no dia anterior, Pedro disse:
“Mestre, olha! A figueira que amaldiçoaste ficou seca!”.
22 Jesus foi direto: “Assumam de fato seu compromisso com Deus, e
nada será difícil para vocês. Aquela montanha, por exemplo. Basta ordenar, sem
dúvida ou hesitação: ‘Pule no mar’, e ela obedecerá. Absolutamente tudo, do
pedido menor ao maior, que vocês incluírem na oração, será atendido, se vocês
de fato confiarem em Deus. E, quando orarem, lembrem-se de que não se trata
apenas de pedir. Se vocês têm algo contra alguém, perdoem. Só, então, o Pai
celestial de vocês perdoará os seus pecados”.
27 De volta a Jerusalém; eles caminhavam pelo templo. Então, os
principais sacerdotes, os líderes religiosos e os líderes do povo exigiram:
“Mostre-nos suas credenciais. Quem deu a você autoridade para falar e agir
desse modo?”.
29 Jesus respondeu: “Primeiro, respondam a uma pergunta. Se a
responderem, também responderei à sua. No caso do batismo de João, quem o
autorizou: Deus, ou os homens?”, digam-me.
31 Eles ficaram numa situação difícil e sabiam disso. Confusos,
cochichavam entre si: “Se dissermos: ‘Deus’, ele vai perguntar por que não
acreditamos nele. Se dissermos: ‘Os homens’, estamos em apuros, porque o povo
tinha João na conta de profeta”. Decidiram, então, dar a vitória a Jesus dessa
vez. “Não sabemos”, responderam. Jesus concluiu: “Então, também não vou responder
à pergunta de vocês”."
Marcos 12
A parábola dos lavradores maus
"1 Em seguida, Jesus começou a lhes contar algumas histórias:
“Um homem plantou uma vinha. Cercou-a, fez um tanque de espremer uvas,
construiu uma torre de vigilância, arrendou-a aos lavradores, e saiu em viagem.
Quando chegou a época da colheita, ele enviou um empregado para receber sua
parte nos lucros.
3 “No entanto, os lavradores o agarraram, espancaram e mandaram
embora de mãos vazias. Ele mandou outro empregado, que também foi agredido e
humilhado. Depois, enviou outro, que foi assassinado. O mesmo aconteceu com
muitos outros. Uns foram agredidos; outros, assassinados.
6 “Restava apenas um que podia ser enviado: seu filho amado. Já
quase sem esperanças, decidiu enviar o próprio filho, pensando: ‘Meu filho eles
vão respeitar’.
7 “Mas os lavradores perceberam a oportunidade. Esfregaram as
mãos, cheios de cobiça, e disseram: ‘Esse é o herdeiro! Vamos matá-lo e ficar
com a vinha’. Então o agarraram e mataram e depois jogaram o corpo fora da
vinha!’.
9 “O que vocês acham que o proprietário da vinha irá fazer? Isso
mesmo! Vai se livrar dessa gente. Depois arrendará a vinha a outros. E vocês
podem confirmar nas Escrituras: A pedra que os pedreiros rejeitaram é agora a
principal. Isso é obra de Deus. Nós esfregamos os olhos, custando a crer
nisso!”.
12 Percebendo que o recado era para eles, os líderes religiosos
quiseram prendê-lo na hora, mas, como estavam receosos da opinião pública,
acharam melhor recuar. Por isso, saíram dali tão rápido quanto puderam.
13 Os mesmos líderes enviaram alguns fariseus e partidários de
Herodes certos de que iriam incriminá-lo. Eles disseram: “Mestre, conhecemos a
sua integridade, sabemos que o senhor não se importa com a opinião popular, não
explora seus discípulos e ensina o caminho de Deus com muito zelo. Diga-nos com
toda a honestidade: é correto pagar impostos a César?”.
15 Jesus percebeu de imediato a malandragem e disse: “Qual a razão
desse joguinho? Por que tentam me pegar com essas armadilhas? Vocês têm uma
moeda? Deixem-me vê-la”. Eles lhe entregaram uma moeda. “Quem é este que
aparece na moeda? Que nome está gravado nela?”. “César”, disseram.
17 Jesus concluiu: “Deem a César o que lhe pertence e deem a Deus
o que lhe é devido”. Eles ficaram de boca aberta, sem saber o que responder.
