O Segundo Livro de Samuel
Introdução
O Segundo Livro de Samuel é a continuação de 1Samuel. Neste livro se conta a história de Davi, que foi rei primeiro de Judá, no Sul (caps. 1—4). Depois ele foi rei de toda a nação, incluindo Israel, no Norte (caps. 5—24). 2Samuel narra as lutas de Davi contra os inimigos de dentro e de fora, para se firmar no poder e para estender o seu reino. Davi era um homem de profunda fé e devoção a Deus e como líder foi capaz de conquistar a lealdade do seu povo. Mas ele também cometeu pecados de crueldade e violência, que a Bíblia não esconde.
Porém quando o profeta Natã apontou a Davi os seus pecados, ele os confessou e aceitou o castigo de Deus.
A vida e as realizações de Davi impressionaram profundamente o povo de Israel.
Tanto assim que, mais tarde, nos tempos de angústia, quando precisavam de outro rei, eles pediam “um filho de Davi”. Desejavam um rei descendente de Davi, que fosse igual a ele.
Esquema do
conteúdo
1. Davi governa Judá (1.1—4.12)
2. Davi governa Judá e Israel
(5.1—24.25)
a. Os primeiros anos (5.1—10.19)
b. Davi e Bate-Seba (11.1—12.25)
c. Problemas e dificuldades
(12.26—20.26)
d. Os últimos anos (21.1—24.25)
2Samuel
1
Davi recebe a
notícia da derrota e da morte de Saul
"1 Pouco tempo depois da
morte de Saul, Davi voltou dos seus ataques contra os amalequitas para
Ziclague. Três dias depois, sem aviso, um rapaz chegou do acampamento militar
de Saul.
2 Com as vestes rasgadas e em
estado de luto, ele se prostrou diante de Davi, que perguntou: “O que o traz
aqui?”.
Ele respondeu: “Acabo de fugir do acampamento de Israel”.
4 Davi perguntou: “O que
aconteceu? Que notícia você traz?”.
Ele disse: “Os israelitas fugiram do campo de batalha, deixando para trás
muitos dos seus companheiros mortos.
Saul e Jônatas também morreram”.
5 Davi quis saber do soldado mais
detalhes: “Como você sabe, com tanta certeza, que Saul e Jônatas estão
mortos?”.
6 “Cheguei por acaso ao monte
Gilboa e encontrei Saul gravemente ferido sobre sua lança e os carros e
cavaleiros do inimigo chegando perto dele. Ele olhou para trás e, quando me
viu, chamou-me. Respondi: ‘Sim, senhor! Estou à sua disposição’. Ele me
perguntou quem eu era, e eu disse: ‘Sou amalequita’.
9 “Ele respondeu: ‘Venha
aqui. Acabe com o meu sofrimento. Estou morrendo, mas ainda estou consciente’.
10 “Então, fiz o que ele
pediu. Eu o matei. Sabia que não sobreviveria por muito tempo. Tirei a coroa e
o bracelete dele e os trouxe para o meu senhor. Aqui estão”.
11 Em sinal de luto, Davi rasgou a
própria roupa. Todos os que estavam com ele fizeram o mesmo. Eles choraram e
jejuaram o restante do dia, em sinal de luto pela morte de Saul e de seu filho
Jônatas, pelo exército do Eterno e pela nação de Israel, vítimas de uma batalha
mal sucedida.
13 Depois, Davi disse ao jovem
soldado que trouxera a notícia: “Quem é você mesmo?”. “Sou filho de um
estrangeiro.
Sou amalequita”.
14 Davi disse: “Quer dizer que
você não hesitou em matar o ungido do Eterno?”. No mesmo instante, ele
deu ordens a um dos seus soldados: “Mate-o!”. O soldado desferiu um golpe
contra o rapaz, e ele morreu.
16 Davi declarou: “Você
mesmo pediu isso. Você mesmo pronunciou a sua sentença de morte quando disse
que tinha matado o ungido do Eterno”.
17 Em seguida, Davi cantou este lamento
sobre Saul e seu filho Jônatas. Também deu ordens para que todos em Judá
memorizassem o lamento. Ele pode ser lido no Livro de Jasar.
19 Oh! Oh! As gazelas de Israel,
feridas estão sobre os montes, os poderosos guerreiros caíram! Não anuncie isto
na cidade de Gate, não divulgue nas ruas de Ascalom. Para que as filhas dos
filisteus não tenham mais um motivo para celebrar! Não haja mais orvalho nem
chuva sobre vocês, ó montes de Gilboa, e nenhuma gota de água em suas fontes e
nascentes, pois ali os escudos dos guerreiros foram arrastados no barro, o
escudo de Saul ficou ali, apodrecendo.
22 O arco de Jônatas era ousado,
quanto maior o inimigo, mais sangrenta a derrota. Destemida era a espada de
Saul: quando desembainhada, nada a detinha.
23 Saul e Jônatas, muito amados e
admirados! Unidos na vida, unidos na morte. Eram mais velozes que as águias,
mais fortes que os leões.
24 Chorem por Saul, mulheres de
Israel! Ele vestia vocês com finas vestes de linho e seda, não economizava para
mantê-las elegantes. Os heróis de guerra, caídos no meio da batalha! Jônatas,
ferido sobre os montes!
26 Ah, querido irmão Jônatas!
Estou triste pela sua morte. Sua amizade foi um milagre surpreendente, amável
muito além de todos os que conheci ou imaginava conhecer.
27 Os heróis de guerra estão
caídos. As armas de guerra foram despedaçadas."
2Samuel
2
Davi é
aclamado rei de Judá
"1 Depois disso, Davi orou.
Ele perguntou ao Eterno: “Devo me mudar para uma das cidades de Judá?”. O
Eterno respondeu: “Sim, vá”. Davi
perguntou: “Para qual cidade?”.
Deus disse: “Para Hebrom”.
2 Assim, Davi mudou-se para Hebrom
com suas duas esposas, Ainoã, de Jezreel, e Abigail, viúva de Nabal do Carmelo.
