O Primeiro Livro de Samuel
Introdução
O Primeiro Livro de Samuel registra a passagem do período dos juízes para o período dos reis. Essa mudança na vida nacional de Israel gira principalmente em torno de três nomes: Samuel, Saul e Davi. Samuel foi o último dos juízes. Saul foi o primeiro rei de Israel, e Davi, o segundo.
Da leitura deste livro, bem como da dos outros livros históricos
do Antigo Testamento, aprendemos que a fé em Deus traz bênçãos, enquanto a
desobediência leva à desgraça. Essa verdade foi dita pelo próprio Deus ao
sacerdote Eli: “aos que me honram, honrarei, porém
os que me desprezam serão desmerecidos” (2.30).
No princípio, o povo de Israel não entendeu bem o que significava
ter um rei. Deus era considerado o verdadeiro rei de Israel, mas, em
resposta ao pedido do povo, ele escolheu um rei para eles. Tanto o rei como
o povo viviam debaixo da autoridade e do julgamento de Deus (2.7-10). Os
direitos de todo o povo, ricos e pobres, eram garantidos pelas leis de Deus.
Esquema do conteúdo
1. Samuel, profeta e juiz sobre
Israel (1.1—7.17)
2. Israel pede um rei (8.1-22)
3. Saul se torna rei (9.1—10.27)
4. Os primeiros anos do reinado de
Saul (11.1—15.35)
5. Davi a Saul (16.1—30.31)
6. A morte de Saul e de seus
filhos (31.1-13)
1Samuel 1
Elcana e suas
mulheres
"1 Havia um homem que morava
em Ramataim. Era descendente da família de Zufe, das montanhas de Efraim. Seu
nome era Elcana. (O parentesco dele com Zufe de Efraim era por parte de seu
pai, Jeroão, seu avô Eliú e seu bisavô Toú.) Ele tinha duas mulheres. A
primeira chamava-se Ana, a outra, Penina.
Penina tinha filhos, mas Ana não.
3 Todo ano, esse homem viajava até
Siló para adorar e oferecer sacrifício ao Senhor dos Exércitos de Anjos. Eli e
seus dois filhos, Hofni e Fineias, eram os sacerdotes do Eterno. Elcana
oferecia o sacrifício e servia a refeição sagrada a sua mulher Penina e a seus
filhos, mas sempre dava uma porção generosa para Ana, porque a amava muito e
pelo fato de o Eterno não ter dado filhos a ela.
Sua rival a provocava sem dó, irritando-a e sempre lembrando-a de que o
Eterno a deixara sem filhos. Isso acontecia todos os anos. Sempre que a
família ia ao santuário do Eterno, Ana já sabia que seria provocada. Ela
chorava e até perdia o apetite.
8 Certa vez, Elcana, o marido,
perguntou: “Ana, por que você sempre chora? Por que não come? Por que está tão
triste?
Não sou melhor para você que dez filhos?”.
9 Naquele dia, depois de comer,
Ana se recompôs e, de mansinho, foi para o santuário. O sacerdote Eli, como de
costume, estava sentado numa cadeira à entrada do santuário do Eterno. Aflita,
Ana orou ao Eterno. Desconsolada, ela chorava. Então, fez um voto: “Ó
Senhor dos Exércitos de Anjos, se atentares para o meu sofrimento, se deixares
de me ignorar e agires a meu favor, dando-me um filho, eu o dedicarei sem
reservas a ti. Eu o separarei para uma vida de santa disciplina”.
12 Enquanto ela orava ao Eterno,
Eli a observava atentamente. Ana orava em silêncio, com o coração. Seus lábios
se mexiam, mas não saía som algum de sua boca. Eli pensou que ela estivesse
embriagada; por isso, se aproximou dela e perguntou: “Você está bêbada? Até
quando vai ficar assim? Largue esse vício, mulher!”.
15 Ana respondeu: “Não, senhor!
Estou muito angustiada.
Não andei bebendo. Não bebi vinho nem qualquer outra bebida forte. Estou
apenas abrindo o meu coração para o Eterno. Não pense que sou uma mulher sem
moral. Estou desesperada e sofro muito; por isso, estou aqui há tanto tempo”.
17 Ele disse: “Vá em paz! Que o
Deus de Israel atenda ao seu pedido”.
18 Ela pediu: “Pense sempre bem de
mim!”.
Depois disso, voltou para junto do marido e comeu com apetite. Agora
estava radiante.
19 Eles se levantaram bem cedo,
adoraram ao Eterno e retornaram para Ramá. Elcana teve relações com Ana, e o
Eterno lembrou-se do seu pedido.
20 Antes do final do ano, Ana
engravidou e teve um filho.
Deu a ele o nome Samuel, pois disse: “Eu o pedi ao Eterno”.
21 Quando chegou, outra vez, a
época de Elcana voltar a Siló para o sacrifício anual e para cumprir o seu
voto, Ana não o acompanhou. Ela disse ao marido:
“Depois que o menino for desmamado, eu o levarei e o apresentarei ao
Eterno. Ele ficará ali para sempre”.
23 Elcana respondeu: “Faça o que
você achar melhor. Fique em casa até o menino estar desmamado. Sim! Que o
Eterno conclua o que ele começou!”. Naquele ano, ela ficou em casa e amamentou
o filho. Depois que o desmamou, ela o levou a Siló, com uma oferta generosa
para a refeição sagrada: um novilho de três anos, farinha e vinho. O menino
ainda era bem novo!
25 Eles mataram o novilho e,
depois, levaram o menino a Eli.
Ana disse: “Senhor! Acredita que eu sou aquela mulher que estava neste mesmo
lugar, diante do senhor, orando ao Eterno? Eu orava por esta criança, e o
Eterno concedeu a mim o que pedi. Agora, eu o estou dedicando ao Eterno — por
toda a vida”.
Eles adoraram ao Eterno ali."
1Samuel 2
O cântico de
Ana
"1 Ana orou: “Canto de
alegria por causa das notícias do Eterno! Estou andando nas nuvens. Estou rindo
dos meus rivais,
porquanto me alegro na tua salvação, óh Eterno.
2 “Não há santo como o Eterno,
nenhum rochedo como Deus. Não falem com arrogância — não saiam de sua
boca palavras de orgulho! Pois o Eterno conhece todas as coisas.
Ele mede tudo que acontece. As armas dos fortes são esmigalhadas, mas os fracos
são revigorados. Os mais abastados agora mendigam o pão nas ruas, mas os
famintos têm comida em dobro. A mulher estéril está com a casa cheia de filhos,
mas a mãe de muitos ficou sem eles.
6 O Eterno traz a morte e o Eterno
traz a vida, faz descer à cova e faz ressurgir. O Eterno faz empobrecer e envia
riquezas; ele rebaixa e exalta. Ele põe o pobre de pé outra vez; anima os
esgotados com nova esperança, restaura na vida deles a dignidade e o respeito;
faz que tenham um lugar ao sol! Pois, ao Eterno, pertencem as próprias
estruturas da terra; ele estabeleceu a terra sobre um fundamento bem firme.
Ele protege os amigos fiéis o tempo todo, mas deixa o perverso tropeçar na escuridão.
Ninguém consegue sucesso nesta vida por esforço próprio!
Os inimigos do Eterno serão destruídos com rajadas do céu: serão amontoados e
queimados.
O Eterno estabelecerá a justiça sobre toda a terra, ele dará força ao rei, ele
estabelecerá o seu ungido sobre todo o mundo!”.
11 Elcana voltou para sua casa, em
Ramá. O menino ficou servindo ao Eterno sob os cuidados do sacerdote Eli.
12 Eram, porém, os filhos de Eli,
filhos rebeldes e não se importavam com o Eterno e levavam o ofício sacerdotal
na brincadeira. Quando alguém oferecia um sacrifício, era costume o ajudante do
sacerdote chegar e, enquanto a carne estava ainda cozinhando, meter o garfo de
três pontas na panela. O que ele tirasse com o garfo era a porção do sacerdote.
Mas os filhos de Eli agiam de outro modo com os israelitas que vinham oferecer
sacrifício em Siló. Antes mesmo de se queimar a gordura para Deus, eles
mandavam o ajudante do sacerdote dizer ao que estava oferecendo o sacrifício:
“Dê um pouco desta carne para o sacerdote assar. Ele não gosta de carne cozida,
só de carne mal passada”. Se a pessoa resistisse, dizendo: “Deixe primeiro
queimar a gordura, a porção de Deus! Depois, leve o que quiser! O ajudante
insistia: “Não. Eu preciso agora. Se não me der, vou ter de tomá-la à força”.
Era horrível o pecado que os dois jovens cometiam — bem na presença do
Eterno, profanando a oferta sagrada.
18 Era essa a situação na época em
que Samuel, ainda menino, costumava usar uma túnica de linho e servia ao
Eterno. Todo ano, sua mãe fazia uma pequena túnica, de acordo com o tamanho de
Samuel, e entregava a ele quando ela e o marido vinham para o sacrifício anual.
Eli abençoava Elcana e sua mulher, dizendo:
“O Eterno dê filhos no lugar do menino que vocês dedicaram ao Eterno”. Com
isso, voltavam para casa.
21 O Eterno foi muito
bondoso para com Ana: ela teve mais três filhos e duas filhas! O menino
Samuel permaneceu no santuário e crescia diante do Eterno.
22 Na época, Eli já era um homem
idoso. Ele ficou sabendo que seus filhos tratavam mal o povo e dormiam
com as mulheres que ajudavam no santuário. O pai chamou a atenção
deles: “O que está acontecendo? Por que estão agindo desse modo? A toda
hora ouço conversas sobre a maldade e o péssimo comportamento de vocês. Ah,
meus filhos, isso não está certo!
O povo do Eterno está dizendo coisas terríveis a respeito de vocês! Se
vocês pecarem contra outra pessoa, ainda há esperança, Deus terá compaixão.
Mas, se estão pecando contra o Eterno, quem os defenderá?”.
25 Mas eles estavam tão
obcecados pela maldade que as palavras do pai entraram por um ouvido e saíram
pelo outro. Diante disso, a paciência do Eterno se esgotou, e ele decretou a
morte daqueles rapazes. Mas o jovem Samuel era dedicado ao trabalho,
abençoado pelo Eterno e estimado pelo povo.
27 Um homem de Deus certa vez
disse a Eli: “O Eterno diz:
‘Eu me revelei a seus antepassados quando eles eram escravos do faraó no Egito.
De todas as tribos de Israel, escolhi sua família para que vocês sejam meus
sacerdotes: para presidir o altar, queimar o incenso e vestir as roupas
sacerdotais na minha presença. Encarreguei seus ancestrais de todas as ofertas
de sacrifício em Israel. Por que vocês, agora, tratam as ofertas de sacrifício
que ordenei para minha adoração como simples pilhagem? Por que você dá
mais valor a seus filhos que a mim, permitindo que eles engordem com as
ofertas, ignorando a minha vontade? Por isso, esta é a palavra do
Eterno, o Deus de Israel: ainda que eu tenha prometido a seus antepassados que
vocês seriam meus sacerdotes para sempre, agora — lembre-se, palavra do Eterno!
— não é possível continuar assim. “‘Eu honro os que me honram; mas
os que me desprezam serão humilhados.
31 “‘Saiba disto: muito em breve,
eliminarei sua família e sua descendência. Ninguém de sua família chegará à
idade avançada! Você verá coisas boas acontecerem em Israel e ficará triste,
porque ninguém de sua família viverá para desfrutá-las.
Deixarei uma pessoa da família para continuar servindo no meu altar, mas a vida
será sofrida, com muitas lágrimas.
O restante de sua família morrerá cedo. O que acontecer com seus filhos, Hofni
e Finéias, será a prova disso: ambos morrerão no mesmo dia.
Então, estabelecerei para mim um sacerdote de verdade.
Ele fará o que eu desejo e será o que eu quero que ele seja. Eu o protegerei, e
ele cumprirá o seu dever livremente no serviço do meu ungido. Os que
sobreviverem de sua família vão pedir esmolas a ele, dizendo: Por favor,
deixe-nos fazer algum trabalho de sacerdote, para ao menos termos o que
comer!’”."
1Samuel 3
Deus fala com
Samuel numa visão
"1 O menino Samuel servia ao
Eterno sob a orientação de Eli. Naquele tempo, raramente se via ou ouvia alguma
revelação do Eterno. Certa noite, Eli já estava dormindo (sua vista já estava
fraca, ele não enxergava direito). Bem antes do amanhecer, quando a lâmpada do
santuário ainda estava acesa, Samuel dormia no santuário do Eterno, no qual
estava a arca de Deus.
4 Naquela noite, o Eterno o
chamou: “Samuel, Samuel”.
Samuel respondeu: “Pois não! Estou aqui”. E foi até onde Eli estava, dizendo:
“Eu ouvi o senhor me chamar. Estou aqui”.
Eli disse: “Não chamei você. Volte para a cama! E Samuel voltou.
6 O Eterno o chamou novamente: “Samuel, Samuel!”.
Samuel levantou-se e foi de novo falar com Eli: “Eu ouvi o senhor me chamar.
Estou aqui”. Outra vez, Eli disse: “Filho, não chamei você. Volte para a cama”.
(Isso aconteceu antes que Samuel conhecesse o Eterno. Foi antes de o Eterno se
revelar a ele pessoalmente).
8 O Eterno o chamou pela terceira
vez: “Samuel!”. Mais uma vez, Samuel
se levantou, foi até onde Eli estava e disse: “Pois não! Ouvi o senhor me
chamar. Estou aqui”. Então, Eli percebeu que o Eterno estava chamando o menino.
O sacerdote disse a Samuel: “Volte para a cama. Se você ouvir a voz outra vez,
diga:
‘Fala, Deus. Teu servo está pronto para ouvir’”.
Samuel voltou para a cama.
10 O Eterno veio, ficou do lado
dele, como nas outras vezes, e o chamou: “Samuel,
Samuel!”. Ele respondeu: “Fala, Deus. Teu servo está pronto para
ouvir”.
11 O Eterno disse a Samuel: “Preste atenção. Estou prestes a fazer algo em Israel que
deixará o povo abalado. Chegou a hora de cumprir o que eu disse que faria à
família de Eli. Ele ficará sabendo que o tempo chegou. A família dele está
condenada.
Ele sabe o que está acontecendo, que seus filhos profanam o nome e o
santuário de Deus, e ele nunca tomou providência. Minha sentença contra a
família de Eli é esta:
O pecado da família de Eli jamais será eliminado por algum sacrifício ou alguma
oferta”.
15 Samuel ficou deitado até o
amanhecer. Levantou-se bem cedo e foi cumprir a sua obrigação, que era abrir as
portas do santuário. Mas não estava querendo contar a visão a Eli.
16 Mais tarde, Eli chamou Samuel:
“Samuel, meu filho!”.
Samuel veio depressa: “Pois não! Em que posso ajudar?”.
17 “O que o Eterno disse a você?
Conte-me tudo. Não esconda nada, não amenize nem mesmo uma palavra. Deus é seu
juiz! Quero saber tudo que ele disse a você.”
18 Samuel contou tudo a Eli. Não
escondeu nada. Eli disse:
“É o Eterno. Que Ele faça o que achar melhor”.
19 Samuel crescia. O Eterno estava
com ele, e a reputação profética de Samuel era impecável. Todos em Israel, de
Dã, ao norte, até Berseba, ao sul, reconheciam que Samuel era íntegro, um
verdadeiro profeta do Eterno.
O Eterno continuou aparecendo em Siló. Ele se revelava por meio de sua
palavra a Samuel."
1Samuel 4
Os filisteus
vencem os israelitas
"1 Tudo que Samuel dizia era
anunciado por todo o Israel. Um dia, Israel saiu à guerra contra os filisteus.
Os israelitas armaram acampamento em Ebenézer, e os filisteus, em Afeque. Os
filisteus marcharam contra Israel. A luta se intensificou, e Israel sofreu uma
amarga derrota — cerca de quatro mil homens caíram mortos no campo de batalha.
Quando as tropas retornaram ao acampamento, os líderes de Israel disseram: “Por
que o Eterno permitiu que os filisteus nos derrotassem? Vamos trazer a arca da
aliança do Eterno, que está em Siló. Ela vai nos acompanhar e nos livrar da
opressão de nossos inimigos”.
4 O exército mandou emissários a
Siló, e eles trouxeram a arca da aliança do Senhor dos Exércitos de Anjos, que
está entronizado entre os querubins.
Os filhos de Eli, Hofni e Fineias, acompanharam a arca.
5 Quando a arca da aliança
do Eterno chegou ao acampamento, todos vibraram de alegria. Os gritos pareciam
um trovão, e o chão tremia. Ouvindo os gritos, os filisteus tentavam
adivinhar o que estava acontecendo e se perguntavam:
“Que gritaria é essa entre os hebreus?”.
6 Mais tarde, eles descobriram que
a arca do Eterno tinha chegado ao acampamento dos hebreus e entraram em pânico:
“Os deuses deles chegaram ao acampamento! Nunca aconteceu algo assim
conosco. Estamos perdidos! Quem nos livrará das garras desses deuses poderosos?
São os mesmos deuses que feriram os egípcios com tudo que era praga no deserto.
Levantem-se, filisteus! Coragem! Corremos o risco de nos tornar escravos dos
hebreus, assim como eles foram nossos escravos. Mostrem sua força! Lutem pela
sua vida!”.
10 Eles lutaram como nunca e
puseram Israel para correr. Massacraram os israelitas sem dó nem piedade.
Os soldados sobreviventes fugiram, deixando atrás de si trinta mil mortos. Como
se não bastasse, a arca de Deus foi levada. Os dois filhos de Eli, Hofni
e Fineias, foram mortos nessa batalha.
