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10 - 2 Samuel

 

O Segundo Livro de Samuel

Introdução

O Segundo Livro de Samuel é a continuação de 1Samuel. Neste livro se conta a história de Davi, que foi rei primeiro de Judá, no Sul (caps. 1—4). Depois ele foi rei de toda a nação, incluindo Israel, no Norte (caps. 5—24). 2Samuel narra as lutas de Davi contra os inimigos de dentro e de fora, para se firmar no poder e para estender o seu reino. Davi era um homem de profunda fé e devoção a Deus e como líder foi capaz de conquistar a lealdade do seu povo. Mas ele também cometeu pecados de crueldade e violência, que a Bíblia não esconde.


Porém quando o profeta Natã apontou a Davi os seus pecados, ele os confessou e aceitou o castigo de Deus.
A vida e as realizações de Davi impressionaram profundamente o povo de Israel.
Tanto assim que, mais tarde, nos tempos de angústia, quando precisavam de outro rei, eles pediam “um filho de Davi”. Desejavam um rei descendente de Davi, que fosse igual a ele.

 

Esquema do conteúdo

1. Davi governa Judá (1.1—4.12)

2. Davi governa Judá e Israel (5.1—24.25)

a. Os primeiros anos (5.1—10.19)

b. Davi e Bate-Seba (11.1—12.25)

c. Problemas e dificuldades (12.26—20.26)

d. Os últimos anos (21.1—24.25)

 

2Samuel 1

Davi recebe a notícia da derrota e da morte de Saul

"1 Pouco tempo depois da morte de Saul, Davi voltou dos seus ataques contra os amalequitas para Ziclague. Três dias depois, sem aviso, um rapaz chegou do acampamento militar de Saul.

2 Com as vestes rasgadas e em estado de luto, ele se prostrou diante de Davi, que perguntou: “O que o traz aqui?”.
Ele respondeu: “Acabo de fugir do acampamento de Israel”.

4 Davi perguntou: “O que aconteceu? Que notícia você traz?”.
Ele disse: “Os israelitas fugiram do campo de batalha, deixando para trás muitos dos seus companheiros mortos.
Saul e Jônatas também morreram”.

5 Davi quis saber do soldado mais detalhes: “Como você sabe, com tanta certeza, que Saul e Jônatas estão mortos?”.

6 “Cheguei por acaso ao monte Gilboa e encontrei Saul gravemente ferido sobre sua lança e os carros e cavaleiros do inimigo chegando perto dele. Ele olhou para trás e, quando me viu, chamou-me. Respondi: ‘Sim, senhor! Estou à sua disposição’. Ele me perguntou quem eu era, e eu disse: ‘Sou amalequita’.

9 “Ele respondeu: ‘Venha aqui. Acabe com o meu sofrimento. Estou morrendo, mas ainda estou consciente’.

10 “Então, fiz o que ele pediu. Eu o matei. Sabia que não sobreviveria por muito tempo. Tirei a coroa e o bracelete dele e os trouxe para o meu senhor. Aqui estão”.

11 Em sinal de luto, Davi rasgou a própria roupa. Todos os que estavam com ele fizeram o mesmo. Eles choraram e jejuaram o restante do dia, em sinal de luto pela morte de Saul e de seu filho Jônatas, pelo exército do Eterno e pela nação de Israel, vítimas de uma batalha mal sucedida.

13 Depois, Davi disse ao jovem soldado que trouxera a notícia: “Quem é você mesmo?”. “Sou filho de um estrangeiro.
Sou amalequita”.

14 Davi disse: “Quer dizer que você não hesitou em matar o ungido do Eterno?”. No mesmo instante, ele deu ordens a um dos seus soldados: “Mate-o!”. O soldado desferiu um golpe contra o rapaz, e ele morreu.

16 Davi declarou: “Você mesmo pediu isso. Você mesmo pronunciou a sua sentença de morte quando disse que tinha matado o ungido do Eterno”.

17 Em seguida, Davi cantou este lamento sobre Saul e seu filho Jônatas. Também deu ordens para que todos em Judá memorizassem o lamento. Ele pode ser lido no Livro de Jasar.

19 Oh! Oh! As gazelas de Israel, feridas estão sobre os montes, os poderosos guerreiros caíram! Não anuncie isto na cidade de Gate, não divulgue nas ruas de Ascalom. Para que as filhas dos filisteus não tenham mais um motivo para celebrar! Não haja mais orvalho nem chuva sobre vocês, ó montes de Gilboa, e nenhuma gota de água em suas fontes e nascentes, pois ali os escudos dos guerreiros foram arrastados no barro, o escudo de Saul ficou ali, apodrecendo.

22 O arco de Jônatas era ousado, quanto maior o inimigo, mais sangrenta a derrota. Destemida era a espada de Saul: quando desembainhada, nada a detinha.

23 Saul e Jônatas, muito amados e admirados! Unidos na vida, unidos na morte. Eram mais velozes que as águias, mais fortes que os leões.

24 Chorem por Saul, mulheres de Israel! Ele vestia vocês com finas vestes de linho e seda, não economizava para mantê-las elegantes. Os heróis de guerra, caídos no meio da batalha! Jônatas, ferido sobre os montes!

26 Ah, querido irmão Jônatas! Estou triste pela sua morte. Sua amizade foi um milagre surpreendente, amável muito além de todos os que conheci ou imaginava conhecer.

27 Os heróis de guerra estão caídos. As armas de guerra foram despedaçadas."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2Samuel 2

Davi é aclamado rei de Judá

"1 Depois disso, Davi orou. Ele perguntou ao Eterno: “Devo me mudar para uma das cidades de Judá?”. O Eterno respondeu: “Sim, vá”. Davi perguntou: “Para qual cidade?”.
Deus disse: “Para Hebrom”.

2 Assim, Davi mudou-se para Hebrom com suas duas esposas, Ainoã, de Jezreel, e Abigail, viúva de Nabal do Carmelo.
Os homens de Davi, com suas famílias, também foram com ele e se estabeleceram em Hebrom e seus arredores.

4 Os moradores de Judá vieram a Hebrom e, ali mesmo, proclamaram Davi rei sobre os clãs de Judá. Disseram a Davi que foram os homens de Jabes-Gileade que tinham dado um sepultamento digno a Saul. Davi enviou mensageiros aos homens de Jabes-Gileade, dizendo: “O Eterno abençoe vocês pelo que fizeram, por honrarem o seu senhor Saul com esse funeral.
Que o Eterno seja leal e fiel a vocês. Eu também farei o mesmo: Serei generoso como vocês. Sejam fortes e façam o que deve ser feito. Saul, senhor de vocês, está morto. Os moradores de Judá me constituíram rei sobre eles”.

8 Enquanto isso, Abner, filho de Ner, comandante do exército de Saul, levou Is-Bosete, filho de Saul, para Maanaim e o proclamou rei sobre Gileade, Aser, Jezreel, Efraim e Benjamim, isto é, rei sobre todo o Israel. Is-Bosete, filho de Saul, tinha 40 anos de idade quando começou a reinar sobre Israel. Ele reinou apenas dois anos. Mas o povo de Judá permaneceu leal a Davi. Em Hebrom, Davi reinou sobre o povo de Judá sete anos e meio.

12 Certo dia, Abner, filho de Ner, partiu de Maanaim para Gibeom com os soldados de Is-Bosete, filho de Saul. Joabe, filho de Zeruia, e os soldados de Davi também partiram. Eles se encontraram no açude de Gibeom. As tropas de Abner ficaram de um lado, e as de Joabe, do outro lado do açude.

14 Abner desafiou Joabe: “Apresente seus melhores soldados. Vamos vê-los lutar”. Joabe respondeu: “Tudo bem!
Estou de acordo!”.

15 Então, doze benjamitas de Is-Bosete, filho de Saul, e doze soldados de Davi se prepararam para lutar. Cada um agarrou a cabeça do adversário e fincou a espada nele. Todos caíram mortos de uma só vez. Por isso, aquele lugar é chamado Helcate-Hazurim (Campo da Carnificina). Fica ali mesmo, em Gibeom.

17 A batalha se intensificou durante todo o dia. Abner e os homens de Israel foram esmagados pelos homens de Davi.
Os três filhos de Zeruia estavam lá: Joabe, Abisai e Asael.
Asael, veloz como um antílope em campo aberto, perseguiu Abner, sempre em seu encalço.

20 Abner olhou para trás e perguntou: “É você, Asael?”.
Ele respondeu: “Sou eu mesmo”.

21 Abner disse: “Desista de mim! Escolha outro que você tenha chance de ferir para ficar com as suas armas!”.
Mas Asael não desistiu.

22 Abner tentou mais uma vez: “Volte! Não me obrigue a matar você! Como vou enfrentar seu irmão Joabe?”.

23 Como ele não desistia, Abner parou, virou para trás e enfiou a lança na barriga de Asael com tanta força que ela saiu pelas costas. Asael caiu morto no chão. Todos os que chegavam ao local em que Asael estava caído paravam. Mas Joabe e Abisai continuaram perseguindo Abner. Ao pôr do sol, chegaram à colina de Amá, em frente de Gia, na estrada que sai para Gibeom. Os benjamitas ficaram do lado de Abner, estrategicamente organizados sobre a colina.

26 Abner gritou para Joabe: “Vamos continuar matando uns aos outros? Não sabe que isso só vai provocar mais amargura? Até quando vai permitir que seus homens persigam seus irmãos?”.

27 Joabe respondeu: “Assim como Deus vive, se você não tivesse falado nada, teríamos continuado a perseguição até de manhã!”. Dito isso, ele tocou a trombeta, e todo o exército de Judá parou. Eles desistiram de perseguir Israel e puseram fim à guerra.

29 Abner e seus soldados marcharam a noite inteira pelo vale da Arabá. Atravessaram o Jordão e, depois de marchar toda a manhã, chegaram a Maanaim.

30 Depois de voltar da perseguição de Abner, Joabe fez a contagem do seu grupo. Além de Asael, estavam faltando dezenove soldados de Davi. Os soldados de Davi tinham ferido e matado trezentos e sessenta soldados de Abner, todos benjamitas. O corpo de Asael foi trazido e sepultado no túmulo da família, em Belém. Joabe e seus soldados marcharam toda a noite e chegaram a Hebrom ao amanhecer."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2Samuel 3

Abner faz aliança com Davi

"1 O conflito entre a família de Saul e a família de Davi continuou por muito tempo. Quanto mais perdurava, mais Davi se fortalecia e mais a família de Saul se enfraquecia.

2 Enquanto permaneceu em Hebrom, Davi teve os seguintes filhos: o mais velho, Amnom, filho de Ainoã, de Jezreel; o segundo, Quileabe, filho de Abigail, viúva de Nabal do Carmelo; o terceiro, Absalão, filho de Maaca, filha de Talmai, rei de Gesur; o quarto, Adonias, filho de Hagite; o quinto, Sefatias, filho de Abital; o sexto, Itreão, filho de Eglá.
Esses seis filhos de Davi nasceram em Hebrom.

6 Abner aproveitou o conflito entre a família de Saul e a família de Davi para se fortalecer. Saul teve uma concubina chamada Rispa, filha de Aia. Certo dia, Is-Bosete questionou Abner:
“Por que você se deitou com a concubina de meu pai?”.

8 Abner perdeu a paciência com Is-Bosete e disse: “Você está me tratando como cachorro? É assim que sou tratado depois de permanecer leal à família de seu pai e a todos os seus parentes e amigos? Eu pessoalmente o salvei de ser capturado por Davi, e agora você se incomoda por eu ter me deitado com uma mulher? Sabe o que vou fazer? Vou colaborar com a transferência do reino da família de Saul para Davi, para que ele reine sobre toda a nação, Israel e Judá, de Dã a Berseba, como o Eterno prometeu a ele.
Que Deus me castigue se eu não fizer isso!”.
Is-Bosete, com medo de Abner, não disse nada.
12 Abner tomou a iniciativa e mandou dizer a Davi: “Vamos fazer um acordo, e ajudarei você a conquistar a lealdade de toda a nação de Israel”.

13 Davi respondeu: “Ótimo! Façamos o acordo, mas com uma condição: nem apareça aqui se não trouxer Mical, filha de Saul, quando vier me encontrar”.

14 Ele mandou este recado a Is-Bosete, filho de Saul: “Devolva-me Mical, que me foi dada em casamento como recompensa pelos cem prepúcios dos filisteus”.

15 Is-Bosete determinou que ela fosse tirada do marido, Paltiel, filho de Laís, e Paltiel a seguiu chorando por todo o caminho até Baurim. Ali, Abner ordenou: “Volte para casa”. E ele voltou.

17 Abner reuniu os líderes de Israel e disse: “Faz tempo que vocês querem que Davi seja rei sobre vocês. Pois chegou a hora! Além disso, o Eterno prometeu a Davi: ‘Por intermédio do meu servo Davi, livrarei o meu povo, Israel, da opressão dos filisteus e de todos os outros inimigos’”.

19 Abner chamou os benjamitas de lado e conversou com eles. Depois, foi a Hebrom conversar a sós com Davi e contou a ele o que Israel, em geral, e Benjamim, em particular, pretendiam fazer.

20 Quando Abner e sua comitiva de vinte homens chegaram a Hebrom, Davi ofereceu um banquete a eles.

21 Abner disse: “Estou pronto. Deixe-me voltar e reunir todo o Israel para que se submeta ao meu senhor, o rei. Eles assinarão um acordo, para que o senhor governe sobre eles como achar melhor”. Davi despediu Abner em paz.

22 Logo depois, os soldados de Davi, liderados por Joabe, retornaram de uma batalha, trazendo muitos despojos.
Abner não estava mais em Hebrom com Davi, pois tinha acabado de partir. Quando Joabe e o grupo de soldados chegaram, souberam que Abner, filho de Ner, tinha estado com Davi e voltado para casa em paz.

