PROFETA DANIEL
Introdução
O Livro de Daniel foi escrito em tempos de perseguição e sofrimento para o povo judaico. Por meio de histórias e de visões, o autor procura explicar ao povo por que eles estão sendo perseguidos e também os anima a continuarem fiéis a Deus. Chegará o tempo em que Deus acabará com o domínio dos gentios, e mais uma vez Israel será uma nação livre e independente. O livro se divide em duas partes:
1. Histórias
a respeito de Daniel e de alguns dos seus companheiros, que estão vivendo na
Babilônia, para onde foram levados como prisioneiros. Eles continuam firmes na
sua fé em Deus e obedecem às suas leis, e por isso Ele os salva do sofrimento e
da morte.
2. As visões
de Daniel, que tratam de vários impérios que aparecem e depois desaparecem. Essas visões deixam bem claro que os perseguidores
serão derrotados e que a vitória final será do povo de Deus.
Esquema do
conteúdo
1. Histórias de Daniel e de seus
companheiros (1.1—6.28)
2. Visões apocalípticas de Daniel
(7.1—11.45)
a. Os quatro animais (7.1-28)
b. O carneiro e o bode (8.1—9.27)
c. O mensageiro do céu
(10.1—11.45)
3. O tempo do fim (12.1-13)
Daniel 1
A educação de
Daniel e de seus companheiros
"1 Era o terceiro ano do
reinado de Jeoaquim em Judá quando o rei Nabucodonosor da Babilônia declarou
guerra a Jerusalém e sitiou a cidade. O Senhor entregou o rei Jeoaquim de Judá
nas mãos dele, com alguns utensílios do templo de Deus. Nabucodonosor levou o
rei e os utensílios para a casa do tesouro do seu deus, na terra da Babilônia,
a antiga Sinear.
3 O rei ordenou a Aspenaz, chefe
dos seus eunucos, que escolhesse alguns israelitas da família real e da
nobreza, jovens que fossem saudáveis e de boa aparência, inteligentes e de boa
formação, de potencial para cargos de liderança no governo — gente de elite! —
e lhes ensinasse a língua e a cultura da Babilônia. O rei ordenou, também, que
servissem a eles o mesmo cardápio do rei — comiam do bom e do melhor e o mais
fino vinho. Depois de três anos de treinamento, assumiriam cargos na corte do
rei.
6 Quatro homens de Judá — Daniel,
Hananias, Misael e Azarias — estavam entre os escolhidos. O chefe de pessoal do
palácio deu a eles nomes babilônicos: Daniel passou a chamar-se Beltessazar,
Hananias foi chamado Sadraque, Misael foi chamado Mesaque e Azarias foi chamado
Abede-Nego.
8 Mas Daniel decidiu que não iria
ficar impuro com a comida do rei e nem beber o vinho dele, por isso pediu ao
chefe de pessoal do palácio que o autorizasse a não comer do cardápio do rei.
Pela graça de Deus, o chefe de pessoal do palácio gostou de Daniel e autorizou,
mas o advertiu: “Tenho medo do que, meu senhor, o rei, possa fazer. Foi ele
quem determinou esse cardápio e, se perceber que vocês não estão tão saudáveis
como os outros, vai pedir minha cabeça”.
11 E, então, Daniel apelou ao
responsável, que havia sido designado pelo chefe de pessoal do palácio para
cuidar dele, de Hananias, Misael e Azarias: “Faça uma experiência conosco por
dez dias: traga apenas vegetais e água. Depois nos compare com os jovens que se
alimentam do cardápio do rei e tome sua decisão”.
14 O responsável por eles
concordou e os alimentou com vegetais e água durante dez dias. Ao final dos dez
dias, eles tinham aparência melhor e pareciam mais saudáveis que todos os
outros. Assim, o responsável continuou a dispensá-los da comida e da bebida do
cardápio do rei e servia-lhes apenas vegetais”.
17 Deus deu a esses quatro jovens
conhecimento e habilidades em todas as áreas, tanto teórica quanto prática.
Além disso, Daniel tinha o dom de interpretar todo o tipo de visões e sonhos.
Ao final do tempo determinado pelo rei para o treinamento, o chefe de pessoal
do palácio os levou para a presença de Nabucodonosor. Quando os entrevistou, o
rei os achou muito melhores que todos os outros. Ninguém estava tão bem quanto
Daniel, Hananias, Misael e Azarias.
19 E, assim, eles assumiram suas
responsabilidades na corte do rei. Sempre que o rei os consultava sobre
qualquer assunto, teórico ou prático, eles se mostravam dez vezes melhores que
todos os magos e encantadores do reino juntos.
21 Daniel continuou no serviço do
rei até o primeiro ano do reinado do rei Ciro."
Daniel 2
Daniel
interpreta o sonho de Nabucodonosor
"1 No segundo ano do seu
reinado, o rei Nabucodonosor teve alguns sonhos que o estavam deixando maluco;
tanto, que ele nem conseguia mais dormir. Chamou, então, todos os magos,
encantadores, feiticeiros e astrólogos da Babilônia para que interpretassem
seus sonhos. Quando estavam todos na presença do rei, ele disse: “Tive um sonho
e não consigo tirá-lo da cabeça. Não vou conseguir dormir até saber o que
significa”.
4 Os astrólogos, falando em
aramaico, disseram: “Que o rei viva para sempre! Conte-nos o sonho e vamos
interpretá-lo”.
5 O rei respondeu: “Meu decreto é
este: se vocês não conseguirem me dizer qual é o sonho e me dar a
interpretação, vou fazer picadinho de vocês e destruir suas casas. Mas, se me
contarem o sonho e derem a interpretação, vou encher vocês de presentes e serão
muito honrados. Então, digam-me qual foi o sonho e me deem a interpretação!”.
7 Eles responderam: “Vossa
Majestade, por favor conte-nos o sonho. Então, daremos a interpretação”.
8 Mas o rei disse: “Eu sei o que vocês
estão tentando fazer. Vocês só querem ganhar tempo. Sabem que estão numa
enrascada e, se não conseguirem me contar o sonho, estarão numa fria. Estou até
vendo: vocês vão inventar uma história qualquer e me enrolar até que eu mude de
ideia. Nada disso! Primeiro me contem o sonho, e, então, vou saber se são
capazes de me dar a interpretação ou se estão só me enrolando”.
10 Os astrólogos responderam:
“Ninguém, em nenhum lugar do mundo, pode fazer o que o rei está pedindo. E
nenhum rei jamais pediu uma coisa dessas a nenhum mago, encantador ou
astrólogo. O que Vossa Majestade está pedindo é impossível, a não ser que algum
deus o revele, e os deuses não vivem no meio de gente como nós”.
12 A resposta deixou o rei
furioso. Ele perdeu a paciência e ordenou que todos os sábios da Babilônia
fossem executados. A sentença de morte foi anunciada, e Daniel e seus amigos
estavam entre os condenados à morte.
14 Enquanto Arioque, chefe da
guarda real, fazia os preparativos para a execução, Daniel, sabiamente, chamou-o
de lado e lhe perguntou o que estava acontecendo: “Por que o rei deu uma ordem
como essa, tão de repente?”.
15 Arioque explicou a razão de
tudo, e Daniel foi procurar o rei, pedindo um pouco de tempo para que pudesse
interpretar o sonho.
17 Daniel foi para casa e contou a
seus amigos Hananias, Misael e Azarias o que estava acontecendo. Ele pediu que
orassem ao Deus dos céus por misericórdia, para solucionar o mistério e, assim,
poderem escapar da morte.
19 Naquela noite, a solução do
mistério foi revelada a Daniel numa visão. Daniel louvou ao Deus dos céus,
dizendo: “Bendito é o nome de Deus para todo o sempre. Deus é sábio e
Todo-poderoso. Ele muda as estações e conduz a história, escolhe reis e,
também, os depõe. Ele dá tanto a sabedoria quanto o discernimento. Ele abre as
profundezas, revela os segredos, conhece o que há na escuridão — a luz
transborda dele! Óh, Deus dos meus antepassados, a ti toda a minha gratidão e
todo o meu louvor! Tu me tornaste sábio e forte e, agora, nos mostraste o que
pedimos. Tu resolveste o mistério do rei”.