12 Um benjamita, que tinha saído
da linha de combate, correu para Siló. Quando chegou à cidade, tinha a camisa
rasgada e o rosto sujo. Eli estava sentado na sua cadeira, perto do caminho,
aguardando notícias, pois estava muito preocupado com a arca de Deus. Quando o
rapaz entrou na cidade para dar a notícia, o povo, ficou chocado com a notícia
e começou a chorar.
Eli ouviu o choro e perguntou: “O que está acontecendo?”.
O mensageiro contou a notícia ao sacerdote. Eli tinha 98 anos de idade e estava
cego. O rapaz disse a Eli: “Acabei de voltar da linha de combate. Quase perdi a
vida”. Eli perguntou:
“O que aconteceu, meu filho?”.
17 O mensageiro respondeu: “Israel
fugiu dos filisteus. Foi uma derrota catastrófica, com muitas baixas. Seus
filhos, Hofni e Fineias, morreram, e a arca de Deus foi levada”.
18
Quando Eli ouviu que a arca de Deus tinha sido capturada, caiu da cadeira para
trás, perto da porta, onde estava sentado. Ele era velho e gordo e, quando
caiu, quebrou o pescoço e morreu.
Ele tinha servido Israel durante quarenta anos.
19
Sua nora, esposa de Fineias, estava grávida, e faltava pouco tempo para dar à
luz. Quando ouviu que a arca de Deus tinha sido levada e que seu sogro e seu
marido estavam mortos, ela entrou em trabalho de parto. Ela estava morrendo, e
a parteira disse: “Fique tranquila. Você teve um menino!”.
Mas ela não respondeu. A arca de Deus foi levada, o sogro estava morto, o
marido também; então, ela deu ao filho o nome de Icabô (Foi-se a Glória),
dizendo: “Israel perdeu a glória, já que a arca de Deus foi capturada”."
1Samuel 5
A arca na
casa de Dagom
"1 Depois que os filisteus
tomaram a arca de Deus, eles a levaram de Ebenézer para Asdode e a depositaram
no santuário deles, perto do ídolo de Dagom.
3 Na manhã seguinte, quando
os moradores de Asdode se levantaram, ficaram chocados ao encontrar Dagom
tombado no chão, diante da arca do Eterno. Eles o levantaram e o
puseram de volta no lugar. Na manhã seguinte, lá estava ele de novo,
prostrado diante da arca do Eterno. Dessa vez, a cabeça e os braços do ídolo
estavam quebrados, espalhados pela soleira.
Só o tronco ficou inteiro. (Por isso, os sacerdotes de Dagom e os que
trazem oferendas ao santuário de Dagom, em Asdode, até hoje evitam pisar na
soleira).
6 O Eterno castigou com severidade
o povo de Asdode, provocando tumores na população. Isso aconteceu na cidade e
nos arredores. Ele permitiu que os ratos proliferassem ali.
Os roedores saíram dos navios e tomaram conta da cidade!
Os moradores ficaram aterrorizados.
7 Quando viram o que estava
acontecendo, os líderes de Asdode concluíram: “A arca do Deus de Israel
precisa ser levada embora. Nem nós nem nosso deus Dagom podemos suportar mais
esta situação!”. Eles convocaram todos os líderes filisteus e os
consultaram: “Como vamos fazer para nos livrar da arca do Deus de Israel?”. Os
líderes decidiram: “Mandem a arca para Gate”. Assim, a arca do Deus de Israel
foi enviada para aquela cidade.
9 Mas, assim que a arca chegou a
Gate, o Eterno também castigou aquela cidade severamente. O pânico era geral!
Os cidadãos contraíram tumores, que infectaram toda a população da cidade,
jovens e velhos.
10 Por isso, decidiram enviar a
arca de Deus para Ecrom, mas antes de ela entrar na cidade, o povo gritou em
protesto:
“Vocês vão nos matar, trazendo a arca do Deus de Israel para cá!”. O povo foi
procurar os líderes dos filisteus e exigiu:
“Tirem a arca do Deus de Israel daqui. Que ela volte para o seu lugar, porque
estamos ameaçados de extinção!”. Estavam todos apavorados porque Deus já
os estava castigando enquanto a arca ainda se aproximava. Quem
não morria era atingido por tumores. Por toda a cidade, as pessoas gritavam de
dor, e havia gente chorando em todo lugar."
1Samuel 6
Os filisteus
enviam a arca para fora da sua terra
"1 A arca do Eterno estava
entre os filisteus havia sete meses, e os líderes do povo foram consultar as
autoridades religiosas, os sacerdotes e os especialistas em fenômenos
sobrenaturais e perguntaram: “Como vamos nos livrar da arca do Eterno? Como nos
livraremos sem que aconteça o pior? Precisamos saber”.
3 Eles responderam: “Se vocês
quiserem devolver a arca do Deus de Israel, não a devolvam simplesmente, sem
oferecer nada.
Será preciso uma compensação. Assim, vocês serão curados, pois Deus aliviará o
castigo”.
4 “E o que, exatamente, seria uma
boa compensação?”.
Eles responderam: “Cinco tumores de ouro e cinco ratos de ouro, de acordo com o
número de líderes filisteus. Já que todos vocês, os líderes e o povo, foram
atingidos pela mesma praga, façam imitações dos tumores e dos ratos que devastam
a nação e apresentem esses itens como oferta, para a glória do Deus de Israel.
Assim, talvez ele deixe de castigar vocês, os seus deuses e a sua nação. Não
sejam obstinados, como os egípcios e o faraó. Deus os feriu até que deixassem
os hebreus sair.
Só assim, ele os deixou em paz.
7 “Portanto, façam o seguinte:
tomem uma carroça nova e duas vacas que nunca puxaram carroça. Amarrem os
animais à carroça e prendam suas crias no curral. Ponham a arca do Eterno sobre
a carroça. Num saco ao lado da arca, ponham as imitações de ouro dos tumores e
dos ratos que vocês estão oferecendo como compensação. Depois, deixem as vacas
por conta própria e fiquem observando. Se elas seguirem direto para a terra de
onde vieram, na direção de Bete-Semes, está claro que essa catástrofe veio por
juízo divino. Caso contrário, saberemos que não foi castigo de Deus, mas foi
algo acidental”.
10 Eles seguiram as instruções.
Amarraram duas vacas a uma carroça, puseram as crias no curral e puseram a arca
do Eterno e o saco com os ratos e os tumores de ouro sobre a carroça.
As vacas seguiram direto pela estrada de Bete-Semes: não se desviaram nem para
a direita nem para a esquerda. Os líderes dos filisteus as seguiram até perto
de Bete-Semes.
13 Os moradores de Bete-Semes
estavam colhendo trigo no vale. De repente, eles avistaram a arca. Eufóricos,
correram ao encontro dela. A carroça entrou no campo de Josué, morador de
Bete-Semes, e ali estacionou, perto de uma grande rocha.
Os ceifeiros desmancharam a carroça, transformando-a em lenha, e sacrificaram
as vacas como oferta queimada ao Eterno. Os levitas puseram a arca do Eterno e
o saco com as ofertas de ouro sobre a grande rocha. Naquele dia, os moradores
de Bete-Semes, muito animados, ofereceram sacrifícios e adoraram ao Eterno.
16 Os líderes filisteus observaram
toda aquela movimentação e, depois, retornaram para Ecrom.
17
As cinco imitações de ouro dos tumores foram oferecidas pelos filisteus como
oferta pela culpa pelas cidades de Asdode, Gaza, Ascalom, Gate e Ecrom. Os
cinco ratos de ouro correspondiam ao número das cidades dos filisteus, pequenas
e grandes, governadas pelos cinco líderes. A grande pedra sobre a qual foi
posta a arca do Eterno continua até hoje no campo de Josué, em Bete-Semes.
19
O Eterno feriu alguns homens de Bete-Semes que, por curiosidade e
irreverência, espiaram dentro da arca do Eterno. Setenta homens morreram, e
toda a cidade ficou de luto, chocada com o rigor do Eterno, e questionava:
"Quem pode permanecer na presença do Eterno, esse Deus santo? Quem vai se
responsabilizar pela arca?”.
21
Eles mandaram mensageiros a Quiriate-Jearim, dizendo:
“Os filisteus devolveram a arca do Eterno. Venham buscá-la”."
1Samuel 7
Exortação de
Samuel ao arrependimento
"1 Os homens de
Quiriate-Jearim foram buscar a arca do Eterno e a deixaram na casa de
Abinadabe, que ficava na colina. Designaram seu filho Eleazar responsável pela
arca do Eterno.
2 Passou-se muito tempo desde que
a arca foi levada para Quiriate-Jearim: nada menos do que vinte anos.
Em todo o Israel, havia respeito absoluto pelo Eterno.
3 Um dia, Samuel propôs ao povo de
Israel: “Se vocês quiserem mesmo voltar para o Eterno, livrem-se dos
deuses estranhos e das deusas da fertilidade. Depositem a sua confiança no
Eterno, sirvam apenas a ele, e ele livrará vocês da opressão dos filisteus”.
4 Eles obedeceram. Destruíram os
deuses e as deusas, as imagens de Baal e Astarote, e passaram a se dedicar
exclusivamente ao serviço do Eterno.
5 Em seguida, Samuel disse:
“Reúnam todos em Mispá para que eu interceda pelo povo”.
6 Todos os israelitas se reuniram
em Mispá. Eles tiraram água do poço e a derramaram perante o Eterno, como
ritual de purificação. Depois de jejuar o dia todo, confessaram:
“Pecamos contra o Eterno!”. Assim, Samuel preparou os israelitas
para a guerra santa ali em Mispá.
7 Quando os filisteus souberam que
os israelitas estavam reunidos em Mispá, os líderes dos filisteus partiram para
a ofensiva. Israel foi informado da mobilização deles e teve medo. Os filisteus
os estavam ameaçando outra vez!
8 O povo suplicou a Samuel: “Ore
com toda intensidade e não pare de orar! Interceda ao Eterno, o nosso Deus,
para que ele nos livre dos filisteus”.
9 Samuel ofereceu um cordeiro que
ainda não tinha sido desmamado como oferta queimada ao Eterno.
Ele intercedeu por Israel, e o Eterno respondeu.
10 Enquanto Samuel oferecia o
sacrifício, os filisteus se aproximavam, dispostos a atacar Israel. Naquele
momento, o Eterno trovejou sobre os filisteus, e eles entraram em pânico.
A confusão foi total. Todos correram de Israel, cada um para um canto.
Israel, de Mispá, disparou na perseguição a eles, matando os filisteus em toda
parte, até as proximidades de Bete-Car. Samuel assentou uma pedra entre Mispá e
Sem e deu a ela o nome de Ebenézer (Rocha da Ajuda), dizendo: “Neste
lugar, o Eterno nos ajudou”.
13 Os filisteus aprenderam a lição
e ficaram quietos em seu lugar. Não atravessaram mais a fronteira. O Eterno foi
severo com os filisteus durante toda a vida de Samuel. Todas as cidades que os
filisteus tinham tomado de Israel, de Ecrom a Gate, foram recuperadas. Israel
também livrou os territórios ao redor delas do domínio dos filisteus, e houve
paz entre Israel e os amorreus.
15 Samuel liderou Israel com
firmeza durante toda a sua vida. Todos os anos, ele percorria as cidades de
Betel, Gilgal e Mispá. Em cada lugar, julgava as causas do povo, mas sempre
retornava a Ramá, onde residia. Sua base de governo estava ali.
Nessa cidade, ele erigiu um altar ao Eterno."
1Samuel 8
Os israelitas
pedem um rei
"1 Quando Samuel envelheceu,
ele nomeou seus filhos líderes de Israel. Seu filho mais velho chamava-se Joel,
e o outro, Abias.
Eles foram designados para Berseba, mas eles não seguiram os passos do
pai: procuravam os próprios interesses, recebiam suborno e corrompiam a justiça.
4 Os chefes de Israel se reuniram
e foram reclamar com Samuel em Ramá: “Você já está idoso, e seus filhos não
agem com a mesma integridade. Queremos que faça o seguinte: Nomeie um rei
para nos governar, como é normal entre os outros povos”.
6 Quando eles pediram um rei para
governá-los, Samuel ficou abalado e orou ao Eterno.
7 O Eterno respondeu: “Vá em frente! Faça o que eles pedem. Eles não estão
rejeitando você, mas a mim, para eu não reinar sobre eles. Desde que os
tirei da terra do Egito até agora, eles agem assim, o tempo todo me abandonando
para servir outros deuses. Agora estão fazendo isso com você.
Por isso, deixe que recebam o que estão pedindo. Mas faça que entendam as
consequências desse pedido. Mostre como um rei trabalha e como ele vai
tratá-los”.
10 Samuel explicou com clareza as
implicações de se ter um rei, como ordenou o Eterno: “Vou dizer como agirá o
rei que vocês estão querendo. Ele recrutará seus filhos para seu exército, para
os carros de guerra, para a cavalaria e infantaria, e os arregimentará em
batalhões e esquadrões. Alguns serão submetidos a trabalhos forçados nas terras
dele. Outros serão designados para fabricar armas e equipamentos para os
carros. Ele convocará suas filhas para trabalhar como estilistas, copeiras e
cozinheiras. Ele confiscará as melhores lavouras, vinhas e pomares de vocês
para entregá-las a seus servidores. Ele cobrará impostos da produção das
lavouras e vinhas de vocês para manter a máquina governamental. O melhor da mão
de obra e dos animais de vocês ele usará para benefício próprio e cobrará
impostos sobre os rebanhos. Vocês não serão muito diferentes dos escravos. Um
dia, vocês vão chorar de desespero por causa desse rei que tanto desejam agora.
Mas não pensem que o Eterno ouvirá vocês”.
19 Mas o povo não deu atenção a
Samuel. Eles insistiam:
“Não estamos preocupados com isso! Queremos um rei para nos governar!
Queremos ser como os outros povos.
Nosso rei governará sobre nós, será o nosso líder e comandará nossas tropas na
guerra”.
21 Samuel ouviu a resposta deles e
relatou tudo ao Eterno.
O Eterno disse a Samuel: “Faça o que eles
pedirem. Nomeie um rei sobre eles”. Então, Samuel despediu os homens
de Israel, dizendo: “Voltem cada um para a sua casa”."
1Samuel 9
Saul busca as
jumentas extraviadas e vai ter com Samuel
"1 Havia um homem da tribo de
Benjamim chamado Quis. Ele era filho de Abiel, neto de Zeror, bisneto de
Becorate e trineto de Afia. Era um senhor de ótima reputação. Ele tinha um
filho chamado Saul, um jovem belo e vistoso, como nenhum outro, que se
destacava na multidão por causa da sua altura!
3 Certo dia, alguns jumentos de
Quis escaparam. Quis disse a seu filho: “Saul, vá procurar os jumentos. Leve um
dos ajudantes”. Saul chamou um dos ajudantes e saiu à procura dos animais.
Chegaram às montanhas de Efraim, perto de Salisa, mas não os encontraram.
Prosseguiram até Saalim, todavia, não as acharam. Depois, para Jabim, e nada.
5 Quando chegaram a Zufe, Saul
disse ao seu ajudante:
“Chega! Vamos voltar. Logo, meu pai vai se esquecer dos jumentos e vai ficar
preocupado é com a nossa demora”.
6 O ajudante sugeriu: “Não vamos
nos precipitar. Naquela cidade ali, há um homem de Deus. Ele é muito respeitado
aqui, pois o que ele prevê sempre dá certo. Talvez ele possa nos dizer onde
estão os jumentos”.
7 Saul retrucou: “Mas, para
consultá-lo, não é preciso dar alguma coisa para ele? Não temos mais nem
alimento na sacola.
Não há nada que possamos oferecer ao homem de Deus.
Ou ainda temos?”.
8 O ajudante disse: “Veja! Tenho
esta moeda de prata! Vou dar este dinheiro para o homem de Deus, e ele nos dirá
o que fazer”. (Naquele tempo, em Israel, quando alguém queria consultar Deus
sobre alguma questão dizia: “Vamos consultar o vidente” porque aquele que hoje
chamamos “profeta” era chamado “vidente”).
10 Saul respondeu: “Ótimo! Então,
vamos!”. Eles rumaram para a cidade na qual vivia o homem de Deus.
11 Quando subiam ao monte para
entrar na cidade, encontraram algumas moças que voltavam do poço e perguntaram:
“É aqui que está o vidente?”.
12 Elas responderam: “É, sim!
Sigam em frente. Mas andem depressa. Ele veio hoje porque o povo preparou um
sacrifício no altar. Se entrarem logo na cidade, poderão alcançá-lo antes que
ele suba para o altar para comer. O povo não come até que ele chegue, pois ele
precisa abençoar o sacrifício. Só então, todos comem. Vão depressa! Vocês vão
encontrá-lo, com certeza!”.
14 Eles continuaram subindo até
chegarem à cidade. E ali estava ele, Samuel. Ele vinha na direção deles, a
caminho do altar.
15 Um dia antes, o Eterno tinha
revelado a Samuel:
“Amanhã, a esta hora, enviarei um homem da terra
de Benjamim ao seu encontro. Você deve ungi-lo príncipe sobre o povo de Israel.
Ele livrará o meu povo da opressão dos filisteus. Conheço bem as dificuldades
do povo e ouvi o clamor do povo”.
17 No instante em que Samuel
avistou Saul,
o Eterno disse ao profeta:
“Esse é o homem de que falei. Ele governará o
meu povo”.
18 Saul interpelou Samuel no meio
da rua e perguntou:
“Por favor, o senhor pode me informar onde mora o vidente?”.