18 Alguns saduceus, o grupo que nega a ressurreição, perguntaram a
Jesus: “Mestre, Moisés escreveu que, se um homem morre sem filhos, o irmão dele
é obrigado a se casar com a viúva e ter filhos com ela. Pois bem, havia sete
irmãos. O primeiro casou-se e morreu sem filhos. O segundo casou-se com a
viúva. Ele morreu, mas também não teve filhos. O mesmo aconteceu com o
terceiro. De fato, os sete se casaram com ela, mas nada de filhos. Por fim, a
mulher morreu. A pergunta é esta: na ressurreição, de quem ela será esposa?
Afinal, ela foi casada com cada um deles”.
24 Jesus respondeu: “Vocês estão raciocinando errado, e vou dizer
por quê: Primeiro, não conhecem as Escrituras; segundo, não sabem como Deus
atua. Depois da ressurreição, o casamento já não mais existirá. Assim como os
anjos, toda a nossa atenção estará em Deus. Com respeito à ressurreição dos
mortos, vocês nunca leram as Escrituras? Vejam que Deus, de dentro da sarça,
disse a Moisés: ‘Eu sou — não eu era — o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o
Deus de Jacó’. O Deus vivo é o Deus dos vivos, não dos mortos. Portanto, vocês
não sabem de nada”.
28 Um dos líderes religiosos, depois de acompanhar os debates e
perceber como Jesus era incisivo em suas respostas, fez uma pergunta: “Qual é o
mais importante de todos os mandamentos?”.
29 Jesus respondeu: “O primeiro em importância é o seguinte: ‘Ouça
Israel: O Senhor seu Deus é único. Ame o Senhor seu Deus com toda a paixão,
toda a fé, toda a inteligência e todas as forças’. E o segundo é: ‘Ame o
próximo como a você mesmo’. Não há nenhum outro mandamento que se compare a
esses”.
32 Um líder religioso disse: “Que resposta maravilhosa, Mestre!
Tão lúcida e precisa. Deus é único, e não há outro. Devemos amá-lo com toda
paixão, inteligência e forças e amar ao próximo como a nós mesmos. Isso é
melhor que qualquer oferta ou sacrifício”.
34 Quando Jesus percebeu como aquele homem era sábio, comentou:
“Você está quase lá, quase no Reino de Deus”. A partir daquele momento, ninguém
mais ousou fazer perguntas a Jesus.
35 Enquanto ensinava no templo, Jesus perguntou: “Como podem os
líderes religiosos ensinar que o Messias é ‘filho’ de Davi, quando todos
sabemos que Davi, inspirado pelo Espírito Santo, disse: Deus disse ao meu
Senhor: ‘Assente-se aqui ao meu lado direito até que eu faça dos seus inimigos
um descanso para os pés’. “Davi declara que o Messias é seu ‘Mestre’. Como
pode, então, o Messias ser também seu ‘filho’?”. A multidão estava maravilhada
com o que ouvia.
38 Ele continuou a ensinar: “Cuidado com os líderes religiosos. O
prazer deles é ostentar títulos acadêmicos, receber elogios publicamente,
desfrutar posições de destaque e assentar-se nos lugares principais durante o
serviço religioso. Além disso, o tempo todo eles exploram os fracos e
indefesos. Quanto mais oram, pior fica a situação deles. Mas, no fim, eles irão
pagar por tudo isso”.
41 Assentado atrás de um gazofilácio, ele observava o povo
depositar dinheiro na hora da coleta. Os ricos faziam ofertas vultosas, mas uma
viúva pobre aproximou-se e ofertou duas pequenas moedas — uns míseros centavos.
Jesus chamou os discípulos em particular e comentou: “A verdade é que essa
viúva pobre deu uma oferta maior que a dos demais. Todos os outros deram do que
não precisavam. Ela fez uma extravagância, algo que não podia fazer: deu tudo
que possuía”."
Marcos 13
O sermão profético
"1 Jesus saía do templo, quando um dos discípulos chamou sua
atenção: “Mestre, olha essas pedras! Essas construções!”.
2 Jesus disse: “Vocês estão impressionados com essa arquitetura
grandiosa? Tudo isso será um monte de ruínas, até a última pedra”.
3 Mais tarde, enquanto ele estava sentado no monte das Oliveiras,
num local de onde podia avistar o templo, Pedro, Tiago, João e André foram
conversar com ele: "Quando essas coisas vão acontecer? Que sinal teremos
de que tudo caminha para um desfecho?”.