Os homens de Davi, com suas famílias, também foram com ele e se estabeleceram
em Hebrom e seus arredores.
4 Os moradores de Judá vieram a
Hebrom e, ali mesmo, proclamaram Davi rei sobre os clãs de Judá. Disseram a
Davi que foram os homens de Jabes-Gileade que tinham dado um sepultamento digno
a Saul. Davi enviou mensageiros aos homens de Jabes-Gileade, dizendo: “O Eterno
abençoe vocês pelo que fizeram, por honrarem o seu senhor Saul com esse
funeral.
Que o Eterno seja leal e fiel a vocês. Eu também farei o mesmo: Serei generoso
como vocês. Sejam fortes e façam o que deve ser feito. Saul, senhor de vocês,
está morto. Os moradores de Judá me constituíram rei sobre eles”.
8 Enquanto isso, Abner, filho de
Ner, comandante do exército de Saul, levou Is-Bosete, filho de Saul, para
Maanaim e o proclamou rei sobre Gileade, Aser, Jezreel, Efraim e Benjamim, isto
é, rei sobre todo o Israel. Is-Bosete, filho de Saul, tinha 40 anos de idade
quando começou a reinar sobre Israel. Ele reinou apenas dois anos. Mas o povo
de Judá permaneceu leal a Davi. Em Hebrom, Davi reinou sobre o povo de Judá
sete anos e meio.
12 Certo dia, Abner, filho de Ner,
partiu de Maanaim para Gibeom com os soldados de Is-Bosete, filho de Saul.
Joabe, filho de Zeruia, e os soldados de Davi também partiram. Eles se
encontraram no açude de Gibeom. As tropas de Abner ficaram de um lado, e as de
Joabe, do outro lado do açude.
14 Abner desafiou Joabe:
“Apresente seus melhores soldados. Vamos vê-los lutar”. Joabe respondeu: “Tudo
bem!
Estou de acordo!”.
15 Então, doze benjamitas de
Is-Bosete, filho de Saul, e doze soldados de Davi se prepararam para lutar.
Cada um agarrou a cabeça do adversário e fincou a espada nele. Todos caíram
mortos de uma só vez. Por isso, aquele lugar é chamado Helcate-Hazurim (Campo
da Carnificina). Fica ali mesmo, em Gibeom.
17 A batalha se intensificou
durante todo o dia. Abner e os homens de Israel foram esmagados pelos homens de
Davi.
Os três filhos de Zeruia estavam lá: Joabe, Abisai e Asael.
Asael, veloz como um antílope em campo aberto, perseguiu Abner, sempre em seu
encalço.
20 Abner olhou para trás e
perguntou: “É você, Asael?”.
Ele respondeu: “Sou eu mesmo”.
21 Abner disse: “Desista de mim!
Escolha outro que você tenha chance de ferir para ficar com as suas armas!”.
Mas Asael não desistiu.
22 Abner tentou mais uma vez:
“Volte! Não me obrigue a matar você! Como vou enfrentar seu irmão Joabe?”.
23 Como ele não desistia, Abner
parou, virou para trás e enfiou a lança na barriga de Asael com tanta força que
ela saiu pelas costas. Asael caiu morto no chão. Todos os que chegavam ao local
em que Asael estava caído paravam. Mas Joabe e Abisai continuaram perseguindo
Abner. Ao pôr do sol, chegaram à colina de Amá, em frente de Gia, na estrada
que sai para Gibeom. Os benjamitas ficaram do lado de Abner, estrategicamente
organizados sobre a colina.
26 Abner gritou para Joabe: “Vamos
continuar matando uns aos outros? Não sabe que isso só vai provocar mais
amargura? Até quando vai permitir que seus homens persigam seus irmãos?”.
27 Joabe respondeu: “Assim como
Deus vive, se você não tivesse falado nada, teríamos continuado a perseguição
até de manhã!”. Dito isso, ele tocou a trombeta, e todo o exército de Judá
parou. Eles desistiram de perseguir Israel e puseram fim à guerra.
29 Abner e seus soldados marcharam
a noite inteira pelo vale da Arabá. Atravessaram o Jordão e, depois de marchar
toda a manhã, chegaram a Maanaim.
30 Depois de voltar da perseguição
de Abner, Joabe fez a contagem do seu grupo. Além de Asael, estavam faltando
dezenove soldados de Davi. Os soldados de Davi tinham ferido e matado trezentos
e sessenta soldados de Abner, todos benjamitas. O corpo de Asael foi trazido e
sepultado no túmulo da família, em Belém. Joabe e seus soldados marcharam toda
a noite e chegaram a Hebrom ao amanhecer."
2Samuel
3
Abner faz
aliança com Davi
"1 O conflito entre a família
de Saul e a família de Davi continuou por muito tempo. Quanto mais perdurava,
mais Davi se fortalecia e mais a família de Saul se enfraquecia.
2 Enquanto permaneceu em Hebrom,
Davi teve os seguintes filhos: o mais velho, Amnom, filho de Ainoã, de Jezreel;
o segundo, Quileabe, filho de Abigail, viúva de Nabal do Carmelo; o terceiro,
Absalão, filho de Maaca, filha de Talmai, rei de Gesur; o quarto, Adonias,
filho de Hagite; o quinto, Sefatias, filho de Abital;
o sexto, Itreão, filho de Eglá.
Esses seis filhos de Davi nasceram em Hebrom.
6 Abner aproveitou o conflito
entre a família de Saul e a família de Davi para se fortalecer. Saul teve uma
concubina chamada Rispa, filha de Aia. Certo dia, Is-Bosete questionou Abner:
“Por que você se deitou com a concubina de meu pai?”.
8 Abner perdeu a paciência com
Is-Bosete e disse: “Você está me tratando como cachorro? É assim que sou
tratado depois de permanecer leal à família de seu pai e a todos os seus
parentes e amigos? Eu pessoalmente o salvei de ser capturado por Davi, e agora
você se incomoda por eu ter me deitado com uma mulher? Sabe o que vou fazer?
Vou colaborar com a transferência do reino da família de Saul para Davi, para
que ele reine sobre toda a nação, Israel e Judá, de Dã a Berseba, como o Eterno
prometeu a ele.