19 Samuel respondeu: “Sou eu o
vidente. Acompanhe-me até o altar e coma comigo. Amanhã cedo, direi tudo que
você precisa saber, e você poderá ir embora. Por falar nisso, os jumentos
perdidos, que você procura há três dias, foram encontrados.
Por isso, não se preocupe com eles. Neste momento, o futuro de Israel está em
suas mãos”.
21 Saul respondeu: “Não passo de
um benjamita, a menor tribo de Israel, do clã mais insignificante da tribo.
Por que o senhor fala comigo dessa maneira?”.
22 Samuel conduziu Saul e
seu ajudante até o lugar da refeição no altar e os fez assentar em lugar de
honra à mesa. Havia cerca de trinta convidados, e Samuel disse ao
cozinheiro: “Traga-me o melhor pedaço de carne, aquele que pedi para você
reservar”.
24 O cozinheiro trouxe a carne num
prato decorado e a deixou diante de Saul, dizendo: “Esta porção foi separada
para você. Pode comer! Foi especialmente preparada para esta ocasião e para
estes convidados”. Saul comeu com Samuel.
Foi um dia memorável!
25 Depois, desceram do altar para
a cidade.
Havia uma cama preparada para Saul no terraço arejado da casa em que Samuel
estava.
26 Eles acordaram logo ao clarear
do dia. Samuel chamou Saul no terraço: “Levante-se, é hora de ir”.
Saul levantou-se, e os dois saíram para a rua.
27 Quando se aproximaram da saída
da cidade, Samuel disse a Saul: “Diga ao seu ajudante que siga adiante de nós.
Fique comigo um pouco. Tenho uma mensagem de Deus para você”."
1Samuel 10
Samuel unge a
Saul rei de Israel
"1 Samuel tomou um frasco de
óleo, derramou-o sobre a cabeça de Saul e o beijou. Samuel perguntou: “Você
sabe o que significa isto? O Eterno está ungindo você príncipe sobre todo o seu
povo. “Este sinal confirmará que o Eterno está ungindo você príncipe sobre a
sua herança: depois que você partir daqui, quando se aproximar da sua terra,
Benjamim, você encontrará dois homens perto do túmulo de Raquel. Eles dirão:
‘Os jumentos que você estava procurando foram encontrados. Seu pai já esqueceu
dos jumentos e agora está morrendo de preocupação por você.
3 “Seguindo adiante, você chegará
ao carvalho de Tabor.
Lá, encontrará três homens, que estão subindo para adorar a Deus em Betel. Um
deles estará carregando três cabritos, o outro, três sacolas de pão, e o
terceiro, uma garrafa de vinho. Eles dirão: ‘Olá, como vai?’. E oferecerão dois
pães, que você deve aceitar.
5 “Depois, você chegará a Gibeá,
onde existe uma guarnição militar dos filisteus. Ao se aproximar da cidade,
você encontrará um grupo de profetas, que estarão descendo do santuário,
tocando harpas, tamborins, flautas e tambores. Eles estarão profetizando.
Quando menos esperar, o Espírito do Eterno virá sobre você, e você profetizará
com eles. Você será transformado. Você será renovado!
7 “Quando se cumprirem esses
sinais, você saberá que está pronto: Faça o que a ocasião te pedir. Deus estará
com você!
8 “Agora, desça para Gilgal, e
seguirei você mais tarde.
Também vou para lá e me encontrarei com você, para oferecer ofertas queimadas e
sacrifícios de paz. Aguarde sete dias até eu chegar. Então, direi a você o que
fazer”.
9 Saul seguiu caminho e deixou
Samuel. Naquele momento, Deus transformou Saul — fez dele uma nova pessoa!
Todos aqueles sinais se confirmaram no mesmo dia.
10 Quando eles chegaram a Gibeá,
os profetas apareceram bem na frente deles! Quando menos esperavam, o Espírito
do Eterno veio sobre Saul, e ele começou a profetizar com eles. Quando os conhecidos
de Saul o viram no meio dos profetas, ficaram surpresos e diziam: “O que está
acontecendo? O que aconteceu com o filho de Quis? Como foi que Saul se tornou
profeta?”.
Um homem perguntou: “Quem começou isto? De onde veio esse grupo?”. Foi assim
que ficou famoso o ditado:
“Quem diria: Saul entre os profetas!”.
13 Depois que terminou de
profetizar, Saul voltou para casa.
Seu tio perguntou a ele e a seu ajudante: “Onde vocês estiveram todo esse
tempo?”. Eles responderam: “Estávamos procurando os jumentos. Procuramos por
toda parte e não encontramos.
Por isso, consultamos Samuel!”
15 O tio de Saul perguntou: “O que Samuel disse a vocês?”
16 Saul respondeu: “Ele disse para
não nos preocuparmos, pois os jumentos já tinham sido encontrados”. Mas Saul
não mencionou nada ao seu tio sobre o que Samuel tinha dito sobre o reinado.
17 Samuel convocou o povo, que se
reuniu diante do Eterno em Mispá. Ele declarou ao povo de Israel: “Esta é a
mensagem do Eterno para vocês:
18 “‘Eu tirei Israel da terra do
Egito. Livrei-o da opressão dos egípcios, de todas as ameaças do governo que
tinham tornado a vida de vocês insuportável. Mas agora vocês não querem mais
saber de Deus, o mesmo Deus que livrou vocês de todo tipo de problema. “‘Agora,
vocês dizem: Não! Queremos um rei. Dá-nos um rei! “‘Pois bem, se é o que vocês
querem, é isso que receberão! Apresentem-se perante o Eterno de acordo com as
suas tribos e famílias’”.
20 Depois que todas as tribos de
Israel estavam em seu lugar, foi escolhida a tribo de Benjamim. Depois, Samuel
organizou a tribo de Benjamim por grupos de famílias, e a família de Matri foi
escolhida. A família de Matri se organizou, e do meio dela foi escolhido Saul,
filho de Quis. Mas, quando o procuraram, ninguém soube dizer onde ele estava.
22 Samuel voltou ao Eterno e
perguntou: “Onde ele está?”.
O Eterno respondeu: “Ele está bem aí, escondido
no meio da bagagem”.
23
Eles correram e o encontraram ali. Ele foi levado para o meio do povo,
destacando-se entre os demais, como sempre, porque os ombros e a cabeça ficavam
acima de todos os outros.
24
Samuel dirigiu-se ao povo, dizendo: “Olhem bem para este homem, a quem o Eterno
escolheu. Não há outro como ele entre todo o povo!”. Todo o povo exclamou em
alta voz: “Viva o rei!”.
25
Samuel prosseguiu, instruindo o povo sobre as regras e regulamentações
pertinentes ao reino, e registrou tudo num livro, que foi posto perante o
Eterno.
Em seguida, Samuel mandou o povo de volta para casa.
26
Saul também retornou para Gibeá, acompanhado de alguns homens corajosos, que
Deus inspirou a segui-lo. Alguns vadios saíram resmungando: “Esse daí, um
libertador? Vocês devem estar brincando!”. Eles o desprezavam; por isso, não
deram honras a Saul. Porém Saul se fez de surdo.
28
Naás, rei dos amonitas, estava oprimindo as tribos de Gade e Rúben, arrancando
o olho direito dos moradores e ameaçando todos os que tentavam ajudar Israel.
Foram poucos os israelitas que viviam a leste do rio Jordão que não tiveram os
olhos arrancados por Naás. Mas sete mil homens escaparam dos amonitas e viviam
seguros em Jabes."
1Samuel 11
Saul vence os
amonitas
"1 Naás resolveu atacar
Jabes-Gileade. Os homens de Jabes imploraram a Naás: “Faça um acordo conosco, e
seremos seus súditos”.
2 Naás respondeu: “Faço o acordo
com a seguinte condição: se eu furar o olho direito de todos vocês! Todo homem
e toda mulher de Israel terão de passar por essa humilhação”.
3 Os líderes de Jabes disseram: “Dê-nos
um prazo de sete dias para que consultemos o povo de Israel. Se ninguém vier
nos livrar dentro desse prazo, aceitaremos o acordo”.
4 Os mensageiros chegaram ao lugar
em que Saul residia, em Gibeá, e contaram à população o que estava acontecendo.
O povo chorava desesperado quando Saul chegou, ele voltava do campo com seus
bois. Saul perguntou: “O que aconteceu?
Por que estão todos chorando?”. Eles repetiram as palavras do povo de Jabes.
6 Assim que Saul ouviu a mensagem,
o Espírito de Deus veio sobre ele. Indignado, Saul cortou em pedaços sua junta
de bois ali mesmo. Em seguida, enviou mensageiros a todo o Israel, cada um com
uma parte dos bois, com a seguinte mensagem:
“Isto é o que acontecerá com o boi de quem se recusar a acompanhar Saul e
Samuel!”.
7 O temor do Eterno tomou conta do
povo, e todos se uniram a Saul. Ele assumiu o comando do povo em Bezeque:
trezentos mil homens de Israel e mais trinta mil de Judá.
9 Saul deu ordem aos mensageiros:
“Digam ao povo de
Jabes-Gileade: ‘Vocês receberão ajuda. Aguardem até o meio-dia de amanhã’”. Os
mensageiros saíram correndo para entregar a mensagem. O povo de Jabes ficou
muito contente e mandou dizer a Naás: “Amanhã nos entregaremos, e você poderá
fazer conosco o que desejar”. No dia seguinte, ainda de madrugada, Saul dividiu
o seu exército em três grupos. Ao clarear do dia, eles atacaram o acampamento
inimigo e massacraram os amonitas até o meio-dia.
Os sobreviventes fugiram, espalhando-se por toda parte.
12 Depois da batalha, o povo
perguntou a Samuel: “Onde estão aqueles que disseram que Saul não poderia nos
governar? Entregue-os, e os mataremos!”.
13 Mas Saul disse: “Ninguém será
executado hoje. Porque o Eterno libertou Israel neste dia! Vamos a Gilgal
e, lá, consagremos o reinado outra vez”.
15 E todos foram a Gilgal. Diante
do Eterno, coroaram Saul rei em Gilgal. Ali adoraram e apresentaram sacrifícios
de ofertas de paz. Saul e todo o povo festejaram."
1Samuel 12
Samuel
resigna o seu cargo
"1 Samuel dirigiu-se a todo o
povo de Israel, dizendo: “Atendi a tudo que me pediram, ouvi atentamente tudo
que me disseram e concedi um rei a vocês. Agora, vejam vocês mesmos: O seu rei
está liderando vocês! Mas prestem atenção: estou velho e de cabelos brancos, e
meus descendentes estão no meio de vocês. Fui um líder fiel desde a juventude
até hoje. Olhem para mim! Vocês têm alguma queixa para apresentar perante o
Eterno e seu ungido? Alguma vez tirei vantagem de alguém ou explorei vocês?
Alguma vez recebi dinheiro para burlar a lei? Apresentem sua queixa, e os
compensarei por tudo”.
4 Eles responderam: “De forma
alguma! Você nunca fez nada disso. Você nunca se aproveitou de ninguém e nunca
tomou dinheiro de nós”.
5 Samuel disse: “Então, está
resolvido. O Eterno é testemunha, e o seu ungido também, de que vocês não têm
nada contra mim, nenhuma falta e nenhuma queixa”.
6 O povo respondeu: “Ele é
testemunha”. Samuel continuou: “Esse é o Eterno que designou Moisés e Arão
líderes de vocês e que tirou seus antepassados do Egito. Agora, permaneçam aqui,
para que eu apresente a causa de vocês diante do Eterno, à luz de todos os atos
de justiça realizados diante de vocês e dos seus antepassados. Quando os filhos
de Jacó entraram no Egito, os egípcios os oprimiram, e eles pediram socorro ao
Eterno.
O Eterno enviou Moisés e Arão, que tiraram seus ancestrais do Egito e os
trouxeram para cá.
9 “Mas não demorou, e eles se
esqueceram do Eterno; por isso, ele os entregou a Sísera, comandante do
exército de Hazor. Depois, os entregou à opressão dos filisteus e, então, ao
rei de Moabe. Eles tiveram de lutar para salvar a pele.
10 “Por fim, pediram socorro
ao Eterno e confessaram: ‘Pecamos! Abandonamos o Eterno para adorar os deuses
da fertilidade e as deusas de Canaã. Ah! Livra-nos da crueldade dos nossos
inimigos, e serviremos apenas a ti’.
11 “Foi quando o Eterno enviou
Jerubaal (Gideão), Bedã (Baraque), Jefté e também á mim. Ele os livrou da
opressão dos inimigos ao redor, e vocês puderam viver em paz.
12 “Mas, quando viram Naás, rei
dos amonitas, preparando-se para atacar, vocês me disseram: ‘Estamos
cansados disso. Queremos um rei!’, embora vocês já tivessem o Eterno como rei!
13 “Portanto, aqui está o rei a
quem vocês escolheram, aquele que vocês pediram. O Eterno atendeu ao desejo de
vocês e concedeu um rei a Israel. Se vocês temerem, servirem e obedecerem
ao Eterno, sem se rebelar contra o que ele disser; se vocês e o rei a quem
escolheram seguirem o Eterno, vocês viverão bem. O Eterno protegerá vocês. Mas,
se não obedecerem a ele e se rebelarem contra o que ele disser, a situação de
vocês será pior que a dos seus antepassados.
16 “Prestem atenção! Vejam o
milagre que o Eterno fará diante de vocês! Estamos no verão, como vocês sabem,
e o tempo das chuvas acabou. Mas vou orar ao Eterno, e ele vai mandar
trovões e chuva como sinal, para convencê-los do grande erro que cometeram contra
Deus quando pediram um rei”.
18 Assim, Samuel clamou ao Eterno,
e Deus enviou trovões e chuva naquele mesmo dia. O povo ficou com muito
medo do Eterno e de Samuel.
19 Então, todo o povo implorou a
Samuel: “Interceda ao Eterno por nós, os seus servos. Suplique para que não
morramos! Além de todos os nossos pecados, acrescentamos o de pedir um
rei!”.
20 Samuel os tranquilizou: “Não
temam. De fato, vocês fizeram algo muito errado, mas não deem as costas
ao Eterno.
Adorem a ele com todo o seu coração e com toda a sua força! Não sigam esses
deuses de mentira. Eles não servem para nada. São arremedos de divindades:
nunca vão ajudar vocês.
Já o Eterno, sendo quem Ele é, não vai abandonar seu povo.
O Eterno terá prazer em tê-los como seu povo.
23 “Eu também não vou abandonar
vocês, porque estaria pecando contra o Eterno! Continuarei aqui, em meu lugar,
intercedendo por vocês e ensinando a maneira de viver que agrada a Deus. Peço
apenas que temam o Eterno e que o sirvam com honestidade, de todo o coração.
Todos sabem quanto Ele tem feito por vocês! Mas tomem cuidado: se
continuarem agindo mal, vocês e seu rei serão rejeitados”."
1Samuel 13
Guerra entre
os israelitas e os filisteus
"1 Saul era jovem quando se
tornou rei e reinou muitos anos sobre Israel. Ele recrutou três mil homens,
mantendo dois mil sob seu comando, em Micmás e nas montanhas de Betel. Os
outros ficaram sob o comando de Jônatas, em Gibeá de Benjamim.
O restante foi mandado de volta para casa.
3 Jônatas atacou e matou o comandante
dos filisteus em Gibeá. Quando os filisteus souberam disso, mandaram dizer:
“Os hebreus estão se rebelando!”. Saul mandou tocar as trombetas no território
inteiro, e a notícia correu por todo o Israel: “Saul matou o comandante
filisteu. Os filisteus estão agitados e furiosos!”.
O exército foi convocado e se apresentou a Saul em Gilgal.
5 Os filisteus juntaram forças
para atacar Israel: três mil carros de guerra, seis mil cavaleiros e tantos
soldados de infantaria que pareciam areia na praia. Eles subiram aos montes e
acamparam em Micmás, a leste de Bete-Áven.
6 Quando os israelitas perceberam
que estavam em desvantagem, correram para se esconder em cavernas, buracos,
penhascos, poços e cisternas. Alguns atravessaram o rio Jordão para se refugiar
em Gade e em Gileade. Mas Saul manteve sua posição em Gilgal. Os soldados
continuavam com ele, apesar de estarem morrendo de medo.
8 Ele aguardou sete dias,
conforme o combinado, mas Samuel não chegava, e os soldados começaram a
desertar, indo para todo canto.
9 Por fim, Saul deu esta
ordem: “Tragam-me a oferta queimada e as ofertas de paz!”. Ele sacrificou a
oferta queimada. Assim que acabou de sacrificar, Samuel chegou! Saul foi
cumprimentá-lo.
11 Samuel perguntou: “O que
você está fazendo?”.
Saul respondeu: “Quando vi que estava perdendo o meu exército e que você não
chegava, conforme o combinado, e que os filisteus estavam reunidos em Micmás,
pensei: ‘Os filisteus estão prontos para me atacar em Gilgal, mas ainda
não busquei a ajuda do Eterno. Por isso, tomei a iniciativa e sacrifiquei a
oferta queimada”.
13 Samuel disse a Saul: “Você
cometeu um grande erro.
Se tivesse obedecido à ordem do Eterno, o seu Deus, ele teria confirmado hoje o
seu reinado sobre Israel. Mas agora o seu reinado está desmoronando. O Eterno
já está procurando um substituto para você. Desta vez, é ele que fará a
escolha. Quando ele o encontrar, vai designá-lo o novo líder do seu povo.
Tudo porque você não se ateve ao que foi combinado com o Eterno!”.
15 Depois disso, Samuel deixou
Gilgal e foi para Gibeá de Benjamim. Saul contou os soldados que ficaram com
ele.