24 Joabe foi falar com o rei: “O que o senhor fez? Abner vem aqui, e o senhor o deixa ir embora livre? Saiba que Abner é muito esperto. Essa visita, não teve intenção amistosa.
Ele veio espionar, conhecer os seus movimentos, descobrir o que o senhor está fazendo”.

26 Joabe saiu dali e partiu para a ação, enviando mensageiros para alcançar Abner. Eles se encontraram com Abner na cisterna de Sirá e o trouxeram de volta. Davi não ficou sabendo de nada. Quando Abner chegou de volta a Hebrom, na entrada da cidade, Joabe o levou ao canto para uma conversa em particular.
Ali mesmo, ele o esfaqueou na barriga, matando Abner a sangue frio, como vingança pela morte de seu irmão Asael.

28 Mais tarde, quando soube do fato, Davi declarou: “Eu e o meu reino somos inocentes diante do Eterno pelo assassinato de Abner, filho de Ner. Que Joabe e toda a sua família sofram para sempre por derramar esse sangue. Que sejam vítimas de doenças de pele, violência e fome”. (Joabe e seu irmão Abisai assassinaram Abner porque ele tinha matado o irmão deles, Asael, na batalha de Gibeom.)

31 Davi ordenou a Joabe e a todos os soldados comandados por ele: “Rasguem as suas roupas! Usem roupas de luto! Conduzam o cortejo fúnebre de Abner e chorem bem alto!”. O rei Davi seguiu atrás do caixão. Abner foi sepultado em Hebrom, e o rei chorou muito ao lado do túmulo dele. O povo chorou também.

33 Então, o rei entoou este tributo a Abner: “Como pode ser isso? Abner morto como indigente! Você era um homem livre, livre para ir e fazer o que quisesse. Você caiu como uma vítima de briga de rua!”. O povo agora chorava incontrolavelmente!

35 Depois do funeral, todos insistiam com Davi, para que comesse alguma coisa antes do anoitecer. Mas Davi fez este juramento: “Deus, ajuda-me para que eu não prove uma única migalha de pão ou qualquer outra coisa antes do anoitecer!”. Todos os que estavam no funeral ouviram suas palavras e ficaram admirados. Aliás, tudo que o rei fazia, o povo respeitava. Naquele dia, todos os habitantes de Israel ficaram sabendo que o rei não estava envolvido na morte de Abner, filho de Ner.

38 O rei disse a seus servos: “Percebem que hoje um príncipe e herói de guerra foi vítima de uma injustiça em Israel? Mas eu, embora sendo rei ungido, não pude fazer nada para impedir.
Os filhos de Zeruia são mais poderosos que eu. Que o Eterno retribua ao criminoso o crime cometido”."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2Samuel 4

A morte de Isbosete

"1 Quando Is-Bosete, filho de Saul, soube que Abner tinha sido morto em Hebrom, perdeu a coragem, e toda a nação ficou abatida. O filho de Saul tinha dois homens no comando das tropas. Um se chamava Baaná, e o outro, Recabe. Eles eram filhos de Rimom, de Beerote, de Benjamim.

2 Os moradores de Beerote tinham sido designados à tribo de Benjamim desde que fugiram para Gitaim. Até hoje moram ali, como estrangeiros.

4 Ora, Jônatas, filho de Saul, teve um filho aleijado. Quando esse filho tinha 5 anos de idade, chegou de Jezreel a notícia da morte de Saul e de Jônatas. Sua ama o pegou e fugiu, mas, na pressa de escapar, ela caiu, e o menino ficou aleijado.
Ele se chamava Mefibosete.

5 Certo dia, Baaná e Reeabe, os filhos de Rimom, foram à casa de Is-Bosete. Eles chegaram no maior calor do dia, no momento do descanso da tarde. Eles entraram na casa, fingindo ter ido tratar de algum negócio. A mulher que guardava a porta do quarto estava dormindo; por isso, Recabe e Baaná conseguiram passar por ela e entrar no quarto em que Is-Bosete dormia. Eles o mataram e cortaram a cabeça dele, saindo com ela como se fosse um troféu. Eles viajaram a noite toda pelo caminho da Arabá.

8 Eles trouxeram a cabeça de Is-Bosete a Davi, em Hebrom, dizendo ao rei: “Aqui está a cabeça de Is-Bosete, filho de Saul, seu inimigo. Ele queria matar você, mas o Eterno vingou o meu senhor, o rei. Hoje, ele vingou o senhor de Saul e de sua descendência!”.

9 Mas Davi respondeu aos irmãos Recabe e Baaná, filhos de Rimom, de Beerote: “Assim como vive o Eterno, que me livrou de todas as minhas aflições, quando o mensageiro me trouxe a notícia da morte de Saul, achando que eu ficaria contente, eu o prendi e matei na mesma hora, em Ziclague. Foi essa a recompensa dele pela suposta boa notícia! Agora, vêm vocês aqui, homens perversos, dizendo que mataram um homem inocente a sangue-frio, um homem que estava dormindo na própria cama! Não pensem que eu inocentarei vocês e que não os eliminarei!”.

12 Dito isso, Davi deu ordens a seus soldados. Eles mataram os dois homens, cortaram a cabeça e os pés deles e penduraram os corpos perto do açude de Hebrom. Mas levaram a cabeça de
Is-Bosete e a enterraram no túmulo de Abner, em Hebrom."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2Samuel 5

Davi é ungido rei de todo o Israel

"1 Não passou muito tempo, todas as tribos de Israel procuraram Davi em Hebrom, dizendo: “Olhe para nós, somos seu sangue e sua carne! No passado, quando Saul era nosso rei, era o senhor quem saía para as guerras, em defesa da nação. Naquele tempo, o Eterno já tinha dito: ‘Você pastoreará o meu povo Israel e será príncipe sobre o meu povo’”.

3 Todas as autoridades de Israel se encontraram com o rei Davi em Hebrom, e o rei fez um acordo com eles na presença do Eterno. Nesse dia, Davi foi ungido rei sobre todo o Israel.

4 Davi tinha 30 anos de idade quando começou a reinar.
Ele reinou quarenta anos. Em Hebrom, reinou sobre Judá sete anos e meio. Em Jerusalém, reinou sobre todo o Israel e Judá trinta e três anos.

6 Davi e seus soldados partiram imediatamente para Jerusalém, a fim de atacar os jebuseus, que viviam naquela região. Mas os jebuseus disseram: “É melhor voltar para casa! Aqui, até os cegos e os aleijados impediriam vocês de entrar. Vocês não vão conseguir entrar aqui!”. Eles tinham certeza de que Davi não conseguiria invadir a cidade.

7 Mas Davi atacou e capturou a fortaleza de Sião, que ficou conhecida, desde então, como Cidade de Davi. Naquele dia, Davi disse: “Para conseguir derrotar esses jebuseus, é preciso entrar pelo canal de água e acabar com esses cegos e aleijados, que Davi detesta”. (É por isso que as pessoas passaram a dizer: “Nenhum aleijado ou cego poderá entrar no palácio”.

9 Davi fez da fortaleza a sua sede e deu a ela o nome de Cidade de Davi. Ele promoveu o desenvolvimento da cidade da periferia para o centro. Davi continuou se fortalecendo, pois o Senhor dos Exércitos de Anjos estava com ele.

11 Foi nessa época que Hirão, rei de Tiro, enviou mensageiros a Davi com muitas toras de cedro. Ele enviou também carpinteiros e pedreiros com a missão de construir um palácio para Davi.
Davi entendeu isso como um sinal de que o Eterno estava confirmando seu reinado sobre Israel e consolidando o reino, por amor de seu povo, Israel.

13 Depois de sair de Hebrom, Davi tomou mais concubinas e mulheres, e nasceram outros filhos e filhas. Estes são os nomes dos que nasceram em Jerusalém: Samua, Sobabe, Natã, Salomão, Ibar, Elisua, Nefegue, Jafia, Elisama, Eliada e Elifelete.

17 Quando os filisteus souberam que Davi tinha sido proclamado rei sobre todo o Israel, fizeram planos para capturá-lo. Davi soube disso e desceu para sua fortaleza, enquanto os filisteus se espalhavam pelo vale de Refaim.

19 Davi perguntou ao Eterno: “Devo atacar os filisteus?
Posso contar com a tua ajuda para derrotá-los?”.

20 O Eterno respondeu: “Vá. Conte comigo, porque, certamente, entregarei os filisteus nas tuas mãos”. Davi foi para Baal-Perazim e os derrotou ali. Depois de vencê-los, ele declarou: “O Eterno irrompeu contra os inimigos como um jato de água. Por isso, Davi deu ao lugar o nome de Baal-Perazim (O Senhor que irrompe).
Os filisteus que fugiram abandonaram seus ídolos, e Davi e seus soldados os levaram embora.

22 Passado um tempo, outra vez os filisteus subiram e espalharam suas tropas pelo vale de Refaim, e Davi, mais uma vez, consultou o Eterno.

23 Dessa vez, o Eterno disse: “Não os ataque de frente. Em vez disso, dê a volta por trás deles e arme uma emboscada diante das amoreiras. Quando você ouvir uma movimentação no alto das árvores, prepare-se para atacar. É o sinal de que Eu o Eterno saí na frente para atacar o acampamento filisteu”.

25 Davi fez exatamente o que o Eterno recomendou e derrotou os filisteus desde Gibeom até Gezer."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2Samuel 6

Davi traz para Jerusalém a arca

"1 Davi escolheu os melhores soldados de Israel, ao todo trinta mil. Com esse contingente e também com seus soldados, Davi foi a Baalá com a intenção de recuperar a arca de Deus, sobre a qual se invoca o Nome, o nome do Senhor dos Exércitos de Anjos, entronizado entre os dois anjos que ficam sobre a arca.

3 Eles puseram a arca de Deus sobre uma carroça nova, e, assim, ela deixou a casa de Abinadabe, que ficava na colina. Uzá e Aiô, filhos de Abinadabe, conduziam a carroça que carregava a arca de Deus. Aiô caminhava à frente, e Uzá, ao lado da arca. Davi e todo o povo de Israel iam cantando com todo entusiasmo, tocando harpas, liras, tamborins, chocalhos e címbalos. Quando se aproximaram da eira de Nacom, o boi tropeçou, e Uzá, estendendo o braço, segurou a arca de Deus. O Eterno se irou contra Uzá e o feriu, porque ele profanou a arca.
Uzá morreu ali mesmo, ao lado dela
.

8 Davi ficou aborrecido com o fato de o Eterno ter matado Uzá. Até hoje, o lugar é conhecido pelo nome de Perez-Uzá
(A Explosão contra Uzá). Naquele dia, Davi sentiu medo do Eterno, pois pensava: “É muito perigoso transportar a arca.
Como vou levá-la em segurança para a Cidade de Davi?”.
Por isso, decidiu não levar adiante a arca do Eterno.
Em vez disso, fez que a carroça saísse da estrada, e a arca ficou guardada na casa de Obede-Edom, de Gate. A arca do Eterno ficou três meses na casa de Obede-Edom. O Eterno abençoou Obede-Edom e toda a sua família.

12 Davi foi informado de que o Eterno estava abençoando Obede-Edom e toda a sua família por causa da arca de Deus.
Davi mandou trazer a arca de Deus da casa de Obede-Edom para a Cidade de Davi, com muita festa, sacrificando um novilho gordo a cada seis passos. Davi usava uma vestimenta sacerdotal de linho e dançava com todo entusiasmo perante o Eterno. O povo o seguia, enquanto ele acompanhava a arca do Eterno com gritos de alegria e ao som de trombetas. Mas, quando a arca do Eterno entrou na Cidade de Davi, Mical, filha de Saul, veio assistir ao cortejo de sua janela. Quando viu o rei Davi pulando e dançando diante do Eterno, ficou aborrecida com ele.

17 A arca do Eterno foi posta no meio do pavilhão da tenda que Davi tinha preparado. Ali mesmo, Davi adorou, apresentando ofertas queimadas e ofertas de paz. Depois de oferecer essas ofertas, Davi abençoou o povo, em nome do Senhor dos Exércitos de Anjos e entregou a cada homem e a cada mulher um pedaço de pão, um bolo de tâmaras e um bolo de passas. Então, todos voltaram para casa.

20 Davi voltou para casa, a fim de abençoar sua família.
Mas Mical, filha de Saul, veio ao seu encontro: “Que bonito! O rei se expondo na presença das escravas dos seus servos, como um dançarino de rua!”. Davi respondeu a Mical: “Na presença do Eterno, eu danço quanto quiser! Ele me escolheu, em vez de seu pai e de toda a sua família, e me tornou príncipe sobre o povo do Eterno, sobre todo o Israel. Não há dúvida de que vou dançar para a glória do Eterno, e me rebaixarei ainda mais. Tenho prazer de ser visto no meio das pessoas simples, pois, por essas escravas, com quem você se preocupa, eu serei respeitado”.

23 Mical, filha de Saul, não teve filhos, até ao dia da sua morte."

 

 

 

 

 

2Samuel 7

A aliança do SENHOR com Davi

"1 Pouco tempo depois, o rei estava à vontade em casa, porque o Eterno tinha dado a ele descanso de todos os seus inimigos.
Certo dia, Davi disse ao profeta Natã: “Veja só! Eu estou aqui no maior conforto, numa casa de cedro luxuosa, enquanto a arca de Deus continua numa simples tenda”.

3 Natã disse ao rei: “Faça o que estiver em seu coração.
O Eterno está com você”.

4 Mas, naquela noite, o Eterno disse a Natã: “Vá dizer ao meu servo Davi: ‘É isto que Eu o Eterno digo sobre essa questão:
Você quer construir uma casa para eu morar? Por quê? Até hoje, nunca morei numa casa, desde que trouxe os filhos de Israel dá terra do Egito. Durante todo esse tempo, permaneci numa tenda. Em todas as minhas jornadas com Israel, nunca exigi dos líderes que designei para pastorear Israel a construção de uma casa de cedro para mim
’.