24 Assim, Daniel voltou a falar
com Arioque, o encarregado da execução. Ele disse: “Cancele a execução! Leve-me
ao rei, que vou interpretar o sonho dele”.
25 Arioque não perdeu um minuto.
Correu ao rei, levando Daniel com ele, e disse: “Achei um homem entre os
exilados de Judá que pode interpretar o sonho”.
26 O rei perguntou a Daniel (cujo
nome babilônico era Beltessazar): “Você tem certeza de que pode fazer isto:
contar o sonho e interpretá-lo?”.
27 Daniel respondeu ao rei:
“Nenhum homem pode decifrar o mistério do rei, quem quer que seja: sábio,
encantador, mago ou astrólogo. Mas há um Deus no céu que revela os
mistérios, e ele me revelou. Ele está mostrando ao rei Nabucodonosor o que
vai acontecer no futuro. Este é o sonho que o rei teve, a visão que encheu sua
mente:
29 “Enquanto vossa majestade
estava deitado na cama, ó rei, vieram ideias sobre o que vai acontecer no
futuro. Aquele que revela mistérios mostrou ao rei o que vai acontecer. Mas a
interpretação foi dada por meu intermédio, não porque eu seja mais sábio que
qualquer outra pessoa, mas para que o rei saiba o que significa e entenda o que
sonhou.
31 “O que viu, ó rei, foi uma
enorme estátua em pé na sua frente, muito impressionante, mas também
apavorante. A cabeça da estátua era de ouro puro, o peito e os braços eram de
prata, o ventre e os quadris eram de bronze, as pernas eram de ferro e os pés
eram uma mistura de barro com ferro. Enquanto você estava olhando para a
estátua, uma pedra que se soltou por si só da montanha, sem que ninguém o
fizesse, atingiu a estátua, esmigalhando os pés de ferro e barro. Então, tudo
desmoronou e ficou em pedaços: o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro.
Ficou tudo como restos amontoados, relegados ao esquecimento. Mas a pedra que
atingiu a estátua tornou-se uma grande montanha, que dominava o horizonte. Esse
foi o sonho.
36 “Agora vamos à interpretação do
sonho. Ó rei, vossa majestade é o soberano mais poderoso da terra. O Deus do
céu deu tudo ao senhor: governo, poder, força e glória. Ele o designou
responsável pela humanidade e por todos os animais do campo e as aves do céu,
no mundo todo. O rei é o cabeça de todos os governantes; é a cabeça de ouro.
Mas seu reino será tomado por outro reino, inferior ao seu, e este por um
terceiro, o reino de bronze, que governará toda a terra. Por fim, um quarto
reino, forte como o ferro que assumirá o poder. Assim como o ferro despedaça
tudo que atinge, esse vai quebrar, esmigalhar e pulverizar todos os reinos
anteriores.
41 “Mas os pés e os dedos dele,
que são uma mistura de ferro e barro, significam que o reino será dividido, mas
ainda haverá a força do ferro. Assim como os dedos eram de ferro e de barro, o
reino terá uma parte forte e outra frágil. Esse reino fará alianças, mas não
darão certo: não conseguirá se unir a nenhum outro reino, assim como o ferro e
o barro não se misturam.
44 “Mas, no tempo desses reinos, o
Deus do céu edificará um reino que nunca será destruído, nem nunca será
dominado por outro. No final, esmagará os outros reinos, destruirá todos eles e
será eterno. Será como a pedra que se soltou por si só da montanha, sem que
ninguém o fizesse, que esmigalhou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro.
“O grande Deus fez o rei saber o que vai acontecer no futuro. Essa é a
revelação exata do sonho e, também, a interpretação correta”.
46 Quando Daniel terminou, o rei
Nabucodonosor, perplexo, prostrou-se com o rosto no chão diante de Daniel. Ele
ordenou uma oferta de sacrifícios e de incenso em honra a Daniel e declarou:
“Seu Deus realmente é o Deus de todos os deuses, o Senhor de todos os reis. E
ele revela todos os mistérios, e eu sei, porque você decifrou o mistério”.
48 Então, o rei promoveu Daniel a
um elevado cargo no reino, encheu-o de presentes e o empossou como governador
de toda a província da Babilônia e chefe de todos os sábios da Babilônia. A
pedido de Daniel, o rei designou Sadraque, Mesaque e Abede-Nego para postos
administrativos em toda a Babilônia, enquanto Daniel permaneceu no palácio
real"
Daniel 3
Livrados os
companheiros de Daniel da fornalha de fogo
"1 O rei Nabucodonosor
construiu uma estátua de ouro, com vinte e sete metros de altura e dois metros
e setenta centímetros de largura. Ele a ergueu na planície de Dura, na
província da Babilônia. Em seguida, ordenou a todos os líderes importantes da
província que comparecessem à cerimônia de dedicação da estátua. Todos vieram
para a cerimônia e tomaram seus lugares diante da estátua que Nabucodonosor
havia erguido.
4 Um arauto apareceu e proclamou
em voz alta: “Atenção, todos! Ouçam vocês de todas as raças, cores e crenças!
Quando ouvirem o som da trombeta, do pífaro, da cítara, da harpa, do saltério e
da flauta dupla, dobrem os joelhos e adorem a estátua de ouro que o rei
Nabucodonosor ergueu. E quem não se ajoelhar, não adorar a estátua, não importa
quem seja, será jogado imediatamente na fornalha”.
7 O som começou a tocar — todos os
instrumentos musicais da Babilônia — e gente de todas as raças, cores e crenças
dobraram os joelhos e adoraram a estátua de ouro que o rei Nabucodonosor havia
erguido.
8 Foi, então, que os astrólogos da
Babilônia se manifestaram e acusaram os judeus. Eles disseram ao rei
Nabucodonosor: “Que o rei viva para sempre! Vossa majestade deu ordens severas
para que, ao ouvir o som tocar, deveríamos nos ajoelhar e adorar a estátua de
ouro, e que quem não o fizesse seria jogado na fornalha. Mas, os judeus —
Sadraque, Mesaque e Abede-Nego —, a quem o rei designou cargos elevados na província
da Babilônia, ignoraram a ordem, ó rei. Eles não respeitam os nossos deuses e
se negam a adorar a estátua de ouro que mandou erguer.
13 Furioso, o rei Nabucodonosor
ordenou que Sadraque, Mesaque e Abede-Nego fossem trazidos. E, quando eles
chegaram, Nabucodonosor perguntou: “Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, é verdade
que vocês não respeitam meus deuses e se negam a adorar a estátua de ouro que
mandei erguer? Vou dar a vocês uma segunda chance, mas, a partir de agora,
quando o som começar a tocar, vocês devem se ajoelhar e adorar a estátua. E, se
não o fizerem, serão jogados numa fornalha e ponto final. E que deus vai
livrá-los de mim?”.
16 Sadraque, Mesaque e Abede-Nego
responderam: “Sua ameaça não nos assusta. Se nos jogar na fornalha, o Deus a
quem servimos pode nos salvar não só da fornalha como de qualquer outra coisa.
E, mesmo que ele não o faça, não importa, ó rei. Ainda assim, não vamos servir
aos seus deuses nem adorar a estátua de ouro que mandou erguer”.
19 Nabucodonosor estava prestes a
explodir de tanta raiva. Imediatamente ordenou que a fornalha fosse aquecida
sete vezes mais que o normal e que alguns homens fortes do seu exército os
amarrassem e os jogassem na fornalha. Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, com os
pés e mãos amarrados e vestidos em suas roupas, foram jogados na fornalha
extremamente quente. Por causa da ordem do rei, a fornalha estava tão quente
que só as chamas foram suficientes para matar os homens que carregaram
Sadraque, Mesaque e Abede-Nego; e eles acabaram caindo fornalha adentro.
24 De repente, o rei Nabucodonosor
levantou-se num salto e perguntou: “Não jogamos três homens com os pés e as
mãos amarradas?”. Responderam os homens: “Isso mesmo, senhor”,
25 Exclamou o rei: “Vejam!” “Estou
vendo quatro homens, andando para lá e para cá no fogo, e eles estão bem! E o
quarto homem parece um filho dos deuses! Não é possível!”.