Havia apenas seiscentos homens!
16 Saul, seu filho Jônatas e os
soldados que restaram acamparam em Gibeá de Benjamim. Os filisteus estavam acampados
em Micmás. Três pelotões de ataque partiram do acampamento dos filisteus. O
primeiro foi para Ofra, na estrada para a região de Sual. O segundo foi
designado para a estrada de Bete-Horom.
O terceiro foi para a fronteira do vale de Zeboim, na direção do deserto.
19 Em Israel, não havia nenhum
ferreiro, pois os filisteus haviam proibido os hebreus de fabricar espadas e
lanças. Por isso, os israelitas tinham de descer ao território dos filisteus
para afiar suas ferramentas: arados, enxadas, machados e foices.
Eles cobravam oito gramas de prata para afiar os arados e as enxadas e quatro
gramas para as demais ferramentas. Assim, quando começou a guerra de Micmás,
não havia em Israel nenhuma espada ou lança, exceto a de Saul e a de Jônatas;
estes dois estavam bem armados.
23 Um pelotão dos filisteus
posicionou-se na encosta de Micmás."
1Samuel 14
A vitória de
Jônatas sobre os filisteus
"1 Certo dia, Jônatas disse a
seu escudeiro: “Vamos até a guarnição dos filisteus, do outro lado da encosta”.
Mas ele não contou o plano a seu pai. Enquanto isso, Saul continuava acampado
debaixo de uma romãzeira, na fronteira de Gibeá, em Migrom. Havia cerca de
seiscentos homens com ele.
Entre eles, estava Aías, que carregava o colete sacerdotal (ele era filho de
Aitube, irmão de Icabô, filho de Fineias, neto de Eli, sacerdote do Eterno em
Siló).
Ninguém sabia que Jônatas tinha se ausentado.
4 A encosta que Jônatas precisava
atravessar para chegar à guarnição dos filisteus tinha um penhasco íngreme dos
dois lados, um se chamava Bozez, e o outro, Sené.
O penhasco ao norte ficava na direção de Micmás, e o penhasco ao sul, na
direção de Gibeá.
6 Jônatas disse ao seu escudeiro:
“Vamos até a guarnição desses incircuncisos. Talvez o Eterno nos
favoreça. O Eterno não depende de um grande exército para nos livrar. Quando o
Eterno resolve salvar, ninguém tem poder para impedi-lo”.
7 O escudeiro disse: “Vamos em
frente. Faça o que achar melhor. Estou com você”.
8 Jônatas disse: “Faremos o
seguinte: atravessaremos a encosta e deixaremos que eles nos vejam. Se
disserem: ‘Parem!
Não se mexam até que revistemos vocês’, ficaremos parados ali. Não subiremos. Mas,
se disserem: ‘Venham para cá!’
Então subiremos, porque significa que o Eterno os entregou em nossas mãos. Esse
será o sinal para nós”.
11 Foi isso que os dois fizeram.
Foram para um lugar no qual podiam ser vistos pela guarnição dos filisteus. Os
filisteus gritaram: “Vejam lá! Os hebreus estão saindo dos esconderijos!”.
12 Eles gritaram para Jônatas e
seu escudeiro: “Subam para cá! Queremos mostrar uma coisa a vocês!”.
13 Jônatas gritou para o
escudeiro: “Vamos! Siga-me! O Eterno os entregou nas mãos de Israel!”. Jônatas
subia engatinhando, e seu escudeiro vinha logo atrás. Quando os filisteus se
aproximavam deles, Jônatas os derrubava, e o escudeiro, logo atrás, os matava.
14 Nesse primeiro confronto,
Jônatas e seu escudeiro mataram cerca de vinte homens. Isso provocou tumulto no
acampamento e no campo de batalha, tanto entre os soldados do destacamento
quanto entre as tropas de ataque.
O alvoroço foi grande, como nunca visto antes!
16 As sentinelas de Saul em Gibeá
de Benjamim perceberam o tumulto no acampamento dos filisteus. Saul deu ordens:
“Formem os pelotões! Contem os soldados! Vejam quem está faltando!”. Depois de
contar os soldados, verificaram que Jônatas e seu escudeiro estavam faltando.
18 Saul deu ordens a Aías: “Traga
o colete sacerdotal. Vejamos o que Deus tem a dizer”. (Naquele tempo, Aías era
responsável pelo colete sacerdotal.) Enquanto conversava com o sacerdote, a
confusão entre os filisteus se intensificou, e Saul disse a Aias: “Deixe de
lado o colete”.
20 Imediatamente, Saul convocou
seu exército, e partiram para o ataque. Quando se aproximaram, viram que os
filisteus estavam desnorteados: chegavam a matar uns aos outros com suas
espadas! Os hebreus que tinham desertado para o exército filisteu
retornaram. Eles voltaram a se unir aos israelitas sob o comando de Saul e
Jônatas. Além disso, quando todos os israelitas que estavam escondidos nas
regiões remotas de Efraim souberam que os filisteus estavam fugindo, saíram dos
seus esconderijos e se juntaram à perseguição. O Eterno livrou Israel
naquele dia! A batalha avançou até Bete-Áven. Todo o exército seguia a
Saul — dez mil homens valentes! A batalha se espalhou por toda a região das
montanhas de Efraim.
24 Saul cometeu uma grande tolice
naquele dia. Ele disse a todo o exército: “Maldito aquele que comer
qualquer coisa antes do anoitecer, antes de eu me vingar dos meus inimigos!”.
E ninguém comeu nada o dia todo.
25 Havia mel por toda parte, mas
ninguém sequer experimentava o mel, pois temiam a maldição. Acontece que
Jônatas não sabia do juramento que seu pai tinha imposto ao exército. Assim, de
passagem, ele pegou um pouco de mel com a ponta de sua vara e comeu.
Seus olhos brilharam revigorados.
28 Um dos soldados o informou:
“Seu pai impôs um juramento solene a todo o exército: ‘Maldito aquele que comer
qualquer coisa antes do anoitecer!’.
É por isso que os soldados estão esgotados!”.
29 Jônatas retrucou: “Meu pai
arranjou um problema desnecessário para o povo. Vejam como renovei minhas
forças depois que comi o mel! Seria muito melhor se os soldados pudessem ter
comido de tudo que tiraram do inimigo.
Quem sabe os teríamos derrotado de vez!”.
31 Naquele dia, eles mataram os
filisteus desde Micmás até Aijalom, mas os soldados cansaram de lutar e
partiram para os despojos. Tomavam tudo que viam: ovelhas, bois, bezerros.
Eles os mataram ali mesmo e, assim, se entupiram de carne, com sangue e
tudo.
33 Alguém avisou Saul: “Faça
alguma coisa! Os soldados pecaram contra o Eterno. Eles estão comendo
carne com sangue!”. Saul respondeu: “Vocês estão agindo errado!
Tragam-me uma grande pedra!”. Ele continuou: “Vão para o meio deles e anunciem:
Tragam seu boi e sua ovelha para mim e matem-nos aqui, da maneira correta.
Depois, podem comer à vontade. Não pequem contra o Eterno, comendo carne
com sangue’”.
Todos obedeceram. Naquela noite, cada soldado trouxe seu animal para ser
abatido.
35 Foi assim que Saul edificou um
altar ao Eterno — o primeiro altar que ele construiu para Deus.
36 Saul disse: “Vamos perseguir os
filisteus à noite! Passaremos a noite saqueando e não vamos deixar um único
filisteu com vida!”. As tropas disseram: “Parece uma boa ideia. Vamos!”.
Mas o sacerdote os deteve: “Vamos descobrir o que Deus pensa sobre o assunto”.
37 E Saul perguntou a Deus:
“Devemos atacar os filisteus?
Tu os entregarás nas mãos dos israelitas?”. Mas Deus, naquele dia, não
respondeu.
38 Saul disse: “Compareçam aqui
todos os oficiais do exército. Algum pecado foi cometido hoje. Vamos descobrir
o que foi e quem o cometeu! Tão certo como vive o Eterno, Salvador de
Israel, quem pecou será morto, mesmo que seja meu filho Jônatas!”.
Ninguém disse nada.
40 Saul disse aos israelitas:
“Fiquem vocês desse lado, e eu e meu filho Jônatas ficaremos deste lado”.
Os oficiais concordaram: ‘Faça o que bem entender”.
41 Então, Saul orou ao Eterno: “Ó
Deus de Israel, por que não me respondeste hoje? Mostra-me a verdade. Se o
pecado for meu ou de Jônatas, responde, ó Deus, por meio do Urim.
Mas, se o pecado for do exército de Israel, responde por meio do Tumim”. O Urim
indicou Saul e Jônatas. O exército ficou livre.
42 Saul disse: “Lancem sortes
entre mim e Jônatas. Quem o Eterno indicar será morto”. Os soldados
protestaram: “Não! Isso não está certo! Pare com isso!”. Mas Saul
insistiu.
Lançaram sortes, e Jônatas foi indicado.
43 Saul interrogou Jônatas: “O que
você fez? Diga-me!”. Jônatas respondeu: “Experimentei um pouco de mel na
ponta da vara que eu carregava. Só isso. Mas devo morrer por causa disso?”.
44 Saul respondeu: “Sim, Jônatas,
você morrerá. Está em minhas mãos. Não me ponha contra Deus”.
45 Mas os soldados não
aceitaram aquela decisão: “O quê?! Jônatas vai morrer? Nunca! Foi ele o
responsável por esse maravilhoso livramento. Tão certo como vive o
Eterno, nem um fio de cabelo cairá da sua cabeça. Ele tem agido com o auxílio
de Deus o tempo todo!”.
Os soldados protegeram Jônatas; por isso, ele não morreu.
46 Saul desistiu de perseguir os
filisteus, e eles se dispersaram e voltaram para casa.
47 Saul ampliou seu domínio,
conquistando reinos vizinhos.
Lutou contra os inimigos de todos os lados: moabitas, amonitas, edomitas, o rei
de Zobá e os filisteus. Aonde quer que fosse, era vitorioso. Ele era imbatível
e massacrou os amalequitas, livrando Israel dos que exploravam sua nação.
49 Os filhos de Saul eram Jônatas,
Isvi e Malquisua. Saul teve duas filhas, a primogênita, Merabe, e a mais nova,
Mical. Sua mulher era Ainoã, filha de Aimaás. Abner, filho de Ner, era o
comandante do exército de Saul. (Ner era tio de Saul). Quis, pai de Saul, e
Ner, pai de Abner, eram filhos de Abiel.
52 Durante toda a vida de Saul,
houve guerra feroz e implacável contra os filisteus. Saul recrutava todo
guerreiro e todo homem valente que encontrasse."
1Samuel 15
A
desobediência de Saul e a sua rejeição
"1 Samuel disse a Saul: “O
Eterno me enviou para ungir você rei sobre o seu povo, Israel. Agora, escute o
que o Senhor dos Exércitos de Anjos diz:
2 “‘Vou
me vingar dos amalequitas, pelo que fizeram contra Israel quando saía do Egito.
Portanto, ataque os amalequitas.
Submeta todos os pertences dos amalequitas à santa condenação. Sem exceção!
Você deve destruir tudo: homens e mulheres, crianças, bebês, gado e ovelha,
camelos e jumentos’”.
4 Saul convocou o exército, que se
reuniu em Telaim.
Ele os equipou para a guerra — duzentos mil homens de infantaria de Israel e
dez mil de Judá. Saul marchou até a cidade de Amaleque e armou uma emboscada no
vale.
6 O rei mandou dizer aos queneus:
“Saiam daí enquanto podem. Deixem a cidade imediatamente, do contrário, serão
confundidos com os amalequitas. Estou dando esta chance porque vocês
trataram bem os israelitas quando saíram do Egito”.
Os queneus abandonaram a cidade.
7 Saul atacou os amalequitas desde
Havilá até Sur, perto da fronteira do Egito. Ele capturou vivo Agague
e exterminou todo o povo, como determinava a santa condenação. Saul e o
exército mantiveram vivos apenas Agague e os melhores espécimes das
ovelhas e do gado. Eles não os submeteram à santa condenação. O
restante, que ninguém queria mesmo, foi destruído de acordo com a determinação
divina.
10 Mas o Eterno disse a Samuel: “Lamento ter constituído Saul rei. Ele me abandonou e se
recusa a seguir as minhas instruções”.
11 Quando ouviu isso, Samuel ficou
muito triste e clamou a noite toda ao Eterno. Levantou-se bem cedo para se
encontrar com Saul, mas alguém o informou: “Saul foi embora. Foi para o
Carmelo inaugurar um monumento em honra a ele próprio.
Dali seguirá para Gilgal”. Quando Samuel finalmente o encontrou, Saul
tinha acabado de oferecer ofertas queimadas ao Eterno com os animais dos
amalequitas.
13 Samuel se aproximou, e Saul
disse: “O Eterno abençoe você! Segui à risca as instruções do Eterno!”.
14 Samuel perguntou: “Então,
o que é isso que estou ouvindo, esse balido de ovelhas e o mugido de bois?”.
15 Saul respondeu: “São apenas
alguns despojos. Os soldados ficaram com alguns dos melhores bois e ovelhas
para oferecer em sacrifício ao Eterno. Mas destruímos o restante, em
cumprimento da santa condenação”.
16 Samuel o interrompeu: “Chega!
Vou contar a você o que o Eterno me disse esta noite”.
Saul respondeu: “Vá em frente. Conte-me!”.
17 Samuel disse: “Você não era
nada quando foi escolhido, e sabe disso! O Eterno o constituiu líder, e você se
tornou rei sobre todo o Israel. Depois, o Eterno enviou você para cumprir essa
missão, com a seguinte ordem: ‘Vá e submeta esses pecadores amalequitas à
santa condenação. Ataque-os até que tenha exterminado todos eles’. Agora, me
diga: por que você não obedeceu ao Eterno? Por que tomou todos esses despojos?
Por que cometeu esse erro, sabendo que o Eterno está sempre observando você?”.
20 Saul se defendeu: “Do que você
está falando? Eu obedeci ao Eterno! Fiz tudo que ele me mandou. Capturei o rei
Agague e destruí os amalequitas nos termos da santa condenação.
Os soldados apenas pouparam os melhores bois e ovelhas para oferecer ao Eterno
em Gilgal. Qual o problema nisso?”.
22 Samuel respondeu: “Você
acha que o Eterno quer apenas sacrifícios, meros rituais externos? Ele quer que
você o escute! Obedecer a ele é melhor que qualquer aparato religioso.
Desobedecer ao Eterno é pior que praticar ocultismo.
A presunção perante o Eterno é pior que idolatrar os ancestrais.
Já que você rejeitou a ordem do Eterno, Ele rejeitou seu reinado”.
24 Saul finalmente confessou: “Eu
pequei! Fiz pouco caso das ordens do Eterno e das suas instruções. Fiquei
mais preocupado em agradar ao povo. Fui influenciado pelos outros. Peço
que você perdoe meu pecado! Segure a minha mão e me conduza até o altar, para
que eu possa adorar ao Eterno!”.
26 Mas Samuel disse: “Não.
Não posso ajudar você nisso.
Você rejeitou a ordem do Eterno.
Agora, o Eterno o rejeitou como rei de Israel”.
27 Quando Samuel fez menção de
sair, Saul agarrou-se à roupa dele, à sua vestimenta sacerdotal, rasgando um
pedaço.
Samuel disse: “O Eterno rasgou de você o reino e o entregou ao seu
próximo, um homem mais qualificado que você. O Deus de Glória de Israel não
mente nem vacila. Ele cumpre tudo que diz”.
30 Saul insistiu: “Reconheço
que pequei. Mas não me abandone! Ajude-me com a sua presença diante dos líderes
e do povo.
Volte comigo para adorar ao Eterno”.
31 Samuel voltou com ele. Saul
prostrou-se diante do Eterno e o adorou.
32 Samuel ordenou: “Tragam-me
Agague, rei dos amalequitas”. Agague veio a ele, confiante; e disse:
Certamente, já se foi a amargura da morte.
33 Samuel disse: “Assim como a sua
espada fez que muitas mães perdessem seus filhos, hoje também sua mãe será como
uma daquelas mulheres sem filhos!”.
E despedaçou Agague na presença do Eterno em Gilgal!
34 Samuel deixou Ramá
imediatamente, e Saul voltou para sua casa em Gilgal. Dali em diante, Samuel
não teve mais contato com Saul, mas tinha muita pena dele.
O Eterno lamentou ter constituído Saul rei sobre Israel."
1Samuel 16
Samuel
enviado a Jessé
"1 O Eterno disse a Samuel: “Até quando você vai ficar lastimando por causa de Saul?
Você sabe que o rejeitei como rei de Israel. Agora encha seu frasco de óleo e
vá a Belém, à casa de Jessé. Encontrei, entre os filhos dele, o rei de que
preciso”.
2 Samuel disse: “Não posso fazer
isso. Saul ficará sabendo e me matará”. O Eterno respondeu: “Leve um novilho com você e diga que vai adorar ao Eterno
e sacrificar o novilho.
Não deixe de convidar Jessé. Depois, direi o que você deve fazer e mostrarei
quem você deverá ungir”.
4 Samuel seguiu as instruções do
Eterno. Quando chegou a Belém, os anciãos da cidade o cumprimentaram, mas
estavam apreensivos e perguntaram: “O que está acontecendo?”.
5 “Não há nada errado. Vim
oferecer este novilho em sacrifício e conduzir vocês na adoração ao Eterno.
Preparem-se, consagrem-se e venham comigo para adorar”. Ele fez que Jessé e
seus filhos também se consagrassem e os convidou para a adoração.