8 “Por isso, diga ao meu servo Davi: ‘Eu o Senhor dos Exércitos de Anjos digo: Eu tirei você do cuidado das ovelhas e fiz de você príncipe sobre o meu povo, Israel. Eu o acompanhei por todos os lugares que você foi e o ajudei a derrotar os seus inimigos.
Agora, estou tornando você conhecido e reconhecido entre as pessoas mais importantes da terra. Vou designar um lugar seguro para o meu povo, a fim de que tenham estabilidade numa terra própria, de modo que não sejam mandados de um lado para o outro. Também não permitirei que os perversos os molestem, como sempre fizeram, mesmo na época em que estabeleci juízes para governá-los. Por fim, vou providenciar que você fique livre de todos os seus inimigos
.

11 “‘Eu o Eterno tenho ainda esta mensagem: Eu mesmo vou fundar uma dinastia para você. Quando a sua vida chegar ao fim e você for sepultado com seus antepassados, levantarei um descendente seu, seu próprio sangue e carne, que será o seu sucessor, e darei estabilidade ao governo dele. Ele edificará uma casa em minha homenagem, e eu preservarei o reinado dele. Serei seu pai, e ele será como um filho para mim.
Se ele cometer algum erro, tratarei de discipliná-lo, como de costume no caso de fracassos e tropeços da vida dos mortais, mas nunca renunciarei ao meu amor por ele, como fiz com Saul, antes de você. Sua família e seu reino serão sempre estáveis, eu mesmo estou cuidando disso. Seu trono sempre estará lá, firme como uma rocha
’”.

17 Natã relatou fielmente a Davi o que viu e ouviu na visão.

18 O rei Davi entrou na presença do Eterno e orou: “Quem sou eu, Senhor Eterno, e quem é minha família para que eu chegasse a este ponto? E isso não é nada comparado com o que está para acontecer, pois também falaste sobre o futuro da minha família, dando-me um vislumbre dessa época, Senhor Eterno! O que eu poderia dizer diante de tudo isso? Tu me conheces, Senhor Eterno, sabes como sou. O que fizeste não foi pelo que sou, mas pelo que tu és e por tua graça! E me deixaste saber disso.

22 “Por isso, tu és grandioso, Senhor Eterno! Não há outro igual a ti, não há outro Deus além de ti, nada há que se compare ao que ouvimos a teu respeito. E quem pode se comparar com o teu povo, Israel, uma nação singular na terra, que resgataste para ti, ó Deus, ato que te tornou conhecido. Realizaste proezas extraordinárias, expulsando nações e seus deuses na ocasião em que tiraste o teu povo do Egito. Separaste um povo para ti, o povo de Israel, que será teu para sempre.
E tu, ó Eterno, te fizeste Deus deles.

25 “Agora, Deus Eterno, confirma para sempre o que prometeste para mim e minha família! Cumpra tua promessa! Assim, tua fama sempre aumentará quando as pessoas disserem: ‘O Senhor dos Exércitos de Anjos é o Deus de Israel!’. E a descendência de teu servo Davi permanecerá inabalável e segura na tua presença, porque tu, Senhor dos Exércitos de Anjos e Deus de Israel, me disseste com todas as letras: ‘Eu mesmo vou fundar uma dinastia para você’. Foi por isso que tive a coragem de fazer esta oração.

28 “Assim, Senhor Eterno, sendo o Deus que és, fazendo essas promessas e tendo dito essas belas palavras a mim, peço-te mais uma coisa: Abençoa a minha família. Protege-a sempre. Sei que já prometeste isso, Senhor Eterno! Que a tua bênção esteja sobre minha família para sempre!”."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2Samuel 8

Diversas vitórias de Davi

"1 Depois disso, Davi derrotou os filisteus. Ele os subjugou e assumiu o controle da região.

2 Ele também lutou e derrotou Moabe. Escolheu, aleatoriamente, dois terços deles e os executou. Mas preservou a vida de um terço, que teve de se submeter ao domínio de Davi e pagar impostos a ele.

3 Davi derrotou Hadadezer, filho de Reobe, rei de Zobá, quando ele procurava restaurar sua soberania na região do rio Eufrates. Davi confiscou mil carros de guerra de Hadadezer e capturou sete mil cavaleiros e vinte mil soldados de infantaria. Ele aleijou os cavalos que puxavam os carros de guerra, preservando apenas cem deles.

5 Os arameus de Damasco vieram ajudar Hadadezer, mas Davi matou vinte e dois mil deles e estabeleceu o controle militar sobre o reino arameu de Damasco. Os arameus sujeitaram-se a Davi e foram forçados a pagar imposto a ele. O Eterno concedia vitórias a Davi por onde quer que ele fosse.

7 Davi tomou os escudos de ouro que pertenciam aos oficiais de Hadadezer e os trouxe para Jerusalém. De Tebá e Berotai, cidades de Hadadezer, trouxe grande quantidade de bronze.

9 Quando Toú, rei de Hamate, soube que Davi tinha derrotado todo o exército de Hadadezer, mandou seu filho Jorão para o cumprimentar pela vitória, pois Toú e Hadadezer eram inimigos de longa data. Ele trouxe prata, ouro e bronze como presente.
O rei Davi os consagrou junto com a prata e o ouro trazidos das outras nações que havia derrotado — arameus, moabitas, amonitas, filisteus e amalequitas — e com o despojo de Hadadezer, filho de Reobe, rei de Zobá.

13 Davi construiu um monumento para celebrar a vitória sobre os arameus. Abisai, filho de Zeruia, lutou e derrotou os edomitas no vale do Sal. Depois de derrotar os arameus, Davi ficou ainda mais famoso, por ter matado dezoito mil soldados. Davi estabeleceu controle militar sobre Edom: assim, os edomitas foram subjugados por ele. O Eterno concedia vitórias a Davi por onde quer que ele fosse.

15 Assim, Davi reinava sobre todo o Israel. Ele era correto e imparcial em todos os seus negócios e relacionamentos.

16 Joabe, filho de Zeruia, era comandante do exército; Josafá, filho de Ailude era arquivista;

17 Zadoque, filho de Aitube, e Aimeleque, filho de Abiatar, eram sacerdotes; Seraías era secretário;

18 Benaia, filho de Joiada, era chefe dos queretitas e dos peletitas e os filhos de Davi eram sacerdotes."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2Samuel 9

A bondade de Davi para com o filho de Jônatas

"1 Certo dia, Davi procurou saber: “Ainda existe alguém da família de Saul? Se houver, gostaria de fazer algo por ele, por respeito a Jônatas”.

2 Havia um antigo escravo da família de Saul, chamado Ziba.
Ele foi levado à presença de Davi. O rei perguntou:
“Você é Ziba?”. Ele respondeu: “Sou, meu senhor”.

3 O rei perguntou: “Ainda existe alguém da família de Saul por quem eu possa fazer alguma coisa?”. Ziba disse ao rei:
“Sim. O filho de Jônatas, aleijado dos dois pés, está vivo.”

4 O rei perguntou: “Onde ele está?”. Ziba respondeu: “Ele vive na casa de Maquir, filho de Amiel, em Lo-Debar”.

5 O rei não perdeu tempo. Mandou buscá-lo na casa de Maquir, filho de Amiel, em Lo-Debar.

6 Mefibosete, filho de Jônatas e neto de Saul, apresentou-se a Davi e prostrou-se com o rosto em terra, por respeito ao rei; Davi perguntou: “Você é Mefibosete?”. Ele respondeu: “Sim, senhor”.

7 Davi o tranquilizou: “Não tenha medo. Eu gostaria de ajudar você, em honra da memória de seu pai, Jônatas. Para começar, vou devolver a você todas as propriedades de seu avô, Saul.
Além do mais, de hoje em diante, você participará de todas as refeições comigo, à minha mesa”.

8 Prostrando-se, sem olhar para o rei, Mefibosete disse: “Quem sou eu para merecer sua atenção: um cão morto como eu?”.

9 Davi mandou chamar Ziba, o homem de confiança de Saul, e disse: “Estou entregando tudo que pertenceu a Saul e à família dele ao neto do seu senhor. Você, seus filhos e seus escravos cultivarão as terras dele e trarão a produção para Mefibosete.
Ele vai viver disso. O próprio Mefibosete, neto de seu senhor, de hoje em diante, participará de todas as refeições comigo, à minha mesa”. Ziba tinha quinze filhos e vinte escravos.

11 Ziba respondeu: “Tudo que o meu senhor, o rei, ordenar ao seu servo, certamente o seu servo fará”. A partir daquele dia, Mefibosete comia com Davi à mesa, como membro da família real. Mefibosete também tinha um filho pequeno, chamado Mica. Toda a família de Ziba passou a servir Mefibosete.

13 Mefibosete viveu em Jerusalém, participando todos os dias da mesa do rei. Ele era aleijado de ambos os pés."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2Samuel 10

Davi derrota os amonitas e os siros

"1 Algum tempo depois, o rei dos amonitas morreu, e Hanum, seu filho, o sucedeu no trono. Davi disse: “Quero demonstrar minha boa vontade para com Hanum, filho de Naás. Quero tratá-lo da mesma forma com que seu pai me tratou”. Assim, Davi mandou condolências a Hanum pela morte de seu pai.

2 Mas, quando os enviados de Davi chegaram ao território dos amonitas, os líderes da nação alertaram Hanum, chefe deles: “Você acha que Davi quer mesmo prestar respeito a seu pai, enviando suas condolências? Não acha que ele mandou esses emissários para espionar a cidade e conquistá-la?”.

4 Hanum mandou prender os enviados de Davi e lhes rapou metade da barba e rasgou as roupas deles pela metade, até a altura das nádegas, e os mandou embora.

5 Contaram a Davi o que tinha acontecido, e ele mandou alguém ao encontro deles, pois tinham sido muito humilhados.
O rei mandou dizer a eles: “Permaneçam em Jericó até a barba crescer de novo. Depois, voltem para cá”.

6 Quando os amonitas perceberam que Davi passou a considerá-los inimigos, contrataram vinte mil soldados de infantaria dos arameus de Bete-Reobe e Zobá, dez mil homens do rei Maaca e doze mil de Tobe.

7 Ao saber disso, Davi mandou que Joabe, com os seus soldados mais bem preparados, os atacasse sem piedade.

8 Os amonitas saíram e se prepararam para a batalha na entrada da cidade. Os arameus de Zobá e de Reobe e os homens de Tobe e de Maaca se posicionaram em campo aberto. Quando Joabe percebeu que precisava lutar em duas frentes, por trás e pela frente, designou os melhores soldados de Israel para enfrentar os arameus. O restante do exército foi posto sob o comando de seu irmão Abisai. Sua missão era enfrentar os amonitas. Joabe disse: “Se os arameus forem muito numerosos para mim, venha me ajudar. Mas, se os amonitas forem muito numerosos para você, eu irei ajudar. Agora, coragem! Lutaremos com todas as forças pelo nosso povo e por todas as cidades do nosso Deus.
O Eterno fará o que for preciso!”.

13 Mas, quando Joabe e seus soldados começaram a luta, os arameus fugiram. Os amonitas, vendo os arameus fugindo, também abandonaram o confronto com Abisai e correram para dentro da cidade. Joabe suspendeu a batalha contra os amonitas e voltou para Jerusalém.

15 Quando viram que tinham sido derrotados por Israel, os arameus se reorganizaram. Hadadezer mandou chamar os arameus do outro lado do Eufrates. Eles vieram até Helã, sob o comando de Soboque, comandante do exército de Hadadezer. Tudo isso foi relatado a Davi.

17 Davi reuniu Israel, atravessou o Jordão e chegou a Helã.
Os arameus se puseram em formação de batalha para enfrentar Davi. O combate se intensificou, mas os arameus outra vez tiveram de fugir de Israel. Davi matou setecentos condutores de carros e quarenta mil cavaleiros. Feriu gravemente Soboque, o comandante do exército, que morreu na batalha. Quando os reis vassalos de Hadadezer se viram derrotados por Israel, acenaram com a paz e se submeteram ao domínio de Israel. Depois disso, os arameus não tiveram mais coragem de ajudar os amonitas."

 

 

 

 

2Samuel 11

Davi comete adultério com Bate-Seba

"1 Um ano depois, na época em que os reis tinham o hábito de sair à guerra, Davi enviou Joabe, seus oficiais e todo o Israel com a missão de eliminar de uma vez por todas os amonitas. Eles cercaram Rabá, mas, dessa vez, Davi permaneceu em Jerusalém.

2 Certo dia, Davi levantou-se do seu descanso da tarde e foi passear no terraço do palácio. De onde estava, ele viu uma mulher tomando banho, e ela era muito bonita. Davi procurou saber quem era. Alguém disse: “É Bate-Seba, filha de Eliã, mulher do hitita Urias”. Davi ordenou que a trouxessem.
Quando a mulher chegou, ele se deitou com ela. Isso aconteceu na época da purificação, depois da menstruação dela. Ela voltou para casa e, algum tempo depois, descobriu que estava grávida. Bate-Seba mandou o seguinte recado a Davi: “Estou grávida”.

6 Davi mandou dizer a Joabe: “Traga aqui Urias, o hitita”.
Joabe o enviou.

7 Quando ele chegou, Davi quis saber notícias da batalha, como estavam Joabe, as tropas e o combate. Depois, disse a Urias: “Volte para casa, tome um banho relaxante e tenha uma boa noite de sono”.

8 Depois que Urias saiu do palácio, o rei designou um informante para segui-lo. Urias não voltou para casa. Naquela noite, ele dormiu na entrada do palácio, no qual ficavam os criados do rei.

10 Davi foi informado de que Urias não tinha voltado para casa. Ele perguntou ao hitita: “Você não acabou de voltar de uma longa viagem? Por que não voltou para casa?”.

11 Urias respondeu a Davi: “A arca está na tenda com os combatentes de Israel e Judá. O meu senhor Joabe e seus servos estão tendo dificuldades no campo.
Como eu iria para casa comer, beber e dormir com minha mulher? Jamais poderia fazer isso!”.