Que Deus me castigue se eu não fizer isso!”.
Is-Bosete,
com medo de Abner, não disse nada.
12 Abner tomou a iniciativa e mandou dizer a Davi: “Vamos fazer um acordo, e
ajudarei você a conquistar a lealdade de toda a nação de Israel”.
13 Davi respondeu: “Ótimo! Façamos
o acordo, mas com uma condição: nem apareça aqui se não trouxer Mical, filha de
Saul, quando vier me encontrar”.
14 Ele mandou este recado a
Is-Bosete, filho de Saul: “Devolva-me Mical, que me foi dada em casamento como
recompensa pelos cem prepúcios dos filisteus”.
15 Is-Bosete determinou que ela
fosse tirada do marido, Paltiel, filho de Laís, e Paltiel a seguiu chorando por
todo o caminho até Baurim. Ali, Abner ordenou: “Volte para casa”. E ele voltou.
17 Abner reuniu os líderes de
Israel e disse: “Faz tempo que vocês querem que Davi seja rei sobre vocês. Pois
chegou a hora! Além disso, o Eterno prometeu a Davi: ‘Por intermédio do meu
servo Davi, livrarei o meu povo, Israel, da opressão dos filisteus e de todos
os outros inimigos’”.
19 Abner chamou os benjamitas de
lado e conversou com eles. Depois, foi a Hebrom conversar a sós com Davi e
contou a ele o que Israel, em geral, e Benjamim, em particular, pretendiam
fazer.
20 Quando Abner e sua comitiva de
vinte homens chegaram a Hebrom, Davi ofereceu um banquete a eles.
21 Abner disse: “Estou pronto.
Deixe-me voltar e reunir todo o Israel para que se submeta ao meu senhor, o
rei. Eles assinarão um acordo, para que o senhor governe sobre eles como achar
melhor”. Davi despediu Abner em paz.
22 Logo depois, os soldados de
Davi, liderados por Joabe, retornaram de uma batalha, trazendo muitos despojos.
Abner não estava mais em Hebrom com Davi, pois tinha acabado de partir. Quando
Joabe e o grupo de soldados chegaram, souberam que Abner, filho de Ner, tinha
estado com Davi e voltado para casa em paz.
24 Joabe foi falar com o rei: “O
que o senhor fez? Abner vem aqui, e o senhor o deixa ir embora livre? Saiba que
Abner é muito esperto. Essa visita, não teve intenção amistosa.
Ele veio espionar, conhecer os seus movimentos, descobrir o que o senhor está
fazendo”.
26 Joabe saiu dali e partiu para a
ação, enviando mensageiros para alcançar Abner. Eles se encontraram com Abner
na cisterna de Sirá e o trouxeram de volta. Davi não ficou sabendo de
nada. Quando Abner chegou de volta a Hebrom, na entrada da cidade,
Joabe o levou ao canto para uma conversa em particular.
Ali mesmo, ele o esfaqueou na barriga, matando Abner a sangue frio, como
vingança pela morte de seu irmão Asael.
28 Mais tarde, quando soube do
fato, Davi declarou: “Eu e o meu reino somos inocentes diante do Eterno
pelo assassinato de Abner, filho de Ner. Que Joabe e toda a sua família sofram
para sempre por derramar esse sangue. Que sejam vítimas de doenças de
pele, violência e fome”. (Joabe e seu irmão Abisai assassinaram Abner porque
ele tinha matado o irmão deles, Asael, na batalha de Gibeom.)
31 Davi ordenou a Joabe e a todos
os soldados comandados por ele: “Rasguem as suas roupas! Usem roupas de luto!
Conduzam o cortejo fúnebre de Abner e chorem bem alto!”. O rei Davi seguiu atrás
do caixão. Abner foi sepultado em Hebrom, e o rei chorou muito ao lado do
túmulo dele. O povo chorou também.
33 Então, o rei entoou este
tributo a Abner: “Como pode ser isso? Abner morto como indigente! Você era um
homem livre, livre para ir e fazer o que quisesse. Você caiu como uma vítima de
briga de rua!”. O povo agora chorava incontrolavelmente!
35 Depois do funeral, todos
insistiam com Davi, para que comesse alguma coisa antes do anoitecer. Mas Davi
fez este juramento: “Deus, ajuda-me para que eu não prove uma única
migalha de pão ou qualquer outra coisa antes do anoitecer!”. Todos os
que estavam no funeral ouviram suas palavras e ficaram admirados. Aliás, tudo
que o rei fazia, o povo respeitava. Naquele dia, todos os habitantes de
Israel ficaram sabendo que o rei não estava envolvido na morte de Abner, filho
de Ner.
38 O rei disse a seus servos:
“Percebem que hoje um príncipe e herói de guerra foi vítima de uma injustiça em
Israel? Mas eu, embora sendo rei ungido, não pude fazer nada para impedir.
Os filhos de Zeruia são mais poderosos que eu. Que o Eterno retribua ao
criminoso o crime cometido”."
2Samuel
4
A morte de
Isbosete
"1 Quando Is-Bosete, filho de
Saul, soube que Abner tinha sido morto em Hebrom, perdeu a coragem, e toda a
nação ficou abatida. O filho de Saul tinha dois homens no comando das tropas.
Um se chamava Baaná, e o outro, Recabe. Eles eram filhos de Rimom, de Beerote,
de Benjamim.
2 Os moradores de Beerote tinham
sido designados à tribo de Benjamim desde que fugiram para Gitaim. Até hoje
moram ali, como estrangeiros.
4 Ora, Jônatas, filho de Saul,
teve um filho aleijado. Quando esse filho tinha 5 anos de idade, chegou de
Jezreel a notícia da morte de Saul e de Jônatas. Sua ama o pegou e fugiu, mas,
na pressa de escapar, ela caiu, e o menino ficou aleijado.
Ele se chamava Mefibosete.