5 Jesus explicou: “Cuidado com os falsos profetas do fim dos
tempos. Muitos líderes, com identidade falsa, alegarão: ‘Eu sou o Messias’.
Eles vão enganar muita gente. Quando ouvirem falar de guerras e ameaças de
guerra, não entrem em pânico. Serão notícias comuns, não um sinal do fim.
Haverá cada vez mais guerras entre as nações e conflitos entre os líderes. Em
vários lugares haverá terremotos e fome. Mas tudo isso é nada, comparado com o
que está por vir.
9 “Fiquem atentos, pois vocês serão levados aos tribunais, e tudo
irá de mal a pior. Vocês serão torturados e todos perseguirão os que levam o
meu nome. Vocês serão postos como sentinelas da verdade. A Mensagem tem de ser
pregada em todo o mundo.
11 “Quando traírem vocês e os levarem aos tribunais, não se
preocupem com o que dizer. Quando chegar o momento, digam o que estiver no
coração — o Espírito Santo dará testemunho por intermédio de vocês.
12 “Haverá irmão matando irmão, pai matando filho, filho matando
os pais. Todos odiarão vocês por causa do meu nome. “Fiquem firmes. Isso é
necessário. Fiquem firmes até o fim. Vocês não ficarão desamparados, pois serão
salvos”.
14 “Estejam preparados para fugir quando virem a besta da
profanação estabelecida onde nunca deveria estar. Quem lê não terá dificuldade
de entender o que estou falando. Quando isso acontecer, se vocês estiverem na
Judeia naquele tempo, corram para as colinas; se estiverem trabalhando no quintal,
não voltem para buscar nada em casa. Se estiverem no campo, não voltem para
buscar agasalho. As grávidas e as que amamentam sofrerão mais. Orem para que
isso não aconteça no inverno.
19 “Serão dias difíceis. Nada parecido aconteceu desde que Deus fez
o mundo nem depois haverá. Se esses dias de aflição seguissem o curso normal,
ninguém suportaria. Mas, por causa dos escolhidos de Deus, a aflição será
encurtada”.
21 “Se alguém anunciar: Aqui está o Messias’, ou apontar: ‘Lá está
ele’, não caiam nessa. Falsos messias e pregadores mentirosos surgirão aos
montes. Suas credenciais impressionantes e seus deslumbrantes espetáculos, se
possível, iludiriam até os escolhidos de Deus. Fiquem atentos, pois eu os
avisei com antecedência.
24 “Após aqueles tempos difíceis: O sol perderá o seu brilho, a lua
ficará nublada. As estrelas cairão do céu, e os poderes cósmicos sofrerão
abalo.
26 “Então, todos irão ver o Filho do Homem chegar em grande poder
e glória, seu esplendor encherá o céu — ninguém deixará de ver! Ele enviará
seus anjos, que ajuntarão os escolhidos de Deus dos quatro cantos da terra,
desde os lugares mais distantes.
28 “Aprendam a lição da figueira. Quando percebem que ela começou
a florescer e verdejar, vocês sabem que o verão está chegando. O mesmo acontecerá
com vocês. Quando virem os sinais, saberão que não demorará muito. Levem isso a
sério. Não estou me dirigindo apenas às gerações futuras, mas a vocês também.
Esta era continua até que todas essas coisas aconteçam. O céu e a terra vão
desaparecer, mas as minhas palavras jamais.
32 “Querem saber o dia e a hora? A verdade é que ninguém sabe, nem
os anjos do céu, nem mesmo o Filho. Só o Pai! Portanto, fiquem atentos, pois
vocês não sabem o momento exato. É como um homem que vai viajar e deixa a casa
sob a responsabilidade dos empregados, cada qual com uma tarefa, e põe o
porteiro para vigiar. Portanto, permaneçam em seu posto, vigiando. Vocês não
sabem a que horas o dono da casa vai voltar — de noite, à meia-noite, ao cantar
do galo ou pela manhã. Vocês não vão querer que ele apareça sem aviso e os
encontre dormindo no posto. Por isso, reforço a advertência: permaneçam em seus
postos. Vigiem!”."
Marcos 14
O plano para tirar a vida de Jesus
"1 Dali a dois dias começaria a festa da Páscoa, com oito
dias de duração, e a festa dos Pães sem Fermento. Os principais sacerdotes e
líderes religiosos estavam procurando um modo de prender Jesus e matá-lo. Eles
concordaram em que não deveriam fazer isso durante a semana da Páscoa. “Não
queremos iniciar uma guerra”, disseram.