6 Quando chegaram, Samuel ficou
observando Eliabe e pensava: “Deve ser esse o ungido do Eterno!”.
7 Mas o Eterno disse a Samuel: “Não olhe para o exterior.
Não fique impressionado com sua aparência e estatura. Eu já descartei esse. Eu
o Eterno não julgo as pessoas pelos padrões humanos. Os homens e as mulheres
olham para a aparência, mas Eu o Eterno vejo o coração”.
8 Em seguida, Jessé chamou
Abinadabe e o apresentou a Samuel. Ele disse: "Esse também não é o
escolhido do Eterno”.
9 Depois, Jessé apresentou Samá.
Samuel disse: “Não, também não é esse”.
10 Jessé apresentou seus
sete filhos a Samuel. O profeta foi ríspido: “O Eterno não escolheu a
nenhum desses”.
11 Ele perguntou a Jessé: “São só
esses? Você não tem outros filhos?”. “Tenho ainda o caçula. Mas ele está
cuidando das ovelhas.” Samuel disse a Jessé: “Mande chamá-lo.
Não sairemos daqui até que ele venha”.
12 Jessé mandou chamá-lo, e o rapaz
foi trazido. Era saudável, tinha olhos claros e boa aparência. O Eterno disse:
“É esse que você deve ungir! Foi ele a quem
escolhi”.
13 Samuel tomou seu frasco de óleo
e o ungiu à vista de seus irmãos. O Espírito do Eterno veio sobre Davi
como uma rajada de vento, apoderando-se dele para o resto da vida.
Samuel voltou para sua casa em Ramá.
14 Naquele mesmo instante, o
Espírito do Eterno deixou Saul e, em seu lugar, um terrível espírito enviado
por Deus veio sobre ele. Ele ficou atormentado.
15 Os conselheiros de Saul
disseram: “Essa depressão, vinda de Deus, está atormentando sua vida,
senhor. Deixe-nos ajudar. Vamos procurar alguém que toque a harpa.
Quando o espírito terrível enviado por Deus se manifestar, essa pessoa tocará
uma música, para que o senhor se sinta melhor”.
17 Saul disse a eles: “Vão.
Encontrem alguém que seja bom tocador de harpa e tragam-no aqui”.
18 Um dos jovens disse: “Conheço
alguém assim. Eu mesmo o vi tocar: O filho de Jessé de Belém é excelente
músico.
Ele também é corajoso, maduro, fala bem, tem boa aparência, e o Eterno está com
ele”.
19 Saul enviou mensageiros a
Jessé, pedindo para que ele mandasse seu filho Davi, aquele que cuidava das
ovelhas.
20 Jessé carregou um jumento com
alguns pães, uma garrafa de vinho e um cabrito e enviou tudo como presente a
Saul, com seu filho Davi. O jovem apresentou-se a Saul, e o rei gostou dele
imediatamente, tanto que fez de Davi seu braço direito.
22 Saul mandou dizer a Jessé:
“Muito obrigado. Davi ficará aqui. É ele que eu estava procurando.
Estou muito contente com a vinda dele”.
23 Depois disso, sempre que a
terrível depressão de Deus atormentava Saul, Davi dedilhava sua harpa para ele.
Saul se acalmava e ficava por um tempo livre de seu mau humor."
1Samuel 17
O desafio de
Golias
"1 Os filisteus reuniram suas
tropas para a batalha. Eles se prepararam para o combate em Socó, de Judá, e
acamparam em Efes-Damim, entre Socó e Azeca. Saul e os israelitas acamparam no
vale de Elá. As tropas já estavam em formação de batalha contra os filisteus.
Os filisteus ficaram numa montanha, e os israelitas, na outra encosta, tendo um
vale entre eles.
4 De repente, surgiu das fileiras
dos filisteus um gigante de quase três metros de altura chamado Golias, de
Gate. Tinha na cabeça um capacete de bronze e usava uma armadura que pesava
quase sessenta quilos! Usava também caneleiras de bronze e carregava uma espada
de bronze. Sua lança parecia uma viga.
Só a ponta da lança pesava sete quilos e duzentos gramas.
Seu escudeiro ia à frente dele.
8 Golias, de sua posição,
desafiava os israelitas: “Por que incomodar todo o exército? Não sou eu um
filisteu, e vocês, súditos de Saul? Escolham o seu melhor guerreiro e tragam-no
a mim. Se ele tiver sorte e me matar, os filisteus serão seus escravos.
Mas, se eu tiver sorte e matá-lo, vocês serão nossos escravos e passarão a nos
servir. Estou desafiando as tropas de Israel. Tragam-me um homem que
possa duelar comigo”.
11 Quando Saul e as suas tropas
ouviram o desafio do filisteu, ficaram aterrorizados e perderam a esperança.
12 Nesse meio-tempo, Davi chegou
ao campo de batalha. Ele era filho de Jessé, o efrateu de Belém de Judá. Jessé,
pai de oito filhos, já estava muito idoso para lutar no exército de Saul, mas
os três filhos mais velhos de Jessé foram com Saul para a guerra.
Os nomes dos filhos que se alistaram no exército eram Eliabe, o primogênito,
Abinadabe e o terceiro, Samá. Davi era o caçula. Enquanto os três irmãos mais
velhos estavam no campo de batalha, Davi ficou dividido entre ajudar Saul e
cuidar das ovelhas de seu pai em Belém.
16 Toda manhã e toda tarde,
durante quarenta dias, Golias se posicionava e desafiava os israelitas.
17 Certo dia, Jessé disse a Davi:
“Pegue este saco de trigo tostado e dez pães e leve a seus irmãos que estão no
acampamento.
Leve estes dez queijos para o capitão da divisão.
Veja como estão passando seus irmãos e volte para me dizer como estão Saul,
seus irmãos e todos os israelitas na batalha contra os filisteus, no vale de Elá”.
20 Davi se levantou de madrugada,
deixou alguém encarregado de cuidar das ovelhas e foi levar a comida, de acordo
com as instruções de Jessé. Ele chegou ao acampamento numa hora em que o
exército estava se preparando para a batalha com gritos de guerra. Israel
e os filisteus estavam posicionados um de frente para o outro, preparados para
o combate. Davi deixou os suprimentos aos cuidados do guarda, correu
para a linha de combate e saudou seus irmãos. Enquanto conversavam, o guerreiro
filisteu, Golias de Gate, saiu e se pôs à frente das suas fileiras, desafiando
os israelitas, como de costume.
Davi ouviu o que ele disse.
24 Os israelitas, com medo do
gigante, se dispersaram por todos os lados. No meio das tropas, o comentário
era este: “Você já viu alguma coisa assim? Esse homem provoca Israel
abertamente. Quem conseguir matá-lo está feito! O rei dará uma generosa
recompensa, oferecerá sua filha por mulher e isentará toda a sua família de
impostos”.
26 Davi, conversando com o homem
que estava a seu lado, perguntou: “Qual será a recompensa para quem matar o
filisteu e livrar Israel dessa desonra? Afinal, quem esse incircunciso
filisteu pensa que é para insultar o exército do Deus vivo?”.
27 Repetiram a ele o que todos
comentavam sobre o que o rei daria a quem matasse o filisteu.
28 Eliabe, seu irmão mais velho,
ouviu Davi conversando com os soldados e perdeu a paciência: “O que você está
fazendo aqui? Por que não está cuidando daquelas ovelhas no deserto?
Eu sei qual é sua intenção. Você veio só para assistir à batalha,
não é isso mesmo?
29 Davi respondeu: “Qual o
problema? Só fiz uma pergunta”. Ignorando o irmão, voltou-se para outro soldado
e fez a mesma pergunta, recebendo a mesma resposta.
31 Alguém contou a Saul o que Davi
estava conversando, e o rei mandou chamá-lo.
32 Davi disse: “Senhor, não perca
a esperança. Estou pronto para enfrentar esse filisteu”.
33 Saul respondeu a Davi: “Você
não tem condições de lutar contra esse filisteu: é muito jovem e inexperiente.
O filisteu tem mais tempo nas guerras que você de vida”.
34 Davi retrucou: “Sou pastor e
cuido das ovelhas do meu pai. Quando um leão ou urso atacava um cordeiro do
rebanho, eu saía atrás, matava-o e resgatava o cordeiro. Se o animal quisesse
me atacar, eu o agarrava, torcia seu pescoço e o matava. Leão ou urso, qualquer
um deles eu matava. Por isso, farei a mesma coisa com esse filisteu
incircunciso que está afrontando o exército do Deus vivo. O
Eterno que me livrou das garras do leão e das garras do urso também me livrará
das mãos desse filisteu”.
Saul concordou: “Tudo bem, pode ir. Que o Eterno ajude você!”.
38 O rei equipou Davi com uma
armadura. Pôs na cabeça dele seu capacete de bronze e prendeu sua espada à
cintura. Davi tentou andar, mas nem conseguia se mexer. Davi disse a Saul:
“Mal consigo me movimentar com toda esta armadura. Não estou acostumado a
isto”. Em seguida, tirou tudo aquilo.
40 Davi pegou seu cajado de
pastor, escolheu cinco pedras lisas de um riacho, guardou-as no seu alforje de
pastor e, com seu estilingue, se aproximou de Golias.
41 O filisteu, que andava de lá
para cá, atrás de seu escudeiro, viu Davi se aproximando. Ele olhou para baixo
e, zombando, disse: “Vejam só, um jovem ruivo e arrumadinho”.
43 Golias ridicularizou Davi:
“Acaso sou um cachorro para você vir me enxotar com um pedaço de pau?”.
E amaldiçoava Davi, invocando os seus deuses.
44 O filisteu esbravejou: “Venha!
Vou atropelar você e deixar seu corpo para os corvos.
Será um prato cheio para os animais do campo”.
45 Davi respondeu: “Você vem
contra mim com espada, lança e dardos, mas eu venho em nome do Senhor dos
Exércitos de Anjos, o Deus dos exércitos de Israel, de quem você zomba e a quem
amaldiçoa. Hoje mesmo o Eterno entregará você nas minhas mãos. Estou prestes a
matá-lo, cortar sua cabeça e entregar seu corpo e também o corpo de todos os
seus companheiros filisteus aos corvos e animais selvagens. Toda
a terra saberá que há um Deus extraordinário em Israel. Todos
aqui ficarão sabendo que o Eterno salva sem depender da espada ou da lança. A
batalha pertence ao Eterno. Ele entregará vocês em nossas mãos!”.
48 As palavras do jovem mexeram
com o filisteu, e ele começou a vir na direção de Davi, que, deixando as
fileiras israelitas atrás de si, saiu correndo na direção do filisteu. Davi
pegou uma pedra do alforje, lançou-a com o estilingue e atingiu o filisteu na
testa.
A pedra ficou cravada em sua fronte, e o gigante caiu com o rosto em terra.
50 Foi com um estilingue e uma
pedra que Davi derrotou o filisteu. Ele o atingiu e o matou. Davi nem carregava
espada!
51 Depois que o filisteu caiu,
Davi correu e ficou de pé sobre ele, puxou a espada do gigante da bainha e cortou
a cabeça dele.
Os filisteus, vendo que o seu grande herói estava morto, fugiram para se
salvar.
52 Os homens de Israel e Judá
foram atrás deles, gritando, e perseguiram os filisteus até os arredores de
Gate e a entrada de Ecrom. Ao longo de toda a estrada de Saaraim, até Gate e
Ecrom, haviam filisteus caídos. Depois de os perseguirem, os israelitas
voltaram e saquearam o acampamento.
Davi levou a cabeça do filisteu para Jerusalém, mas deixou em sua tenda as
armas do gigante.
55 Quando Saul viu Davi saindo
para enfrentar o filisteu, disse a Abner, o comandante do exército: “Conte-me
sobre a família desse jovem”. Abner respondeu: “Juro por minha vida, ó rei, que
não a conheço”.
56 O rei ordenou: “Pois descubra a
que família esse jovem pertence”.
57 Assim que Davi regressou,
depois de matar o filisteu, Abner trouxe a cabeça do filisteu, que ainda estava
com Davi, e a entregou a Saul.
58 O rei perguntou: “Jovem, quem é
seu pai?”. Davi respondeu: “Sou filho de seu servo Jessé, que vive em
Belém”."
1Samuel 18
A amizade de
Jônatas para com Davi
"1 Depois que Davi terminou
de falar com Saul, Jônatas ficou profundamente impressionado com Davi. Um laço
muito forte de amizade se desenvolveu entre eles. Jônatas se comprometeu
totalmente com essa amizade com Davi e, desde então, passou a ser seu principal
defensor e melhor amigo.
2 Saul acolheu Davi em sua casa,
para que ele não retornasse mais à casa de seu pai.
3 Jônatas, pela forte amizade que
tinha com Davi, fez um acordo com ele. Ele o formalizou com uma dádiva:
entregou a ele a sua vestimenta real e suas armas: armadura, espada, arco e
cinturão.
5 Tudo que Saul mandava Davi
fazer, ele fazia, e fazia bem-feito. Ele era tão bem-sucedido que Saul o
encarregou das operações militares. Tanto o povo quanto os membros da corte de
Saul aprovavam e admiravam a liderança de Davi.
6 Quando o exército voltava para
casa, depois de Davi ter matado o filisteu, as mulheres saíram de todos os
vilarejos de Israel, cantando e dançando, recepcionando o rei Saul com
tamborins, cânticos festivos e gritos de vitória. As mulheres cantavam
com alegria: “Saul matou milhares; Davi, dezenas de milhares!”. Saul ficou
muito incomodado com aquilo. Tomou o refrão como um insulto pessoal e disse:
“Deram crédito a Davi por dezenas de milhares e a mim somente por milhares.
Quando menos se esperar, entregarão o reino a ele!”. Daquele momento em
diante, Saul teve inveja de Davi e ficou de olho nele.
10 No dia seguinte, um espírito
perturbador enviado por Deus afligiu Saul, que ficou transtornado. Davi
dedilhava sua harpa, como era costume nessas situações. Saul tinha na mão uma
lança. De repente, Saul arremessou a lança contra Davi.
Seu pensamento era: “Vou cravar Davi na parede”. Mas Davi se desviou da lança.
Isso aconteceu duas vezes.
12 Saul tinha medo de Davi,
pois estava claro que o Eterno abençoava Davi e tinha abandonado Saul.
Por isso, Saul afastou Davi de sua presença, designando-o oficial do exército. Davi
estava sempre na frente de combate e era bem-sucedido em tudo que fazia, pois o
Eterno estava com ele. Diante do sucesso de Davi, Saul ficou ainda mais
preocupado. Mas todos em Israel e em Judá gostavam de Davi. E todos gostavam de
ver Davi em batalha.
17 Certo dia, Saul disse a Davi:
“Aqui está Merabe, minha filha mais velha, quero dá-la em casamento a você. Mas
preciso que você mostre sua coragem para mim, que lute as batalhas do Eterno!”.
Saul estava pensando: “Os filisteus o matarão por mim. Não precisarei
levantar a minha mão contra ele”.
18 Constrangido, Davi respondeu:
“Você fala sério? Sou de uma família humilde, não posso ser genro do rei!”.
19 O casamento de Merabe e Davi
foi acertado, mas, perto da data marcada, Saul voltou atrás e entregou sua
filha a Adriel,
de Meolá.
20 Nesse meio-tempo, a outra filha
de Saul, Mical, se apaixonou por Davi. Quando Saul soube disso, ficou contente
e pensou: “Tenho outra chance. Mical será a armadilha, o pretexto para
mandar Davi a uma guerra em que os filisteus com certeza acabarão com ele”.
Assim, ele prometeu outra vez a Davi: “Você será meu genro”.
22 Saul ordenou aos membros da
corte: “Digam a Davi em particular: ‘O rei está muito contente com você, e
todos na corte gostam muito de você. Não perca tempo.
Aceite a proposta de ser genro do rei!’
23 Eles se esforçaram para
convencer Davi, mas ele estava relutante; “O que vocês estão pensando? Não
posso fazer isso. Não sou nada. Não tenho nada a oferecer”.
24 Quando eles informaram a Saul a
resposta de Davi, ele mandou outro recado a Davi: “O rei não está
exigindo de você nenhum pagamento, apenas cem prepúcios de filisteus e traga
provas de sua vingança a favor do rei. A ordem é que você se vingue dos
inimigos do rei”.
(Saul esperava que Davi fosse morto em combate).
26 Ao saber disso, Davi ficou
contente, pois ali estava algo que ele podia fazer para ter o direito de ser
genro do rei! Por isso, não perdeu tempo, foi logo ao que importava. Ele e seus
homens mataram duzentos filisteus, trouxeram as provas dentro de um saco e as
contaram na presença do rei. Missão cumprida!
E Saul deu sua filha Mical a Davi em casamento.
28 Saul, percebendo que a bênção
do Eterno sobre Davi era cada vez mais evidente e que sua filha Mical o amava,
ficou ainda mais preocupado e passou a odiá-lo.
30 Sempre que os comandantes
filisteus saíam para a guerra, Davi estava lá para enfrentá-los, ofuscando, com
suas ações, os soldados de Saul. O nome de Davi estava na boca do povo."
1Samuel 19
Jônatas
intercede por Davi
"1 Saul se reuniu com seu
filho Jônatas e outros homens e deu a eles ordem para matar Davi. Jônatas
admirava Davi; por isso, foi avisá-lo: “Meu pai está procurando uma maneira de
matar você. Vamos fazer assim: Amanhã cedo, fique escondido. Vou sair com meu
pai ao campo, perto de onde você estiver escondido.
Vou conversar com ele a respeito de você, para descobrir suas intenções.
Depois, contarei a você o que ele disser”.