5 Certo dia, Baaná e Reeabe, os
filhos de Rimom, foram à casa de Is-Bosete. Eles chegaram no maior calor do
dia, no momento do descanso da tarde. Eles entraram na casa, fingindo ter ido
tratar de algum negócio. A mulher que guardava a porta do quarto estava
dormindo; por isso, Recabe e Baaná conseguiram passar por ela e entrar no
quarto em que Is-Bosete dormia. Eles o mataram e cortaram a cabeça dele,
saindo com ela como se fosse um troféu. Eles viajaram a noite toda pelo
caminho da Arabá.
8 Eles trouxeram a cabeça de
Is-Bosete a Davi, em Hebrom, dizendo ao rei: “Aqui está a cabeça de Is-Bosete,
filho de Saul, seu inimigo. Ele queria matar você, mas o Eterno vingou o meu
senhor, o rei. Hoje, ele vingou o senhor de Saul e de sua descendência!”.
9 Mas Davi respondeu aos irmãos
Recabe e Baaná, filhos de Rimom, de Beerote: “Assim como vive o Eterno,
que me livrou de todas as minhas aflições, quando o mensageiro me trouxe a
notícia da morte de Saul, achando que eu ficaria contente, eu o prendi e matei
na mesma hora, em Ziclague. Foi essa a recompensa dele pela suposta boa
notícia! Agora, vêm vocês aqui, homens perversos, dizendo que mataram um homem
inocente a sangue-frio, um homem que estava dormindo na própria cama!
Não pensem que eu inocentarei vocês e que não os eliminarei!”.
12 Dito isso, Davi deu ordens a
seus soldados. Eles mataram os dois homens, cortaram a cabeça e os pés deles e
penduraram os corpos perto do açude de Hebrom. Mas levaram a cabeça de
Is-Bosete e a enterraram no túmulo de Abner, em Hebrom."
2Samuel 5
Davi é ungido
rei de todo o Israel
"1 Não passou muito tempo,
todas as tribos de Israel procuraram Davi em Hebrom, dizendo: “Olhe para nós,
somos seu sangue e sua carne! No passado, quando Saul era nosso rei, era o
senhor quem saía para as guerras, em defesa da nação. Naquele tempo, o Eterno
já tinha dito: ‘Você pastoreará o meu povo Israel e será príncipe sobre o meu
povo’”.
3 Todas as autoridades de Israel
se encontraram com o rei Davi em Hebrom, e o rei fez um acordo com eles na
presença do Eterno. Nesse dia, Davi foi ungido rei sobre todo o Israel.
4 Davi tinha 30 anos de idade
quando começou a reinar.
Ele reinou quarenta anos. Em Hebrom, reinou sobre Judá sete anos e meio. Em
Jerusalém, reinou sobre todo o Israel e Judá trinta e três anos.
6 Davi e seus soldados partiram
imediatamente para Jerusalém, a fim de atacar os jebuseus, que viviam naquela
região. Mas os jebuseus disseram: “É melhor voltar para casa! Aqui, até os
cegos e os aleijados impediriam vocês de entrar. Vocês não vão conseguir entrar
aqui!”. Eles tinham certeza de que Davi não conseguiria invadir a cidade.
7 Mas Davi atacou e capturou a
fortaleza de Sião, que ficou conhecida, desde então, como Cidade de Davi.
Naquele dia, Davi disse: “Para conseguir derrotar esses jebuseus, é preciso
entrar pelo canal de água e acabar com esses cegos e aleijados, que Davi
detesta”. (É por isso que as pessoas passaram a dizer: “Nenhum aleijado ou cego
poderá entrar no palácio”.
9 Davi fez da fortaleza a sua sede
e deu a ela o nome de Cidade de Davi. Ele promoveu o desenvolvimento da cidade da
periferia para o centro. Davi continuou se fortalecendo, pois o Senhor dos
Exércitos de Anjos estava com ele.
11 Foi nessa época que Hirão, rei
de Tiro, enviou mensageiros a Davi com muitas toras de cedro. Ele enviou também
carpinteiros e pedreiros com a missão de construir um palácio para Davi.
Davi entendeu isso como um sinal de que o Eterno estava confirmando seu reinado
sobre Israel e consolidando o reino, por amor de seu povo, Israel.
13 Depois de sair de Hebrom, Davi
tomou mais concubinas e mulheres, e nasceram outros filhos e filhas. Estes são
os nomes dos que nasceram em Jerusalém: Samua, Sobabe, Natã, Salomão, Ibar,
Elisua, Nefegue, Jafia, Elisama, Eliada e Elifelete.
17 Quando os filisteus souberam
que Davi tinha sido proclamado rei sobre todo o Israel, fizeram planos para
capturá-lo. Davi soube disso e desceu para sua fortaleza, enquanto os filisteus
se espalhavam pelo vale de Refaim.
19 Davi perguntou ao Eterno: “Devo
atacar os filisteus?
Posso contar com a tua ajuda para derrotá-los?”.
20 O Eterno respondeu: “Vá. Conte comigo, porque, certamente, entregarei os
filisteus nas tuas mãos”. Davi foi para Baal-Perazim e os derrotou
ali. Depois de vencê-los, ele declarou: “O Eterno irrompeu contra os inimigos
como um jato de água. Por isso, Davi deu ao lugar o nome de Baal-Perazim (O
Senhor que irrompe).
Os filisteus que fugiram abandonaram seus ídolos, e Davi e seus soldados os
levaram embora.
22 Passado um tempo, outra vez os
filisteus subiram e espalharam suas tropas pelo vale de Refaim, e Davi, mais
uma vez, consultou o Eterno.
23 Dessa vez, o Eterno disse: “Não os ataque de frente. Em vez disso, dê a volta por
trás deles e arme uma emboscada diante das amoreiras. Quando você ouvir uma
movimentação no alto das árvores, prepare-se para atacar. É o sinal de que Eu o
Eterno saí na frente para atacar o acampamento filisteu”.
25 Davi fez exatamente o que o
Eterno recomendou e derrotou os filisteus desde Gibeom até Gezer."