26 Nabucodonosor foi até a entrada
da fornalha ardente e chamou: “Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, servos do Deus
Altíssimo, saiam, venham para cá!”. E Sadraque, Mesaque e Abede-Nego saíram do
meio do fogo.
27 Todos os líderes do governo e
os conselheiros do rei se reuniram para examiná-los e viram que o fogo não
havia causado nenhuma queimadura nos três — nem um fio de cabelo queimado, nem
cheiro de fumaça na roupa deles!
28 Nabucodonosor exclamou:
“Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego! Ele enviou seu anjo e
salvou seus servos! Eles confiaram no Deus a ponto de ignorar as ordens do
rei e arriscaram sua vida, mas não serviram nem adoraram outros deuses.
29 “Por isso, decreto: todos, de
qualquer lugar, cor, raça ou crença que disser alguma coisa contra o Deus de
Sadraque, Mesaque e Abede-Nego será despedaçado, e sua casa será destruída.
Nunca houve um deus que salvasse como esse!”.
30 Então, o rei promoveu Sadraque,
Mesaque e Abede-Nego na província da Babilônia."
Daniel 4
A loucura de
Nabucodonosor
"1 Do rei Nabucodonosor a
todos — de todas as raças, cores e crenças do mundo: “Paz e prosperidade a
todos! É um privilégio contar a vocês os grandes milagres que o Deus Altíssimo
fez por mim.
3 “Seus milagres são
impressionantes; e suas maravilhas, surpreendentes. Seu reino dura para
sempre, e seu governo soberano é eterno.
4 “Eu, Nabucodonosor, vivia
tranquilo no meu palácio. Mas tive um sonho — quase um pesadelo — que me deixou
abalado. Mandei buscar todos os sábios da Babilônia para que interpretassem o
sonho. Quando todos estavam reunidos — magos, encantadores, astrólogos e
adivinhos — contei-lhes o sonho, mas ninguém conseguiu dizer o significado.
8 “Mas veio Daniel, um homem cheio
do Espírito Santo divino, e contei a ele o sonho. O seu nome babilônico é Beltessazar,
assim chamado em homenagem ao meu deus.
9 “‘Beltessazar’, eu disse, chefe
dos magos, sei que você é um homem cheio do Espírito Santo divino e que não há
mistério que você não consiga desvendar. Ouça este sonho que eu tive e
interprete-o para mim.
10 “‘Isto foi o que vi deitado na
minha cama: havia uma grande árvore no centro do mundo. Eu olhei, e a árvore
cresceu, tornando-se maior ainda. Seu topo alcançava o céu e era visto de todos
os lugares da terra. Suas folhas eram belas; e seus frutos, fartos,
produzindo comida suficiente para todos! Os animais se abrigavam debaixo dela,
e as aves faziam ninhos nos galhos: todo mundo dependia dela.
13 “‘E, enquanto eu ainda estava
deitado, vi também isto: um anjo desceu do céu e ordenou: Derrubem a árvore, cortem
seus galhos, arranquem suas folhas e espalhem seus frutos! Cacem os animais que
estão debaixo dela e espantem os pássaros de seus galhos, mas deixem o toco e
as raízes, presos com ferro e bronze junto à relva do campo.
15 Deixem que ele seja molhado
pelo orvalho do céu e se alimente de capim com os animais. Que ele perca a
mente humana e seja como um animal, e assim seja até que se passe sete tempos.
17 Os anjos anunciam esse decreto,
as santas sentinelas trazem essa sentença, para que todos que vivem saibam que
o Deus Altíssimo tem domínio sobre os reinos dos homens. Ele conduz tudo
conforme seu querer e, de gente simples, faz poderosos”.
18 “‘Isso é o que eu, rei
Nabucodonosor, sonhei. Beltessazar, agora é sua vez de interpretar o sonho para
mim. Ninguém entre os sábios da Babilônia conseguiu ver sentido algum nele, mas
tenho certeza de que você pode interpretá-lo, pois é cheio do Espírito Santo
divino.’"
19 Daniel, Beltessazar, ficou tão
apavorado por um momento, que nem conseguia falar. Disse o rei: “Beltessazar, fique
calmo. Não deixe que o sonho e a interpretação o assustem”. Disse Beltessazar: “Meu
senhor, gostaria que esse sonho fosse sobre seus inimigos; e a interpretação,
para seus adversários.
20 “A árvore que você viu e que
cresceu e ficou tão alta, que o topo alcançava o céu, visível dos quatro cantos
da terra; a árvore de folhagem viçosa e fartos frutos, suficiente para
todos; a árvore sob a qual os animais buscavam refúgio e na qual as aves faziam
seus ninhos — é o senhor, ó rei! Vossa majestade é a árvore! “Você cresceu e
ficou forte. Sua majestade atinge o céu, e seu governo se estende aos quatro
cantos da terra.
23 “E os anjos que desciam do céu,
proclamando: ‘Derrubem a árvore, destruam-na, mas deixem o toco e suas raízes
na terra, presos com ferro e bronze junto à relva do campo; deixem que ele seja
molhado pelo orvalho do céu e que se alimente de grama com os animais durante
sete tempos; isso, ó rei, também se refere ao senhor. Significa que o Deus
Altíssimo proclamou uma sentença contra o rei. Será tirado do convívio dos
homens e viverá com os animais; se alimentará de capim como os bois e se
molhará com o orvalho do céu. Isso durará sete tempos, e o senhor aprenderá que
o Deus Altíssimo tem o domínio dos reinos dos homens e conduz tudo conforme seu
querer.
26 “A parte sobre o toco da árvore
e suas raízes, que são deixados, significa que seu reino ainda será devolvido
depois que o senhor reconhecer que é Deus quem tem domínio sobre tudo.
27 “Portanto, ó rei, aceite meu
conselho: abandone seus pecados e comece a viver diferentemente. Deixe essa
vida de maldades, viva com justiça e cuide dos necessitados e desamparados. Só
assim, o senhor continuará a viver tranquilo.
28 Tudo isso aconteceu ao rei
Nabucodonosor. Passados apenas doze meses, ele estava andando pela sacada do
palácio real, na Babilônia, e, de repente, exclamou, orgulhoso: “Olha para tudo
isto, é a Grande Babilônia! E eu a construí sozinho, como capital do meu reino
para minha honra e glória!”.
31 Assim que as palavras saíram da
sua boca, ouviu-se uma voz do céu: “Este é o decreto contra você, rei
Nabucodonosor: seu reino foi tomado de você. Você será tirado do convívio dos
homens, viverá com os animais do campo e comerá capim como boi. A sentença é
para sete tempos, o suficiente para você aprender que o Deus Altíssimo tem
domínio sobre os reinos dos homens e põe no trono quem ele quer”.
33 Isso aconteceu imediatamente.
Nabucodonosor foi tirado da convivência dos homens, comeu capim como boi e se
molhou com o orvalho do céu. Seu cabelo cresceu como as penas da águia; suas
unhas, como as garras do falcão.
34 “Ao final daquele período, eu,
Nabucodonosor, olhei para o céu. Recobrei o juízo e bendisse o Deus
Altíssimo, agradecendo e glorificando ao Deus que vive para sempre: “Seu
domínio dura para sempre, seu reino nunca será decadente. A vida na terra é
insignificante, Deus faz tudo conforme seu querer. Ninguém pode opor-se à
sua vontade, ninguém pode questioná-lo ou desafiá-lo.
36 “Ao mesmo tempo em que recobrei
o juízo, recuperei a majestade e a glória do meu reino. Todos os líderes e
gente importante vieram me ver. Fui restabelecido como rei no meu reino e me
tornei maior que antes. E é por isso que eu, Nabucodonosor, canto e louvo ao
Rei do céu: “Tudo que ele faz é justo, e ele o faz da maneira certa. Ele
sabe como tratar gente orgulhosa e tem o poder para torná-los humildes.”"