4 Jônatas falou com seu pai a
respeito de Davi, elogiou o amigo e pediu: “Por favor, não faça nada contra
Davi. Ele não fez nada de errado contra; você. Veja quanta coisa boa ele
realizou!
Ele arriscou apropria vida, matando o filisteu. Que vitória o Eterno concedeu a
Israel naquele dia! Você estava lá. Você viu e o aplaudiu com os demais. Por
isso, qual a razão para atacar um inocente, para matar Davi sem motivo algum?”.
6 Saul ouviu com atenção e
reconheceu: “Você está certo.
Tão certo quanto vive o Eterno, Davi continuará vivo.
Ele não será morto”.
7 Jônatas mandou chamar Davi e
relatou a ele a conversa que tinha tido com seu pai. Depois, levou Davi de
volta para Saul, e tudo voltou a ser como antes.
8 Mais uma vez, houve guerra, e
Davi foi lutar contra os filisteus. Ele os enfrentou com bravura, e os inimigos
fugiram.
9 Mas um espírito atormentador da
parte do Eterno veio sobre Saul e tomou conta dele. Certo dia, ele estava
sentado em casa, com sua lança na mão, enquanto Davi dedilhava sua harpa.
De repente, Saul tentou encravar Davi com a lança, mas ele se desviou. A lança
ficou encravada na parede e Davi escapou.
E isso foi á noite.
11 Saul enviou alguns homens à
casa de Davi. Eles deveriam
vigiá-lo e matá-lo logo cedo. Mas a mulher de Davi, Mical, contou ao marido o
que estava acontecendo: "Vamos, não perca tempo. Fuja hoje mesmo, ou
estará morto pela manhã!”.
Ela o ajudou a escapar por uma janela. Depois, foi buscar um ídolo doméstico e
o deitou na cama. Ajeitou um pelo de cabra sobre a cabeça do ídolo e pôs uma
coberta por cima.
Quando os homens de Saul chegaram para capturar Davi, ela disse: “Ele está na
cama, doente”.
15 Saul mandou os seus homens de
volta com a seguinte ordem: “Tragam-no aqui, com cama e tudo, para que eu mesmo
o mate”. Mas, quando os homens entraram no quarto, encontraram apenas o ídolo
doméstico com a peruca de pelos de cabra!
17 Saul ficou furioso com Mical e
disse: “Como você faz uma coisa dessas? Você está do lado do meu inimigo!
Você o ajudou a fugir!”.
18 Mical respondeu: “Ele me
ameaçou: Ajude-me a escapar daqui ou mato você". Davi conseguiu escapar, foi
à procura de Samuel, em Ramá, e contou ao profeta o que Saul tinha feito contra
ele. Ele e Samuel foram para Naiote.
19 Alguém deu a informação a Saul:
“Davi está em Naiote, em Ramá”. Imediatamente, Saul mandou que seus soldados
fossem buscá-lo. Eles encontraram um grupo de profetas profetizando sob a
direção de Samuel, e, quando menos esperavam, o Espírito de Deus veio sobre
eles também. Os soldados começaram a profetizar no meio dos profetas!
21 A notícia chegou a Saul, e ele
enviou outros homens.
Eles também começaram a profetizar. Saul tentou mais uma vez: enviou o terceiro
grupo de homens, mas eles também começaram a profetizar.
22 Finalmente, o próprio Saul foi
para Ramá. Chegou até a grande cisterna em Seco e indagou o povo para saber
onde estavam Samuel e Davi. Alguém disse: “Eles estão em Naiote, em Ramá”.
23 Enquanto seguia para Naiote, em
Ramá, o Espírito de Deus também veio sobre Saul, que, caminhando, profetizava
até chegar à casa dos profetas em Naiote! Ele tirou a própria roupa e
profetizou diante de Samuel um dia e uma noite. Depois, ficou estirado ao solo.
O povo comentava: “Saul está entre os profetas! Quem diria?”."
1Samuel 20
A amizade
entre Davi e Jônatas
"1 Davi saiu vivo de Naiote,
em Ramá, foi procurar Jônatas e perguntou ao amigo: “O que faço agora? O que
fiz contra seu pai para ele estar tão determinado a me matar?”.
2 Jônatas respondeu: “Nada. Você
não fez nada errado e não morrerá, esteja certo disso! Meu pai me conta tudo.
Ele não faz nada de importante ou mesmo de insignificante sem confidenciar a
mim. Por que faria isso sem eu saber?”.
3 Mas Davi estava em dúvida: “Seu
pai sabe que somos bons amigos e vai pensar: ‘Jônatas não pode saber disso. Se
souber, vai defender Davi’. A verdade é que ele está determinado a me matar.
Isso é tão certo quanto vive o Eterno e quanto você está vivo aqui, diante de
mim”.
4 Jônatas disse: “Conte-me o que
você está pensando.
Farei qualquer coisa por você”.
5 Davi disse: “Amanhã é festa de
lua nova. Eu deveria jantar com o rei, mas, em vez disso, vou me esconder no
campo até a terceira noite. Caso seu pai perceba minha falta, diga: ‘Davi pediu
para ir a Belém, sua terra natal, para o sacrifício anual com a família. Se ele
disser: ‘Tudo bem!’ então, estou seguro. Mas, se ele ficar bravo, é porque está
determinado a me matar. Por favor, ajude-me nisso! Lembre-se: você fez um pacto
comigo em nome do Eterno! Se eu estiver errado, mate-me logo. Por que aguardar
para me entregar a seu pai?”.
9 Jônatas exclamou: “Ora, eu jamais
faria isso! Se perceber que meu pai está mesmo obcecado por matá-lo, direi a
você”.
10 Davi perguntou: “Quem você
enviará para me contar sobre a reação de seu pai?”.
11 Jônatas respondeu: “Vamos até o
campo”. Quando os dois estavam no campo, Jônatas disse: “O Eterno, o Deus de
Israel, é minha testemunha de que, a esta hora amanhã, vou saber do meu pai o
que ele pensa de você. Então, mandarei dizer a você o que descobri. Que o
Eterno me castigue se eu abandonar você! Se meu pai insistir em matá-lo, eu o informarei
disso e o ajudarei a escapar. Que o Eterno esteja com você como esteve com meu
pai! Se, depois disso, eu continuar vivo, nosso pacto continua valendo. Se eu
morrer, você terá responsabilidade para com minha família, para sempre! E seja
leal a mim depois que o Eterno finalmente eliminar da terra os inimigos de
Davi!”. Jônatas reafirmou sua promessa de lealdade e amizade com Davi.
Era tão leal a Davi que arriscava a vida por ele.
18 Jônatas revelou seu plano:
“Amanhã é festa da Lua Nova, e perceberão sua ausência à mesa. Depois de
amanhã, quando já tiverem desistido de aguardá-lo, volte para aquele seu
esconderijo e fique esperando perto da pedra de Ezel. Vou disparar três flechas
na direção da pedra e mandarei meu ajudante apanhá-las. Se eu gritar para o
ajudante: ‘As flechas estão para cá. Pegue-as!’ esse será o sinal de que você
pode voltar em segurança. Assim como vive o Eterno, não tenha medo! Mas, se eu
gritar: As flechas estão mais adiante!’ Corra, porque o Eterno quer você longe
daqui! Quanto ao nosso acordo, lembre-se: o Eterno está conosco até o fim!”.
24 Davi se escondeu no campo. No
dia da lua nova, o rei estava à mesa para comer. Ele se sentou no lugar de
costume, encostado à parede, Jônatas à sua frente e Abner ao seu lado. Mas o
lugar de Davi ficou vazio. Saul não comentou nada, pensando:
“Algo aconteceu com ele que o tornou impuro.
Talvez esteja ritualmente impuro para a refeição sagrada”.
27 Mas, no segundo dia da festa, o
lugar de Davi continuava desocupado. Saul perguntou a Jônatas: “Onde está
aquele filho de Jessé? Ele não comeu conosco nem ontem nem hoje”.
28 Jônatas respondeu: “Davi me
pediu permissão para ir a Belém, dizendo: ‘Deixe-me ir para casa. Quero estar
com minha família. Meus irmãos pediram que eu fosse. Se não for problema para
você, deixe-me ir’. Por isso, ele não está à mesa”.
30 Saul ficou furioso com Jônatas:
“Seu filho desnaturado!
Acha que não sei que você e o filho de Jessé fizeram um pacto, para sua
desgraça e de sua mãe? Juro que, enquanto o filho de Jessé estiver solto nessa
terra, seu futuro no reino estará em jogo. Vá buscá-lo! A partir de agora, ele
pode se considerar um homem morto!”.
32 Jônatas enfrentou o pai: “Por
que morto? O que ele fez de errado?”.
33 Saul, descontrolado, arremessou
sua lança contra o filho.
Foi o suficiente para Jônatas se convencer de que seu pai estava determinado a
matar Davi.
34 Jônatas saiu furioso da mesa e
não comeu mais nada o dia todo. Ele estava aborrecido por causa de Davi e
irritado pela humilhação que seu pai o tinha feito passar à mesa.
35 Na manhã seguinte, Jônatas foi
para o campo, conforme o combinado com Davi. Seu ajudante o acompanhava, e
Jônatas disse a ele: “Corra para buscar as flechas que eu atirar”. O rapaz começou
a correr e Jônatas atirou uma flecha adiante dele.
O rapaz chegou perto do local em que a flecha parecia ter caído, e Jônatas
gritou: “A flecha não está mais adiante?”. E gritou outra vez: “Vamos! Corra!
Não fique aí parado!”. O ajudante de Jônatas apanhou as flechas e as trouxe de
volta. O rapaz, naturalmente, não fazia ideia do que estava acontecendo. Só
Jônatas e Davi sabiam do combinado.
40 Jônatas entregou suas armas ao
rapaz e o mandou de volta para a cidade. Depois que o ajudante foi embora, Davi
saiu do seu esconderijo, que ficava perto da pedra e se prostrou com o rosto em
terra três vezes. Eles beijaram um ao outro e choraram muito. Davi estava muito
mais emocionado.
42 Jônatas disse ao amigo: “Vá em
paz! Nosso pacto de amizade foi feito em nome do Eterno, e ele será testemunha
entre nós e entre meus descendentes e seus descendentes para sempre”."
1Samuel 21
Davi vai ter
com o sacerdote Aimeleque
"1 Davi seguiu seu caminho, e
Jônatas voltou para a cidade, Davi procurou o sacerdote Aimeleque em Nobe.
Aimeleque saiu para cumprimentar Davi e ficou alarmado: “O que você está
fazendo aqui sozinho, sem ninguém com você?”.
2 Davi respondeu ao sacerdote: “O
rei me enviou numa missão e me instruiu: ‘Este é um assunto confidencial. Não
diga nada a ninguém’. Combinei de me encontrar com meus homens num determinado
lugar. Agora, o que você pode me oferecer para comer? Tem aí uns cinco pães?
Veja o que pode conseguir!”.
4 O sacerdote respondeu: “Não
tenho pão comum, apenas o pão consagrado. Se seus homens não tiveram relação
com mulher recentemente, os pães são seus”.
5 Davi respondeu: “Nenhum de nós
tocou em mulher.
Sempre fazemos isso quando estamos em missão. Os meus soldados se abstêm do
sexo. Se fazemos isso numa missão comum, quanto mais numa missão sagrada”.
6 O sacerdote entregou a ele
os pães consagrados, os únicos que ele tinha: os pães da presença, que foram
retirados da presença do Eterno e substituídos por pães quentes no mesmo dia.
7 Naquele dia, um dos oficiais de
Saul estava ali, cumprindo um voto diante do Eterno. Seu nome era Doegue, e ele
era edomita, chefe dos pastores de Saul.
8 Davi perguntou a Aimeleque:
“Você tem uma lança ou alguma espada por aqui? Não tive tempo de apanhar minhas
armas.
O rei exigiu urgência, e eu saí com pressa”.
9 O sacerdote respondeu: “A espada
de Golias, o filisteu que você matou no vale de Elá, está aqui! Ela está
enrolada num pano atrás do colete sacerdotal. Se quiser, pode levá-la.
É a única arma que tenho aqui”.
10 Davi exclamou: “Ah! Não poderia
ser melhor!
Passe-a para cá!”. Depois disso, Davi sumiu, fugindo de Saul.
Ele procurou Aquis, rei de Gate. Quando as autoridades de Aquis o viram,
disseram: “Seria este Davi, o famoso Davi?
É a respeito dele que o povo canta em suas danças: ‘Saul mata milhares; Davi,
dezenas de milhares!’?”.
12 Quando Davi percebeu que o tinham
reconhecido, entrou em pânico e temeu pelo pior da parte de Aquis, rei de Gate.
Vendo que todos olhavam para ele, Davi fingiu estar louco, batendo com a cabeça
na porta da cidade e espumando pela boca, enquanto a saliva escorria pela
barba. Aquis olhou para ele e disse àqueles líderes: “Não estão vendo que ele
está louco?
Por que o deixaram entrar? Já tenho loucos suficientes aqui, e vocês me trazem
mais um! Tirem-no daqui!”."
1Samuel 22
Davi
esconde-se em Adulão e em Moabe
"1 Davi fugiu e se refugiou
na caverna de Adulão. Quando seus irmãos e familiares souberam onde ele estava,
foram ao seu encontro para se unir a ele — não só eles, mas todos os que
estavam em situação difícil, os endividados e amargurados.
Davi se tornou o líder deles. Eram cerca de quatrocentos homens.
3 Davi foi para Mispá e pediu ao
rei de Moabe:
“Conceda proteção a meu pai e a minha mãe até que eu saiba o que Deus tem
reservado para mim”.
Ele deixou seus pais aos cuidados do rei de Moabe. Eles ficaram ali durante
todo o tempo em que Davi viveu como fugitivo.
5 O profeta Gade disse a Davi:
“Não volte para a caverna.
Vá para Judá”. Davi seguiu a orientação do profeta e foi para o bosque de Herete.
6 Saul ficou sabendo onde estavam
Davi e seus homens. O rei estava debaixo dos carvalhos, na colina de Gibeá.
Segurava sua lança e estava rodeado por seus oficiais. Ele disse: “Ouçam,
benjamitas! Nem pensem que vocês têm algum futuro com o filho de Jessé! Acham
que ele vai dar a vocês terra boa e cargos importantes? Pensem bem. Aqui estão
vocês, conspirando contra mim, cochichando pelas minhas costas. Nenhum de vocês
teve coragem de me contar que meu filho estava fazendo acordos com o filho de
Jessé. Nenhum de vocês se importou em me contar que meu filho ficou do lado
desse marginal!”.
9 Então, Doegue, o edomita, que
estava entre os oficiais de Saul, falou: “Vi o filho de Jessé conversando com
Aimeleque, filho de Aitube, em Nobe. E vi Aimeleque interceder por ele diante
do Eterno. O sacerdote também deu comida e entregou a espada do filisteu Golias
a Davi”.
11 Saul mandou chamar o sacerdote
Aimeleque e toda a família de sacerdotes de Nobe. Todos compareceram perante o
rei.
12 Saul disse: “Ouça-me, filho de
Aitube!”. Ele respondeu: “Certamente, meu senhor”.
13 “Por que você se aliou com o
filho de Jessé e ficou contra mim, dando comida e armas para ele e intercedendo
a favor dele diante do Eterno?
Por que ajudou um fora da lei a lutar contra mim?”.
14 Aimeleque respondeu ao rei:
“Não existe outro oficial em toda a sua administração tão leal a você quanto
Davi, seu genro e capitão de sua guarda pessoal. Nem há outro que seja tão
respeitado. Acha que essa foi a primeira vez que intercedi por ele a Deus?
Certamente que não! Você não pode acusar a mim nem a minha família de
cometer algum erro. Pois não faço ideia do que você está querendo dizer com
‘fora da lei’
16 O rei disse: “Você vai morrer,
Aimeleque! Você e toda a sua família!”.
17 O rei ordenou aos seus homens:
“Cerquem os sacerdotes e matem todos eles, porque estão aliados com Davi!
Sabiam que ele estava fugindo de mim e não me contaram”. Mas os soldados do rei
se recusaram a matá-los. Nenhum deles ousou levantar a mão contra os sacerdotes
do Eterno.
18 Então, o rei disse a Doegue:
“Mate os sacerdotes!”. Doegue, o edomita, cumpriu a ordem e assassinou os
sacerdotes, oitenta e cinco homens que usavam as vestimentas sagradas. Ele
saiu dali e foi para Nobe, a cidade dos sacerdotes, e ali matou homens,
mulheres, crianças e bebês, além de jumentos, bois e ovelhas.
20 Apenas Abiatar, filho de
Aimeleque e neto de Aitube, conseguiu escapar. Ele fugiu e se juntou a Davi.
Abiatar contou a Davi que Saul tinha mandado matar os sacerdotes do Eterno.
22 Davi disse a Abiatar: “Eu
sabia! Quando vi Doegue, o edomita, sabia que contaria a Saul. Eu sou o culpado
pela morte de toda a família de seu pai. Fique comigo, não tenha medo. O mesmo
que quer matar você também quer me matar.
Fique comigo, e protegerei você”."
1Samuel 23
Davi livra a
Queila
"1 Alguém avisou Davi de que
os filisteus estavam atacando Queila e saqueando o estoque de grãos. Davi
consultou o Eterno: “Devo ensinar uma lição a esses filisteus?”. O Eterno
respondeu: “Vá. Ataque os filisteus e liberte
Queila”.
3 Mas os homens de Davi disseram:
“Aqui em Judá, já não estamos seguros, quanto menos se formos a Queila
enfrentar a máquina de guerra dos filisteus!”.