2Samuel 6
Davi traz
para Jerusalém a arca
"1 Davi escolheu os melhores
soldados de Israel, ao todo trinta mil. Com esse contingente e também com seus
soldados, Davi foi a Baalá com a intenção de recuperar a arca de Deus, sobre a
qual se invoca o Nome, o nome do Senhor dos Exércitos de Anjos, entronizado
entre os dois anjos que ficam sobre a arca.
3 Eles puseram a arca de Deus
sobre uma carroça nova, e, assim, ela deixou a casa de Abinadabe, que ficava na
colina. Uzá e Aiô, filhos de Abinadabe, conduziam a carroça que carregava a
arca de Deus. Aiô caminhava à frente, e Uzá, ao lado da arca. Davi e todo o
povo de Israel iam cantando com todo entusiasmo, tocando harpas, liras,
tamborins, chocalhos e címbalos. Quando se aproximaram da eira de Nacom, o boi
tropeçou, e Uzá, estendendo o braço, segurou a arca de Deus. O Eterno se
irou contra Uzá e o feriu, porque ele profanou a arca.
Uzá morreu ali mesmo, ao lado dela.
8 Davi ficou aborrecido com o fato
de o Eterno ter matado Uzá. Até hoje, o lugar é conhecido pelo nome de
Perez-Uzá
(A Explosão contra Uzá). Naquele dia, Davi sentiu medo do Eterno, pois pensava:
“É muito perigoso transportar a arca.
Como vou levá-la em segurança para a Cidade de Davi?”.
Por isso, decidiu não levar adiante a arca do Eterno.
Em vez disso, fez que a carroça saísse da estrada, e a arca ficou guardada na
casa de Obede-Edom, de Gate. A arca do Eterno ficou três meses na casa de
Obede-Edom. O Eterno abençoou Obede-Edom e toda a sua família.
12 Davi foi informado de que o
Eterno estava abençoando Obede-Edom e toda a sua família por causa da arca de
Deus.
Davi mandou trazer a arca de Deus da casa de Obede-Edom para a Cidade de Davi,
com muita festa, sacrificando um novilho gordo a cada seis passos. Davi usava
uma vestimenta sacerdotal de linho e dançava com todo entusiasmo perante o
Eterno. O povo o seguia, enquanto ele acompanhava a arca do Eterno com gritos
de alegria e ao som de trombetas. Mas, quando a arca do Eterno entrou na Cidade
de Davi, Mical, filha de Saul, veio assistir ao cortejo de sua janela. Quando
viu o rei Davi pulando e dançando diante do Eterno, ficou aborrecida com ele.
17 A arca do Eterno foi posta no
meio do pavilhão da tenda que Davi tinha preparado. Ali mesmo, Davi adorou,
apresentando ofertas queimadas e ofertas de paz. Depois de oferecer essas
ofertas, Davi abençoou o povo, em nome do Senhor dos Exércitos de Anjos e
entregou a cada homem e a cada mulher um pedaço de pão, um bolo de tâmaras e um
bolo de passas. Então, todos voltaram para casa.
20 Davi voltou para casa, a fim de
abençoar sua família.
Mas Mical, filha de Saul, veio ao seu encontro: “Que bonito! O rei se expondo
na presença das escravas dos seus servos, como um dançarino de rua!”. Davi
respondeu a Mical: “Na presença do Eterno, eu danço quanto quiser! Ele me
escolheu, em vez de seu pai e de toda a sua família, e me tornou príncipe sobre
o povo do Eterno, sobre todo o Israel. Não há dúvida de que vou dançar
para a glória do Eterno, e me rebaixarei ainda mais. Tenho prazer de
ser visto no meio das pessoas simples, pois, por essas escravas, com quem você
se preocupa, eu serei respeitado”.
23 Mical, filha de Saul, não teve
filhos, até ao dia da sua morte."
2Samuel 7
A aliança do
SENHOR com Davi
"1 Pouco tempo depois, o rei
estava à vontade em casa, porque o Eterno tinha dado a ele descanso de todos os
seus inimigos.
Certo dia, Davi disse ao profeta Natã: “Veja só! Eu estou aqui no maior
conforto, numa casa de cedro luxuosa, enquanto a arca de Deus continua numa
simples tenda”.
3 Natã disse ao rei: “Faça o que
estiver em seu coração.
O Eterno está com você”.
4 Mas, naquela noite, o Eterno
disse a Natã: “Vá dizer ao meu servo Davi: ‘É
isto que Eu o Eterno digo sobre essa questão:
Você quer construir uma casa para eu morar? Por quê? Até hoje, nunca morei numa
casa, desde que trouxe os filhos de Israel dá terra do Egito. Durante todo esse
tempo, permaneci numa tenda. Em todas as minhas jornadas com Israel, nunca
exigi dos líderes que designei para pastorear Israel a construção de uma casa
de cedro para mim’.
8 “Por
isso, diga ao meu servo Davi: ‘Eu o Senhor dos Exércitos de Anjos digo: Eu
tirei você do cuidado das ovelhas e fiz de você príncipe sobre o meu povo, Israel.
Eu o acompanhei por todos os lugares que você foi e o ajudei a derrotar os seus
inimigos.
Agora, estou tornando você conhecido e reconhecido entre as pessoas mais
importantes da terra. Vou designar um lugar seguro para o meu povo, a fim de
que tenham estabilidade numa terra própria, de modo que não sejam mandados de
um lado para o outro. Também não permitirei que os perversos os molestem, como
sempre fizeram, mesmo na época em que estabeleci juízes para governá-los. Por
fim, vou providenciar que você fique livre de todos os seus inimigos.
11 “‘Eu
o Eterno tenho ainda esta mensagem: Eu mesmo vou fundar uma dinastia para você.
Quando a sua vida chegar ao fim e você for sepultado com seus antepassados,
levantarei um descendente seu, seu próprio sangue e carne, que será o seu
sucessor, e darei estabilidade ao governo dele. Ele edificará uma casa em minha
homenagem, e eu preservarei o reinado dele. Serei seu pai, e ele será como um
filho para mim.
