PROFETA JONAS
Introdução
No Livro de Jonas, conta-se a história de um profeta desobediente e sem compaixão. Deus mandou que ele fosse pregar em Nínive, a capital do grande império da Assíria, nação inimiga do povo de Israel. Mas Jonas não foi anunciar a mensagem de Deus naquela cidade. Ele sabia que os seus moradores poderiam se arrepender dos seus pecados, e assim Deus não cumpriria a promessa de destruir a cidade. Jonas desobedeceu, foi castigado e, finalmente, acabou obedecendo. E ficou profundamente desapontado quando viu que as suas ameaças de destruição não se cumpriram.
Este livro
mostra que Deus domina o mundo inteiro: o céu, o mar, a terra, os animais, os
seres humanos. Ele é também Deus de amor e
compaixão, sempre pronto a perdoar e a salvar tanto as pessoas que fazem parte
do povo de Israel como as que são de outras nações.
Esquema do
conteúdo
1. Jonas foge do Senhor (1.1-17)
2. Oração de Jonas (2.1-10)
3. Nínive se arrepende (3.1-10)
4. O descontentamento de Jonas e a
misericórdia de Deus (4.1-11)
Jonas 1
A vocação de
Jonas, a sua fuga e o seu castigo
"1 Muito tempo atrás, a
Mensagem do Eterno veio a Jonas, filho de Amitai: “Ande, vá correndo para a
grande cidade de Nínive e anuncie meu julgamento contra ela, pois não posso
mais ignorar a sua maldade.”
3 Mas Jonas foi para Társis, em
sentido totalmente contrário, para fugir do Eterno. Ele desceu no porto de Jope
e achou um navio que estava de partida para Társis. Comprou a passagem e logo
embarcou, pois queria ir para tão longe do Eterno quanto pudesse.
4 Então, o Eterno enviou uma
tempestade tão forte sobre o mar que provocou ondas gigantes. O navio estava a
ponto de se partir ao meio, e os marinheiros ficaram apavorados! Desesperados,
cada um começou a clamar ao seu próprio deus. Jogaram ao mar tudo que podiam
para aliviar o peso do navio. Enquanto isso, Jonas tinha descido ao porão do
navio e ali dormia profundamente. O capitão o acordou e disse: “O que você está
fazendo aí dormindo? Levante-se e vá orar ao seu deus! Quem sabe ele veja que
estamos em apuros e nos salve!”.
7 Então, os marinheiros disseram
uns aos outros: “Vamos resolver já esta questão. Vamos lançar sortes para
descobrir quem aqui é responsável por este desastre”. Lançaram sortes, e a
sorte caiu sobre Jonas.
8 Então, eles o interrogaram:
“Diga a verdade: por que isso está acontecendo com a gente? O que você faz? De
onde você vem? De que família você é?”.
9 Ele respondeu: “Sou hebreu.
Adoro o Eterno, o Deus dos céus que fez o mar e a terra”.
10 Quando ouviram isso, os homens
ficaram apavorados, petrificados e perguntaram: “O que foi que você fez,
homem?”. Enquanto Jonas falava, os marinheiros souberam que ele estava fugindo
do Eterno.
11 Então, disseram: “O que vamos
fazer com você para nos livrar desta tempestade?”. O mar continuava agitadíssimo,
totalmente fora de controle.
12 Jonas respondeu: “Joguem-me
no mar e a tempestade vai se acalmar. É tudo culpa minha. Eu sou a causa deste
desastre! Livrem-se de mim e vão se livrar da tempestade”.
13 Os homens não fizeram isso.
Tentaram remar de volta para a costa, mas não conseguiram. A tempestade só
piorava e estava cada vez mais violenta.
14 Então, eles oraram ao Eterno:
“Ó Eterno! Não nos deixes morrer por causa deste homem e não nos culpes pela
morte dele. Tu és o Eterno. Faz o que achares melhor!”.
15 Pegaram Jonas e o jogaram do
navio. E, imediatamente, o mar se acalmou.
16 Os marinheiros ficaram muito
impressionados! Já não estavam mais apavorados, mas admirados. Então,
adoraram o Eterno, ofereceram sacrifício e fizeram votos.
17 O Eterno enviou um peixe enorme
para engolir Jonas, e ele ficou na barriga do peixe durante três dias e três
noites."