Daniel 5
A escritura
na parede
"1 O rei Belsazar convidou
mil de seus nobres para um grande banquete. O vinho era muito bem servido.
Então, Belsazar, que já estava “alto” por causa do vinho, ordenou que as taças
de ouro e prata, que seu pai Nabucodonosor havia tomado do templo de Deus em
Jerusalém, fossem trazidas para que ele, seus nobres, suas mulheres e
concubinas pudessem beber nelas. Quando as taças de ouro e prata foram
trazidas, o rei, os nobres e aquelas mulheres começaram a usá-las. Beberam seu
vinho e, já bêbados, louvaram seus deuses de ouro, prata, bronze, ferro,
madeira e pedra.
5 Naquele exato momento, os dedos
de uma mão humana apareceram e começaram a escrever na parede rebocada do
palácio, na parte mais iluminada. Quando o rei viu a mão escrevendo na parede,
ficou pálido, muito assustado. Suas pernas ficaram bambas, tremiam sem parar, e
os joelhos batiam um no outro. Ele gritou para que chamassem os encantadores,
os astrólogos e os adivinhos. E prometeu: “Quem conseguir ler esta escrita na
parede e me disser o que significa será famoso e rico — ganhará o manto de
púrpura e uma bela corrente de ouro — e será o terceiro mais importante do
reino”.
8 Todos tentaram, mas ninguém
conseguiu enxergar um sentido nas palavras escritas na parede. Ninguém
conseguia entender o que estava escrito, muito menos interpretá-lo. Então, o
rei ficou apavorado, pálido, em completo estado de choque. Os nobres também
estavam em pânico.
10 A rainha soube que o rei e os
nobres estavam em estado de choque e veio ao salão do banquete. Ela disse: “Que
o rei viva para sempre! Não se assustem. Não fiquem aí sentados, pálidos desse
jeito. Há um homem no reino que é cheio do Espírito Santo divino. Durante o
reinado do seu pai, ele ficou conhecido pelo seu brilho intelectual e por sua
sabedoria espiritual. Ele era tão capaz que seu pai, o rei Nabucodonosor, fez
dele o chefe de todos os magos, encantadores, adivinhos e astrólogos. Não havia
ninguém como ele. Ele conseguia fazer qualquer coisa: interpretar sonhos,
decifrar mistérios, explicar enigmas. Seu nome é Daniel, mas o rei mudou o nome
dele para Beltessazar. Mande chamar Daniel. Ele vai ler o que está escrito aí”.
13 Assim, Daniel foi chamado. O
rei perguntou: “Você é o Daniel que foi um dos exilados que meu pai trouxe de
Judá? Já ouvi falar que você é cheio do Espírito Santo, tem uma mente brilhante
e é incrivelmente sábio. Os sábios e encantadores foram trazidos aqui para ler
esta escrita na parede e interpretá-la, mas nenhum deles conseguiu ler nada.
Mas ouvi dizer que você interpreta sonhos e decifra mistérios. Então, se você
conseguir ler e interpretar, será um homem famoso e rico — ganhará o manto de
púrpura e uma bela corrente de ouro — e será o terceiro mais importante do
reino”.
17 Daniel respondeu ao rei: “Pode
ficar com os presentes ou dá-los a outra pessoa. Mas vou ler a escrita para o
rei e interpretar seu significado.
18 “Ouça, ó rei! O Deus Altíssimo
deu a seu pai, Nabucodonosor, um grande reino e uma gloriosa reputação. Deus o
fez muito poderoso, e pessoas de todos os lugares, de toda raça, cor ou crença
se sentiam intimidadas por ele. Ele as matava ou poupava como e quando queria.
Promovia ou humilhava as pessoas como bem desejava. Então, Deus o humilhou e o
privou de todo poder. Ele foi tirado do convívio dos homens e passou a viver
como animal. Comeu capim como boi e se molhou com o orvalho do céu até aprender
esta lição: que o Deus Altíssimo tem domínio sobre os reinos dos homens e
põe no trono quem ele quer.
22 “Você é filho dele e sabe de
tudo isso, mas é tão arrogante quanto ele no seu pior momento. Olhe para você
mesmo: quer competir com o Senhor do céu! Você mandou buscar as taças sagradas
do templo dele só por farra, para que o senhor, seus nobres, suas mulheres e
concubinas pudessem beber nelas. O rei usou as taças sagradas para brindar seus
deuses de prata e ouro, de bronze e ferro, de madeira e pedra — deuses cegos,
surdos e mudos. Mas tratou com desprezo o Deus vivo, que tem a sua vida nas
mãos, desde o nascimento até a morte.
24 “Deus enviou a mão que escreveu
na parede, e o que está escrito é: MENE, MENE, TEQUEL e PARSIM., e este é o
significado dessas palavras: “Mene. Deus contou os dias do seu governo, e suas
contas são negativas.
27 “Teqel. Você foi pesado na
balança, e está em falta.
28 “Peres. Seu reino foi dividido
e entregue aos medos e persas”.
29 Belsazar fez o que havia
prometido: vestiu o manto de púrpura em Daniel, colocou uma bela corrente de
ouro em seu pescoço e o promoveu a terceiro mais importante do reino.
30 Naquela mesma noite, o rei
Belsazar da Babilônia foi morto. Dario, o medo, tinha 62 anos quando o sucedeu
como rei."
Daniel 6
Daniel na
cova dos leões
"1 Dario reorganizou seu
reino. Ele designou cento e vinte governadores para administrar todas as
províncias do reino. Sobre eles, havia três ministros, e um deles era Daniel.
Os governadores se dirigiam aos ministros, que tinham a responsabilidade de
manter tudo em ordem. Mas Daniel, era cheio de vitalidade e tinha uma
inteligência tão superior aos outros ministros e governadores que o rei decidiu
designá-lo responsável por todo o reino.
4 Os ministros e governadores se
reuniram para ver se descobriam algum ponto fraco de Daniel que pudessem usar
contra ele, mas não conseguiram nada. Ele era exemplar e absolutamente
confiável. Não conseguiram achar nenhuma evidência de negligência ou má
conduta. Após inúmeras tentativas, desistiram e disseram: “Nunca vamos
descobrir nada contra esse Daniel, a não ser que inventemos alguma acusação e
tramemos algo contra ele”.
6 Assim, os ministros e
governadores tramaram contra ele, e foram ao rei dizer: “Rei Dario, que viva
para sempre! Nós, ministros, governadores e todos os principais oficiais nos
reunimos e concordamos em que o rei deveria promulgar o seguinte decreto:
Durante os próximos trinta dias, ninguém deve orar a nenhum outro deus ou
homem, exceto ao rei. Qualquer um que desobedecer será lançado na cova dos
leões.
8 “Promulgue este decreto, ó rei,
e assine-o para que seja irrevogável, como inscrição em pedra, conforme todas
as leis dos medos e dos persas”.
9 E o rei Dario assinou o decreto.
10 Daniel soube que esse
decreto havia sido promulgado, mas continuou a orar, como sempre fazia. Sua
casa tinha janelas no andar de cima, voltadas para Jerusalém. Três vezes ao
dia, ele se ajoelhava ali em oração, agradecendo e louvando a Deus.
11 Os conspiradores vieram e o
viram orando, pedindo a ajuda de Deus. Imediatamente, foram ao rei e o
lembraram do decreto: “O rei não assinou uma lei, proibindo qualquer pessoa de
orar a qualquer deus ou homem, exceto ao rei, durante trinta dias? E qualquer
pessoa que fosse apanhada fazendo isso seria jogada na cova dos leões?”. “Com
certeza’, confirmou o rei. “Como inscrição em pedra, conforme todas as leis dos
medos e dos persas.”
13 Então, eles disseram: “Daniel,
um dos exilados judeus, ignora sua ordem e desafia sua lei. Ele ora três vezes
ao dia”.
14 O rei ficou desconcertado e
tentou de todas as formas livrar Daniel da complicação em que o havia colocado.
Ele pensou nisso o dia todo.
15 Mas os conspiradores voltaram:
“Lembre-se, ó rei. É uma lei conforme todas as leis dos medos e dos persas,
irrevogável”.