12 Davi respondeu: “Tudo bem. Faça como quiser. Fique hoje aqui, e o mandarei de volta amanhã”. Urias ficou em Jerusalém o restante do dia. — No dia seguinte, Davi o convidou para comer e beber com ele e fez que ele se embriagasse. Mas à noite, mais uma vez, Urias dormiu onde ficavam os criados do rei e não voltou para casa.

14 De manhã, Davi escreveu uma carta a Joabe, a ser entregue em mãos por Urias. Na carta, dizia: “Ponha Urias na linha de frente, na qual o combate é mais intenso. Depois, retroceda a tropa e deixe-o exposto, para que ele seja morto”.

16 Joabe, mantendo o cerco em torno da cidade, pôs Urias no local em que o inimigo estava atacando com maior ímpeto. Quando os defensores da cidade saíram para atacar Joabe, alguns dos soldados de Davi foram mortos: — entre eles, Urias, o hitita.

18 Joabe mandou um relatório a Davi. Ele disse ao mensageiro: “Depois de contar tudo em detalhes ao rei, se ele ficar furioso, diga: ‘Além disso, seu servo Urias, o hitita, morreu”.

22 O mensageiro de Joabe chegou a Jerusalém e deu um relatório completo ao rei. Ele disse: “O inimigo era muito mais forte do que nós. Eles avançaram contra nós em campo aberto, e nós os pressionamos de volta para dentro dos muros da cidade. Mas, depois, eles lançaram flechas pesadas contra nós do muro da cidade, e dezoito soldados do rei morreram”.

25 Quando o mensageiro terminou o relato, Davi ficou furioso com Joabe e descarregou sua raiva no mensageiro: “Por que vocês chegaram tão perto da cidade? Não sabiam que poderiam ser atacados do muro? Não se lembraram de como Abimeleque, filho de Jerubesete, foi morto em Tebes? Uma mulher jogou uma pedra de moinho do alto do muro e esmagou a cabeça dele.
Por que chegaram tão perto do muro?”. O mensageiro de Joabe disse: “Aliás, seu servo Urias, o hitita, morreu”. Então, Davi disse ao mensageiro: “Entendo. Diga a Joabe: ‘Não se preocupe com isso. A guerra é assim mesmo, às vezes mata um, às vezes mata outro. Nunca se sabe quem será o próximo. Reforce o ataque contra a cidade até destruí-la’. Trate de encorajar Joabe”.

26 Quando a esposa de Urias soube que o marido estava morto, chorou por ele. Depois de passado o luto, Davi mandou chamá-la para o palácio. Ela se tornou sua mulher e deu à luz um filho."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2Samuel 12

Natã repreende a Davi

"1 Mas o Eterno não se agradou do comportamento de Davi; por isso, enviou Natã, que contou esta história ao rei: “Havia dois homens numa cidade. Um era rico, e o outro, pobre. O rico tinha um enorme rebanho de ovelhas e bois; o pobre, apenas uma cordeirinha; que tinha comprado e criado. Ela cresceu com ele e seus filhos, como um membro da família. Ela comia do prato dele, bebia do seu copo e dormia em sua cama. Era como uma filha para ele.

4 “Certo dia um viajante apareceu na casa do rico. Ele era muito avarento e, não querendo matar uma das suas ovelhas ou um dos seus bois para alimentar o visitante, pegou a cordeirinha do pobre, preparou a refeição com ela e ofereceu ao seu hóspede”.

5 Davi ficou furioso e disse a Natã: “Assim como vive o Eterno, o homem que fez isso tem de morrer! E deve pagar quatro vezes o valor da cordeirinha, por causa do seu crime e da sua avareza!”.

7 Natã respondeu: “Você é esse homem! E o Eterno, o Deus de Israel, manda dizer: ‘Eu ungi você rei sobre Israel. Eu o livrei das mãos de Saul. Dei a você casa e a filha de seu senhor e outras mulheres que podia ter em seus braços. Dei Israel e Judá a você. E, como se não bastasse, daria a você muito mais. Então, por que você desprezou a palavra do Eterno, cometendo tamanho erro? Você assassinou Urias, o hitita, e tomou a mulher dele. Pior, você o matou com a espada dos amonitas! Agora, já que você desprezou o Eterno e tomou a mulher de Urias, o hitita, para ser sua mulher, sua família irá conviver sempre com morte e assassinato. É o Eterno quem está dizendo! A sua desgraça virá da sua família. Tomarei as suas mulheres à sua vista e as entregarei a seu amigo, e ele se deitará com elas publicamente.
Você cometeu esse ato em secreto, mas isso acontecerá diante de toda a nação!’”.

13 Davi confessou a Natã: “De fato, pequei contra o Eterno!”. Natã declarou: “É verdade, mas essa não é a palavra final.
O Eterno perdoa você. Você não morrerá. Mas, por ter ofendido o Eterno, seu filho morrerá”.

15 Depois que Natã voltou para casa, o Eterno afligiu o filho de Davi que a mulher de Urias deu à luz, e o menino ficou muito doente. Davi orou desesperadamente a Deus pelo menino.
Ele jejuou, não saía do palácio e dormia no chão.
Os oficiais do palácio tentavam tirá-lo do chão, mas ele não cedia nem se levantava para comer com eles.
Sete dias depois, a criança morreu. Os criados ficaram com medo de dar a notícia a ele. Diziam: “O que faremos agora?
Enquanto a criança estava viva, ele não dava ouvido ao que dizíamos. Agora que a criança morreu, se dissermos alguma coisa, não se sabe o que ele poderá fazer”.

19 Davi percebeu que os criados estavam cochichando e imaginou que o menino tivesse morrido. Ele perguntou:
“O menino morreu?”. Eles responderam: “Sim, morreu”.

20 Davi se levantou do chão, lavou o rosto, arrumou o cabelo, trocou de roupa e foi ao santuário adorar ao Eterno.
Depois, voltou para o palácio e pediu algo para comer. Puseram a comida diante dele, e ele comeu tudo.

21 Os criados perguntaram: “O que está acontecendo com o senhor? Enquanto a criança estava viva, o senhor jejuou, chorou e ficou acordado a noite toda. Agora que o menino morreu, o senhor se levanta e come!?”.

22 Ele respondeu: “Enquanto a criança estava viva, chorei e jejuei, pensando que, talvez, o Eterno tivesse misericórdia de mim, e a criança sobrevivesse. Mas agora que ela morreu, por que jejuar? Posso trazê-la de volta? Posso ir me encontrar com ela, mas ela não pode vir a mim”.

24 Davi foi consolar sua mulher, Bate-Seba. E, depois de se deitar com ela, ela engravidou outra vez. Nasceu um menino, e deram a ele o nome de Salomão e o Eterno o amou.
Davi o entregou nas mãos do profeta Natã, e este lhe chamou Jedidias, por amor do Eterno.

26 Na guerra contra os amonitas em Rabá, Joabe conquistou a cidade real. Ele mandou mensageiros a Davi, dizendo: “Estou atacando Rabá e acabei de controlar o reservatório de água da cidade. Reúna o restante das tropas, acampem-se perto da cidade e conquiste você mesmo a cidade. Do contrário, eu a conquistarei e receberei as honras por isso”. Então, Davi conduziu as tropas até Rabá, lutou e conquistou a cidade. Ele pegou a coroa do rei dá cidade, que pesava muito por causa do ouro e das pedras preciosas. Puseram a coroa na cabeça de Davi e saquearam a cidade, carregando tudo que era de valor.

31 Davi tirou todos os habitantes da cidade e os submeteu a trabalhos forçados com serras, picaretas e machados e na fabricação de tijolos: Ele fez o mesmo com todas as cidades dos amonitas. Depois, voltou com todo o exército para Jerusalém."

 

 

 

 

 

 

 

 

2Samuel 13

O incesto de Amnom

"1 Algum tempo se passou. Absalão, filho de Davi, tinha uma irmã muito atraente, chamada Tamar. Amnom, que também era filho de Davi, se apaixonou por ela. Ficou obcecado pela irmã a ponto de adoecer. Ela era virgem, e ele não sabia como se aproximar dela. Amnom tinha um amigo, Jonadabe, filho de Simeia, irmão de Davi, e ele era muito astuto. Ele perguntou a Amnom:
“Por que você está definhando dia a dia, filho do rei? Não vai me dizer o que o perturba?”. Amnom respondeu: “É Tamar, irmã do meu irmão Absalão. Estou apaixonado por ela".

5 Jonadabe sugeriu: “Faça o seguinte: vá para cama e finja estar doente. Quando seu pai vier visitá-lo, peça a ele: ‘Mande minha irmã Tamar preparar uma comida para mim e me servir, mas ela deve prepará-la aqui, onde eu possa vê-la’".

6 Amnom foi para a cama e fingiu estar doente. Quando o rei foi visitá-lo, Amnom pediu: “Mande minha irmã Tamar preparar alguns bolos aqui onde eu possa vê-la e ser servido por ela!”

7 Davi mandou o recado para Tamar, que estava em casa naqueles dias: “Vá à casa de seu irmão Amnom e prepare algo para ele comer”.

8 Tamar foi para a casa de seu irmão Amnom, na qual ele estava deitado. Ela fez a massa, preparou os bolos e os assou, enquanto ele a observava de sua cama. Mas, quando ela trouxe a assadeira para servi-lo, ele não quis comer.

9 Amnom disse: “Mande que todos saiam da casa”. Depois que todos saíram, ele disse a Tamar: “Traga a comida ao meu quarto no qual podemos comer com privacidade”. Ela levou os bolos que tinha preparado para o quarto de seu irmão. Mas, quando ela estava pronta para servi-lo, ele a agarrou e disse: “Venha para cama comigo, irmã!”.

12 Ela disse: “Não, meu irmão! Não me violente. Isso não se faz em Israel. Não faça essa loucura! Onde eu me esconderia depois? E você cairia em desgraça. Por favor, peça permissão ao rei!
Ele permitirá que eu me case com você”.

14 Mas ele não quis saber. Era mais forte que ela; por isso, a estuprou.

15 Imediatamente, Amnom começou a sentir aversão por ela, mais intensa que o amor que tinha antes. Ele disse: “Levante-se! Saia daqui!”.

16 Mas ela disse: “Não, meu irmão! Por favor! Isso é pior do que o que você acabou de fazer comigo!”. Mas ele não quis saber. Chamou seu criado e ordenou: “Leve esta mulher embora e tranque a porta depois que ela sair!”.
O criado a mandou embora e trancou a porta.

18 Ela vestia uma túnica de manga comprida, pois era assim que as princesas virgens se vestiam na adolescência. Tamar jogou cinzas sobre a cabeça, rasgou a túnica, escondeu o rosto com as mãos e saiu chorando.

20 Seu irmão Absalão perguntou: “O que houve? Amnom abusou dê você? Deixa, minha irmã, não conte nada a ninguém. Ele é seu irmão. Não se incomode com isso”. Tamar, muito traumatizada, foi morar na casa de Absalão.

21 O rei Davi soube de tudo que aconteceu e ficou furioso, mas não repreendeu Amnom. Davi o amava muito, porque era o primogênito. Absalão não dirigiu mais a palavra a Amnom, nem boa nem ruim. Passou a odiá-lo depois que ele abusou de sua irmã Tamar.

23 Dois anos se passaram. Certo dia, Absalão tosquiava ovelhas em Baal-Hazor, perto do território de Efraim, e convidou todos os filhos do rei para festejar. Convidou também o rei, dizendo: “Estou tosquiando ovelhas e quero que venha com seus criados”.

25 Mas o rei disse: “Não meu filho. Desta vez, não posso nem poderia levar toda a família. Seria muita gente para você”. Apesar de Absalão insistir, Davi não aceitou, mas deu ao filho sua bênção.

26 Absalão disse: “Se você não vier, deixe meu irmão Amnom vir”. O rei perguntou: “Por que ele precisar ir?”. Absalão tanto insistiu que o rei concordou e permitiu que Amnom e os demais filhos do rei fossem festejar com ele.

28 Absalão preparou um banquete à altura do rei e orientou os seus criados: “Fiquem atentos. Quando Amnom tiver bebido bastante e estiver alegre, e eu disser: ‘Matem Amnom!’, vocês o matarão sem piedade. Não tenham medo. A responsabilidade é minha. Coragem! Vocês vão conseguir!”.

29 Os criados de Absalão fizeram a Amnom exatamente o que o seu senhor tinha determinado. Os outros filhos do rei, assustados, montaram em suas mulas e sumiram. Estavam ainda a caminho quando o rei ouviu os rumores: “Absalão acabou de matar todos os filhos do rei. Não sobrou nenhum!”. O rei imediatamente rasgou as próprias roupas e jogou-se ao chão. Todos os que presenciaram a cena fizeram o mesmo.

32 Nesse momento, Jonadabe, filho de Simeia, irmão de Davi, chegou e explicou: “Meu senhor, não precisa se preocupar, pois todos os filhos do rei estão vivos. Apenas Amnom foi morto.
Isso aconteceu porque Absalão estava furioso desde que Amnom abusou de sua irmã Tamar. Então, meu senhor, o rei não precisa imaginar o pior, achando que todos os seus filhos morreram. Repito: apenas Amnom morreu”.

34 Depois disso, Absalão fugiu. Naquele momento, a sentinela viu uma nuvem de poeira subindo da estrada de Horonaim, na encosta da montanha. Ele contou ao rei: “Acabei de ver um grupo na estrada de Horonaim, em torno da montanha”.

35 Então, Jonadabe disse ao rei: “Veja! São os filhos do rei voltando, como eu disse!”. Logo que ele terminou de falar, os filhos do rei entraram, chorando desesperadamente! O rei e todos os seus criados se juntaram a eles e choraram muito.
Davi ficou de luto muito tempo pela morte de seu filho.