Se ele cometer algum erro, tratarei de discipliná-lo, como de costume no
caso de fracassos e tropeços da vida dos mortais, mas nunca renunciarei ao
meu amor por ele, como fiz com Saul, antes de você. Sua família e seu reino
serão sempre estáveis, eu mesmo estou cuidando disso. Seu trono sempre estará
lá, firme como uma rocha’”.
17 Natã relatou fielmente a Davi o
que viu e ouviu na visão.
18 O rei Davi entrou na presença
do Eterno e orou: “Quem sou eu, Senhor Eterno, e quem é minha família para que
eu chegasse a este ponto? E isso não é nada comparado com o que está para
acontecer, pois também falaste sobre o futuro da minha família, dando-me um
vislumbre dessa época, Senhor Eterno! O que eu poderia dizer diante de tudo
isso? Tu me conheces, Senhor Eterno, sabes como sou. O que fizeste não
foi pelo que sou, mas pelo que tu és e por tua graça! E me deixaste
saber disso.
22 “Por isso, tu és grandioso,
Senhor Eterno! Não há outro igual a ti, não há outro Deus além de ti, nada há
que se compare ao que ouvimos a teu respeito. E quem pode se comparar com o teu
povo, Israel, uma nação singular na terra, que resgataste para ti, ó Deus, ato
que te tornou conhecido. Realizaste proezas extraordinárias, expulsando nações
e seus deuses na ocasião em que tiraste o teu povo do Egito. Separaste um povo
para ti, o povo de Israel, que será teu para sempre.
E tu, ó Eterno, te fizeste Deus deles.
25 “Agora, Deus Eterno, confirma
para sempre o que prometeste para mim e minha família! Cumpra tua promessa!
Assim, tua fama sempre aumentará quando as pessoas disserem: ‘O Senhor dos
Exércitos de Anjos é o Deus de Israel!’. E a descendência de teu servo Davi
permanecerá inabalável e segura na tua presença, porque tu, Senhor dos
Exércitos de Anjos e Deus de Israel, me disseste com todas as letras: ‘Eu mesmo
vou fundar uma dinastia para você’. Foi por isso que tive a coragem de fazer
esta oração.
28 “Assim, Senhor Eterno, sendo o
Deus que és, fazendo essas promessas e tendo dito essas belas palavras a mim,
peço-te mais uma coisa: Abençoa a minha família. Protege-a sempre. Sei
que já prometeste isso, Senhor Eterno! Que a tua bênção esteja sobre minha
família para sempre!”."
2Samuel 8
Diversas
vitórias de Davi
"1 Depois disso, Davi
derrotou os filisteus. Ele os subjugou e assumiu o controle da região.
2 Ele também lutou e derrotou
Moabe. Escolheu, aleatoriamente, dois terços deles e os executou. Mas preservou
a vida de um terço, que teve de se submeter ao domínio de Davi e pagar impostos
a ele.
3 Davi derrotou Hadadezer, filho
de Reobe, rei de Zobá, quando ele procurava restaurar sua soberania na região
do rio Eufrates. Davi confiscou mil carros de guerra de Hadadezer e capturou
sete mil cavaleiros e vinte mil soldados de infantaria. Ele aleijou os cavalos
que puxavam os carros de guerra, preservando apenas cem deles.
5 Os arameus de Damasco vieram
ajudar Hadadezer, mas Davi matou vinte e dois mil deles e estabeleceu o
controle militar sobre o reino arameu de Damasco. Os arameus sujeitaram-se a
Davi e foram forçados a pagar imposto a ele. O Eterno concedia vitórias a
Davi por onde quer que ele fosse.
7 Davi tomou os escudos de ouro
que pertenciam aos oficiais de Hadadezer e os trouxe para Jerusalém. De Tebá e
Berotai, cidades de Hadadezer, trouxe grande quantidade de bronze.
9 Quando Toú, rei de Hamate, soube
que Davi tinha derrotado todo o exército de Hadadezer, mandou seu filho Jorão
para o cumprimentar pela vitória, pois Toú e Hadadezer eram inimigos de longa
data. Ele trouxe prata, ouro e bronze como presente.
O rei Davi os consagrou junto com a prata e o ouro trazidos das outras nações
que havia derrotado — arameus, moabitas, amonitas, filisteus e amalequitas — e
com o despojo de Hadadezer, filho de Reobe, rei de Zobá.
13 Davi construiu um monumento
para celebrar a vitória sobre os arameus. Abisai, filho de Zeruia, lutou e
derrotou os edomitas no vale do Sal. Depois de derrotar os arameus, Davi ficou
ainda mais famoso, por ter matado dezoito mil soldados. Davi estabeleceu
controle militar sobre Edom: assim, os edomitas foram subjugados por ele. O
Eterno concedia vitórias a Davi por onde quer que ele fosse.
15 Assim, Davi reinava sobre todo
o Israel. Ele era correto e imparcial em todos os seus negócios e
relacionamentos.
16 Joabe, filho de Zeruia, era
comandante do exército; Josafá, filho de Ailude era arquivista;
17 Zadoque, filho de Aitube, e
Aimeleque, filho de Abiatar, eram sacerdotes; Seraías era secretário;
18 Benaia, filho de Joiada, era
chefe dos queretitas e dos peletitas e os filhos de Davi eram sacerdotes."
2Samuel 9
A bondade de
Davi para com o filho de Jônatas
"1 Certo dia, Davi procurou
saber: “Ainda existe alguém da família de Saul? Se houver, gostaria de fazer
algo por ele, por respeito a Jônatas”.
2 Havia um antigo escravo da
família de Saul, chamado Ziba.
Ele foi levado à presença de Davi. O rei perguntou:
“Você é Ziba?”. Ele respondeu: “Sou, meu senhor”.
3 O rei perguntou: “Ainda existe
alguém da família de Saul por quem eu possa fazer alguma coisa?”. Ziba disse ao
rei:
“Sim. O filho de Jônatas, aleijado dos dois pés, está vivo.”
4 O rei perguntou: “Onde ele
está?”. Ziba respondeu: “Ele vive na casa de Maquir, filho de Amiel, em
Lo-Debar”.
5 O rei não perdeu tempo. Mandou
buscá-lo na casa de Maquir, filho de Amiel, em Lo-Debar.