3 Jesus estava em Betânia, como convidado de Simão, o Leproso.
Enquanto jantava, uma mulher apareceu com um frasco de perfume muito caro.
Abrindo o frasco, ela derramou o perfume sobre a cabeça de Jesus. Alguns
convidados ficaram indignados. “Que desperdício! Esse perfume poderia ser
vendido pelo valor do salário de um ano, e o dinheiro, distribuído entre os
pobres”. Eles fuzilavam a mulher com os olhos.
6 Jesus, porém, disse: “Deixem-na em paz. Por que vocês a
incomodam? Ela acaba de fazer algo tão maravilhoso para mim. Os pobres estarão
sempre aí, todos os dias, mas eu não. Sempre que quiserem, poderão fazer algo
por eles, mas não para mim, ela fez o que pôde, quando pôde: ungiu meu corpo
para o sepultamento. Tenham certeza de uma coisa: em qualquer lugar do mundo em
que a Mensagem for pregada, o que ela fez aqui será lembrado e admirado”.
10 Então, Judas Iscariotes, um dos Doze, procurou o sacerdote
principal, determinado a trair Jesus. Eles mal podiam acreditar no que ouviam e
lhe prometeram uma boa recompensa. Ele ficou apenas esperando o momento certo
de entregá-lo.
12 No primeiro dia da festa dos Pães sem Fermento, dia de preparar
o sacrifício da Páscoa, os discípulos perguntaram a Jesus: “Onde queres que
preparemos a ceia da Páscoa?”.
13 Ele orientou dois dos discípulos: “Vão para a cidade. Um homem
com um jarro de água encontrará vocês. Sigam-no. Perguntem ao proprietário da
casa em que ele entrar: ‘O Mestre quer saber em qual aposento ele poderá comer
a ceia da Páscoa com seus discípulos’. O homem mostrará a vocês uma sala no
segundo andar, espaçosa, limpa e arrumada. Façam ali os preparativos”.
16 Os discípulos foram para a cidade, e tudo aconteceu como ele
lhes dissera. Eles prepararam ali a refeição pascal.
17 Depois do pôr do sol, ele chegou com os Doze. Quando estavam à
mesa, Jesus disse: “Tenho algo difícil, mas importante, a dizer. Um de vocês me
trairá, alguém que neste momento come comigo”.
19 Chocados, começaram a dizer, um após o outro: “Eu não!”.
20 Ele respondeu: “É um dos Doze, alguém que come sempre comigo. O
Filho do Homem sofrerá a dor da traição, já prevista nas Escrituras. Até aí,
nenhuma surpresa. Mas ai do traidor do Filho do Homem. Melhor que ele nunca
tivesse nascido”.
22 Durante a refeição, depois de tomar o pão e abençoá-lo, Jesus o
partiu, deu-o aos discípulos e disse: “Tomem, isto é meu corpo”.
23 Tomando o cálice e dando graças a Deus, entregou-o a eles
também e todos beberam. Ele disse: “Isto é meu sangue, a nova aliança de Deus, derramado
em favor de muitos.
25 “Não beberei vinho outra vez até o dia em que o beber no Reino
de Deus”.
26 Então, eles cantaram um hino e foram para o monte das
Oliveiras.
27 Jesus alertou-os: “Por causa do que vai acontecer comigo, vocês
irão se dispersar. Isso é para cumprir um texto das Escrituras que diz: Vou
ferir o pastor, e as ovelhas ficarão desorientadas. "Mas depois que eu
ressuscitar, irei adiante de vocês para a Galiléia”.
29 Mas Pedro, todo afoito, declarou: “Ainda que todo mundo fuja,
eu não fugirei”.
30 Jesus respondeu: “Não tenha tanta certeza. Ainda esta noite,
antes que o galo cante duas vezes você vai me negar três vezes”.
31 Pedro protestou, falando sem pensar: “Ainda que eu tenha de
morrer contigo, jamais te negarei!”. Todos os outros disseram o mesmo.
32 Então, eles foram para um jardim chamado Getsêmani. Jesus disse
aos discípulos: “Fiquem aqui enquanto vou orar mais adiante”. Levando consigo
Pedro, Tiago e João, ele mergulhou em grande agonia e declarou: “A tristeza que
sinto é uma tristeza de morte. Fiquem aqui e vigiem comigo”.