4 Davi voltou a consultar o
Eterno. O Eterno respondeu:
“Desça logo até Queila, pois estou entregando,
os filisteus em suas mãos”.
5 Davi e os seus homens foram para
Queila e lutaram contra os filisteus. Ele espalhou os rebanhos deles, impôs a
eles uma humilhante derrota e libertou a população de Queila. Depois de ter se
juntado a Davi, Abiatar desceu para Queila, levando consigo o colete
sacerdotal.
7 Saul descobriu que Davi estava
em Queila e pensou: “Ótimo! Deus o entregou de bandeja nas minhas mãos! Ele
está numa cidade murada com os portões trancados. Está encurralado ali!”. Saul
convocou as tropas e partiu para Queila, com a intenção de cercar Davi e seus
homens.
9 Mas Davi soube do plano de Saul
e disse ao sacerdote Abiatar: “Traga o colete”. Davi orou ao Eterno: “Deus de
Israel, acabei de saber que Saul pretende destruir a cidade de Queila por minha
causa. Os líderes da cidade vão me entregar a Saul? Saul vem mesmo fazer aquilo
que me disseram? Ó Eterno, Deus de Israel, responde-me!”. O Eterno respondeu: “Ele está vindo”.
12 “E os chefes de Queila me
entregarão, junto com os meus homens, nas mãos de Saul?”. O Eterno respondeu:
“Entregarão, sim”.
13 Então, Davi e seus homens
fugiram dali. Eram seiscentos homens. Eles deixaram Queila e ficaram
perambulando de um lugar para outro. Quando informaram a Saul que Davi tinha
fugido de Queila, ele suspendeu o ataque.
14 Davi continuou vivendo em
esconderijos nas regiões remotas das colinas de Zife. Saul continuou à
procura de Davi, sem descanso, mas Deus não o entregou nas mãos do rei.
Davi, permaneceu no distante deserto de Zife, refugiado em Horesa, já que Saul
estava determinado a encontrá-lo.
16 Jônatas, filho de Saul, foi ao
encontro de Davi em Horesa e fortaleceu a sua confiança em Deus. Ele disse:
“Não se desespere. Meu pai, Saul, não tocará em você. Você será rei de
Israel, e eu estarei sempre ao seu lado para ajudar. Meu pai sabe disso”.
Então, os dois fizeram um pacto perante o Eterno.
Davi ficou em Horesa, e Jônatas voltou para casa.
19 Alguns zifeus procuraram Saul
em Gibeá e disseram:
“Sabia que Davi está se escondendo perto de nós, nas fortalezas e cavernas de
Horesa? Neste momento, ele está nas colinas de Haquilá, ao sul do deserto de
Jesimom. Quando você estiver pronto, será uma honra entregá-lo nas mãos do
rei”.
21 Saul respondeu: “O Eterno
abençoe vocês por pensarem em mim! Agora, voltem e verifiquem tudo. Descubram
por onde ele anda e quem o acompanha. Vocês sabem que ele é muito astuto.
Descubram todos os esconderijos dele. Depois, encontrem-se comigo em Nacom, e
eu acompanharei vocês. Em qualquer lugar de Judá que ele estiver, eu o
encontrarei!”.
24 E os zifeus partiram em missão
de reconhecimento para Saul. Enquanto isso, Davi e seus homens estavam no
deserto de Maom, ao sul do deserto de Jesimom. Saul e seus homens chegaram e
logo foram atrás deles. Quando Davi soube disso, fugiu para o sul, na direção
das rochas, e montou acampamento no deserto de Maom. Saul foi informado da
localização deles e partiu na direção do deserto de Maom. Pouco depois, Saul
estava de um lado da montanha, e Davi com os seus homens, do outro. O bando de
Davi corria, tendo Saul e suas tropas no encalço deles. No meio da perseguição,
um mensageiro apresentou-se a Saul e disse:
“Volte depressa! Os filisteus estão atacando Israel!”.
28 Saul foi obrigado a interromper
a perseguição e retornar para resolver a situação com os filisteus. Por isso,
aquele lugar foi chamado Pedra de Escape. Davi saiu dali e instalou-se com
segurança no deserto de En-Gedi."
1Samuel 24
Davi poupa a
vida de Saul
"1 Depois da luta contra os
filisteus, alguém informou a Saul: “Davi está agora no deserto de En-Gedi”.
Saul convocou três mil dos melhores soldados de Israel e partiu no encalço de
Davi e seus homens. Foram para a região dos rochedos dos Bodes Selvagens. Ele
chegou até o local em que havia alguns currais de ovelhas, ao lado da estrada.
Perto dali, havia uma gruta, e Saul entrou nela para fazer suas necessidades.
Acontece que Davi e seus homens estavam amontoados no fundo da gruta. Os homens
de Davi lhe disseram: “Você acredita nisto? O Eterno deve estar dizendo:
‘Entregarei o seu inimigo nas suas mãos. Faça com ele o que bem entender’”. Davi,
sorrateiramente, cortou um pedaço da vestimenta real de Saul.
5 No mesmo instante, sentiu-se
culpado e disse aos seus homens: “Que o Eterno me livre de fazer algum
mal contra o meu senhor, o ungido do Eterno. Não vou sequer
levantar um dedo contra ele. Ele é o ungido do Eterno!”.
Assim, Davi impediu que os seus homens acabassem com a vida de Saul. O rei
levantou-se e saiu da caverna para seguir seu caminho.
8 Então, Davi se pôs à entrada da
gruta e gritou para Saul:
“Meu senhor! Rei meu!”. Saul olhou para trás. Davi se ajoelhou, fez uma
reverência e exclamou: “Por que dá ouvidos aos que dizem: ‘Davi quer tirar a
sua vida’? O senhor acabou de ter a prova de que isso não é verdade. Aqui
dentro da gruta, o Eterno pôs o senhor em minhas mãos. Meus homens queriam
matá-lo, mas eu não permiti. Eu disse que não levantaria um dedo sequer contra
o meu senhor, pois é o ungido do Eterno. Veja isto aqui, meu pai! Veja este
pedaço de pano que cortei da sua roupa!
Eu poderia ter cortado o senhor ao meio! Mas, não o fiz. Esta é a prova! Não
estou contra o senhor. Não sou rebelde. Não pequei contra o rei, mas o senhor
está tentando me matar.
Vamos decidir quem está certo. O Eterno poderá me vingar, mas isso está nas
mãos dele, não nas minhas. Um antigo provérbio diz: ‘A perversidade vem
dos perversos’. Por isso, tenha certeza de que as minhas mãos não tocarão no
senhor.
14 “O que o rei de Israel acha que
está fazendo? A quem está perseguindo? Um cão morto? Uma pulga? O Eterno
é nosso juiz. Ele decidirá quem está certo.
Que bom fosse se ele olhasse neste instante, resolvesse a situação agora mesmo
e me livrasse do senhor!”.
16 Quando ele acabou de falar,
Saul perguntou: “É a voz de meu filho Davi?”. E começou a chorar, reconhecendo:
“Você está certo, não eu. Você me tratou bem. Eu é que estou desejando o pior
para você. Mais uma vez, você foi generoso para comigo.
O Eterno me entregou em suas mãos, mas você não me matou. Por quê? Quando
alguém se encontra com seu inimigo, acaso ele o despede com uma bênção? Que o
Eterno o recompense pelo bem que me fez hoje! Agora tenho certeza de
que você será rei e que o reino de Israel estará em boas mãos! Prometa-me,
perante o Eterno, que não destruirá a minha família nem eliminará o meu nome da
história da minha família”.
22 Davi jurou a Saul. Em seguida,
Saul voltou para casa, e Davi e seus homens retornaram para seu refúgio no
deserto."
1Samuel 25
A morte de
Samuel
"1 Samuel morreu. Toda a
nação prestou suas últimas homenagens a ele. Todos lamentaram sua morte, e ele
foi sepultado em sua cidade natal, Ramá. Enquanto isso, Davi continuou
foragido, seguindo dessa vez para o deserto de Maom.
2 Havia um homem em Maom que tinha
negócios na região do Carmelo. Ele era muito próspero. Possuía três mil ovelhas
e mil cabritos, e era época de tosquiar as ovelhas no Carmelo. Ele se chamava
Nabal (Tolo). Era descendente de Calebe, e sua mulher se chamava Abigail. A
mulher era inteligente e bonita, mas o homem era bruto e maldoso.
4 Ainda no deserto, Davi soube que
Nabal estava tosquiando suas ovelhas e enviou dez rapazes com a seguinte
instrução: “Vão até o Carmelo e procurem Nabal. Saúdem-no em meu nome: ‘Paz!
Vivam em paz você e sua família. Paz para todos os que estão com você! Soube
que está no tempo de tosquiar ovelhas. Queremos que você saiba que, quando seus
pastores estavam próximos de nós, não tiramos proveito deles. Eles não perderam
nada do que era deles quando estavam conosco no Carmelo.
Seus rapazes confirmarão isso. Pergunte a eles. Agora, peço que seja generoso
para com os meus homens, permitindo que participemos da festa! Dê aos servos e
a mim, Davi, seu filho, a quantidade de suprimento que desejar.
9 Os rapazes de Davi transmitiram
a mensagem a Nabal. Mas o homem os rechaçou: “Quem é esse Davi? Quem é esse
filho de Jessé? Ultimamente, há muitos foragidos por aqui. Vocês acham que vou
pegar pão, vinho e carne que acabei de abater para os meus tosquiadores e
oferecer para homens que nunca vi e que ninguém sabe de onde vêm?”.
12 Os homens de Davi retornaram e
contaram tudo que Nabal tinha dito. Davi tomou uma decisão: “Preparem as suas
espadas!”. Todos, até mesmo Davi, puseram a espada à cintura e partiram. Eram
quatrocentos homens. Duzentos homens permaneceram no acampamento.
14 Nesse meio-tempo, um dos jovens
pastores contou a Abigail, mulher de Nabal, o que tinha acontecido: “Davi
mandou mensageiros do deserto para saudar o nosso senhor, mas ele foi grosseiro
com eles e os insultou. Acontece que aqueles homens sempre nos trataram muito
bem. Nunca roubaram nada de nós nem se aproveitaram da gente durante todo o
tempo que estivemos no campo. Eles até serviram como um muro de defesa ao nosso
redor, porque nos protegiam dia e noite enquanto cuidávamos das ovelhas. Faça
alguma coisa logo, pois algo de ruim vai acontecer ao nosso senhor e a todos
nós.
Ninguém consegue convencê-lo. Ele é intratável!”.
18 Abigail não perdeu tempo. Ela
preparou duzentos pães, duas vasilhas de couro de vinho, cinco ovelhas
preparadas e prontas para assar, cinco medidas de grão tostado, cem bolos de
passas e duzentos bolos de figo e acomodou a carga sobre alguns jumentos. Ela
disse aos seus rapazes: “Vão à minha frente, preparando o caminho. Eu seguirei
logo atrás”.
Mas ela não disse nada ao marido.
20 Montada em seu jumento, ela
descia pela encosta da montanha, enquanto Davi e os seus homens desciam a outra
encosta, um grupo ao encontro do outro. Davi dizia: “De nada valeu proteger os
bens desse homem no deserto. Agora ele nos recompensa com insultos. É como
levar um tapa na cara! Deus faça o que quiser com os inimigos de Davi se, até
amanhã cedo, eu deixar vivo um único desses homens de Nabal!”.
23 Assim que viu Davi, Abigail
desceu do jumento e se prostrou aos pés dele com o rosto em terra, dizendo:
“Meu senhor, eu sou culpada! Deixe-me explicar. Ouça o que tenho a dizer. Não
leve em conta a maldade de Nabal. Ele é o que o nome diz:
Nabal, tolo. Dele só sai tolice.
25 “Eu não estava lá quando
chegaram os rapazes que o meu senhor enviou; por isso, não os encontrei. Agora,
meu senhor, assim como vive o Eterno e como o senhor vive, Deus o impediu de
cometer essa vingança. Que todos os seus inimigos e todos que desejam o mal ao
meu senhor tenham o mesmo destino de Nabal! Receba esta dádiva que eu, sua
serva, trouxe ao meu senhor, e ofereça aos rapazes que seguem os seus passos.
28 “Perdoe minha audácia! Mas sei
que o Eterno está preparando o meu senhor para um governo íntegro e estável.
Meu senhor luta as guerras do Eterno! Enquanto viver, nenhum mal sucederá a
você. “Se alguém puser obstáculo em seu caminho; se alguém tentar desviar o
senhor, saiba que a sua vida, honrosa ao Eterno, está amarrada com firmeza ao
feixe das vidas protegidas por Deus. Mas a vida de cada um dos seus inimigos
será atirada longe, como a pedra lançada com estilingue.
30 “Quando o Eterno realizar todo
o bem que prometeu ao meu senhor e o estabelecer como príncipe de Israel, não
haverá em seu coração o peso de um crime de vingança. E, quando o Eterno tiver
feito o bem ao meu senhor, lembre-se de mim”.
32 Davi exclamou: “Bendito seja o
Eterno, o Deus de Israel!
Ele enviou você para me encontrar! Seja abençoada pela sua sensatez! Seja
bendita por me impedir de cometer esse crime e por se preocupar comigo. Juro
pelo Eterno, o Deus de Israel, que me impediu de fazer mal a você: Se não fosse
a sua vinda aqui esta manhã, não restaria uma alma viva na casa de Nabal”.
35 Davi aceitou a comida que ela
trouxe e disse: “Volte em paz. Concordo com o que você disse e vou fazer o que
me pediu”.
36 Quando Abigail voltou para
casa, encontrou Nabal no meio de um banquete. Ele estava de bom humor, porque
tinha bebido muito. Assim, ela preferiu não contar nada do que tinha feito até
a manhã seguinte. No outro dia, quando Nabal já estava sóbrio, Abigail contou o
que tinha acontecido. Na mesma hora, ele teve um infarto e entrou em coma. Dez
dias depois, ele morreu.
39 Quando Davi soube que Nabal
tinha morrido, ele declarou: “Bendito seja o Eterno, que me defendeu contra os
insultos de Nabal, impedindo-me de cometer um crime, e permitiu que a maldade
dele se voltasse contra ele mesmo!”. Em seguida, mandou dizer a Abigail que
desejava que ela fosse sua mulher.
Os mensageiros de Davi foram até o Carmelo e disseram a Abigail: “Davi mandou
buscá-la, para que você se case com ele”.
41 Ela se prostrou com o rosto em
terra, dizendo: “Sou serva dele. Estou pronta para fazer o que ele quiser.
Estou disposta até a lavar os pés dos criados dele!”.
42 Sem hesitar, ela montou em seu
jumento. Acompanhada de cinco escravas, seguiu os mensageiros de Davi e se
tornou mulher dele.
43 Davi também se casou com Ainoã,
de Jezreel. Ambas foram suas mulheres. Saul tinha dado sua filha Mical, mulher de
Davi, a Paltiel, filho de Laís, de Galim."
1Samuel 26
Davi, outra
vez, poupa a vida de Saul
"1 Alguns zifeus procuraram
Saul em Gibeá e disseram: “Sabia que Davi está escondido na colina de Haquilá,
do outro lado de Jesimom?”. No mesmo instante, Saul se levantou e partiu para o
deserto de Zife, levando três mil dos melhores soldados para procurar Davi
naquele deserto. Ele ficou acampado perto da estrada, na colina de Haquilá, do
outro lado de Jesimom.
3 Davi, ainda no deserto, soube
que Saul estava atrás dele. Ele enviou espiões para descobrir onde exatamente
Saul estava. Depois que descobriu, Davi foi até o lugar em que Saul estava
acampado e descobriu onde estava a tenda de Saul e Abner, filho de Ner, seu
general. Saul estava bem protegido dentro do acampamento, rodeado por seu
exército.
6 Davi perguntou a Aimeleque, o
hitita, e a Abisai, filho de Zeruia, irmão de Joabe: “Qual de vocês vai entrar
comigo no acampamento de Saul?”. Abisai respondeu: “Eu vou junto”.
7 À noite, Davi e Abisai entraram
no acampamento e encontraram Saul deitado lá no meio, dormindo. Sua lança
estava fincada no chão, perto da cabeça dele. Abner e seus soldados estavam
espalhados, dormindo profundamente.
8 Abisai disse: “É agora! Deus
entregou o inimigo em suas mãos. Deixe-me cravá-lo ao chão com a lança dele.
Basta um golpe, não vou precisar de outro!”.
9 Mas Davi disse a Abisai: “Não se
atreva a machucá-lo! Ninguém pode ferir o ungido do Eterno e escapar
impune”.
10 Ele prosseguiu: “Assim como
vive o Eterno, Deus mesmo irá matá-lo, ou seu dia chegará, e ele morrerá em
casa ou ferido em batalha, mas, longe de mim, tocar no ungido do Eterno. Agora,
pegue a lança dele e o cantil de água, e vamos sair daqui!”.
12 Depois de pegar a lança e o
cantil de água que estavam perto da cabeça de Saul, eles foram embora. Ninguém
percebeu nada. Ninguém acordou! Todos ficaram dormindo o tempo todo, porque um
profundo sono, vindo do Eterno, tinha caído sobre eles.
13 Davi foi para o outro lado do
monte e escolheu a um local distante, lá no alto. Daquela distância segura,
Davi gritou para o exército e para Abner, filho de Ner: “Abner, até quando vou
ter de esperar vocês acordarem e me responderem?”. Abner disse: “Quem está
chamando o rei?”.