37 Depois de fugir, Absalão pediu abrigo a Talmai, filho de Amiúde, rei de Gesur. Ficou ali três anos. O rei, finalmente, desistiu de perseguir Absalão, pois já tinha se consolado pela morte de Amnom."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2Samuel 14

Absalão volta para Jerusalém

"1 Joabe, filho de Zeruia, sabia que o rei, no fundo, ainda se importava com Absalão. Por isso, mandou buscar uma mulher sábia que vivia em Tecoa e a instruiu, dizendo: “Finja que está de luto. Use roupas pretas e não arrume o cabelo, para dar a ideia de que você está, há muito tempo, de luto por algum ente querido. Depois, vá falar com o rei”. Joabe a instruiu sobre o que dizer.

4 A mulher foi à presença do rei, prostrou-se respeitosamente diante dele e disse: “Ó rei, ajude-me!”.

5 Ele perguntou: “Como posso ajudar?”.

6 Ela disse: “Sou viúva. Meu marido morreu. Eu tinha dois filhos, e, um dia, os dois brigaram na fazenda, e não tinha ninguém perto para apartar a briga. Um deles feriu o outro, e ele morreu. Depois, toda a família ficou contra mim, exigindo que eu entregasse o assassino para que eles o executassem por causa do irmão que ele tinha matado. Eles querem eliminar o herdeiro e apagar a última fagulha de vida que tenho. Se isso acontecer, não restará nada de meu marido sobre a terra, nem sequer seu nome.

7 “Por isso, tive ousadia de vir falar com o rei, o meu senhor, sobre essa questão. Eles estão destruindo a minha vida, e estou com medo. Pensei comigo mesma: ‘Vou falar com o rei. Talvez ele faça alguma coisa! Quando o rei souber o que está acontecendo, ele intervirá e me salvará do abuso daquele que está querendo se livrar de mim, de meu filho e da herança de Deus’. Como sua serva, decidi: O que o rei, o meu senhor, decidir encerrará o assunto, pois o meu senhor é como um anjo de Deus, que sabe discernir entre o bem e o mal. Que o Eterno seja com o senhor!”.

8 O rei disse: “Volte para casa. Vou cuidar disso para você”.

9 A mulher de Tecoa disse: “Assumo toda a responsabilidade pelo que acontecer. Não quero constranger o rei nem manchar sua reputação”.

10 O rei prosseguiu: “Traga o homem que está perturbando você. Vou fazer que ele pare de incomodar”.

11 A mulher respondeu: “Invoque o rei o nome do Eterno, para que esse vingador não acabe com tudo, matando meu outro filho”. Ele disse: “Assim como vive o Eterno, nem um fio de cabelo cairá da cabeça de seu filho”.

12 Ela também perguntou: “Posso pedir mais uma coisa ao meu senhor?”. Ele respondeu: “Certamente!”.

13 A mulher disse: “Por que, então, o rei faz exatamente isso com o povo de Deus? Com esse veredito, o rei condena a si mesmo, pois não deixou voltar seu filho exilado. Todos nós vamos morrer, um dia. A água derramada não pode ser juntada novamente. Mas Deus não tira a vida. Ele faz que o exilado possa voltar”.

18 O rei disse: “Vou fazer uma pergunta. Peço que me responda com sinceridade”. Ela respondeu: “Com certeza. Que o rei fale”.

19 O rei prosseguiu: “Joabe tem alguma coisa a ver com isso?”.
A mulher respondeu: “Por sua vida, ó rei, meu senhor, ninguém pode escapar, desviando-se para direita ou para esquerda na presença do rei! Sim. Foi o seu servo Joabe que armou tudo isso e pôs as palavras em meus lábios. Ele fez isso porque queria resolver o assunto. Mas o meu senhor é sábio como um anjo de Deus. Sabe como resolver as coisas na terra”.

21 Depois disso, o rei disse a Joabe: “Tudo bem! Farei isso.
Traga de volta o jovem Absalão”.

22 Joabe prostrou-se em profunda reverência e bendisse o rei: “Agora reconheço que ainda conto com o favor e a confiança do rei, pois o senhor aceitou o conselho do seu servo”.

23 Joabe se levantou, foi a Gesur e trouxe Absalão de volta para Jerusalém. O rei determinou: “Ele pode voltar para casa, mas não poderá comparecer à minha presença”. Assim, Absalão voltou para casa, mas não tinha permissão para ver o rei.

25 Em todo o Israel, não havia homem tão elogiado pela sua beleza quanto Absalão. De cima a baixo, não havia nele nenhum defeito. Quando cortava o cabelo (ele sempre cortava bem curto, na primavera, porque ficava muito pesado), o peso era de dois quilos e quatrocentos gramas. Absalão teve dois filhos e uma filha. Ela se chamava Tamar e era muito bonita.

28 Absalão viveu dois anos em Jerusalém, mas não podia ver seu pai, Davi. Certa vez, ele pediu a Joabe autorização para ver o rei, mas Joabe não autorizou. Tentou de novo, e Joabe se negou a dar permissão. Então, disse a seus criados: “Prestem atenção!
A fazenda de Joabe fica ao lado da minha, e ele plantou cevada. Vão lá e ateiem fogo na plantação". Os criados de Absalão fizeram o que ele mandou e puseram fogo na plantação. Deu certo. Não demorou, e Joabe apareceu na casa de Absalão, perguntando: “Por que seu pessoal queimou minha plantação?”.

32 Absalão respondeu: “Veja, mandei chamar você, dizendo: ‘Venha depressa. Quero que você vá ao rei e pergunte a ele:
Por que você me trouxe de volta de Gesur? Seria melhor ter ficado lá! Permita que eu compareça à presença do rei. Se ele me considerar culpado, que mande me matar".

33 Joabe apresentou a questão ao rei, e Absalão foi chamado.
Ele entrou na presença do rei, prostrou-se em reverência diante dele, e o rei beijou Absalão."

 

 

 

2Samuel 15

A revolta de Absalão e a fuga de Davi

"1 Com o passar do tempo, Absalão adquiriu um carro, cavalos e cinquenta guarda-costas. Toda manhã, ele se posicionava na estrada perto da entrada da cidade. Sempre que alguém aparecia com uma questão para o rei resolver, Absalão o chamava e dizia: “De onde você vem?”. A pessoa respondia: “Sou de tal tribo de Israel".

3 Então, Absalão dizia: “Sua causa é justa, mas o rei não dará atenção”. E dizia ainda: “Por que ninguém me constitui juiz desta nação? Qualquer pessoa poderia trazer sua causa, e eu a resolveria de maneira justa e transparente”. Sempre que alguém o tratava com reverência, ele não se afetava, tratava a pessoa como igual, com abraço e beijo. Absalão fazia isso com todos que vinham tratar de algum assunto com o rei e conquistou a simpatia de todos em Israel.

7 Passados quatro anos, Absalão foi falar com o rei: “Permita que eu vá a Hebrom cumprir um voto que fiz ao Eterno. Quando morava em Gesur, em Arã, seu servo fez este voto: ‘Se o Eterno me levar de volta a Jerusalém, prestarei culto ao Eterno’”.

9 O rei respondeu: “Vá com a minha bênção”. Logo depois, Absalão partiu para Hebrom.

10 Mas, nesse meio-tempo, Absalão tinha enviado, em segredo, mensageiros por todas as tribos de Israel com esta mensagem: “Quando vocês ouvirem o som de trombetas, gritem: Absalão é rei em Hebrom!’”. Duzentos homens de Jerusalém acompanharam Absalão. Mas tinham sido convocados sem saber de nada, agiam na inocência. Enquanto oferecia sacrifícios, Absalão conseguiu envolver Aitofel, de Gilo, conselheiro de Davi, e tirá-lo de sua cidade. A conspiração tomou força, e o número dos seguidores de Absalão aumentou.

13 Alguém veio dizer a Davi: “Toda a nação está seguindo Absalão!”.

14 Davi convocou todos os que eram leais a ele em Jerusalém e disse: “Precisamos sair daqui, do contrário, ninguém escapará de Absalão! Vamos depressa! Ele está a ponto de atacar a cidade para nos matar!”.

15 Os partidários do rei disseram: “O que o rei, o nosso senhor, determinar, faremos. Estamos com o senhor até o fim!”.

16 Então, o rei e toda a sua família fugiram a pé. Ele deixou dez concubinas cuidando do palácio. Assim, devagar, todos saíram e pararam na última casa da cidade. Todos os soldados desfilaram diante dele, todos os queretitas, os peletitas e os seiscentos que tinham vindo com ele de Gate.

19 O rei chamou Itai, de Gate, e disse: “O que você está fazendo aqui? Volte para o rei Absalão. Você é estrangeiro aqui e recém-chegado de seu país. Eu não arriscaria levar você, uma vez que eu mesmo não tenho lugar certo para ficar. Volte e leve sua família com você. Que a bondade e a fidelidade do Eterno estejam com você!”.

21 Mas Itai insistiu: “Assim como vive o Eterno e vive o rei, meu senhor, onde o meu senhor estiver, lá estarei também, seja para a vida, seja para a morte”.

22 Davi concordou: “Tudo bem. Vamos, então! " E foram todos, Itai, de Gate, com todos os seus homens e todas as crianças que estavam com ele.

23 Todo o povo chorava, vendo o grupo passar. Quando o rei atravessou o vale do Cedrom, o exército tomou a estrada para o deserto. Zadoque também estava lá, e os levitas estavam com ele, carregando a arca da aliança de Deus. Eles puseram a arca de Deus no chão, e Abiatar ficou ali até que todos deixaram a cidade.

25 Então, o rei deu ordens a Zadoque: “Leve a arca de volta para a cidade. Se o Eterno for bondoso para comigo, ele me trará de volta e me mostrará o lugar em que a arca estiver. Mas, se disser: ‘Não estou contente com você, então, ele poderá fazer comigo o que quiser”.

27 O rei orientou o sacerdote Zadoque: “Este é o plano:
Volte para a cidade pacificamente, levando seu filho Aimaás e Jônatas, filho de Abiatar. Ficarei esperando num lugar no deserto, do outro lado do rio, até você me mandar notícias”.
Assim, Zadoque e Abiatar levaram a arca de Deus de volta para Jerusalém e a deixaram lá, enquanto Davi subiu ao monte das Oliveiras, chorando, caminhando com a cabeça coberta e os pés descalços.

31 Disseram a Davi: “Aitofel se juntou aos conspiradores com Absalão”. E Davi orou: “Ó Eterno, que os conselhos de Aitofel sejam insensatos”.

32 Quando Davi se aproximava do topo da montanha, na qual se costumava adorar a Deus, o arquita Husai, com roupas rasgadas e terra sobre a cabeça, estava aguardando. Davi disse: “Se você vier comigo, será mais um peso na bagagem. Volte para a cidade e diga a Absalão: ‘Estou pronto para servir a você, ó rei. Fui servo de seu pai, agora sou seu servo. Fazendo isso, você confundirá os conselhos de Aitofel por mim. Os sacerdotes Zadoque e Abiatar já estão lá. Conte a eles tudo que você ficar sabendo no palácio.
Os dois filhos deles, Aimaás, filho de Zadoque, e Jônatas, filho de Abiatar, estão com eles. Qualquer coisa que você souber poderá ser trazida a mim por intermédio deles".

37 Husai, amigo de Davi, chegou a Jerusalém no momento em que Absalão entrava na cidade."

 

 

2Samuel 16

Davi e Ziba

"1 Logo que Davi atravessou o cume da montanha, ele encontrou Ziba, criado de Mefibosete, com dois jumentos carregados com duzentos pães, cem bolos de passas, cem cestas de frutas frescas e uma vasilha de couro de vinho

2 O rei disse a Ziba: “Para que tudo isso?”. Ziba respondeu:
“Os jumentos são para a família do rei montar, os pães e as frutas são para alimentar os que o acompanham, e o vinho é para os que estão cansados de andar no deserto”. O rei perguntou:
“E onde está o neto do seu senhor?”. Ziba respondeu: “Ele ficou em Jerusalém, mas mandou este recado: Este é o dia que Israel restituirá a mim o reino do meu avô.

4 Davi respondeu: “Tudo que pertenceu a Mefibosete agora pertence a você”. Ziba disse: “Como poderia agradecer por isso? Serei eternamente devedor de meu senhor e rei. Que eu nunca decepcione o senhor!”.

9 Quando o rei chegou a Baurim, apareceu um homem que tinha ligações com a família de Saul. Seu nome era Simei, filho de Gera. Ele os seguia insultando e jogando pedras contra Davi e seus companheiros, criados e soldados. Além dos insultos, ele o amaldiçoava, aos gritos: “Fora! Fora! Assassino! Sanguinário!
O Eterno está castigando você por todos os crimes que cometeu contra a família de Saul e por tomar o reino dele. O Eterno já entregou o reino a seu filho Absalão. Olhe para você mesmo: um homem derrotado! Porque não passa de um criminoso!” Abisai, filho de Zeruia, disse: “Esse cão morto não pode amaldiçoar o meu senhor, o rei, dessa maneira. É só mandar que eu corto a cabeça dele!”.

10 Mas o rei disse: “Por que vocês, filhos de Zeruia, estão sempre interferindo e me atrapalhando? Se ele está amaldiçoando é porque o Eterno mandou: Amaldiçoe Davi’.
Quem vai contrariá-lo?”.

11 Davi prosseguiu, dirigindo-se a Abisai e ao restante do grupo: “Além disso, até meu filho, minha carne e meu sangue, neste momento, está querendo a minha morte. Esse benjamita não está fazendo nada comparado a isso. Não se preocupem com ele. Deixem que ele amaldiçoe à vontade. O Eterno ordenou que ele fizesse isso. Talvez o Eterno enxergue a minha aflição e transforme as maldições em algo bom”.

13 Davi e sua comitiva seguiram caminho, enquanto Simei seguia ao longo da encosta da montanha, amaldiçoando e jogando pedras e neles.

14 Quando chegaram ao rio Jordão, Davi e sua comitiva estavam exaustos. Por isso, descansaram ali e renovaram suas forças.