35 Indo um pouco mais adiante, prostrou-se no chão e orou:
“Paizinho, Pai, tu podes me livrar! Afasta este cálice de mim. Mas, por favor,
não seja o que eu quero, mas sim o que tu queres”.
37 Quando voltou aos discípulos, encontrou os três dormindo e
disse a Pedro: “Simão, você veio para dormir? Não pode aguentar nem uma hora?
Fiquem atentos. Orem sempre para que não caiam em tentação antes mesmo de
perceber o perigo. Uma parte de você está disposta a fazer qualquer coisa por
Deus, mas a outra parte simplesmente não reage”.
39 Depois disso, voltou ao seu lugar e fez a mesma oração.
Retornando mais uma vez, ele os encontrou dormindo. Eles simplesmente não
conseguiam manter os olhos abertos, e não tinham nem como se desculpar.
41 Ele voltou pela terceira vez e disse: “Vocês vão dormir a noite
toda? Minha hora chegou. O Filho do Homem está prestes a ser traído e entregue
nas mãos dos pecadores. Levantem-se, vamos! O traidor chegou”.
43 Ele mal acabou de falar, e Judas, do grupo dos Doze, apareceu,
acompanhado por um bando de maus elementos enviados pelos principais
sacerdotes, líderes religiosos e demais líderes. Eles traziam espadas e paus. O
traidor havia combinado um sinal com eles: “Aquele a quem eu beijar é o
procurado. Prendam-no. Não o deixem fugir”. Ele foi direto a Jesus e o beijou,
dizendo: “Mestre!”. Os homens, então, o prenderam, com muita brutalidade. Mas
um dos que estavam com Jesus desembainhou a espada e atacou o servo do
sacerdote principal, cortando lhe a orelha.
48 Mas Jesus reagiu: “O que é isto? Vieram me buscar com espadas e
paus, como se eu fosse um bandido perigoso? Dia após dia, estive ensinando no
templo, e vocês nunca moveram um dedo contra mim. Vocês acabam de confirmar os
escritos proféticos”. Nessa hora, todos os discípulos já haviam fugido.
51 Um jovem seguia o grupo de longe. Tudo que ele trazia sobre o
corpo era um lençol. Alguns daqueles homens tentaram agarrá-lo, mas ele
escapou. Fugiu nu, deixando o lençol para trás.
53 O grupo que prendeu Jesus levou-o ao sacerdote principal, que
estava reunido com os principais sacerdotes, líderes do povo e líderes
religiosos. Pedro os seguira a uma distância segura. Quando chegaram ao pátio
do sacerdote principal, ele se misturou com os servos e foi se aquecer perto da
fogueira.
55 Os principais sacerdotes, conspirando com o Concílio judaico,
tentavam achar acusações contra Jesus para condená-lo à morte. Não encontraram
nada. Muitos davam falso testemunho, mas um depoimento contradizia o outro.
Alguns homens apareceram com esta história: “Nós o ouvimos dizer: ‘Vou derrubar
o templo, construído com tanto esforço, e em três dias construirei outro, sem
ao menos erguer a mão”. Mesmo assim, não havia plena concordância entre os
relatos.
60 Nesse momento, o sacerdote principal levantou-se e perguntou a
Jesus: “O que você tem a dizer dessa acusação?”. Jesus não deu resposta. O
sacerdote principal insistiu, mudando a pergunta: “Você é o Messias, o Filho do
Deus Bendito?”.
62 Jesus foi direto: “Sim, eu sou, e você mesmo verá — O Filho do
Homem assentado à direita do Todo-poderoso Vindo nas nuvens do céu”.
63 Nessa hora, o sacerdote principal perdeu a compostura. Rasgando
a própria roupa, gritou: “Ouviram isso? Acham que precisamos de mais
testemunhas? Vocês testemunharam a blasfêmia. Vão deixar que isso fique
assim?”. Por unanimidade, eles o condenaram. E foi sentença de morte.
65 Alguns começaram a cuspir nele. Vendaram lhe os olhos e batiam
nele, provocando: “Quem bateu em você? Profetize!”. Os guardas levaram-no dali,
sem interromper o espancamento.
66 Enquanto isso, Pedro estava no pátio. E aconteceu que uma das
empregadas do sacerdote principal, vendo Pedro se aquecer ali, olhou para ele e
disse: “Você estava com Jesus, o Nazareno”.