6 Mefibosete, filho de Jônatas e
neto de Saul, apresentou-se a Davi e prostrou-se com o rosto em terra, por
respeito ao rei; Davi perguntou: “Você é Mefibosete?”. Ele respondeu: “Sim,
senhor”.
7 Davi o tranquilizou: “Não
tenha medo. Eu gostaria de ajudar você, em honra da memória de seu pai, Jônatas.
Para começar, vou devolver a você todas as propriedades de seu avô, Saul.
Além do mais, de hoje em diante, você participará de todas as refeições
comigo, à minha mesa”.
8 Prostrando-se, sem olhar para o
rei, Mefibosete disse: “Quem sou eu para merecer sua atenção: um cão morto como
eu?”.
9 Davi mandou chamar Ziba, o homem
de confiança de Saul, e disse: “Estou entregando tudo que pertenceu a Saul e à
família dele ao neto do seu senhor. Você, seus filhos e seus escravos
cultivarão as terras dele e trarão a produção para Mefibosete.
Ele vai viver disso. O próprio Mefibosete, neto de seu senhor, de hoje em
diante, participará de todas as refeições comigo, à minha mesa”. Ziba tinha
quinze filhos e vinte escravos.
11 Ziba respondeu: “Tudo que o meu
senhor, o rei, ordenar ao seu servo, certamente o seu servo fará”. A partir
daquele dia, Mefibosete comia com Davi à mesa, como membro da família real.
Mefibosete também tinha um filho pequeno, chamado Mica. Toda a família de Ziba
passou a servir Mefibosete.
13 Mefibosete viveu em Jerusalém, participando
todos os dias da mesa do rei. Ele era aleijado de ambos os pés."
2Samuel 10
Davi derrota
os amonitas e os siros
"1 Algum tempo depois, o rei
dos amonitas morreu, e Hanum, seu filho, o sucedeu no trono. Davi disse: “Quero
demonstrar minha boa vontade para com Hanum, filho de Naás. Quero tratá-lo da
mesma forma com que seu pai me tratou”. Assim, Davi mandou condolências a Hanum
pela morte de seu pai.
2 Mas, quando os enviados de Davi
chegaram ao território dos amonitas, os líderes da nação alertaram Hanum, chefe
deles: “Você acha que Davi quer mesmo prestar respeito a seu pai, enviando suas
condolências? Não acha que ele mandou esses emissários para espionar a cidade e
conquistá-la?”.
4 Hanum mandou prender os enviados
de Davi e lhes rapou metade da barba e rasgou as roupas deles pela metade, até
a altura das nádegas, e os mandou embora.
5 Contaram a Davi o que tinha
acontecido, e ele mandou alguém ao encontro deles, pois tinham sido muito
humilhados.
O rei mandou dizer a eles: “Permaneçam em Jericó até a barba crescer de
novo. Depois, voltem para cá”.
6 Quando os amonitas perceberam
que Davi passou a considerá-los inimigos, contrataram vinte mil soldados de
infantaria dos arameus de Bete-Reobe e Zobá, dez mil homens do rei Maaca e doze
mil de Tobe.
7 Ao saber disso, Davi mandou que
Joabe, com os seus soldados mais bem preparados, os atacasse sem piedade.
8 Os amonitas saíram e se
prepararam para a batalha na entrada da cidade. Os arameus de Zobá e de Reobe e
os homens de Tobe e de Maaca se posicionaram em campo aberto. Quando Joabe
percebeu que precisava lutar em duas frentes, por trás e pela frente, designou os
melhores soldados de Israel para enfrentar os arameus. O restante do exército
foi posto sob o comando de seu irmão Abisai. Sua missão era enfrentar os
amonitas. Joabe disse: “Se os arameus forem muito numerosos para mim, venha me
ajudar. Mas, se os amonitas forem muito numerosos para você, eu irei ajudar.
Agora, coragem! Lutaremos com todas as forças pelo nosso povo e por todas as
cidades do nosso Deus.
O Eterno fará o que for preciso!”.
13 Mas, quando Joabe e seus
soldados começaram a luta, os arameus fugiram. Os amonitas, vendo os arameus
fugindo, também abandonaram o confronto com Abisai e correram para dentro da
cidade. Joabe suspendeu a batalha contra os amonitas e voltou para Jerusalém.
15 Quando viram que tinham sido
derrotados por Israel, os arameus se reorganizaram. Hadadezer mandou chamar os
arameus do outro lado do Eufrates. Eles vieram até Helã, sob o comando de
Soboque, comandante do exército de Hadadezer. Tudo isso foi relatado a Davi.
17 Davi reuniu Israel, atravessou
o Jordão e chegou a Helã.
Os arameus se puseram em formação de batalha para enfrentar Davi. O combate se
intensificou, mas os arameus outra vez tiveram de fugir de Israel. Davi matou
setecentos condutores de carros e quarenta mil cavaleiros. Feriu gravemente
Soboque, o comandante do exército, que morreu na batalha. Quando os reis
vassalos de Hadadezer se viram derrotados por Israel, acenaram com a paz e se
submeteram ao domínio de Israel. Depois disso, os arameus não tiveram mais
coragem de ajudar os amonitas."
2Samuel 11
Davi comete
adultério com Bate-Seba
"1 Um ano depois, na época em
que os reis tinham o hábito de sair à guerra, Davi enviou Joabe, seus oficiais
e todo o Israel com a missão de eliminar de uma vez por todas os amonitas. Eles
cercaram Rabá, mas, dessa vez, Davi permaneceu em Jerusalém.
2 Certo dia, Davi levantou-se do
seu descanso da tarde e foi passear no terraço do palácio. De onde
estava, ele viu uma mulher tomando banho, e ela era muito bonita. Davi procurou
saber quem era. Alguém disse: “É Bate-Seba, filha de Eliã, mulher do
hitita Urias”. Davi ordenou que a trouxessem.
Quando a mulher chegou, ele se deitou com ela. Isso aconteceu na
época da purificação, depois da menstruação dela. Ela voltou para casa e, algum
tempo depois, descobriu que estava grávida. Bate-Seba mandou o seguinte recado
a Davi: “Estou grávida”.