15 Davi disse: “Você não está no
comando aí? Por que não está fazendo o seu trabalho? Por que não protege o seu
senhor, o rei, quando um soldado põe a vida dele em perigo? Você não está
cumprindo o seu dever! Assim como vive o Eterno, você deveria ser executado, e
toda a guarda pessoal do rei também. Veja o que tenho em minhas mãos: a lança e
o cantil do rei, que estavam ao lado dele!”.
17 Saul, reconhecendo a voz de
Davi, perguntou: “É você, meu filho Davi?”. Davi respondeu: “Sim, sou eu, ó
rei, meu senhor.
Por que o senhor me persegue? O que fiz de errado? Que crime cometi? Ouça, meu
senhor e meu rei, o que o seu servo tem a dizer. Se o Eterno incitou o senhor
contra mim, então, entrego a minha vida em sacrifício. Mas, se foram os homens
que o instigaram, que sejam banidos da presença do Eterno! Eles cercearam o meu
direito na herança do Eterno como se dissessem: ‘Vá embora! Vá servir outro
deus!’. Mas o senhor não se livrará de mim tão facilmente, não conseguirá me
separar do Eterno, na vida ou na morte.
Que absurdo! O rei de Israel obcecado por uma pulga, perseguindo uma perdiz na
montanha!”.
21 Saul reconheceu: “Tem razão,
errei! Volte, meu filho Davi!
Não causarei mais nenhum mal a você. Você foi leal para comigo, respeitando
minha vida, enquanto eu estou sendo insensato e cometendo grande erro”.
22 Davi respondeu: “Está vendo
isto aqui? É a lança do rei.
Mande um dos soldados buscá-la. Ao Eterno compete decidir o que fazer com
cada um de nós, com respeito ao que é correto.
O Eterno entregou sua vida em minhas mãos hoje, mas eu não quis levantar nem
mesmo um dedo contra o ungido do Eterno. Assim como respeitei sua vida hoje,
que o Eterno tenha consideração pela minha e me livre desta aflição”.
25 Saul disse a Davi: “Bendito
seja você, meu filho Davi!
Faça o que tem de fazer. Espero que seja bem-sucedido em todos os seus
esforços!”.
Davi seguiu seu caminho, e Saul voltou para casa."
1Samuel 27
Davi, outra
vez, com Aquis, rei de Gate
"1 Davi pensou: “Uma hora
dessas, Saul vai conseguir me capturar. Melhor eu fugir para a terra dos
filisteus.
Ele vai me considerar uma causa perdida e desistirá de me perseguir por todos
os cantos de Israel, porque estarei fora do seu alcance para sempre”.
2 Davi partiu com os seus
seiscentos homens e foi recorrer a Aquis, filho de Maoque, rei de Gate. Eles se
estabeleceram em Gate sob a proteção de Aquis. Cada um deles levou sua família.
Davi levou suas duas esposas, Ainoã, de Jezreel, e Abigail, viúva de Nabal do
Carmelo. Quando Saul recebeu a notícia que Davi tinha fugido para Gate,
desistiu de persegui-lo.
5 Davi disse a Aquis: “Se o senhor
concordar, designe para mim um lugar entre as aldeias rurais. Não me parece
correto que eu, mero servo, esteja vivendo na cidade real”.
6 Aquis designou Ziclague. Foi
assim que Ziclague veio a ser o que é hoje, cidade dos reis de Judá. Davi
residiu um ano e quatro meses entre os filisteus.
8 De vez em quando, Davi e seus
homens atacavam os gesuritas, os gersitas e os amalequitas. Esses povos eram
antigos habitantes da terra que se estende de Sur até o Egito. Quando Davi
atacava uma região, não deixava ninguém vivo, nem homem nem mulher, e levava
tudo: ovelhas, bois, jumentos, camelos e roupas.
Depois, voltava para Aquis.
10 Quando Aquis perguntava: “Quem
você atacou hoje?”.
Davi respondia: “Hoje, foi o sul de Judá, ou o sul de Jerameel, ou o sul dos
queneus”. Ele nunca deixava um único sobrevivente, para que ninguém aparecesse
em Gate e denunciasse Davi. Davi agiu assim durante todo o tempo em que viveu
entre os filisteus.
12 Aquis passou a confiar
totalmente em Davi. Ele pensava: “Ele foi tão odiado pelo seu povo que
permanecerá comigo para sempre”."
1Samuel 28
Saul consulta
a médium de En-Dor
"1 Naquele tempo, os
filisteus convocaram o exército para lutar contra lsrael. Aquis disse a Davi:
“Você e seus homens sairão à guerra com as minhas tropas”.
2 Davi respondeu: “Está bem! Você
mesmo verá o que eu sou capaz de fazer!”. Aquis disse: “Ótimo! Você fará parte
da minha guarda pessoal para sempre!”.
3 Samuel já tinha morrido. Todo o
Israel tinha lamentado sua morte e o tinha sepultado em sua cidade natal, Ramá.
Saul tinha eliminado da nação todos os que consultavam os espíritos dos
mortos.
4 Os filisteus convocaram suas
tropas e acamparam em Suném. Saul reuniu todo o Israel e acampou em Gilboa.
Mas, quando Saul viu as tropas dos filisteus, tremeu de medo.
6 Saul orou ao Eterno, mas
Deus não respondeu, nem por sonhos, nem por sinais, nem por meio de algum
profeta.
7 Aflito, Saul deu ordens aos seus
oficiais: “Procurem alguém que possa invocar os espíritos, para que eu me
aconselhe com esses espíritos”. Os oficiais disseram: “Há uma mulher em
En-Dor”.
8 Saul disfarçou-se, vestindo
outra roupa e, na companhia de dois homens, foi, à noite, procurar a mulher.
Ele pediu a ela:
“Quero que você consulte para mim um espírito. Faça subir a pessoa de quem eu
disser o nome”.
9 A mulher respondeu: “Espere um
pouco! Você sabe que Saul eliminou da nação todos os que consultavam espíritos
dos mortos. Você sabe que está me pondo numa situação que pode me levar à
morte, não é?”.
10 Saul jurou solenemente: “Assim
como vive o Eterno, você não será castigada por isso".
11 A mulher respondeu: “Então,
quem você quer que eu faça subir?”. “Samuel, faça subir. Samuel.”
12 Quando a mulher viu Samuel,
gritou para Saul: “Por que mentiu para mim? O senhor é Saul!”.
13 O rei disse a ela: “Não tenha
medo. O que você vê?”. A mulher respondeu: “Estou vendo um espírito subindo da
terra”.
14 Saul perguntou: “Com quem ele
se parece?”. Ela disse: “Com um velho que está subindo, vestido como
sacerdote”. Saul sabia que era Samuel. Ele se prostrou com o rosto em terra e
adorou.
15 Samuel disse a Saul: “Por que
você me perturba, fazendo-me subir?”. Saul respondeu: “Porque estou
profundamente perturbado. Os filisteus estão se preparando para me atacar, e
Deus me abandonou. Ele não me responde mais, nem por meio de profeta, nem por
sonhos. Por isso, mandei chamá-lo para que me diga o que fazer”.
16 Samuel perguntou: “Mas por que
você está perguntando isso para mim? O Eterno abandonou você e se tornou seu
adversário. O Eterno fez exatamente o que já tinha dito por meu intermédio. Ele
arrancou o reino de suas mãos e o entregou ao seu adversário. Já que você não
obedeceu ao Eterno e se recusou a cumprir suas ordens com relação aos
amalequitas, o Eterno está fazendo isso com você hoje. Pior ainda, o Eterno
está entregando Israel junto com você nas mãos dos filisteus. Amanhã, você e
seus filhos estarão comigo. O exército de Israel também será entregue nas mãos
dos filisteus”.
20 No mesmo instante, Saul
despencou no chão, aterrorizado pelas palavras de Samuel. Ele não tinha mais
forças, pois não tinha comido nada o dia inteiro. A mulher, percebendo que ele
estava em estado de choque, disse: “Ouça, eu apenas fiz o que o senhor pediu.
Arrisquei a minha vida, cumprindo à risca as suas instruções. Agora, o senhor
deve seguir as minhas instruções! Coma alguma coisa.
Isso dará forças para o senhor seguir seu caminho”.
23 Mas ele recusou. “Não vou comer
nada!”. Seus acompanhantes concordaram com a mulher e insistiram com ele. Saul
finalmente cedeu e sentou-se na cama. A mulher se apressou, matou um bezerro
gordo, pegou um pouco de farinha, amassou-a e assou alguns pães sem fermento.
Ela serviu a Saul e sua comitiva. Depois de se satisfazerem, eles se levantaram
e seguiram seu caminho, ainda naquela noite."
1Samuel 29
Os filisteus
desconfiam de Davi
"1 Os filisteus reuniram suas
tropas em Afeque. Israel montou acampamento perto da fonte de Jezreel. Enquanto
os comandantes filisteus avançavam com os seus regimentos e pelotões, Davi e
seus homens iam à retaguarda, com Aquis.
3 Mas os oficiais filisteus se
reuniram e disseram: “O que esses hebreus estão fazendo aqui?”. Aquis respondeu
aos oficiais: “Vocês não reconhecem Davi, que era servo do rei Saul de Israel?
Ele está comigo há muito tempo. Não tenho nenhuma reclamação dele desde que abandonou
Saul”.
4 Os oficiais filisteus ficaram
furiosos com Aquis e disseram: “Mande-o de volta para o lugar de onde ele veio!
Ele não vai sair à guerra conosco. Ele poderá mudar de lado no meio da batalha.
Seria uma ótima oportunidade para ele resgatar a confiança do seu senhor à
custa da cabeça dos nossos soldados. Não é esse o mesmo Davi que aclamavam,
cantando: ‘Saul matou milhares; Davi, dezenas de milhares’?”.
6 Assim, Aquis mandou dizer a
Davi: “Assim como vive o Eterno, você tem sido um aliado merecedor de toda a
confiança.
Tem sido correto em tudo que fez para mim. Não tenho nenhuma reclamação de sua
conduta. Mas os comandantes não entendem assim. Por isso, é melhor você voltar
em paz. Não vale a pena aborrecer os comandantes filisteus”.
8 Davi perguntou: “Mas o que foi
que eu fiz? O senhor tem alguma reclamação contra mim desde quando vim para cá?
Por que não posso lutar contra os inimigos do meu senhor, o rei?”
9 Aquis respondeu: “Concordo com
você. Na minha opinião, você é boa gente. É como um anjo de Deus! Mas os
comandantes filisteus estão irredutíveis. Disseram: ‘Ele não pode ir conosco
para a guerra’. Por isso, você e seus homens precisam ir embora. Assim que clarear
o dia, e puderem viajar, deixem o acampamento”.
11 Davi e seus homens se
levantaram bem cedo e, ao clarear do dia, estavam a caminho, de volta para a
terra dos filisteus.
Os filisteus foram para Jezreel."
1Samuel 30
Ziclague é
saqueada pelos amalequitas
"1 Três dias depois, Davi e
seus homens chegaram de volta a Ziclague e viram que os amalequitas tinham
atacado a cidade e o Neguebe. Ziclague tinha sido incendiada, e as mulheres, os
jovens e os velhos tinham sido feitos prisioneiros. Não mataram ninguém, mas
levaram o povo, como se fosse um rebanho.
Davi e seus homens encontraram a cidade destruída. Suas mulheres, seus filhos e
filhas tinham sido levados prisioneiros.
4 Davi e seus homens choraram
incontrolavelmente, até esgotar suas forças. As duas mulheres de Davi, Ainoã,
de Jezreel, e Abigail, viúva de Nabal do Carmelo, também foram levadas
prisioneiras com os demais. De repente, Davi percebeu que estava em
apuros, pois os homens, ressentidos com a perda de suas mulheres, falavam em
apedrejá-lo.
6 Mas ele encontrou forças no
Eterno, o seu Deus, e disse ao sacerdote Abiatar, filho de Aimeleque: “Traga o
colete sacerdotal para que eu consulte o Eterno”. Abiatar trouxe o colete a
Davi.
8 Davi orou ao Eterno: “Devo
perseguir os invasores? Irei alcançá-los?”. O Eterno respondeu: “Persiga-os. Você os alcançará e conseguirá tomar de volta
o que levaram”.
9 Davi saiu com os seus seiscentos
homens. Chegaram ao ribeiro de Besor, e alguns deles resolveram ficar ali. Davi
e quatrocentos homens iriam continuar a perseguição, mas duzentos deles estavam
cansados demais para atravessar o ribeiro; por isso, não seguiram adiante.
11 Alguns dos que atravessaram o ribeiro
de Besor encontraram um egípcio no campo e o levaram a Davi. Eles deram comida
ao homem, e ele comeu. Também bebeu água. Deram-lhe um pedaço de bolo de figo e
alguns bolinhos de passas, e ele começou a recuperar as forças, pois não tinha
comido nem bebido nada durante três dias e três noites!
13 Davi perguntou: “Quem é você?
De onde você vem?”.
Ele respondeu: “Sou egípcio, escravo de um amalequita.
Meu senhor me abandonou quando fiquei doente, três dias atrás. Atacamos a
região ao sul dos queretitas, de Judá e do território de Calebe. Também
incendiamos Ziclague”.
15 Davi fez outra pergunta: “Você
consegue nos levar até os invasores?”. Ele respondeu: “Se o senhor me prometer,
diante de Deus, que não me matará nem me entregará a meu senhor, eu os levarei
diretamente a eles”.
16 Assim, o homem guiou Davi até
os invasores.
Eles estavam espalhados por todo o acampamento, comendo, bebendo e comemorando
o resultado do saque da terra dos filisteus e de Judá.
17 Davi os atacou no dia seguinte.
Lutou contra eles desde o amanhecer até a noite. Ninguém escapou, exceto
quatrocentos guerreiros, os mais jovens, que fugiram montados em camelos. Davi
resgatou tudo que os amalequitas tinham levado. Resgatou também suas duas
mulheres! Ninguém morreu e nada foi perdido: jovens, velhos, filhos, filhas,
bens ou qualquer outra coisa. Davi recuperou tudo. Eles ainda levaram as
ovelhas e os bois que pertenciam aos amalequitas, e todos gritavam:
“Estes são os despojos de Davi!”.
21 Davi fez o caminho de volta até
os duzentos homens que permaneceram no ribeiro de Besor por estarem cansados
demais para continuar com ele. Eles vieram ao encontro de Davi e seus homens.
Quando Davi se aproximou, gritou para eles:
“Foi um sucesso!”.
22 Mas os homens mal-intencionados
e perversos que tinham acompanhado Davi reclamaram: “Quem não ajudou no ataque
não vai ter sua parte nos despojos. Podem pegar de volta sua mulher e seus
filhos, mas apenas isso. É só o que irão levar”.
23 Davi os interrompeu: “Não
é assim que se faz em família, meus irmãos! Não podemos agir assim com aquilo
que o Eterno nos entregou! Deus nos protegeu. Ele nos entregou os homens que
nos atacaram. Quem daria ouvidos a essa conversa? A parte dos que
ficaram com a bagagem será a mesma dos que saíram para a batalha. Todos
receberão partes iguais!”. Dali em diante, Davi estabeleceu essa regra em
Israel, válida até hoje.
26 Ao voltar a Ziclague, Davi
mandou parte do despojo para os líderes de Judá, seus vizinhos, com o seguinte
recado: “Este é um presente do despojo dos inimigos do Eterno!”.
Receberam presentes os líderes de Betel, de Ramote do Neguebe, de Jatir, de
Aroer, de Sifmote, de Estemoa, de Racal, das cidades dos jerameelitas, das
cidades dos queneus, de Hormá, de Corasã, de Atace, de Hebrom e de vários
outros lugares que Davi e seus homens visitavam de tempos em tempos."
1Samuel 31
A derrota de
Israel e a morte de Saul
"1 Os filisteus atacaram
Israel, e os homens de Israel fugiram dos filisteus. Muitos caíram feridos no
monte Gilboa. Os filisteus alcançaram Saul e seus filhos e mataram Jônatas,
Abinadabe e Malquisua, filhos de Saul.
3 A batalha foi intensa em torno
de Saul. Os arqueiros chegaram perto dele e o feriram gravemente; por isso,
Saul disse ao seu escudeiro: “Pegue sua espada e me mate, para que eu não
seja morto nas mãos desses pagãos profanos e seja humilhado por eles”.
4 Mas seu escudeiro não teve
coragem de matar o rei. Então, o próprio Saul se jogou sobre a sua
espada. Quando o escudeiro viu que Saul estava morto, também se jogou sobre a
própria espada e morreu. Assim, Saul, seus três filhos e seu escudeiro,
os mais próximos dele, morreram naquele dia.
7 Quando os israelitas que estavam
no vale do outro lado e os que estavam do outro lado do Jordão perceberam que o
exército fugia e que Saul e seus filhos tinham morrido, abandonaram suas
cidades e fugiram, para se salvar. Os filisteus entraram e ocuparam as cidades.
8 No dia seguinte, quando os
filisteus vieram saquear os mortos, encontraram Saul e seus três filhos mortos
no monte Gilboa.
Eles cortaram a cabeça de Saul e tiraram sua armadura.
Em seguida, espalharam a notícia por todo o território dos filisteus, nos
santuários dos seus ídolos e entre todo o povo.
Eles exibiram a armadura de Saul no santuário de Astarote e penduraram seu
corpo no muro de Bete-Seã.
11 Os moradores de
Jabes-Gileade ouviram o que os filisteus fizeram a Saul, e alguns homens corajosos
dentre eles partiram para a ação. Viajaram a noite toda, resgataram o corpo de
Saul e de seus três filhos do muro de Bete-Seã e os levaram de volta
para Jabes, onde os queimaram. Depois, enterraram os ossos debaixo de uma
tamareira, ali mesmo, na cidade e guardaram luto com jejum durante sete
dias."
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