68 Mas ele negou: “Não sei do que você está falando”. Quando ele
passou pelo pórtico, um galo cantou.
69 A moça apontava para ele e dizia aos que estavam por ali: “Ele
é um deles, tenho certeza”. E Pedro negou mais uma vez. Pouco depois, as
pessoas ali começaram a insistir: "Você tem de ser um deles. Está na cara
que você é galileu”.
71 Então, Pedro ficou muito nervoso e jurou: “Nunca vi esse homem
de quem vocês estão falando”. Na mesma hora, o galo cantou pela segunda vez.
Pedro lembrou-se do que Jesus dissera: “Antes que o galo cante duas vezes, você
vai me negar três vezes”. Sem se conter, desabou a chorar."
Marcos 15
Jesus perante Pilatos
"1 A primeira luz do dia, os principais sacerdotes, os
mestres da lei e os líderes religiosos convocaram uma sessão com todo o
Concílio judaico. Eles amarraram Jesus com cuidado e foram levá-lo a Pilatos.
2 Pilatos perguntou: “Você é o ‘Rei dos judeus’?”. Jesus
respondeu: “Se você diz”. Os principais sacerdotes derramaram diante do
governador um dilúvio de acusações.
4 Pilatos insistiu: “Você não vai responder nada? São muitas
acusações!”. Mesmo assim, ele ficou em silêncio. Pilatos ficou impressionado.
6 Havia o costume de se libertar um prisioneiro na festa, qualquer
um que o povo pedisse. Na ocasião, havia outro prisioneiro, chamado Barrabás,
preso com revoltosos que haviam cometido assassinato num levante contra Roma. A
multidão logo iria apresentar seu pedido, e Pilatos se antecipou a eles: “Vocês
querem que eu liberte o Rei dos judeus?”. O governador sabia que fora por pura
inveja que os sacerdotes haviam entregado Jesus.
11 No entanto, os principais sacerdotes haviam orientado a
multidão para que pedissem a libertação de Barrabás. Mas Pilatos perguntou:
“Então, o que farei com este homem que vocês chamam Rei dos judeus?”.
13 Eles gritaram: “Crucifique-o!”.
14 Pilatos objetou: “Mas por qual crime?”. Contudo, eles gritavam
ainda mais alto: “Crucifique-o!”.
15 Pilatos atendeu ao pedido da multidão: libertou Barrabás e
entregou Jesus para ser açoitado e crucificado.
16 Os soldados levaram Jesus ao palácio (chamado Pretório) e
reuniram uma tropa inteira. Vestiram-no com um manto de púrpura e puseram uma
coroa de espinhos na cabeça dele. Então, começou a zombaria: “Viva o Rei dos
judeus!”. Eles lhe batiam na cabeça com um bastão, cuspiam nele e se ajoelhavam
diante dele, como se o reverenciassem. Quando cansaram das chacotas,
tiraram-lhe o manto de púrpura e o vestiram de novo com as suas roupas. Então o
levaram para crucificá-lo.
21 Um homem estava passando, de volta do trabalho — Simão de
Cirene, pai de Alexandre e Rufo. Eles o obrigaram a carregar a cruz de Jesus.
22 Os soldados levaram Jesus ao Gólgota, que significa “colina da
Caveira”. Ofereceram-lhe vinho misturado com mirra, para aliviar a dor, mas ele
não aceitou. Então o pregaram na cruz. Depois fizeram um sorteio para ver quem
ficaria com suas roupas.
25 Jesus foi crucificado às nove horas da manhã. A acusação — O
Rei dos judeus — foi escrita numa placa. Com ele, crucificaram dois criminosos,
um à direita e outro à esquerda. Os que passavam caçoavam, sacudindo a cabeça e
ironizando: “Você alegou que poderia destruir o templo e reconstruí-lo em três
dias — mostre agora seu poder. Salve-se! Se você é mesmo o Filho de Deus, desça
da cruz!”.
31 Os principais sacerdotes e os líderes religiosos também estavam
ali, misturados ao povo, divertindo-se e zombando de Jesus: “Ele salvou os
outros, mas não pode se salvar! Ele é mesmo o Messias, o Rei de Israel? Então,
desça da cruz, e todos nós acreditaremos em você”. Até os que estavam
crucificados com ele participavam da zombaria.