16 O rei cedeu e ordenou que
Daniel fosse trazido e jogado na cova dos leões. Mas ele disse a Daniel: “Seu
Deus, a quem você é tão leal, vai livrar você desta situação”.
17 Uma pedra foi colocada sobre a
entrada da cova. O rei selou a pedra com seu anel e com os anéis de todos os
seus nobres, porque não podia ser revogado.
18 O rei voltou para o palácio,
mas não comeu nem conseguiu dormir. Passou a noite preocupado.
19 Ao romper do dia, ele se levantou
e foi depressa à cova dos leões. Quando chegou perto, chamou aflito: “Daniel,
servo do Deus Altíssimo! Será que seu Deus, a quem você serve tão fielmente,
livrou você dos leões?”.
21 Daniel respondeu: “Que o rei
viva para sempre!” “Meu Deus enviou seu anjo, que fechou a boca dos leões, para
que não me fizessem nenhum mal. Fui considerado inocente diante de Deus e
também diante de senhor, ó rei, pois não fiz mal algum ao senhor”.
23 Quando o rei ouviu essas
palavras, ficou muito feliz. Ele ordenou que Daniel fosse retirado da cova.
Depois que ele saiu, verificou-se que não havia nem um arranhão sequer. Ele
havia confiado em seu Deus.
24 Então, o rei ordenou que os
conselheiros que tinham conspirado contra Daniel fossem jogados na cova dos
leões, com suas mulheres e filhos. Antes mesmo de chegar ao fundo da cova, os
leões já os agarraram e os despedaçaram.
25 O rei Dario divulgou esta
proclamação a todos na terra, de qualquer raça, cor e crença: A paz esteja com
vocês! Muita paz! Decreto que o Deus de Daniel seja adorado e temido em todo o
meu reino. Ele é o Deus vivo e permanece para sempre. Seu reino nunca é
destruído. Seu governo continua eternamente. Ele é o Salvador e o Redentor.
Ele realiza milagres impressionantes nos céus e na terra. Ele livrou Daniel do
poder dos leões.
28 Daniel foi muito bem tratado no
restante do reinado de Dario e também no reinado seguinte, de Ciro, o
persa."
Daniel 7
O sonho sobre
os quatro animais
"1 No primeiro ano do rei
Belsazar da Babilônia, Daniel teve um sonho. O que ele viu enquanto dormia o
apavorou — um verdadeiro pesadelo. E ele escreveu seu sonho:
2 “No meu sonho, naquela noite, vi
os quatro ventos dos céus soprando e formando uma grande tempestade no mar.
Quatro animais enormes, diferentes uns dos outros, subiam do mar.
4 “O primeiro animal parecia um
leão, mas tinha asas de águia. Enquanto eu observava, suas asas foram
arrancadas, ele foi levantado e ficou de pé, como um homem. Em seguida,
deram-lhe um coração humano.
5 “Depois, vi um segundo animal,
que parecia um urso. Ele se levantou, segurando três costelas nas mandíbulas, e
recebeu esta ordem: ‘Ataque! Devore tudo! Encha a barriga!’.
6 “Em seguida, vi outro animal.
Parecia um leopardo. Tinha quatro asas, como de pássaro, nas costas. Esse
animal tinha quatro cabeças e recebeu autoridade para governar.
7 “Depois disso, um quarto animal
apareceu no meu sonho. Esse era apavorante, medonho. Tinha enormes dentes de
ferro, triturava e devorava suas vítimas. Qualquer coisa que sobrava no chão,
ele pisava e esmagava. Era diferente dos outros animais, um verdadeiro monstro!
— E tinha dez chifres.
8 “Enquanto eu observava os
chifres, tentava imaginar o que significavam, nasceu nele outro chifre, mas
este era pequeno. Três dos chifres que já tinha foram arrancados para dar lugar
a ele. Havia olhos humanos no pequeno chifre, e uma boca grande que falava
com arrogância.
9 “Enquanto eu observava tudo
isso, tronos foram estabelecidos e um Ancião tomou seu lugar. Suas roupas eram
brancas como a neve, o cabelo, alvo como a lã. Seu trono estava envolto em
chamas, as rodas brilhavam intensamente. Um rio de fogo jorrava do trono.
Milhares de milhares o serviam, milhões o atendiam. Pediu-se silêncio no
tribunal, e os livros foram abertos.
11 “Continuei observando. O chifre
pequeno falava com arrogância, e, enquanto eu observava, o monstro foi morto e
seu corpo foi lançado no fogo. Os outros animais viveram ainda algum tempo, mas
não fizeram nada: não tinham poder para governar. Meu sonho continuou:
13 “Então, vi alguém, um como o
Filho do Homem, chegando no meio de nuvens. Ele se aproximou do Ancião e foi
apresentado a ele. Ele recebeu poder para governar — toda a glória da realeza. Todas
as raças, cores e crenças lhe serviram e o adoraram. Seu reinado será para
sempre, não terá fim. Seu governo real nunca será destruído.
15 “Mas, quanto a mim, Daniel,
fiquei perturbado. As visões me deixaram apavorado. Por isso, eu me aproximei
de alguém que estava perto e perguntei o significado de tudo aquilo, e ele me
deu a interpretação:
17 “‘Esses quatro animais
enormes’, disse ele, ‘significam quatro reinos que aparecerão na terra. Mas, a
certa altura, o povo santo do Deus Altíssimo receberá o reino e o manterá para
sempre — sim, para sempre’.
19 “Mas eu queria saber mais.
Estava curioso sobre o quarto animal, aquele que era tão diferente dos outros,
o monstro medonho com os dentes de ferro e garras de bronze, que engolia, o que
despedaçava e pisoteava tudo o que via pela frente. E eu queria saber também a
respeito dos dez chifres e do chifre pequeno que nasceu, ocupando o lugar de
três dos primeiros chifres. Esse novo chifre tinha olhos e, com sua boca
grande, falava de forma arrogante, dominando os outros chifres. Observei que
esse chifre fazia guerra contra o santo povo de Deus e levava vantagem sobre
eles. Mas o Ancião interveio e decidiu a favor do povo do Deus Altíssimo. No
final, o povo santo de Deus assumiu o controle do reino.
23 “A pessoa que estava perto de
mim explicou: ‘O quarto animal é o quarto reino que aparecerá na terra. Será
diferente dos três primeiros, um reino monstruoso, que devorará e pisoteará
todos à sua volta. Os dez chifres são dez reis, um após o outro, que procederão
desse reino. Mas, então, outro rei aparecerá. Ele será diferente dos reis
anteriores. Começará derrubando os outros reis e blasfemando contra o Deus
Altíssimo. Ele perseguirá os seguidores do Deus Altíssimo e tentará eliminar a
adoração sagrada e a prática da justiça. O santo povo de Deus será perseguido
por ele durante um tempo, dois tempos e meio tempo’.
26 “‘Mas, quando for feito
silêncio no tribunal, o chifre não terá mais o seu poder e será destruído
definitivamente. O governo real, a autoridade e a glória de todos os reinos
debaixo do céu serão entregues ao povo do Deus Altíssimo, e esse governo durará
para sempre. Todos os outros governantes irão servir e prestar obediência a
ele’.
28 “O sonho acabou assim, e eu,
Daniel, continuei chocado, os meus pensamentos muito me perturbaram, e o meu
rosto ficou pálido. Mas guardei tudo para mim”."
Daniel 8
A visão sobre
um carneiro e um bode
"1 "No terceiro ano do
reinado de Belsazar, eu, Daniel, tive outra visão. Era a segunda visão.
2 “Nessa visão, eu me vi em Susã,
a capital da província de Elão, diante do canal Ulai. Ao olhar em volta, fiquei
surpreso de ver um carneiro diante de mim. O carneiro tinha dois chifres
enormes, um maior que o outro, mas o chifre maior foi o último a aparecer.
Fiquei observando enquanto o carneiro avançava: primeiro, para o oeste; depois,
para o norte; e, então, para o sul. Nenhum animal conseguia enfrentá-lo. Ele
fazia o que queria, e todo arrogante, posava de rei dos animais.