15 Enquanto isso, Absalão e seus homens já estavam em Jerusalém. Aitofel também estava com eles.

16 Logo depois, Husai, o arquita, amigo de Davi, foi cumprimentar Absalão: “Viva o rei para sempre! Viva o rei para sempre!”.

17 Absalão disse a Husai: “É assim que você mostra lealdade a um amigo? Por que não está com o seu amigo, Davi?”.

18 Husai disse: “Porque quero estar com quem o Eterno, esse povo e todo o Israel escolheram. Quero permanecer com ele. Além disso, quem melhor que o filho para eu servir? Assim como servi a seu pai, estou pronto a servir ao senhor”.

20 Absalão disse a Aitofel: “Você está pronto para me aconselhar? O que devemos fazer agora?”.

21 Aitofel disse a Absalão: “Deite-se com as concubinas de seu pai, aquelas que ficaram para cuidar do palácio. Todos ficarão sabendo que o senhor desonrou abertamente seu pai, e os que estão a seu lado se animarão”. Absalão armou uma tenda no terraço, à vista de todos, e deitou-se com as concubinas de Davi.

23 Os conselhos de Aitofel, na época, eram considerados palavras do próprio Deus. Essa era a reputação de Aitofel com Davi; e não era diferente com Absalão."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2Samuel 17

O conselho de Aitofel e de Husai

"1 Em seguida, Aitofel aconselhou Absalão: “Deixe-me escolher doze mil homens e partir esta noite atrás de Davi. Vou alcançá-lo quando ele estiver exausto e pegá-lo de surpresa. O exército fugirá, e eu matarei Davi. Então, trarei o exército de volta para o senhor como uma noiva levada de volta ao noivo! Afinal, o senhor está à procura de um só homem. Se ele for eliminado, a paz estará de volta! "

4 Absalão achou que seria uma excelente estratégia, e todas as autoridades de lsrael concordaram.

5 Ainda assim, Absalão ordenou: “Chame Husai, o arquita. Vamos ouvir a opinião dele".

6 Husai chegou, e Absalão contou a ele o plano: “Esse foi o conselho de Aitofel. O que acha? Devemos pô-lo em prática?”.

7 Husai disse: “O conselho de Aitofel, neste caso, não foi bom.
O senhor conhece seu pai e os homens que estão com ele. Eles são corajosos e estão furiosos como uma ursa de quem tiraram o filhote. Seu pai é um guerreiro experiente. Ele não será apanhado de surpresa num momento como este. Enquanto conversamos aqui, ele provavelmente está escondido em alguma caverna ou em outro lugar. E, se ele atacar os seus soldados de emboscada, logo se espalhará a notícia de que o exército de Absalão foi massacrado. Ainda que os seus soldados sejam valentes e corajosos como leões, o moral da tropa vai despencar com a notícia, pois todos em Israel sabem que tipo de guerreiro é seu pai e como são valentes os homens que estão com ele.

11 “O meu conselho? Reúna toda a nação, de Dã até Berseba, formando um exército numeroso como a areia do mar, comandado pelo senhor pessoalmente. Nós os atacaremos onde quer que estejam. Cairemos sobre eles como o orvalho sobre a terra. Estou certo de que não vai escapar ninguém. Se ele se refugiar em alguma cidade, o exército utilizará todas as cordas que arranjar e arrastará tudo que estiver nessa cidade para o vale, sem deixar um pedregulho para trás”.

14 Absalão e todas as autoridades concordaram em que o conselho de Husai era melhor que o de Aitofel. O Eterno tinha decidido frustrar o bom conselho de Aitofel para que Absalão fosse arruinado.

15 Logo depois, Husai foi contar aos sacerdotes Zadoque e Abiatar: “Aitofel aconselhou Absalão e as autoridades de Israel daquela maneira, mas eu aconselhei assim. Agora, enviem, o quanto antes, esta mensagem a Davi: Não passe a noite deste lado do Jordão. Atravesse imediatamente o rio. Do contrário, o rei e todos os que estiverem com o senhor serão massacrados”.

17 Jônatas e Aimaás estavam em En-Rogel aguardando o recado que seria trazido por uma criada. Dali, eles partiriam para transmiti-lo ao rei Davi, pois não se arriscavam a entrar na cidade. Mas um soldado os viu e contou a Absalão. Os dois saíram correndo e se refugiaram na casa de um homem em Baurim.
Ele tinha uma cisterna no quintal, e eles se esconderam ali.
A mulher cobriu a cisterna com um tapete e espalhou grãos sobre ele, para que ninguém percebesse nada de estranho. Logo depois, os servos de Absalão chegaram àquela casa e perguntaram: “Você viu Aimaás e Jônatas? " A mulher respondeu: “Eles estavam indo na direção do rio". Eles os procuraram, mas não acharam. Então, voltaram para Jerusalém.

21 Depois que eles foram embora, Aimaás e Jônatas saíram da cisterna e foram levar o recado a Davi: "Levante-se e atravesse o rio imediatamente. Aitofel tem um plano contra o senhor!”.

22 Davi e seu exército não perderam tempo e se puseram a caminho, atravessando o Jordão. Quando amanheceu, todos já tinham atravessado o Jordão.

23 Quando Aitofel percebeu que seu conselho não seria seguido, montou em seu jumento e partiu para sua cidade. Depois de deixar pronto o seu testamento e de ter posto a casa em ordem, enforcou-se e, assim, morreu.
Ele foi sepultado no túmulo da família.

24 Enquanto Davi chegava a Maanaim, Absalão e todo o exército de Israel atravessavam o Jordão. Absalão designou Amasa comandante do exército, no lugar de Joabe. Amasa era filho de um homem chamado Itra, ismaelita que tinha se casado com Abigail, filha de Naás e irmã de Zeruia, mãe de Joabe. Absalão e o exército de Israel acamparam em Gileade.

27 Quando Davi chegou a Maanaim, Sobi, filho de Naás de Rabá dos amonitas, e Maquir, filho de Amiel de Lo-Debar, e Barzilai, o gileadita de Rogelim, trouxeram camas e cobertores, bacias e potes cheios de trigo, cevada, farinha, grão tostado, feijão e lentilhas, além de mel, coalhada e queijos de ovelha e de vaca. Entregaram tudo a Davi e seu exército, pois pensavam:
O exército deve estar com fome, com sede e exausto no deserto.

 

 

 

 

 

 

 

 

2Samuel 18

A vitória do exército de Davi sobre o de Absalão

"1 Davi organizou seu exército. Designou capitães de mil e capitães de cem. Depois, dividiu as tropas em três grupos.
O primeiro ficou sob o comando de Joabe; o segundo ficou com Abisai, filho de Zeruia, irmão de Joabe; o terceiro ficou com Itai, o giteu. O rei anunciou: “Eu também irei com vocês”.

3 Mas eles disseram: “Não mesmo. O senhor não pode vir conosco. Se tivermos de retroceder, o inimigo não pensará duas vezes. Se metade de nós morrer, o inimigo não se importará. Mas o senhor vale por dez mil de nós. Para nós, é melhor que fique na cidade e nos ajude daqui”.

4 O rei concordou: “Se é isso que pensam, farei o que acharem melhor”. Ele se instalou perto da entrada da cidade, enquanto o exército saía em pelotões de cem e de mil.

5 O rei tinha recomendado a Joabe, Abisai e Itai: “Por amor a mim, tenham cuidado com o jovem Absalão”.
Todo o exército ouviu o que o rei ordenou aos três comandantes com respeito a Absalão.

6 O exército de Davi saiu a campo para enfrentar o exército de Israel. A batalha aconteceu na floresta de Efraim. O exército de Israel, naquele dia, foi derrotado pelos homens de Davi. Houve terrível matança: vinte mil homens morreram! Os combatentes se espalharam para todo lado. Naquele dia, a floresta devorou mais vidas que a espada!

9 Absalão encontrou os soldados de Davi. Ele tinha certa vantagem porque estava montado em sua mula. Mas, quando a mula passou por baixo dos galhos de um grande carvalho, a cabeça de Absalão ficou presa no galho, enquanto a mula seguia adiante. Ele ficou pendurado. Um soldado viu tudo e contou a Joabe: “Acabei de ver Absalão pendurado na ramagem de um carvalho!”.

11 Joabe perguntou ao soldado: “Se você viu isso, por que não o matou ali mesmo? Eu teria recompensado você com dez peças de prata e um cinturão”.

12 O homem disse a Joabe: “Mesmo que eu ganhasse mil peças de prata, não tocaria no filho do rei. Todos nós ouvimos a ordem que o rei deu ao senhor, a Abisai e a Itai: ‘Por amor a mim, tenham cuidado com o jovem Absalão’. Por que, então, arriscaria a minha vida, pois o rei ficaria sabendo, e sei que o senhor não me defenderia!”.

14 Joabe disse: “Não tenho tempo a perder com você!”. E, com três facas, atravessou o peito de Absalão enquanto ele ainda estava vivo, pendurado na árvore. Nessa hora, Absalão já estava rodeado de dez escudeiros de Joabe. Eles acabaram de matá-lo.

16 Em seguida, Joabe tocou a trombeta para cessar a perseguição contra o exército de Israel. Eles levaram o corpo de Absalão e o jogaram numa enorme vala na floresta e empilharam uma grande quantidade de pedras sobre ele. Enquanto isso, o exército de Israel fugia, cada um correndo para sua casa.

18 Quando Absalão ainda estava vivo, ele tinha edificado para si uma coluna no vale do Rei, dizendo: “Não tenho filho para preservar meu nome". Por isso, ele deu seu nome à coluna.
Até hoje é chamada Memorial de Absalão.

19 Aimaás, filho de Zadoque, disse: “Deixe-me levar ao rei a notícia de que o Eterno o livrou dos seus inimigos”. Mas Joabe disse: “Não será você quem levará a notícia hoje. Talvez outro dia, mas hoje a notícia não é boa, pois o filho do rei está morto”.

21 Em seguida, Joabe ordenou a um etíope: “Vá você. Conte ao rei o que você viu”. O etíope respondeu: “Sim, senhor! " E foi.

22 Aimaás, filho de Zadoque, insistia com Joabe: “Não importa. Deixe-me ir com o etíope”. Joabe disse: “Para que isso? Você não terá nenhuma recompensa”.

23 Aimaás insistiu: “Não importa. Deixe-me ir". Joabe respondeu: “Então, está bem. Vá! " Aimaás correu, pegando o caminho do vale inferior, e ultrapassou o etíope.

24 Davi estava sentado entre os dois portões. A sentinela estava no alto da porta e olhava em volta. Ele viu alguém correndo sozinho e gritou para avisar o rei. O rei disse: “Se está sozinho, deve ser boa notícia”.

25 Enquanto o moço se aproximava, a sentinela viu outro correndo e gritou do alto da porta: “Há outro correndo sozinho". O rei disse: “Esse também deve trazer boas notícias”.

27 A sentinela disse: “Consigo ver o primeiro. Parece Aimaas, filho de Zadoque”. O rei disse: “É boa pessoa. Sem dúvida, está trazendo boa notícia”.

28 Aimaás gritou para o rei: “Paz! " Ele se prostrou com o rosto em terra em reverência ao rei e disse: “Bendito seja o Eterno, o seu Deus! Ele entregou em suas mãos os homens que se rebelaram contra o meu senhor, o rei”.

29 O rei perguntou: “E o jovem Absalão, ele está bem?”. Aimaás disse: “Vi grande confusão quando Joabe me enviou para cá, mas não sei do que se tratava”.

30 O rei disse: “Fique aqui ao lado”. Ele ficou ali.

31 O etíope chegou e disse: “Tenho boa notícia para o meu senhor, o rei! Hoje o Eterno deu vitória sobre todos os que se rebelaram contra o senhor!”.

32 O rei perguntou: “E o jovem Absalão, ele está bem?”. O etíope respondeu: “Que todos os inimigos do meu senhor, o rei, e todos os que agem maldosamente contra o senhor tenham o mesmo destino dele”

33 O rei ficou abalado. Abatido, subiu ao quarto que ficava por cima da porta e chorou. Enquanto chorava, gritava: “Ah, meu filho Absalão! Meu querido filho Absalão! Quem me dera eu tivesse morrido em seu lugar! Ah, Absalão, meu filho querido!”."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2Samuel 19

Joabe reprova a Davi

"1 Foram dizer a Joabe que Davi chorava amargamente a morte de Absalão, e aquele dia de vitória se transformou em dia de luto à medida que se espalhava a notícia pelo exército de que o rei chorava a morte do filho. Por isso, o exército entrou na cidade discretamente, como um exército humilhado por uma derrota.
O rei cobria o rosto com as mãos e chorava sem parar: “Ah, meu filho Absalão! Absalão, meu filho querido!”.

5 Joabe, em particular, censurou o rei: “É o fim! O senhor despreza os seus servos leais, que salvaram a sua vida, sem falar na vida de seus filhos, filhas, mulheres e concubinas. Parece que o senhor ama quem o odeia e odeia quem o ama?
Assim, demonstra que os soldados e os oficiais não valem nada para o senhor. Se Absalão estivesse vivo agora, todos nós estaríamos mortos. O senhor estaria contente?
Deixe disso. Vá lá fora e dê uma palavra de ânimo a seus amigos! Assim como vive o Eterno, se o senhor não for, todos o abandonarão. Ao anoitecer, não haverá um único soldado aqui, a pior coisa que poderia acontecer”.

8 Então, o rei saiu e ficou em seu lugar, na entrada da cidade. Logo, todos o notaram: “Veja! O rei veio nos receber!”. Todo o exército se apresentou ao rei. Mas os israelitas fugiram do campo de batalha direto para casa.

9 Enquanto isso, o povo de todas as tribos de Israel reclamava com os líderes: “Não foi o rei que nos salvou das mãos dos inimigos e nos livrou da opressão dos filisteus? Depois, ele teve de fugir do país por causa de Absalão. Agora, Absalão, a quem proclamamos rei, está morto. O que estamos esperando? Por que não trazemos o rei de volta?”.