33 Então, do meio-dia às três da tarde, toda a terra ficou na
escuridão. Cerca das três horas da tarde, Jesus gritou bem alto: "Eloí,
Eloí; lamá sabactâni que quer dizer: “Meu Deus! Meu Deus! Por que me
abandonaste?”.
35 Alguns dos que viram aquilo o ouviram e disseram: “Ele está
chamando Elias”. Um deles correu, pegou uma esponja mergulhada em vinagre e
ergueu-a numa haste e deu de beber a Jesus, e disse: “Vamos ver se Elias vem
para tirá-lo daí”.
37 E depois de um grito de dor, Jesus deu seu último suspiro.
Naquele instante, a cortina do templo rasgou-se ao meio, de alto a baixo.
Quando o capitão da guarda viu que Jesus já não respirava mais, exclamou: “Ele
era o Filho de Deus!”.
40 Algumas mulheres observavam a distância, entre elas Maria
Madalena, Maria, mãe do jovem Tiago e de José, e Salomé. Quando Jesus estava na
Galiléia, elas o seguiam e serviam e tinham vindo com ele para Jerusalém.
42 Mais tarde, sendo o Dia da Preparação (isto é, a véspera do
sábado), apareceu José de Arimatéia, membro respeitado do Concílio judaico. Ele
aguardava com expectativa a vinda do Reino de Deus. Enchendo-se de coragem,
procurou Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Pilatos duvidou que ele tivesse
morrido tão rapidamente e mandou o capitão verificar se Jesus estava de fato
morto. Com a garantia do capitão, ele entregou o corpo a José.
46 José havia comprado um lençol de linho. Depois, envolveu o
corpo e o depositou no túmulo que havia escavado na rocha. Pôs uma grande pedra
na entrada. Maria Madalena e Maria, mãe de José, observaram o
sepultamento."
Marcos 16
A ressurreição de Jesus
"1 Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e
Salomé trouxeram especiarias para embalsamar Jesus. Na manhã de domingo, assim
que o sol raiou, elas foram ao túmulo. Estavam preocupadas e diziam umas às
outras: “Quem irá rolar a pedra do túmulo para nós?”.
4 Ao chegar, elas descobriram que a pedra já havia sido rolada —
era uma pedra muito grande. Elas se aproximaram e viram um jovem vestido de
branco assentado à direita. Ficaram muito assustadas.
6 Então, ele lhes disse: “Não tenham medo. Sei que vocês procuram
Jesus, o Nazareno, aquele que foi crucificado. Ele ressuscitou, não está mais
aqui. Vejam vocês mesmas que o lugar está vazio. Agora, podem ir! Digam aos
discípulos dele e a Pedro que ele vai adiante de vocês para a Galiléia. Vocês o
verão lá, exatamente como ele disse”.
8 Elas saíram o mais rápido que puderam, nervosas e ainda um tanto
atordoadas. Amedrontadas, não disseram nada a ninguém.
9 Depois de ressuscitar, Jesus apareceu bem cedo, na manhã de
domingo, para Maria Madalena, a quem havia libertado de sete demônios. Ela
procurou os antigos companheiros na fé, chorando, e deu a notícia a eles.
Quando ouviram que ele estava vivo e que ela o tinha visto, não acreditaram
nela.
12 Mais tarde, ele apareceu, de forma diferente, a dois deles que
caminhavam pelo campo. Eles voltaram e contaram aos demais, mas estes também
não acreditaram no relato.
14 Depois disso, quando os onze estavam jantando, ele apareceu e
os repreendeu severamente pela incredulidade, pois se recusavam a acreditar nos
que o tinham visto ressuscitado. Então, ele ordenou: “Saiam pelo mundo. Vão a
toda parte e anunciem a Mensagem com as boas notícias de Deu para todos.
Quem crer e for batizado está salvo; quem se recusar a crer está condenado.
17 Estes são alguns dos sinais que acompanharão os que crerem:
eles vão expulsar demônios em meu nome, falar em novas línguas, pegar em
serpentes e até beber veneno sem que nada lhes aconteça; também vão impor as
mãos sobre os enfermos e curá-los”.
19 Então, o Senhor Jesus, depois de orientá-los, foi elevado ao
céu e assentou-se ao lado de Deus no lugar da mais alta honra. Os discípulos
saíram por toda parte, pregando. O Senhor trabalhava com eles, confirmando a
Mensagem com provas inquestionáveis.
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