5 “Enquanto eu observava, tentando
entender o significado de tudo aquilo, vi também um bode, que tinha um enorme
chifre no meio da testa. Ele vinha do oeste e percorreu toda a terra, sem tocar
o solo uma única vez. O bode aproximou-se do carneiro de dois chifres que eu
tinha visto antes, diante do canal, e o atacou ferozmente. Observei enquanto
ele, louco de raiva, atacava o carneiro. A violência era tanta que ele lhe
quebrou os dois chifres. O carneiro não conseguiu resistir. O bode o derrubou e
o pisoteou. Nada pode salvar o carneiro.
8 Então, o bode tornou-se cada vez
mais arrogante. E, no auge do poder, seu chifre imenso se quebrou, e quatro
outros chifres enormes surgiram no lugar, apontando para o norte, o sul, o
leste e o oeste. De um desses grandes chifres, surgiu outro chifre, pequeno,
mas o seu poder cresceu até atingir o sul e o leste — e a querida terra
prometida. Cresceu tanto que atingiu as estrelas, o exército celestial, e
lançou algumas delas na terra e as pisoteou. Ele ousou até desafiar o poder
de Deus, o Príncipe do Exército Celestial! Ele acabou com a adoração diária
e profanou o santuário. Como castigo pelos seus pecados, o santo povo de
Deus também foi atacado por ele. O chifre desprezou a verdade de Deus.
Extremamente arrogante, dominou tudo que via pela frente.
13 “Naquele momento, ouvi dois
anjos conversando. O primeiro perguntou: ‘Quanto tempo vai durar isso — sem
adoração diária, e esse castigo devastador pelo pecado? E o povo de Deus e o
santuário vão continuar sendo desprezados e pisoteados?’.
14 “O outro respondeu: ‘Um
período de duas mil e trezentas tardes e manhãs. Então, o santuário será
restaurado’.”
15 “Enquanto eu, Daniel, estava
tentando encontrar um sentido no que via, uma figura humana apareceu diante de
mim.
16 “Ouvi uma voz de homem, que
vinha do canal de Ulai e chamava: ‘Gabriel, diga a este homem o que está
acontecendo. Explique a visão a ele’. Ele veio até mim, mas, quando se
aproximou, fiquei aterrorizado e me prostrei com o rosto em terra.
17 “Ele disse: ‘Entenda que
esta visão diz respeito ao final dos tempos’. Assim que ele falou, eu
desmaiei, com o rosto no chão. Mas ele me despertou e me levantou.
19 “Ele continuou: ‘Vou contar a
você o que vai acontecer, nos dias de juízo, pois haverá um fim para tudo
isso.
20 “‘O carneiro de dois chifres
que você viu representa os dois reis dos medos e dos persas. O bode
representa o reino dos gregos e o chifre enorme na testa dele é o primeiro
rei. Os quatro chifres que surgiram no lugar dele depois que foi quebrado são
os quatro reis que virão depois dele, mas sem o mesmo poder.
23 “‘Quando o reinado deles
estiver no fim, e as rebeliões se intensificarem, surgirá um rei cruel, um
mestre da maldade. Seu poder aumentará imensamente. Ele será arrogante, de
fala autoritária, fazendo exatamente o que quer, derrubará poderosos e santos
por todos os lados. Suas ações criminosas vão se multiplicar — e como vão!
Ele vai achar que é invencível e vai se livrar de todos que cruzarem seu
caminho. Mas, quando enfrentar o Príncipe dos príncipes, será esmigalhado —
mas não por mãos humanas. A visão das duas mil e trezentas tardes e manhãs,
é precisa, mas confidencial. Então, mantenha-a em segredo. Refere-se ao futuro
distante!’.”
27 “Eu, Daniel, enfraqueci e
estive enfermo alguns dias; então, me levantei e tratei dos negócios do rei.
Mas continuei apavorado com a visão, pois não conseguia entender coisa
alguma.”"
Daniel 9
A oração de
Daniel pelo povo
"1 “Dario, filho de Xerxes,
da linhagem dos medos, tornou-se rei da Babilônia. No primeiro ano do seu
reinado, eu, Daniel, meditava nas Escrituras e, de acordo com a Mensagem do
Eterno ao profeta Jeremias, Jerusalém teria de ficar em ruínas durante setenta
anos. Recorri ao Senhor Deus, em busca de uma resposta, orava com dedicação e sinceridade,
jejuava, vestia pano de saco e me ajoelhava nas cinzas. Derramei meu coração e
abri minha alma para o Eterno, meu Deus:
4 “‘Ó Senhor, grande e soberano
Deus. Tu nunca falhas em cumprir a tua aliança, nunca desistes daqueles que te
amam e obedecem ao que ordenas. Mas nós pecamos de todas as formas possíveis.
Cometemos pecados terríveis, fomos rebeldes, enganamos e pegamos atalhos para
fugir dos teus caminhos. Fizemo-nos de surdos diante dos teus servos, os
profetas, que pregaram tua Mensagem aos nossos reis e líderes, aos nossos pais
e a todo o povo da terra. Tu fizeste tudo certo, Senhor, mas tudo que temos a
apresentar é culpa e vergonha, todos nós — o povo de Judá, os cidadãos de
Jerusalém, Israel no exílio e em todos os lugares por onde fomos espalhados por
ter te traído. Ah, sim, fomos envergonhados publicamente, todos nós — nossos
reis, líderes, pais —, diante do mundo! Mas foi bem merecido, por causa do
nosso pecado.
9 “A tua compaixão é nossa única
esperança — ó Senhor, nosso Deus, porque, na nossa rebeldia, abrimos mão dos
nossos direitos. Não prestamos atenção em ti quando nos disseste como
deveríamos viver, nem obedecemos ao ensinamento proclamado por teus servos, os
profetas. Todos nós, em Israel, optamos por te ignorar. Desprezamos tuas instruções
para fazer apenas o que era do nosso agrado. E agora estamos pagando por
isso. A maldição expressa claramente na revelação feita a Moisés, servo de
Deus, agora está fazendo efeito entre nós. É o salário do nosso pecado
contra ti. Fizeste a nossos governantes o que prometeste fazer: trouxeste
desgraça sobre nós, em Jerusalém — a pior já registrada!
13 “‘E, como estava escrito na
revelação de Deus a Moisés, a catástrofe foi total. Nada foi poupado. Nós
nos mostramos obstinados no nosso pecado, sem nunca considerar tuas
orientações, ignorando tuas advertências. Assim, com razão, deixaste que a
desgraça viesse sobre nós com tudo. Tu, ó Eterno, tens todo o direito de fazer
isso, pois nós te ignoramos de maneira persistente, pois não obedecemos à sua
voz.
15 “‘Ó Senhor, tu és nosso Deus,
pois livraste teu povo da terra do Egito numa grande demonstração de poder — o
povo ainda fala nisso! Confessamos que pecamos, que vivemos uma vida de
maldades. Como sempre tens agido, consertando as coisas e endireitando as
pessoas, por favor, afasta tua tão grande ira contra Jerusalém, que é tua
cidade, teu santo monte. Sabemos que foi por culpa nossa que isso aconteceu,
tudo por causa do nosso pecado e do pecado de nossos pais e, agora, estamos
envergonhados diante de todos. Somos motivo de zombaria na nossa vizinhança.
Por isso, ouve, ó Deus, esta oração sincera do teu servo! Tem misericórdia do
teu santuário arruinado. Age de acordo com o que és, não segundo o que
somos.
18 “‘Atende nossa oração, ó Deus!
Abre os olhos e observa nossa cidade arruinada, a cidade chamada pelo teu nome.
Sabemos que não merecemos tua atenção. Nosso apelo é à tua compaixão. Esta
oração é nossa única esperança:
19 “‘Senhor, ouve-nos! Senhor,
perdoa-nos! Senhor, olha para nós e faz alguma coisa! Senhor, não nos
desprezes! Tua cidade e teu povo são chamados pelo teu nome, defende teus
interesses!”’