6 Davi mandou dizer a Joabe:
“Traga aqui Urias, o hitita”.
Joabe o enviou.
7 Quando ele chegou, Davi quis
saber notícias da batalha, como estavam Joabe, as tropas e o combate. Depois,
disse a Urias: “Volte para casa, tome um banho relaxante e tenha uma boa
noite de sono”.
8 Depois que Urias saiu do
palácio, o rei designou um informante para segui-lo. Urias não voltou para
casa. Naquela noite, ele dormiu na entrada do palácio, no qual ficavam os
criados do rei.
10 Davi foi informado de que Urias
não tinha voltado para casa. Ele perguntou ao hitita: “Você não acabou de
voltar de uma longa viagem? Por que não voltou para casa?”.
11 Urias respondeu a Davi: “A arca
está na tenda com os combatentes de Israel e Judá. O meu senhor Joabe e seus
servos estão tendo dificuldades no campo.
Como eu iria para casa comer, beber e dormir com minha mulher? Jamais poderia
fazer isso!”.
12 Davi respondeu: “Tudo bem. Faça
como quiser. Fique hoje aqui, e o mandarei de volta amanhã”. Urias ficou em
Jerusalém o restante do dia. — No dia seguinte, Davi o convidou para
comer e beber com ele e fez que ele se embriagasse. Mas à noite, mais
uma vez, Urias dormiu onde ficavam os criados do rei e não voltou para casa.
14 De manhã, Davi escreveu uma
carta a Joabe, a ser entregue em mãos por Urias. Na carta, dizia: “Ponha
Urias na linha de frente, na qual o combate é mais intenso. Depois, retroceda a
tropa e deixe-o exposto, para que ele seja morto”.
16 Joabe, mantendo o cerco em
torno da cidade, pôs Urias no local em que o inimigo estava atacando com maior
ímpeto. Quando os defensores da cidade saíram para atacar Joabe, alguns
dos soldados de Davi foram mortos: — entre eles, Urias, o hitita.
18 Joabe mandou um relatório a
Davi. Ele disse ao mensageiro: “Depois de contar tudo em detalhes ao rei, se
ele ficar furioso, diga: ‘Além disso, seu servo Urias, o hitita, morreu”.
22 O mensageiro de Joabe chegou a
Jerusalém e deu um relatório completo ao rei. Ele disse: “O inimigo era muito
mais forte do que nós. Eles avançaram contra nós em campo aberto, e nós os
pressionamos de volta para dentro dos muros da cidade. Mas, depois, eles
lançaram flechas pesadas contra nós do muro da cidade, e dezoito soldados do
rei morreram”.
25 Quando o mensageiro terminou o
relato, Davi ficou furioso com Joabe e descarregou sua raiva no mensageiro: “Por
que vocês chegaram tão perto da cidade? Não sabiam que poderiam ser atacados do
muro? Não se lembraram de como Abimeleque, filho de Jerubesete, foi
morto em Tebes? Uma mulher jogou uma pedra de moinho do alto do muro e esmagou
a cabeça dele.
Por que chegaram tão perto do muro?”. O mensageiro de Joabe disse: “Aliás,
seu servo Urias, o hitita, morreu”. Então, Davi disse ao mensageiro: “Entendo.
Diga a Joabe: ‘Não se preocupe com isso. A guerra é assim mesmo, às vezes mata
um, às vezes mata outro. Nunca se sabe quem será o próximo. Reforce o
ataque contra a cidade até destruí-la’. Trate de encorajar Joabe”.
26 Quando a esposa de Urias soube
que o marido estava morto, chorou por ele. Depois de passado o luto, Davi
mandou chamá-la para o palácio. Ela se tornou sua mulher e deu à luz um
filho."
2Samuel 12
Natã
repreende a Davi
"1 Mas o Eterno não se
agradou do comportamento de Davi; por isso, enviou Natã, que contou
esta história ao rei: “Havia dois homens numa cidade. Um era rico, e o outro,
pobre. O rico tinha um enorme rebanho de ovelhas e bois; o pobre, apenas uma
cordeirinha; que tinha comprado e criado. Ela cresceu com ele e seus filhos,
como um membro da família. Ela comia do prato dele, bebia do seu copo e dormia
em sua cama. Era como uma filha para ele.
4 “Certo dia um viajante apareceu
na casa do rico. Ele era muito avarento e, não querendo matar uma das suas
ovelhas ou um dos seus bois para alimentar o visitante, pegou a cordeirinha do
pobre, preparou a refeição com ela e ofereceu ao seu hóspede”.
5 Davi ficou furioso e disse a
Natã: “Assim como vive o Eterno, o homem que fez isso tem de morrer!
E deve pagar quatro vezes o valor da cordeirinha, por causa do seu crime e da
sua avareza!”.
7 Natã respondeu: “Você é
esse homem! E o Eterno, o Deus de Israel, manda dizer: ‘Eu ungi você
rei sobre Israel. Eu o livrei das mãos de Saul. Dei a você casa e a filha de
seu senhor e outras mulheres que podia ter em seus braços. Dei Israel e Judá a
você. E, como se não bastasse, daria a você muito mais. Então, por que
você desprezou a palavra do Eterno, cometendo tamanho erro? Você
assassinou Urias, o hitita, e tomou a mulher dele. Pior, você o matou com a
espada dos amonitas! Agora, já que você desprezou o Eterno e tomou a
mulher de Urias, o hitita, para ser sua mulher, sua família irá conviver
sempre com morte e assassinato. É o Eterno quem está dizendo! A sua
desgraça virá da sua família. Tomarei as suas mulheres à sua vista e as
entregarei a seu amigo, e ele se deitará com elas publicamente.
Você cometeu esse ato em secreto, mas isso acontecerá diante de toda a
nação!’”.
13 Davi confessou a Natã: “De
fato, pequei contra o Eterno!”. Natã declarou: “É verdade, mas essa não
é a palavra final.
O Eterno perdoa você. Você não morrerá. