O Livro de Ester
Introdução
Este livro conta a história de Ester, a moça judia que se torna rainha por causa do seu casamento com Assuero, rei da Pérsia. Hamã, o primeiro-ministro do reino, planeja acabar com todos os judeus do reino, mas Ester e o seu primo Mordecai conseguem fazer com que o plano perverso de Hamã fracasse, e ele acaba morrendo na forca que havia mandado construir para enforcar Mordecai. Para festejar a vitória contra os inimigos, os judeus começaram a comemorar a Festa de Purim, o que fazem até hoje.
Esquema do
conteúdo
1. Ester se torna rainha
(1.1—2.23)
2. Hamã planeja a morte dos judeus
(3.1—5.14)
3. Hamã é denunciado e morto
(6.1—7.10)
4. Os judeus acabam com seus
inimigos (8.1—9.19)
5. A Festa de Purim (9.20—10.3)
Ester 1
O banquete de
Assuero
"1 Nos dias de Assuero, que
reinou sobre cento e vinte e sete províncias desde a Índia até a Etiópia, a
sede do reino ficava no complexo real de Susã. No terceiro ano do seu reinado,
ele ofereceu um banquete a todos os seus oficiais e ministros. Também estavam
presentes as autoridades militares da Pérsia e da Média, além dos príncipes e
governadores das províncias.
4 Durante seis meses, ele exibiu o
imenso patrimônio do seu Império e o impressionante luxo da realeza. Para
concluir, o rei deu uma festa de uma semana para todos os moradores da capital,
Susã. Participaram desde os nobres até os mais simples. A festa aconteceu no
jardim do pátio do palácio de verão do rei. O jardim foi decorado com tecidos
brancos e azuis, fixados com cordas de linho branco e roxo em argolas de prata,
fixadas em colunas de mármore. As poltronas eram de prata e de ouro; o piso era
um mosaico de pórfiro, mármore, madrepérola e pedras preciosas. A bebida era
servida em taças de ouro personalizadas. O vinho real era servido à vontade,
por conta da generosidade do rei.
8 O rei autorizou os convidados a
beber quanto quisessem. Os mordomos ficavam à disposição para servi-los sempre
que desejassem. Enquanto isso, dentro do palácio do rei Assuero, a rainha Vasti
oferecia um banquete à parte para as mulheres.
10 No sétimo dia da festa, o rei,
já alterado de tanto beber, ordenou a sete oficiais, seus auxiliares
particulares Meumã, Bizta, Harbona, Bigtá, Abagta, Zetar e Carcas, que fossem
buscar a rainha Vasti em trajes suntuosos e com sua coroa real. Ela era muito
bonita.
12 Mas a rainha se recusou a ir e
não acompanhou os oficiais. O rei ficou indignado. Furioso com a recusa da
rainha, convocou seus conselheiros e todos os especialistas em questões de leis
e de direito. O rei tinha o costume de consultar os assessores especializados.
Os assessores mais próximos, os sete principais ministros da Pérsia e da Média,
que faziam parte do círculo restrito do rei, eram: Carsena, Setar, Adamata,
Társis, Meres, Marsena e Memucã. Ele perguntou que medida legal deveria ser
tomada contra a rainha Vasti por ter recusado atender a uma ordem do rei Assuero
transmitida por seus oficiais.
16 Memucã tomou a palavra diante
dos conselheiros e dos ministros do rei: “Não foi apenas ao rei que a rainha
Vasti ofendeu. Todos nós, as autoridades e todo o povo de todas as províncias
do rei Assuero, fomos ofendidos. Não tenham dúvida de que a notícia vai se
espalhar: ‘Você soube o que a rainha Vasti fez? O rei Assuero ordenou que ela
se apresentasse diante dele, e ela se recusou!’. Quando as mulheres ouvirem
isso, vão começar a tratar o marido com desprezo. O dia em que as mulheres dos
oficiais da Pérsia e da Média ficarem sabendo da recusa da rainha, perderemos o
controle. É isso que queremos? Um país cheio de mulheres rebeldes, que não
aceitam sua condição?
19 “Então, se o rei estiver de
acordo, promulgue um decreto real e registre-o nas leis dos persas e dos medos,
de modo que não possa ser revogado, que a rainha Vasti está terminantemente
proibida de comparecer perante o rei Assuero. Assim, o rei terá a liberdade de
substituí-la por uma mulher que aceite sua condição. Quando o decreto do rei
for conhecido por todo o império, por mais vasto que seja, toda mulher, de
qualquer posição social, terá maior respeito por seu marido”.
21 O rei e os ministros gostaram
desse conselho. O rei fez exatamente o que Memucã propôs. Enviou comunicados a
todas as partes do Império, para cada província e para cada povo em sua própria
escrita e língua, dizendo: “Todo homem é senhor de seu lar; o que ele disser
deve ser respeitado”."
Ester 2
Ester feita
rainha
"1 Passado um tempo, quando o
rei Assuero já estava mais calmo, ele se lembrou do que Vasti havia feito e do
que ele tinha determinado contra ela. Os auxiliares do rei sugeriram que fossem
trazidas as virgens mais bonitas para o rei. Disseram: “Designe oficiais de
todas as províncias para escolher e enviar as moças mais belas a Susã. Elas
devem ser recolhidas ao harém administrado por Hegai, o eunuco do rei,
responsável pelas mulheres, para que ele dê a elas um tratamento de beleza
completo. Depois, a moça que mais agradar ao rei ocupará o lugar de Vasti”. O
rei gostou do conselho e o pôs em prática.
5 Havia um judeu que trabalhava no
complexo real de Susã chamado Mardoqueu. Ele era filho de Jair, filho de Simei,
filho de Quis, da tribo de Benjamim. Seus antepassados foram levados cativos de
Jerusalém pelo rei Nabucodonosor da Babilônia com o rei Joaquim de Judá.
Mardoqueu criou sua prima Hadassa, que não tinha pai nem mãe. Ela era
também conhecida pelo nome de Ester. Era elegante e muito atraente. Depois
da morte dos pais dela, Mardoqueu a adotou como filha.
8 Quando a ordem do rei foi
divulgada, muitas moças foram levadas para o complexo real de Susã e entregues
a Hegai, encarregado de cuidar das mulheres. Ester estava entre elas.
9 Hegai se agradou de Ester e deu
uma atenção especial à moça. Submeteu-a a tratamentos de beleza, determinou uma
dieta especial para ela, chamou sete moças do palácio para servi-la e designou
um quarto separado para ela e as moças. A conselho de Mardoqueu, Ester não
disse nada a respeito da sua origem ou do seu povo.
11 Todos os dias, Mardoqueu
passava pelo pátio do harém para saber de Ester e ter notícias dela.
12 Depois de doze meses de preparação
e tratamentos de beleza — seis meses de tratamento com óleo de mirra e seis
meses com perfumes e vários cosméticos —, cada moça era levada ao rei Assuero.
Quando chegava a vez de uma moça comparecer diante do rei, ela podia levar
consigo para o palácio do rei o que quisesse. Ela ia à tarde e, na manhã
seguinte, era encaminhada para outro harém, supervisionado por Saasgaz, o
oficial do rei encarregado das concubinas. Ela nunca mais voltava à presença
do rei, a não ser que o rei gostasse dela e a chamasse pelo nome.
15 Na vez de Ester, filha de
Abiail, tio de Mardoqueu, que a adotou como filha, ela não quis levar nada, a
não ser o que Hegai, o encarregado do harém, recomendou. Ester, com seu
comportamento, conquistava a admiração de todos os que conviviam com ela.
16 Ela foi levada ao rei Assuero no
palácio real no décimo mês, no mês de tebete, no sétimo ano do seu reinado.
17 O rei apaixonou-se por Ester,
muito mais que por qualquer outra mulher ou outra virgem. Ele entregou a
coroa real a ela e a constituiu rainha no lugar de Vasti. Em seguida, o rei
ofereceu um grande banquete a todos os seus nobres e oficiais. Era o banquete
de Ester. Ele decretou feriado em todas as províncias e distribuiu presentes
com generosidade real.
19 Quando as virgens foram reunidas
novamente, Mardoqueu estava sentado à porta do palácio. Até então, Ester não
havia revelado nada sobre sua origem ou seu povo, conforme Mardoqueu havia
instruído. Ela continuava acatando o que Mardoqueu dizia, como na infância,
quando foi criada por ele.
21 Certo dia, quando Mardoqueu
estava sentado à porta do palácio, Bigtã e Teres, dois dos eunucos, que
guardavam a entrada, estavam revoltados com o rei Assuero e tramaram o
assassinato dele. Mas Mardoqueu descobriu a conspiração e a contou à
rainha Ester, que levou a informação ao rei Assuero, dizendo que foi
Mardoqueu quem tinha descoberto o plano. Depois de investigarem o caso e
confirmarem sua veracidade, os dois homens foram condenados à forca. Tudo
isso foi registrado no histórico do reinado, na presença do rei."
Ester 3
Mordecai
odiado por Hamã
"1 Algum tempo depois, o rei Assuero
promoveu Hamã, filho de Hamedata, descendente de Agague, ao posto mais alto do
seu governo. Todos os oficiais do rei que transitavam pela porta do palácio saudavam
Hamã, curvando-se e ajoelhando-se, conforme determinação do rei. Exceto
Mardoqueu.
2 Mardoqueu não se curvava nem se
ajoelhava. Então, os oficiais do rei reunidos na porta do palácio perguntaram a
Mardoqueu: “Por que você não acata a determinação do rei?”. Todos os dias, ele
era questionado, mas não dava a mínima atenção a eles. Até que alguém foi
contar a Hamã, para ver se alguém tomava alguma providência. Mardoqueu já
tinha dito que era judeu.
5 Quando Hamã viu que Mardoqueu
não se curvava nem se ajoelhava diante dele, ficou indignado. Sabendo que ele
era judeu, Hamã não se contentou em descarregar sua fúria contra um único
judeu e ficou pensando num jeito de eliminar não só Mardoqueu, mas todos os
judeus de todo o Império de Assuero.
7 No primeiro mês, o mês de nisã,
no décimo segundo ano de Assuero, lançaram o pur, isto é, a sorte, na presença de
Hamã, para determinar o dia e o mês da execução do plano. Foi escolhido o dia
13 do décimo segundo mês, o mês de adar.
8 Então, Hamã expôs seu caso ao
rei Assuero: “Há um povo estranho espalhado por todas as províncias do Império
que não se enquadra aqui. Seus costumes e seu modo de vida são diferentes dos
demais povos. Além do mais, eles não respeitam as leis do rei e representam
uma ameaça. O rei não deveria tolerá-los. Se for do agrado do rei,
determine que eles sejam eliminados. Eu mesmo me encarregarei das despesas.
Depositarei trezentas e cinquenta toneladas de prata no tesouro real para essa
operação”.
10 O rei retirou o anel de selar
do dedo e o entregou a Hamã, filho de Hamedata, de Agague, inimigo número um
dos judeus.
11 O rei disse a Hamã: “Vá em
frente! Fique com o dinheiro. Faça o que quiser com esse povo”.
12 No dia 13 do primeiro mês, os
secretários do rei foram chamados. A decisão foi registrada exatamente como
Hamã ditou e endereçada a todos os governadores de todas as províncias e às autoridades
de cada povo. Foi registrada na escrita e na língua de cada província e de cada
povo, em nome do rei Assuero, e selada com o selo real.
13 Foram enviados os comunicados
pelos emissários a todas as províncias do Império. A ordem era massacrar e,
assim, eliminar os judeus, jovens e velhos, mulheres e crianças, no mesmo
dia, o dia 13 do décimo segundo mês, no mês de adar, e confiscar todos os seus
bens. Em cada província, foram publicadas cópias da decisão, a fim de que todos
se preparassem para aquele dia.
15 Em obediência à ordem do rei,
os emissários partiram. A decisão também foi comunicada no complexo real de
Susã. O rei e Hamã sentaram-se para beber, enquanto a cidade de Susã se
alvoroçava com a notícia."
Ester 4
Ester promete
interceder pelo seu povo
"1 Quando Mardoqueu descobriu
o que tinha acontecido, rasgou a própria roupa, vestiu pano de saco e pôs
cinzas na cabeça. Depois, saiu para a rua, chorando em voz alta. Ele chegou até
a porta do palácio, mas ficou do lado de fora, pois ninguém vestido de pano de
saco podia entrar. Enquanto a decisão do rei era divulgada entre todas as
províncias, houve muito choro no meio dos judeus: eles jejuavam, choravam e
lamentavam a situação. A maioria deles vestia pano de saco e colocavam cinzas
na cabeça.
4 Os eunucos e as servas de Ester
vieram contar o que havia acontecido. A rainha ficou inconformada. Mandou
roupas para Mardoqueu, sugerindo que ele abandonasse o pano de saco, mas ele
não aceitou. Ester chamou Hatá, um dos oficiais do palácio, a quem o rei
havia designado para assisti-la, e pediu que fosse conversar com Mardoqueu para
saber o que, de fato, estava acontecendo. Hatá encontrou Mardoqueu na praça da
cidade, diante da porta do palácio. Mardoqueu contou tudo que tinha acontecido.
Informou até a exata quantia de dinheiro que Hamã tinha prometido depositar nos
cofres do palácio para financiar a execução dos judeus. Mardoqueu entregou uma
cópia do comunicado sobre o massacre que fora divulgado em Susã para que ele o
mostrasse a Ester quando fosse apresentar seu relatório, e pediu que ela
intercedesse perante o rei a favor do seu povo.
9 Hatá voltou e contou a Ester
tudo que Mardoqueu tinha dito. Ester conversou sobre o assunto com Hatá e,
depois, o mandou de volta a Mardoqueu com este recado: “Todos os que trabalham
aqui para o rei, e mesmo os moradores das províncias, sabem qual é o destino
de qualquer homem ou mulher que se aproxime do rei sem ser convocado: é
morte na certa. A única exceção é se o rei estender à pessoa o
seu cetro de ouro. Só assim, a pessoa será poupada. E já se passaram trinta
dias desde a última vez que fui convidada a comparecer diante do rei”.
12 Hatá repetiu as palavras de
Ester a Mardoqueu, e ele mandou este recado de volta: “Não pense que só
porque você mora no palácio real será a única judia a sobreviver. Se você
insistir em ficar quieta numa situação como esta, o socorro e o livramento para
os judeus virão de outra parte, mas você e sua família serão exterminadas. Quem
sabe não foi justamente para isso que você foi escolhida rainha?”.
15 Ester mandou dizer a Mardoqueu:
“Convoque todos os judeus que moram em Susã. Jejuem a meu favor. Não
comam nem bebam nada durante três dias e três noites. Eu e minhas servas,
faremos o mesmo. Se fizerem isso, vou arriscar comparecer diante do rei,
mesmo sendo proibido. Se eu tiver de morrer, morrerei”.
17 Mardoqueu fez o que Ester havia
pedido."
Ester 5
Ester convida
ao rei e Hamã para um banquete
"1 Três dias depois, Ester
vestiu seu traje real e ficou no pátio interior do palácio, em frente da sala
do trono do rei. O rei estava em seu trono de frente para a entrada. Quando
percebeu que a rainha Ester estava no pátio, ficou contente em vê-la e estendeu
para ela o cetro de ouro que tinha na mão. Ester se aproximou e tocou a ponta
do cetro. O rei perguntou: “O que você deseja, rainha Ester? Qual é o seu
pedido? Prometo dar o que você pedir, mesmo que seja metade do reino!”.
4 Ester respondeu: “Se for do seu
agrado, venha com Hamã participar de um banquete que preparei”.
5 O rei disse: “Chamem Hamã
imediatamente, para irmos ao banquete de Ester”. O rei e Hamã foram ao banquete
que Ester tinha preparado. Enquanto bebiam vinho, o rei perguntou: “Então, o
que você deseja? Para você, metade do reino não será pedir demais! Pode pedir o
que quiser”.
7 Ester respondeu: “Se o rei se
agrada de mim e estiver disposto a atender ao meu pedido e meu desejo, quero
que amanhã o rei e Hamã participem de outro banquete que vou preparar. Então,
vou responder com toda a clareza à pergunta do rei”.
9 Hamã saiu do palácio muito feliz
naquela noite. Ao sair, viu Mardoqueu sentado perto da porta do palácio, e este
o ignorou. Hamã ficou furioso. Mas ele se conteve e voltou para casa. Chamou
seus amigos e, com sua mulher, Zeres, ficou se gabando do dinheiro que possuía,
dos muitos filhos, das frequentes homenagens que recebia do rei, da promoção ao
posto mais elevado do governo, e acrescentou: “Além do mais, a rainha Ester me
convidou para um banquete particular, que ela ofereceu ao rei. Só nós três
estávamos lá. Ela também me convidou para outro banquete amanhã. Mas, ainda
assim, não estarei satisfeito enquanto o judeu Mardoqueu estiver sentado à
entrada do palácio”.
14 Sua mulher, Zeres, e todos os
seus amigos disseram: “Mande fazer uma forca de vinte metros de altura.
Fale com o rei logo cedo e consiga dele permissão para enforcar Mardoqueu.
Depois, vá festejar com o rei no banquete”. Hamã gostou da sugestão e mandou
construir a forca."
Ester 6
Hamã forçado
a honrar a Mordecai
"1 Naquela noite, o rei não
conseguia dormir e pediu que trouxessem o livro dos registros históricos, o
diário da corte, para que pudesse ler. Durante a leitura, deparou com o
registro do incidente em que Mardoqueu descobriu a conspiração de Bigtã e
Teres, os dois eunucos da corte, guardas da entrada do palácio, que haviam
planejado assassinar o rei Assuero.
3 O rei perguntou: “Que recompensa
deram a Mardoqueu por isso?” Os oficiais do rei que estavam de plantão
responderam: “Nenhuma. Nada foi feito por ele”.
4 O rei quis saber: “Tem alguém aí
no pátio?” Hamã havia acabado de chegar ao pátio externo do palácio real
para conversar com o rei sobre o enforcamento de Mardoqueu, na forca que ele
tinha mandado fazer.
5 Os oficiais do rei disseram: “Hamã
está esperando no pátio”. O rei respondeu: “Tragam-no para dentro”.
6 Quando Hamã entrou, o rei
perguntou a ele: “O que seria correto fazer a um homem a quem o rei quer
homenagear?”. Hamã pensou consigo mesmo: “Ele deve estar querendo me
homenagear, pois que outra pessoa seria?”. Então, respondeu ao rei: “Faça o
seguinte ao homem a quem o rei quer homenagear: Mande trazer uma das
vestimentas reais e um cavalo que o rei costuma montar, um que tenha o brasão
do rei na cabeça. Depois, entregue a roupa e o cavalo a um dos príncipes mais
nobres do rei. Peça para que ele vista o homem a quem o rei quer homenagear e o
conduza montado no cavalo por toda a cidade, proclamando: “É assim que se
faz ao homem a quem o rei quer homenagear!”.
10 O rei disse a Hamã: “Pois
faça exatamente isso. Não perca tempo. Pegue a roupa e o cavalo e faça o que
você sugeriu ao judeu Mardoqueu, que está sempre ali perto da porta do palácio.
E não se esqueça de nenhum detalhe do que você sugeriu”.
11 Hamã foi buscar a roupa e o
cavalo. Depois, vestiu Mardoqueu e o conduziu por toda a cidade, proclamando: “É
assim que se faz ao homem a quem o rei quer homenagear!”.
12 Encerrada a homenagem,
Mardoqueu voltou à porta do palácio, mas Hamã correu para casa. Inconsolável,
não queria ver ninguém. Quando Hamã terminou de contar à sua mulher Zeres e aos
seus amigos o que havia acontecido com ele, seus amigos mais sábios e sua
mulher Zeres disseram: “Se esse Mardoqueu é judeu mesmo, isso é só o começo
da sua desgraça. Sentimos muito, mas você não tem chance alguma, já está
arruinado”.
14 Estavam ainda conversando,
quando os oficiais do rei chegaram para levar Hamã ao banquete que Ester tinha
preparado."
Ester 7
Ester
denuncia a Hamã, que é enforcado
"1 Então, o rei e Hamã foram
participar do segundo banquete com a rainha Ester. Enquanto ainda bebiam vinho,
o rei perguntou mais uma vez: “Rainha Ester, o que você deseja? Pode pedir até
metade do meu reino”.
3 Ester respondeu: “Se o rei se
agrada de mim e for do seu querer, preserve a minha vida e a vida do meu povo.
4 “Nós, eu e meu povo, fomos
vítimas de uma conspiração, e agora vamos ser massacrados e exterminados. Se
tivéssemos sido vendidos como escravos, eu nem teria tocado no assunto, pois o
rei não merece ser incomodado com os nossos problemas”.
5 O rei Assuero esbravejou: “Mas
quem foi que fez isso? Onde está ele? Isso é inadmissível!”.
6 Ester respondeu: “É um inimigo
nosso: este mau-caráter chamado Hamã”. Hamã ficou aterrorizado diante do rei e
da rainha.
7 Furioso, o rei levantou-se,
deixou o vinho de lado e saiu para o jardim do palácio. Hamã continuou ali,
implorando misericórdia à rainha Ester. Ele percebeu que o rei já havia
decidido condená-lo e que era o fim da linha para ele. Quando o rei voltou do jardim
para a sala do banquete, Hamã estava prostrado no sofá em que a rainha estava.
O rei gritou: “Será que ele ainda quer molestar a rainha em minha casa, no
instante que virei as costas?”. Assim que o rei disse isso, cobriram o rosto de
Hamã.
9 Harbona, um dos oficiais que
estavam a serviço do rei, disse: “Vejam! Há uma forca que Hamã mandou
construir para Mardoqueu, o que salvou a vida do rei. Fica do lado da casa
de Hamã e tem vinte metros de altura!”. O rei ordenou: “Enforquem-no lá!”.
10 Assim, Hamã foi executado na
própria forca que tinha mandado fazer para Mardoqueu. Só então, o rei se
acalmou."
Ester 8
Os judeus são
autorizados a resistir
"1 Naquele mesmo dia, o rei Assuero
deu à rainha Ester todas as propriedades de Hamã, o inimigo número um dos
judeus. Mardoqueu apresentou-se ao rei, porque a rainha Ester tinha explicado a
Assuero o relacionamento deles. O rei tirou seu anel de selar, que havia tomado
de volta de Hamã, e o entregou a Mardoqueu. Ester nomeou Mardoqueu administrador
das propriedades de Hamã.
3 Ester foi conversar outra vez
com o rei. Ela se prostrou aos pés dele e implorou com lágrimas que revogasse o
decreto mal-intencionado de Hamã, o agagita, contra os judeus. O rei estendeu o
cetro de ouro a Ester. Ela se levantou e ficou de pé diante dele. Ela disse:
“Se for do agrado do rei e ele tiver alguma consideração por mim, e se isso for
certo e o rei tiver algum sentimento por mim, que cancele por escrito a decisão
de executar o plano de Hamã, filho de Hamedata, o agagita, de exterminar o povo
judeu em todas as províncias do rei. Como eu poderia assistir à extinção do meu
povo? Como vou suportar a ideia de ver meus parentes massacrados?”.
7 O rei Assuero disse à rainha
Ester e ao judeu Mardoqueu: “Eu entreguei as propriedades de Hamã a Ester, e
ele foi enforcado porque atentou contra os judeus. Portanto, vão em frente!
Escrevam o que acharem melhor a favor dos judeus. Depois, selem com o meu
anel”. (Uma ordem escrita em nome do rei e selada com o seu anel não podia ser revogada).
9 Assim, no dia 23 do terceiro
mês, no mês de sivã, os secretários do rei foram chamados, e foi escrita,
detalhadamente, conforme Mardoqueu ditava, a ordem com respeito aos judeus. Ela
estava endereçada a todos os governadores de província e às demais autoridades,
desde a Índia até a Etiópia, ao todo, cento e vinte e sete províncias. As
cópias do documento foram enviadas na escrita e na língua de cada povo, até
mesmo para os judeus, de acordo com sua escrita e seu idioma.
10 Ele escreveu em nome do rei Assuero
e selou com o anel real.
Enviou os comunicados por meio de emissários, nos cavalos mais velozes do
palácio, criados na coudelaria do rei.
11 A ordem do rei autorizava os
judeus, em todas as cidades, a se defender com armas contra as ameaças de
morte, a matar qualquer um que ameaçasse a eles, as suas mulheres e os seus
filhos e a confiscar os bens dos seus inimigos. A data escolhida, válida para
todas as províncias do rei Assuero, foi o dia 13 do décimo segundo mês, o mês
de adar. A ordem foi afixada em todos os lugares públicos de cada província,
para que todos a pudessem ler. Ela autorizava os judeus a se preparar, no dia
determinado, para reagir aos ataques dos inimigos.
14 Os emissários saíram depressa
em cavalos velozes do rei. Ao mesmo tempo, a ordem foi divulgada no complexo
real de Susã.
15 Quando saiu da presença do rei,
Mardoqueu vestia um traje real violeta e branco e trazia uma enorme coroa de
ouro na cabeça e uma capa roxa de linho fino. A população de Susã explodiu de
alegria. Para os judeus, foi um alívio e motivo de muita alegria e honra. Por
todo o Império, em todas as províncias, em cada cidade em que a ordem do rei
era anunciada, os judeus saiam às ruas para festejar. Por causa disso, muitos
não judeus se tornaram judeus, pois, desde então, era perigoso não ser
judeu."
Ester 9
Os judeus
matam aos seus inimigos
"1 No dia 13 do décimo
segundo mês, no mês de adar, a ordem do rei entraria em vigor. Foi justamente o
dia que os inimigos dos judeus haviam planejado exterminá-los, mas a situação
se inverteu: os judeus venceram aqueles que os odiavam! Os judeus, em todas as
cidades espalhadas pelas províncias do rei Assuero, se uniram para atacar os
que tentavam matá-los. Ninguém conseguiu derrotá-los, pois todos estavam com
medo deles. Além do mais, todos os governadores, as autoridades e os que
trabalhavam para o rei apoiaram os judeus, por causa de Mardoqueu. Eles o
respeitavam muito. A essa altura, Mardoqueu exercia muita influência no
palácio. À medida que ele se tornava mais influente, sua reputação crescia
entre as províncias.
5 Os judeus causaram muitas baixas
nos inimigos: havia gente morta em todo lugar. Eles fizeram o que bem
entenderam aos que os odiavam. No complexo real de Susã, os judeus massacraram
quinhentos homens. Também mataram os dez filhos de Hamã, filho de Hamedata, o
inimigo número um dos judeus: Parsandata, Dalfom, Aspata, Porata, Adalia,
Aridata, Farmasta, Arisai, Aridai, Vaisata.
10 Mas eles não saquearam nada.
Depois de tudo terminado, foi apresentado ao rei um relatório com o número das
pessoas mortas na capital. O rei disse à rainha Ester: “Só aqui na capital,
Susã, os judeus mataram quinhentos homens, além dos dez filhos de Hamã. Imagine
como foi a matança nas demais províncias! O que mais você deseja? Pode dizer.
Seu desejo é uma ordem”.
13 A rainha respondeu: “Se for do
agrado do rei, dê aos judeus de Susã permissão para prorrogar a ordem do rei
por mais um dia. Permita que os corpos dos dez filhos de Hamã sejam pendurados
e fiquem expostos ao público nas forcas”.
14 O rei mandou que se prorrogasse
a ordem. Os corpos dos dez filhos de Hamã foram pendurados à vista do povo.
15 No dia 14 de adar, os judeus de
Susã mataram outros trezentos homens em Susã. Mais uma vez, não saquearam nada.
16 Enquanto isso, nas demais
províncias, os judeus se organizaram para se defender, libertando-se da
opressão. No dia 13 do mês de adar, mataram setenta e cinco mil dos que os
odiavam, mas não saquearam nada. No dia 14, celebraram a vingança com muita
comida. Mas, em Susã, uma vez que os judeus haviam promovido a matança nos dias
13 e 14, a celebração foi no dia 15, com muita alegria e festança. É por isso
que os judeus que vivem na região rural guardam o dia 14 de adar para a
celebração, dia festejado com troca de presentes.
20 Mardoqueu registrou essas
ocorrências e mandou cópias a todos os judeus espalhados por todas as
províncias do rei Assuero, até mesmo as mais distantes, convocando para uma
celebração anual nos dias 14 e 15 de adar, para lembrar o dia em que os judeus
se livraram dos seus inimigos, o mês em que a sua aflição se transformou em
alegria, e o seu lamento, em dia de festa, diversão e alegria, ocasião para
trocar presentes e ajudar os pobres.
23 E assim foi feito. A celebração
virou uma tradição, pois adotaram de modo permanente a prática que Mardoqueu
havia determinado para eles.
24 Hamã, filho de Hamedata, o
agagita, o inimigo número um dos judeus, havia planejado destruir o inimigo.
Ele lançou o pur, isto é, a sorte, para aterrorizá-los e matá-los. Mas,
quando a rainha Ester intercedeu diante do rei, ele deu ordens escritas para
que o plano maléfico de Hamã fosse executado contra ele mesmo. Ele e seus
filhos foram pendurados na forca. Por isso, essa celebração é chamada Purim, da
palavra pur, sorte.
26 Portanto, por causa de tudo que
foi escrito nessa carta e de tudo que sofreram, os judeus decidiram manter a
celebração. Tornou-se tradição para eles, para seus filhos e para os futuros
convertidos ao judaísmo, para lembrar, todos os anos, aqueles dois dias, de
acordo com as datas prescritas na carta. Elas deviam ser lembradas e celebradas
por todas as gerações, em cada família, cada província e cada cidade. Os dias
de Purim nunca deverão ser negligenciados entre os judeus e nunca deverão ser
esquecidos por seus descendentes.
29 A rainha Ester, filha de
Abiail, apoiou o judeu Mardoqueu e, com sua autoridade real, escreveu uma
segunda carta sobre o Purim, para confirmar a primeira. Foram enviadas cópias
aos judeus das cento e vinte e sete províncias do Império de Assuero. Na carta,
eles tranquilizavam os judeus e desejavam paz a eles, decretando que os dias de
Purim passassem a fazer parte do calendário religioso. Eles deveriam observar
as datas que o judeu Mardoqueu e a rainha Ester haviam escolhido para si e para
seus descendentes com respeito ao jejum e às lamentações. As palavras de Ester
confirmaram a tradição e foram escritas no livro."
Ester 10
O renome de
Mordecai
"1 O rei Assuero impôs
tributos a todo o seu Império, aos lugares mais longínquos. Quanto aos demais
atos do rei Assuero, suas inúmeras realizações, com o acréscimo do relato do
brilhantismo de Mardoqueu, a quem o rei promoveu, estão registrados nas
Crônicas dos Reis da Média e da Pérsia.
3 O judeu Mardoqueu foi o segundo
no comando depois do rei Assuero. Tornou-se popular entre os judeus e foi muito
respeitado. Ele lutou a favor do seu povo e buscava a paz e o bem-estar dos
judeus."
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