20 “Enquanto eu derramava meu
coração, confessando meu pecado e o pecado do meu povo, Israel, orava e
apresentava toda a minha vida diante do Eterno e intercedia pelo santo monte do
meu Deus; enquanto eu estava mergulhado na oração, Gabriel, o ser semelhante a
um homem, aquele que eu tinha visto numa visão anterior, aproximou-se de mim,
voando como uma ave, na hora da adoração da noite.
22 “Ele se pôs diante de mim e
disse: ‘Daniel, vim esclarecer as coisas. Assim que você começou sua oração, a
resposta foi dada, e agora estou aqui para entregá-la. Você é muito amado! Por
isso, ouça com cuidado para entender o significado da revelação:
24 “‘Setenta semanas estão
decretadas para seu povo e sua santa cidade, como forma de conter a rebelião,
dar fim ao pecado, arrancar o crime pela raiz, estabelecer a justiça para
sempre, cumprir a profecia e ungir o Lugar Santíssimo.
25 “‘Aqui está o que você precisa
entender. Desde o momento em que a ordem for dada para a reconstrução de
Jerusalém até a vinda do Líder Ungido, haverá sete semanas. A reconstrução
levará sessenta e duas semanas, incluindo a construção de ruas e muros. Serão
tempos difíceis. Depois das sessenta e duas semanas, o Líder Ungido será morto e
já não estará. A cidade e o santuário serão arruinados pelo exército do novo
líder que chegar. O fim virá de repente, como uma onda enorme. Haverá guerras
até o fim, e a desolação estará na ordem do dia.
27 “‘Então, no período de uma
semana, ele fará muitas alianças importantes, mas, na metade dessa semana, ele
acabará com a adoração e as orações. No lugar da adoração, irá se instalar a
besta da profanação que permanecerá ali até finalmente ser destruída’.”"
Daniel 10
A visão de
Daniel no rio Tigre
"1 No terceiro ano do reinado
de Ciro, rei da Pérsia, uma mensagem veio a Daniel, cujo nome babilônico era
Beltessazar. A mensagem era verdadeira e falava de uma grande guerra. Ele
entendeu, pois seu significado veio por revelação:
2 “Durante aqueles dias, eu,
Daniel, guardei luto por Jerusalém durante três semanas. Comi apenas comida
simples, sem tempero, e não comi carne nem bebi vinho. Não tomei banho nem me
barbeei até que tivessem passado as três semanas.
4 “No dia 24 do primeiro mês, eu
estava de pé diante do grande rio, o Tigre. Levantei os olhos e, para minha
surpresa, vi um homem vestido de linho com um cinto de ouro puro na cintura. Seu
corpo brilhava como se fosse esculpido de pedra preciosa. A face era radiante,
e os olhos, vivos e penetrantes como tochas. Os braços e pernas reluziam como
bronze polido, e sua voz soava como um grande coral.
7 “Eu, Daniel, fui o único a
vê-lo. Os homens que estavam comigo, embora não estivessem vendo, foram tomados
de medo e correram para se esconder, temendo o pior. Quando fiquei sozinho
depois dessa visão, abandonado pelos meus amigos, meus joelhos ficaram bambos;
e o rosto, pálido, sem força nenhuma.
9 “Quando ouvi o som da sua voz,
não resisti e desmaiei. Caí com o rosto no chão. Mas uma mão me tocou e me pôs
sobre as mãos e os joelhos.
11 “‘Ele me disse: Daniel, homem
muito amado! Levante-se e preste muita atenção a minha mensagem. Fui enviado
para falar dela a você’. “Quando ele disse isso, eu me levantei, mas não
conseguia parar de tremer.
12 “‘Fique tranquilo’, ele
continuou, ‘não tenha medo. Quando você decidiu se humilhar para receber
entendimento, sua oração foi ouvida, e eu me dispus a vir até aqui. Mas fui
impedido pelo anjo, que é o príncipe do reino da Pérsia, e isso me atrasou por
três semanas. Mas Miguel, um dos anjos supremos, veio em meu socorro e ficou
ali com o anjo, que é o príncipe da Pérsia. Estou aqui para ajudar você a
entender o que vai acontecer com seu povo, pois a visão fala do futuro’.
15 “Enquanto ele falava, fiquei só
olhando para o chão, não conseguia dizer nada, e fui surpreendido por algo
parecido com uma mão humana, que me tocou os lábios. Então, abri a boca e
comecei a falar: ‘Quando o vi, fiquei apavorado. Minhas pernas ficaram bambas.
Eu não conseguia me mexer. Como é possível que eu, um humilde servo, fale com
alguém como o senhor? Estou completamente paralisado. Mal consigo respirar!’.
18 “Aquele ser, que parecia
humano, me tocou outra vez e me deu forças. Ele disse: ‘Não tenha medo. Fique
em paz. Você é amado demais. Tudo vai ficar bem; tenha coragem. Seja forte!’.
“Enquanto ele ainda falava, veio-me coragem e retomei as forças; então, eu
disse: ‘Pode falar, porque o senhor me deu forças’.
20 “Ele disse: ‘Você sabe por que
vim aqui? Preciso voltar para lutar contra o anjo, que é o príncipe da Pérsia,
e, depois que eu o tirar do caminho, chegará o anjo, que é o príncipe da
Grécia. Mas, antes, deixe-me contar a você o que está escrito no Livro da
Verdade. Ninguém me ajuda na minha luta contra esses seres a não ser Miguel, o
anjo, que é o príncipe de vocês“.”
Daniel 11
Os reis do
Norte e do Sul
"1 “‘Eu o tenho ajudado da
melhor maneira possível, desde o primeiro ano do reinado de Dario, rei dos
medos.’"
2 “‘Mas agora deixe-me dizer como
estão as coisas. Outros três reis da Pérsia aparecerão, e, depois deles, um
quarto rei, que será muito mais rico que os outros. Quando ele achar que já tem
poder suficiente, ganho com sua riqueza, declarará guerra contra o reino da
Grécia.
3 “‘Nesse momento, aparecerá um
rei poderoso, que dominará um enorme território e conduzirá tudo como bem
entender. Mas, no auge do seu poder, quando tudo estiver aparentemente bem, seu
reino se dividirá em quatro partes: norte, sul, leste e oeste. Mas seus
herdeiros não receberão nada. Não haverá continuidade do poder, pois outros o
tomarão.
5 “‘Em seguida, o rei do sul se
fortalecerá, mas um dos seus príncipes será mais forte que ele e governará um
território ainda maior. Depois de alguns anos, os dois se tornarão aliados, e a
filha do rei do sul se casará com o rei do norte, para consolidar o acordo. Mas
a influência dela enfraquecerá, e seu filho não sobreviverá. Ela, seus servos,
seu filho e seu marido serão traídos.
6 “‘Algum tempo depois, alguém da
família real aparecerá e assumirá o trono. Ele assumirá o comando do exército,
invadirá o norte e alcançará grande vitória. Ele tomará os deuses de metal
deles e todos os utensílios de ouro e prata que os acompanham e os levará para
o Egito. Passado algum tempo, o rei do norte se recuperará e invadirá a terra
do rei do sul, mas não terá sucesso — terá de bater em retirada.
10 “‘Mas seus filhos formarão um
exército gigante e descerão como uma inundação, um ataque impetuoso sobre as
defesas do sul.
11 “‘Furioso, o rei do sul sairá e
enfrentará o rei do norte, que estará à espera com seu enorme exército, mas,
apesar disso, será derrotado. Enquanto os cadáveres forem tirados do campo, o rei,
com muita sede de sangue, sairá massacrando dezenas de milhares. Mas sua
vitória não vai durar muito, pois o rei do norte reunirá um exército ainda
maior que o anterior e, depois de alguns anos, voltará à batalha com inúmeros
soldados, muito arsenal e provisões inesgotáveis.
14 “‘Naqueles dias, muitos outros
se engajarão na batalha contra o rei do sul. Revoltosos do seu próprio povo,
embriagados por sonhos de poder, se ajuntarão a eles. Mas acabarão frustrados.
15 “‘Quando o rei do norte chegar,
fará rampas de cerco e conquistará a cidade fortificada. Os exércitos do sul
serão despedaçados diante dele. Nem mesmo suas famosas tropas de choque
conterão o agressor. Ele entrará todo arrogante, como se fosse o dono de tudo.