11 Quando Davi soube do que estava acontecendo, mandou dizer aos sacerdotes Zadoque e Abiatar: “Perguntem às autoridades de Judá: ‘Por que estão demorando tanto para levar o rei de volta a seu palácio? Somos todos irmãos! Vocês são meu sangue e minha carne. Então, por que vocês seriam os últimos a me levar de volta?’. Digam ainda a Amasa: ‘Você também é meu sangue e minha carne. Deus é testemunha de que nomeei você comandante do exército, no lugar de Joabe’”.

14 Davi conquistou a simpatia de Judá, e todos concordaram em dizer ao rei: “Voltem, o senhor e todos os seus partidários”.

15 Então, o rei voltou. Ele chegou ao Jordão no momento em que o povo de Judá chegava a Gilgal para recepcionar o rei e ajudá-lo a atravessar o rio. Até mesmo Simei, filho de Gera, o benjamita de Baurim, apressou-se em acompanhar os homens de Judá e recepcionar o rei. Mil benjamitas foram com ele. Também Ziba, criado de Saul, com seus quinze filhos e vinte escravos, atravessaram o Jordão para encontrar o rei e fazer atravessar sua comitiva. Todos faziam o que podiam para agradar ao rei.

18 Logo que atravessou o Jordão, Simei, filho de Gera, prostrou-se em profunda reverência diante do rei e disse: “Não pense mal de mim, meu senhor! Esqueça meu desabafo inconsequente, naquele dia em que o meu senhor saía de Jerusalém. Não guarde isso contra mim! Reconheço que errei. Mas olhe para mim. Sou o primeiro de toda a tribo de José a vir receber de volta o rei, o meu senhor! "

21 Abisai, filho de Zeruia, o interrompeu: “Chega! Não será melhor matá-lo de uma vez? Ele amaldiçoou o ungido do Eterno!”.

22 Mas Davi disse: “O que vocês têm com isso, filhos de Zeruia? Por que insistem em criar confusão? Ninguém será morto hoje. Sou rei sobre Israel outra vez! ".

23 O rei olhou para Simei e disse: Você não morrerá”. Davi jurou isso a ele.

24 Mefibosete, neto de Saul, também chegou de Jerusalém para saudar o rei. Ele não tinha arrumado o cabelo, nem aparado a barba, nem trocado de roupa desde que o rei tinha saído até o seu retorno em segurança. O rei disse: "Por que você não veio comigo, Mefibosete? ".

26 Ele respondeu: “Ó, rei, meu senhor! Meu servo me enganou. Dei a ele ordens para que selasse o jumento, de modo que eu pudesse seguir o rei, pois, como o senhor sabe, sou aleijado.
Ele mentiu para o rei a meu respeito. Mas, meu senhor, o rei, tem sido como um anjo de Deus; então fazes o que é certo. Não foram destruídos todos os da família de meu pai? Mas o senhor me acolheu e me deu um lugar à sua mesa. Que mais eu poderia esperar ou pedir?”.

29 O rei disse: “Chega! Não diga mais nada. Esta é a minha decisão: você e Ziba dividam a propriedade entre vocês".

30 Mefibosete disse: “Não. Deixe que ele fique com tudo! A única coisa que me importa é que o meu senhor, o rei, volte seguro para casa!”.

31 Barzilai, o gileadita, também tinha vindo de Rogelim. Ele atravessou o Jordão com o rei para se despedir dele. Barzilai já estava bem idoso. Tinha 80 anos de idade! Era muito rico e tinha sustentado o rei todo o tempo em que ele esteve em Maanaim.

33 O rei disse a Barzilai: “Venha comigo para Jerusalém. Vou cuidar de você”.

34 Mas Barzilai recusou a oferta: “Quanto tempo o senhor acha que eu teria de vida se fosse com o rei para Jerusalém? Tenho 80 anos de idade e já não sou mais útil para ninguém. Não sinto o gosto da comida e estou ficando surdo. Então, por que o meu senhor assumiria mais esse incômodo? Vou acompanhar o rei até um pouco mais adiante do Jordão. Mas por que o rei me retribuiria por isso? Deixe-me voltar e morrer em minha cidade natal e ser sepultado com meu pai e minha mãe. Mas aqui está o meu escravo Quimã. Ele poderá acompanhar o senhor em meu lugar. Faça com ele o que achar melhor!”.

38 O rei disse: “Está bem. Quimã irá comigo! Eu cuidarei bem dele. Se você se lembrar de alguma outra coisa, avise-me, e eu farei por você”.

39 O exército atravessou o Jordão, mas o rei permaneceu do outro lado. Davi beijou e abençoou Barzilai, que voltou para casa. O rei atravessou para Gilgal, e Quimã foi com ele.

40 Todo o exército de Judá e metade do exército de Israel acompanhavam o rei. Os homens de Israel foram perguntar ao rei: “Por que nossos irmãos, os homens de Judá, tomaram conta de tudo, como se mandassem no rei, escoltando o senhor, sua família e seus aliados mais próximos na travessia do Jordão?”.

42 Os homens de Judá retrucaram: “Porque o rei é nosso parente! Só por isso! Mas, por que criar caso? Não somos tratados com privilégios por causa disso, somos?”.

43 Os homens de Israel responderam: “Temos dez partes do rei comparadas com uma de vocês. Além do mais, somos os primogênitos. Então, por que temos de ser tratados como cidadãos de segunda categoria? Foi nossa ideia trazê-lo de volta”. Mas os homens de Judá foram mais agressivos que os homens de Israel."

 

 

 

2Samuel 20

A sedição de Seba e a sua morte

"1 Naquele momento, um jovem imprestável chamado Seba, filho de Bicri, de Benjamim, tocou uma trombeta e gritou para o povo: “Não temos nada com Davi, não há futuro para nós com o filho de Jessé! Vamos embora daqui, Israel!
Volte cada um para a sua casa”.

2 Todos os homens de Israel abandonaram Davi e seguiram Seba, filho de Bicri. Mas os homens de Judá permaneceram leais a ele. Acompanharam o rei desde o Jordão até Jerusalém. Quando o rei Davi chegou de volta a Jerusalém, tomou as dez concubinas que deixara vigiando o palácio e as isolou, sob a proteção de guardas. Ele supria as necessidades delas, mas não as visitava. Elas ficaram praticamente prisioneiras até a morte, viúvas de marido vivo.

4 O rei deu ordens a Amasa: “Daqui três dias, reúna os homens de Judá”. Amasa foi cumprir a ordem, mas demorou a voltar.
Por isso, Davi disse a Abisai: “Seba, filho de Bicri, nos atacará e fará pior que Absalão. Reúna meus homens e vá à procura dele, antes que se refugie em alguma fortaleza na qual não consigamos apanhá-lo”. Então, sob o comando de Abisai, os melhores soldados, os homens de Joabe, os queretitas e os peletitas saíram de Jerusalém em busca de Seba, filho de Bicri. Aproximando-se da rocha de Gibeom, Amasa veio ao encontro deles. Joabe estava em traje militar com uma espada presa à cintura, mas a espada escapou e caiu no chão. Joabe cumprimentou Amasa: “Como está, meu irmão?”. E segurou a barba de Amasa com a mão direita, como se fosse beijá-lo. Amasa não tinha percebido que Joabe tinha uma espada na outra mão. Joabe enterrou a espada na barriga dele, e suas entranhas caíram no chão. Nem foi necessário outro golpe. Amasa morreu na hora. Depois, Joabe e seu irmão Abisai seguiram caminho em busca de Seba, filho de Bicri.

11 Um dos soldados de Joabe pôs-se a seu lado e gritou: “Todos os que quiserem ficar do lado de Joabe e apoiar Davi sigam Joabe!”. Enquanto isso, o corpo de Amasa continuava caído no meio da estrada, numa poça de sangue. Vendo o moço que todo o exército parava para olhar, arrastou o corpo de Amasa para fora da estrada e o cobriu com um pano, para não despertar curiosidade. Depois que o retirou dali, os soldados passavam normalmente em busca de Seba, filho de Bicri. Seba percorreu todas as tribos de Israel até Abel-Bete-Maaca. Os bicritas se juntaram a ele e entraram com ele na cidade.

15 O exército de Joabe cercou Seba em Abel-Bete-Maaca e construiu uma rampa de ataque contra a muralha da cidade.
O plano era destruir os muros.

16 Mas uma mulher esperta gritou da cidade: “Ouçam! Digam a Joabe para chegar até aqui. Quero conversar com ele”. Quando ele se aproximou, a mulher perguntou: “Você é Joabe?”. Ele respondeu: “Sim, sou eu”. Ela disse: “Ouça o que tenho a dizer”. Ele disse: “Estou ouvindo”. “Aqui temos um ditado: ‘Se você procura respostas, em Abel encontrará!’. Somos pessoas tranquilas e confiáveis. Mas você está aí, tentando destruir uma das cidades mais antigas de Israel. Por que pretende destruir a herança do Eterno?”.

20 Joabe protestou: “Acredite, você está enganada. Não estou aqui para ferir ninguém nem para destruir coisa alguma de vocês. Mas um homem das montanhas de Efraim, chamado Seba, filho de Bicri, se revoltou contra o rei Davi. Entregue-o a nós, e deixaremos vocês em paz”. A mulher disse a Joabe: “Tudo bem. Lançaremos a cabeça dele do alto do muro”.

22 A mulher apresentou sua proposta aos habitantes da cidade, e eles concordaram. Cortaram a cabeça de Seba, filho de Bicri, e a lançaram para Joabe. Ele tocou a trombeta, e todos os seus soldados voltaram para casa.
Joabe voltou para o rei, em Jerusalém.

23 Joabe voltou a comandar o exército de Israel. Benaia, filho de Joiada, comandava os queretitas e os peletitas. Adonirão era chefe das equipes de trabalho. Josafá, filho de Ailude, era arquivista. Seva era secretário. Zadoque e Abiatar eram sacerdotes. Ira, de Jair, era sacerdote de Davi."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2Samuel 21

Vingados os gibeonitas

"1 Durante o reinado de Davi, houve três anos de fome.
Davi buscou o Eterno, e Deus disse: “Essa fome é por causa do sangue dos gibeonitas, derramado por Saul e sua família”.

2 O rei reuniu os gibeonitas, que não faziam parte de Israel. Eles representavam o que tinha restado dos amorreus e eram protegidos por causa de um acordo com Israel. Mas Saul, fanático pela honra de Israel e de Judá, tentou exterminá-los.

3 Davi disse aos gibeonitas: “O que posso fazer por vocês? Como poderei compensá-los, para que vocês abençoem a herança do Eterno?”.

4 Os gibeonitas responderam: “Não queremos o dinheiro de Saul e de sua família. E não cabe a nós matar ninguém em Israel”. Mas Davi insistiu: “O que querem que eu faça por vocês?”.

6 Finalmente, disseram ao rei: “Que nos sejam entregues sete descendentes do homem que tentou nos destruir e nos eliminar do território de Israel, para que sejam enforcados diante do Eterno, em Gibeá de Saul, o monte santo”. Davi concordou:
“Eu os entregarei a vocês”

7 O rei poupou Mefibosete, filho de Jônatas, filho de Saul, por causa do juramento que tinha feito a Jônatas perante o Eterno. Mas o rei escolheu Armoni e Mefibosete, os dois filhos que Rispa, filha de Aiá, tinha dado a Saul, e os cinco filhos que Merabe, filha de Saul, deu a Adriel, filho de Barzilai, de Meolá. Ele os entregou aos gibeonitas, que os enforcaram no monte perante o Eterno.
Os sete morreram ao mesmo tempo. Eles foram executados no início da colheita da cevada.

10 Rispa, filha de Aiá, pegou um pano de saco, fez com ele uma barraca sobre uma rocha e ficou ali desde o começo da colheita até o início das chuvas. Durante o dia, ela impedia que os pássaros chegassem aos corpos; durante a noite, não deixava que os animais selvagens se aproximassem.

11 Davi foi informado do que Rispa, filha de Aiá e concubina de Saul, estava fazendo. Então, ele foi buscar os restos de Saul e de seu filho Jônatas, que estavam com os líderes de Jabes-Gileade (eles os tinham resgatado da praça de Bete-Seã, depois que foram enforcados pelos filisteus, que os tinham matado em Gilboa). Ele recolheu os restos deles e os levou para o lugar em que estavam os outros sete corpos, e todos foram levados de volta para a terra de Benjamim e sepultados no túmulo de Quis, pai de Saul. Tudo foi feito conforme as ordens do rei. Depois disso, Deus respondeu às orações de Israel a favor da terra.

15 Houve outra guerra entre os filisteus e os israelitas. Davi e seus soldados saíram para lutar. Davi ficou exausto. Isbi-Benobe, guerreiro descendente de Rafa, anunciou que mataria Davi.
Sua lança pesava três quilos e seiscentos gramas, e ele vestia uma armadura nova. Mas Abisai, filho de Zeruia, socorreu Davi e matou o filisteu. Depois do incidente, os soldados de Davi fizeram um juramento: “O senhor não sairá mais conosco à guerra, para que a lâmpada de Israel não se apague!”.

18 Depois, houve outra guerra contra os filisteus em Gobe. Sibecai, de Husate, matou Safe, outro guerreiro descendente de Rafa. Em outro conflito contra os filisteus em Gobe, Elanã, filho de Jaaré-Oregim, tecelão de Belém, matou Golias, de Gate, cuja lança tinha uma haste que parecia o eixo de um tear.

Outra batalha foi travada em Gate. Estava ali um gigante que tinha seis dedos nas mãos e nos pés — vinte e quatro ao todo!
Ele também era um dos descendentes de Rafa. Ele provocou Israel, e Jônatas, filho de Simeia, irmão de Davi, o matou.

Esses quatro eram descendentes de Rafa, naturais de Gate. Todos foram mortos por Davi e seus soldados."