Jonas 2
A oração de
Jonas no ventre do peixe
"1 Então, na barriga do
peixe, Jonas orou ao Eterno: “Desesperado, em profunda angústia, orei ao
Eterno, e ele me respondeu. À beira da morte, clamei: ‘Socorro!’, e ouviste o
meu grito. Jogaste-me lá no fundo, bem no coração do oceano; as ondas, imensas
e fortes, romperam-se sobre mim. Eu disse: ‘Fui lançado fora, banido da tua
vista. E nunca mais porei os olhos no teu santo templo’. Sufocaram-me as águas
do oceano, cercou-me de todos os lados o abismo, e as algas marinhas envolveram
a minha cabeça. Desci até onde os montes lançam raízes, tão fundo quanto
podia ir, onde para mim as portas se fechavam para sempre. Mas tu me
tiraste com vida da morte, ó Eterno, meu Deus! Quando minha vida estava por um
fio, eu me lembrei do Eterno, e a ti chegou a minha oração, ao teu santo
templo. Aqueles que adoram deuses forjados se afastam do único amor verdadeiro.
Mas eu adoro a ti, ó Eterno, e canto de gratidão! E vou fazer o que prometi. A
salvação a ti pertence, ó Eterno!”.
10 Então, Deus ordenou ao peixe, e
este vomitou Jonas na praia."
Jonas 3
Jonas prega
em Nínive
"1 Depois, o Eterno falou a
Jonas pela segunda vez: “Ande, vá correndo para a grande cidade de Nínive! E
anuncie meu julgamento contra ela, pois não posso mais ignorar sua maldade”.
3 Dessa vez, Jonas partiu
imediatamente para Nínive, obedecendo, ao pé da letra, à ordem do Eterno.
Nínive era uma cidade muito grande — eram necessários três dias para
atravessá-la a pé.
4 Jonas entrou na cidade e,
caminhando por um dia, pregou: “Daqui a quarenta dias, Nínive será destruída”.
5 O povo de Nínive ouviu e
acreditou no Eterno. Anunciaram um jejum para toda a cidade e todos, ricos e
pobres, famosos e desconhecidos, importantes e humildes, vestiram-se com pano
de saco para mostrar arrependimento.
6 Quando a mensagem chegou ao rei
de Nínive, ele desceu do trono, jogou ao chão o manto real, vestiu-se com pano
de saco e sentou-se sobre cinzas. Então, baixou um decreto, assinado por ele e
por seus ministros, e mandou espalhar por toda a cidade: “Ninguém deve pôr nada
na boca: nenhuma gota de água, nenhum pedaço de alimento! Nem homens, nem
animais, nem mesmo seus rebanhos! Todos devem vestir-se com pano de saco,
homens e animais! Orem com fervor pedindo ajuda ao Eterno. Todos devem se
arrepender e se afastar da maldade, de todos os atos violentos que mancham suas
mãos. Quem sabe assim o Eterno mude de ideia e deixa de lado seu furor contra
nós e nos permita viver!”.
10 O Eterno viu que eles tinham
se arrependido de sua maneira pecaminosa de viver. Então, ele voltou atrás e
decidiu não castigar como tinha dito que faria a eles."
Jonas 4
O
descontentamento de Jonas
"1 Jonas ficou furioso e
muito aborrecido. Então, orou ao Eterno: “ó Eterno, eu sabia! Quando eu estava
em casa ainda, sabia que isso ia acontecer! Foi por isso que fugi para Társis!
Sabia que tu és a graça e a misericórdia em pessoa! Que és rico em amor, que
perdoa com tanta facilidade que estás sempre disposto a mudar teus planos de
castigar, por muito pouco!
3 “Então, ó Eterno, se não vais
matá-los, peço que tires a minha vida! Pois prefiro morrer a viver!”.
4 O Eterno disse: “Por que você
está tão indignado assim?”.
5 Mas Jonas simplesmente saiu, foi
para um lugar a leste da cidade e, zangado, sentou-se. Fez um abrigo com folhas
e galhos e ficou sentado à sombra para ver o que iria acontecer com a cidade.
6 O Eterno fez brotar uma planta
de folhas largas, que cresceu sobre Jonas para refrescá-lo e acalmar sua
indignação. Jonas ficou muito feliz e desfrutou a sombra. Enfim, a vida parecia
estar melhorando de novo!
7 Mas, ao amanhecer, o Eterno
mandou um bicho, que atacou a planta que dava sombra, e ela secou. Quando o sol
nasceu, o Eterno enviou um vento forte e quente do leste e o sol começou a
brilhar tão forte sobre a cabeça de Jonas, que ele quase desmaiou. Então,
exclamou: “Prefiro morrer a viver!”.
9 O Eterno disse a Jonas: “Que
direito você tem de ficar bravo por causa desta planta?”. Jonas respondeu:
“Tenho o direito, sim. E estou tão indignado que prefiro morrer a viver!”.
10 Então, o Eterno disse: “Você
sente tanto por uma simples planta ter morrido, mesmo que você não tenha feito
absolutamente nada por ela. Você nem ao menos plantou ou regou para ela
crescer. Ela surgiu da noite para o dia! Por que, então, não deveria eu sentir
pena de Nínive, essa grande cidade com mais de cento e vinte mil pessoas que
não conseguem nem diferenciar o certo do errado — isso para não falar de todos
aqueles animais?”."
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