Ele se apossará da Linda Terra e se instalará aí. Depois, prosseguirá para ter
controle total. Fará um tratado de paz e até dará sua filha em casamento ao rei
do sul, parte de uma trama para destruí-lo de vez. Mas o plano será um fiasco.
Não será bem-sucedido.
18 “‘Mais tarde, voltará sua atenção
para as regiões costeiras e fará inúmeros prisioneiros, mas um general
intervirá e dará um basta às suas ameaças. Quem metia medo ficará amedrontado.
Ele voltará para casa e passará a cuidar dos próprios negócios. Mas, a essa
altura, já estará acabado, e, logo, já não se ouvirá mais falar dele.
20 “‘Levantará depois, no lugar
dele, um que fará passar um exator pela terra mais gloriosa do seu reino. Mas
isso, não durará muito. Sairá da história rapidamente, sem nem mesmo ter
lutado.
21 “‘Seu lugar será preenchido por
um sujeito desprezado e desprezível. Mas ele surpreenderá todos, saindo como
que do nada e se apossando do reino. Ele avançará como um rolo compressor e até
o Príncipe da Aliança será esmagado. Depois de negociar um cessar-fogo, ele
violará as condições. Que traidor! Com alguns poucos comparsas, assumirá o
controle total. Ele invadirá as províncias mais ricas, quando elas menos
esperarem. Ultrapassará todos seus antepassados: prenderá e saqueará, viverá
com seus amigos num luxo desmedido.
24 “‘Ele fará planos contra as
cidades fortificadas, mas não será por muito tempo. Ele ajuntará um grande
exército, muito bem armado, para combater o rei do sul. Em resposta, o rei do
sul manterá seu exército — ainda maior — a postos, pronto para a batalha. Mas
não será capaz de sustentar essa condição por muito tempo, em razão das
intrigas nas próprias fileiras: sua corte estará minada por tramas e
conspirações. Assim, seu exército será esmagado, e o campo de batalha ficará
coberto de cadáveres.
27 “‘Os dois reis, ambos com
planos maldosos um contra o outro, vão se sentar à mesa de conferências e
negociarão seus engodos. Nada resultará desse tratado, que não passará de um
emaranhado de mentiras. Mas ainda não é o fim. A história não acabou.
28 “‘O rei do norte irá para casa,
carregado de despojos, mas sua mente estará voltada para a destruição da
santa aliança enquanto estiver passando pela terra a caminho de casa.
29 “‘Um ano mais tarde, ele
comandará nova invasão ao sul. Mas a segunda invasão não será como a primeira.
Quando os navios romanos chegarem, ele dará meia-volta e retornará para casa. Mas,
ao passar pela terra, seu ódio contra a santa aliança será despertado. Ele
fará acordo com todos os que se dispuserem a trair a santa aliança, tomando o
partido deles. Suas forças entrarão marchando e profanarão o santuário
e a cidadela. Eles irão banir a adoração diária, substituindo-a pela besta
da profanação. O rei do norte honrará os que traírem a santa aliança, corrompendo-os
ainda mais com sua conversa sedutora, mas os que forem leais a Deus se
tornarão fortes e ativos.
33 “‘Os que mantiverem o bom senso
ensinarão o bem às multidões, pelo exemplo. Eles serão submetidos a provas
terríveis durante um certo período: alguns serão mortos; outros, queimados;
alguns, exilados; outros, roubados. Quando a prova for muito difícil, receberão
alguma ajuda, mas não muita. E muitos dos pretensos ajudadores se portarão
com indiferença. A provação refinará e purificará os que mantiverem o bom
senso e permanecerem leais, porque há ainda mais por vir.
36 “‘Enquanto isso, o rei do norte
estará agindo sem impedimento. Ele se elevará a uma posição superior à de
qualquer deus e, até mesmo, ousará desafiar o Deus dos deuses. Por um
tempo, isso será tolerado, até que se complete esse tempo de juízo, pois o
que foi decretado precisa ser cumprido. Ele não terá respeito algum
pelos deuses dos seus antepassados, nem mesmo pelo deus predileto das mulheres.
Desprezando qualquer deus, o rei do norte se inchará de orgulho e se
achará maior que todos eles. Ele chegará a ponto de desprezar o Deus dos
santos e, no lugar em que Deus é adorado, colocará em exibição, com generoso
ornamento de prata, ouro e pedras preciosas, um deus novo do qual nunca se
ouviu falar. Marchando sob a bandeira desse deus estranho, ele atacará as
principais fortalezas. Promoverá todos os que seguirem esse deus, dando a eles
cargos importantes e recompensando-os com concessões de terras.
40 “‘Na conclusão dessa história,
o rei do sul o enfrentará. Mas o rei do norte se lançará contra ele como um
furacão, com seus carros e cavalos e uma grande frota de navios e varrerá tudo
que estiver no seu caminho. Ao entrar na Linda Terra, as pessoas cairão diante
dele como peças de dominó. Só Edom, Moabe e alguns amonitas escaparão. Ele vai
avançar, dominando país após país, nem o Egito escapará. Ele confiscará o ouro,
a prata e todos os bens valiosos do Egito. Os líbios e os etíopes cairão com
ele. Mas, nesse momento, relatos perturbadores virão do norte e do leste e o
farão entrar em pânico. Furioso, ele se apressará em suprimir a ameaça.
Mas, assim que armar suas tendas entre o mar Mediterrâneo e o monte santo —
inúmeras tendas reais —, ele encontrará seu fim. E não haverá uma alma viva por
perto para ajudá-lo!’"
Daniel 12
O tempo do
fim
"1 “‘Esse será o momento
quando Miguel, o grande anjo, que é príncipe defensor do seu povo, entrará em
cena. Será um tempo de desgraça, a pior desgraça que o mundo já conheceu.
Mas seu povo será salvo da desgraça, todos os que tiverem o nome escrito no Livro.
Uma grande multidão, composta daqueles que já morreram e foram sepultados,
acordará — alguns para a vida eterna; outros, para a vergonha eterna.
3 “‘Homens e mulheres que viveram
de forma sábia e justa brilharão como a noite sem nuvens, repleta de estrelas.
E os que conduziram outras pessoas ao caminho certo brilharão como estrelas
para sempre.
4 “‘Este é um relato confidencial,
Daniel, para seus olhos e ouvidos somente. Mantenha-o em segredo. Guarde o
livro fechado à chave até o final. Nesse ínterim, haverá uma busca frenética
para se tentar entender o que está acontecendo.’”
5 “Enquanto eu, Daniel, ouvia tudo
isso, apareceram dois seres, um do lado do rio em que eu estava e outro do
outro lado. Um deles perguntou a um terceiro homem, vestido de linho, que
estava acima das águas do rio: ‘Até quando vai continuar essa história
intrigante?’”.
7 “O homem vestido de linho, que
estava acima das águas do rio, levantou as mãos para o céu. Ouvi quando ele
jurou solenemente pelo Eterno que seria um tempo, dois tempos e meio tempo e
que, quando o opressor do povo santo fosse derrubado, a história chegaria ao
seu final”.
8 “Ouvi tudo isso claramente, mas
não entendi. Por isso, perguntei: ‘Senhor, pode me explicar isso?’
9 “‘Continue a fazer o que está
fazendo, Daniel’, ele disse. A mensagem é confidencial e será guardada à chave
até o fim, até que tudo chegue à sua conclusão. O povo será purificado e
renovado, mas os maus continuarão sendo maus, sem ter a menor ideia do que está
acontecendo. Já os que viverem de forma sábia e justa entenderão tudo.’”.
11 “A partir do momento em que
a adoração diária for abolida do templo e a besta da profanação for introduzida
no seu lugar, vão se passar mil duzentos e noventa dias.
12 “Abençoados os que persistirem
pacientemente durante os mil trezentos e trinta e cinco dias!
13 “E você, prossiga em sua
jornada, sem ficar ansioso ou preocupado. Fique tranquilo. Quando tudo tiver
passado, você se levantará para receber sua recompensa.”"
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