2Samuel 22

Cântico de Davi em ações de graças

"1 Davi louvou o Eterno com as palavras deste cântico, depois que Deus o livrou de todos os seus inimigos e de Saul:

2 O Eterno é a minha rocha, o castelo no qual me refúgio, o meu libertador. Meu Deus, minha rocha, para onde corro quando preciso me proteger, e me escondo atrás da rocha, fico a salvo no esconderijo. Minha rocha de refúgio, ele me salva do homem perverso.

4 Louvo o Eterno, é digno de louvor, e nele encontro segurança e salvação.

5 As ondas da morte quebraram sobre mim, torrentes de destruição me apavoraram. As cordas do inferno me prenderam e armadilhas de morte me cercaram.

7 Clamei ao Eterno na minha angústia, ao meu Deus clamei. Do seu aposento, ele me ouviu; o meu clamor chegou à sua presença — uma audiência particular!

8 A terra tremeu e sacudiu; os alicerces do céu sacudiram como folhas, Tremeram como folhas de álamo por causa de sua ira. Das suas narinas, saiu fumaça; sua boca cuspia fogo. Línguas de fogo foram lançadas; ele baixou o céu. Ele desceu; debaixo dos seus pés, abriu-se um abismo. Ele montou uma criatura voadora, veloz sobre as asas do vento. Ele se cobriu com densas nuvens de chuva. Mas o brilho da sua presença irrompeu, como um grande leque de fogos. O Eterno trovejou do céu; o Altíssimo provocou grande estrondo. Lançou flechas e espantou os inimigos. Arremessou raios e os fez fugir. Os lugares secretos do oceano foram expostos, as profundezas da terra foram descobertas quando o Eterno protestou e despejou sua fúria.

17 Mas Deus me segurou — me alcançou desde o céu até o mar. Tirou-me do oceano de ódio, do caos do inimigo, do abismo em que estava me afundando. Eles me feriram quando eu estava abatido, mas o Eterno foi o meu auxilio. Deus me pôs em lugar espaçoso; fui posto a salvo, graças a seu amor!

21 O Eterno me recompensou por tudo que fiz quando me apresentei diante dEle. Quando terminei a minha obra, Deus me deu refrigério. De fato, tenho procurado seguir os caminhos do Eterno; levo Deus a sério. Todos os dias, observo as obras de Deus, não me esqueço de nenhum detalhe. Sinto-me refeito e continuo atento aos meus passos. O Eterno reescreveu a minha vida quando abri o livro do meu coração diante dele.

26 Tu não abandonas os que se apegam a ti, és correto com os que são corretos contigo, és bondoso para os bons, mas és severo com os perversos. Acodes os abatidos, mas humilhas os soberbos.

29 Tu, ó Eterno, és a luz do meu caminho, o Eterno dissipa as trevas. Com Deus esmago exércitos inteiros, transponho enormes barreiras. Que Deus grandioso! Seus caminhos são planos e retos.
Sua palavra é provada.
Todos os que nele se refugiam encontram proteção.

32 Há outro Deus igual ao Eterno? Não estamos sobre a rocha? Não é esse o Deus que me capacitou a lutar e dirigiu o meu caminho? Corro como uma gazela; sou o rei da montanha. Ele me preparou para lutar; posso vergar um arco de bronze! Tu me proteges com o escudo da salvação; tocas em mim, e me sinto fortalecido. Alargas debaixo dos meus pés o caminho, para que os meus passos não vacilem. Quando persigo os meus inimigos, eu os alcanço; não desisto deles até que estejam mortos. Esmago-os: são derrotados definitivamente; depois, passo por cima deles.
Tu me preparaste para lutar, para esmagar os soberbos. Fizeste os meus inimigos virarem as costas, para que eu pudesse eliminar os que me odiavam. Eles gritaram, pedindo ajuda, mas ninguém os socorreu. Clamaram ao Eterno e não receberam resposta. Eu os transformei em pó, e eles foram espalhados ao vento. Eu os lancei fora como lixo numa vala. Tu me livraste das rebeliões do povo e fizeste de mim chefe das nações. Povos de que nunca ouvi falar vieram me servir e, quando ouviram a minha voz, se renderam. Entregaram-se, saindo aterrorizados dos esconderijos.

47 Viva o Eterno! Bendita seja a minha Rocha, Deus, a minha Torre de Salvação! Esse Deus me defende e faz calar os que me acusam. Ele me livrou da ira do inimigo. Tu me livraste das garras dos arrogantes, salvaste-me dos agressores. Por isso, engrandeço a ti, ó Eterno, entre todas as nações. Por isso, cantarei louvores que rimam com o teu nome. O rei conquista grandes vitórias; o escolhido de Deus é amado. Estou falando de Davi e todos os seus descendentes. Sempre."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2Samuel 23

As últimas palavras de Davi

"1 Estas foram as últimas palavras de Davi: “Voz do filho de Jessé, voz do homem que Deus conduziu até o topo, A quem o Deus de Jacó tornou rei e o cantor mais conhecido de Israel!

2 O Espírito do Eterno falou por meu intermédio, suas palavras se formaram em meus lábios. O Deus de Israel falou a mim, a Rocha de Israel me disse: Aquele que governa de maneira justa e correta, que administra com o temor de Deus, é como a luz do amanhecer num dia sem nuvens; como a grama verde que cobre o chão, crescendo sob o ar puro’. Foi assim a minha dinastia, pois Deus cumpriu seu acordo comigo. Ele fez uma promessa e a cumpriu fielmente. Todas as minhas vitórias e todos os meus desejos, ele fará prosperar. Mas os ímpios são como espinhos amontoados e lançados fora. Neles não se deve tocar: mantenham distância com um rastelo ou um cabo.
São excelentes como lenha!”.

8 Estes foram os valentes guerreiros de Davi: Jabesão, um tacmonita. Era chefe dos três principais oficiais. Certa vez, com sua lança, atacou oitocentos homens e matou todos num só dia.

9 Em segundo lugar entre os três estava Eleazar, filho de Dodô, o aoíta. Ele estava com Davi quando os filisteus os enfrentaram em Pas-Damim. Quando os filisteus se prepararam para a batalha, Israel retrocedeu. Mas Eleazar permaneceu onde estava e matou filisteus a torto e a direito até ficar exausto, mas sem largar a espada! Naquele dia, o Eterno concedeu grande vitória.
O exército se juntou outra vez a Eleazar, mas apenas para saquear os filisteus.

11 Samá, filho de Agé, de Harar, era o terceiro. Os filisteus se reuniram para a batalha em Lei, onde havia uma lavoura de lentilhas. Israel fugiu dos filisteus, mas Samá ficou no meio da plantação e a defendeu com coragem. Os filisteus foram derrotados. Outra grande vitória concedida pelo Eterno!

13 Certa vez, no período da colheita, os três se separaram dos trinta e se juntaram a Davi na caverna de Adulão. Havia um grupo de filisteus acampados no vale de Refaim. Enquanto Davi se escondia na caverna, os filisteus acamparam em Belém. Um dia, Davi suspirou: “Como gostaria de beber água do poço da entrada de Belém!”. Então, os três entraram no acampamento dos filisteus, tiraram água do poço que ficava na entrada de Belém e a trouxeram para Davi. Mas Davi não quis beber. Ele a derramou como oferta ao Eterno, dizendo: “De modo algum, ó Eterno, eu beberia esta água, porque não é apenas água: é o sangue dos três. Eles arriscaram a própria vida para trazê-la até mim!”. Por isso, Davi se recusou a beber. Era esse tipo de coisa que esses três guerreiros faziam.

18 Abisai, irmão de Joabe e filho de Zeruia, era chefe dos trinta. Certa vez, ele foi condecorado por matar trezentos homens com sua lança, mas nunca recebeu as mesmas honras que os três. Ele era o mais respeitado dos trinta e era o capitão, mas não estava incluído entre os três guerreiros principais.

20 Benaia, filho de Joiada, de Cabzeel, era um soldado corajoso, responsável por atos heróicos. Certa vez, ele matou dois leõezinhos em Moabe. Outra vez, no meio da neve, entrou num buraco e matou um leão. Em outra ocasião, matou um egípcio de grande estatura. O egípcio estava armado com uma lança, e Benaia o enfrentou apenas com uma vara. Ele arrancou a lança da mão do egípcio e o matou com ela.

22 Benaia, filho de Joiada, ficou famoso por esses atos, mas não alcançou o posto dos três. Ele era muito respeitado pelos trinta, mas não estava incluído entre os três. Davi o pôs como chefe de sua guarda pessoal.

24 Os trinta eram: Asael, irmão de Joabe; Elanã, filho de Dodô, de Belém; Samá e Elica, de Harode; Helez, de Pelete; Ira, filho de Iques, de Tecoa; Abiezer, de Anatote; Mebunai, de Husate; Zalmom, de Aoí; Maarai, de Netofate; Helede, filho de Baaná, de Netofate; Itai, filho de Ribai, de Gibeá de Benjamim; Benaia, de Piratom; Hidai, dos riachos de Gaás; Abi-Albom, de Arbate; Azmavete, de Baurim; Eliaba, de Saalbom; Jasém, de Gizom; Jônatas, filho de Samá, de Harar; Aião, filho de Sarar, de Harar; Elifelete, filho de Aasbai, de Maaca; Eliã, filho de Aitofel, de Gilo; Hezrai, do Carmelo; Paarai, de Arabe; Igal, filho de Natã, de Zobá; o filho de Hagri; Zeleque, de Amom; Naarai, de Beerote, escudeiro de Joabe, filho de Zeruia; Ira e Garebe, de Jatir; e o hitita Urias. Ao todo trinta e sete."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2Samuel 24

O levantamento do censo

"1 Mais uma vez, o Eterno se enfureceu contra Israel. Ele testou Davi, dizendo: “Faça um censo de Israel e de Judá”. Davi deu ordens a Joabe e aos oficiais do exército, dizendo: “Percorram todas as tribos de lsrael, desde Dã até Berseba, e façam o levantamento de toda a população. Quero saber o número de habitantes".

3 Joabe resistiu e disse ao rei: “Que o Eterno multiplique cem vezes o número de pessoas à vista do meu senhor, mas qual a necessidade disso? "

4 O rei, entretanto, insistiu, e Joabe e os oficiais do exército se despediram do rei e saíram para levantar o censo de Israel. Atravessaram o Jordão, começando em Aroer, pela cidade no vale de Gade, perto de Jazer. Prosseguiram para Gileade, passaram o Hermom, depois, seguiram para Dã e contornaram Sidom. Percorreram a fortaleza de Tiro e todas as cidades dos heveus e dos cananeus. Finalmente, chegaram ao Neguebe de Judá, em Berseba. Percorreram todo o país e, depois de nove meses e vinte dias, voltaram para Jerusalém. Joabe entregou os resultados do censo ao rei. Em lsrael, havia oitocentos mil homens capazes de lutar, e em Judá, quinhentos mil.

10 Mas, depois de tudo feito, Davi se sentiu culpado por ter levantado o censo da população, confiando nos dados apurados. Davi orou ao Eterno: “Pequei contra ti no que acabei de fazer. Mas peço-te que perdoes a minha culpa. Fui imprudente”.

11 No dia seguinte, quando Davi se levantou, veio a palavra do Eterno ao profeta Gade, conselheiro espiritual de Davi: “Vá dizer a Davi: ‘O Eterno diz o seguinte: Há três castigos que posso dar.
O que você escolher, eu executarei
".

13 Gade entregou a mensagem: “O senhor prefere três anos de seca na terra, três meses fugindo dos seus inimigos enquanto eles o perseguirem ou três dias de epidemia no país? Pense e resolva. O que devo dizer a quem me enviou?”.

14 Davi disse a Gade: “São todos terríveis! Mas prefiro ser punido pelo Eterno, cuja misericórdia não tem fim, a cair nas mãos dos homens”.

15 O Eterno enviou uma epidemia desde cedo até a noite. Desde Dã até Berseba, morreram setenta mil pessoas. Mas, quando o anjo chegou para destruir Jerusalém, o Eterno percebeu o sofrimento e o terror e ordenou ao anjo que estava executando a sentença: “Basta! Já chega!”. O anjo do Eterno tinha acabado de chegar à eira de Araúna, o jebuseu. Davi olhou e viu o anjo se movendo entre a terra e o céu com a espada pronta para ferir Jerusalém. Davi e seus conselheiros se curvaram em oração e se vestiram de pano de saco.

17 Quando Davi viu o anjo pronto para matar o povo, orou, dizendo: “Ah! Fui eu que pequei. Eu, o pastor, cometi esse erro. Mas o que estas ovelhas fizeram de errado? Castigue a mim e a minha família, mas não a eles”.

18 Naquele mesmo dia, Gade procurou Davi e disse: “Construa um altar na eira de Araúna, o jebuseu”. Davi foi cumprir a ordem do Eterno, transmitida por Gade.

20 Quando Araúna viu Davi e seus homens se aproximando, prostrou-se com o rosto em terra e, respeitosamente, disse ao rei: “Por que, meu senhor, o rei, veio me ver?" Davi respondeu: “Vim comprar a sua eira para construir um altar ao Eterno e pôr fim a esta calamidade”.

22 Araúna disse: “Meu senhor, pode pegar e sacrificar o que quiser. Ali está um boi para o holocausto. A canga e as tábuas para debulhar podem servir de lenha para a fogueira. Dou tudo isso ao rei! Que o Eterno, seu Deus, tenha misericórdia do senhor”.

24 Mas o rei disse a Araúna: “De modo algum! Quero pagar preço justo por tudo isso. Não oferecerei ao Eterno, meu Deus, sacrifícios que não me custem nada”. Então, Davi comprou a eira e o boi por cinquenta peças de prata. Ele construiu um altar ao Eterno e sacrificou ofertas queimadas e ofertas de paz. O Eterno ouviu a sua oração e fez cessar a calamidade."

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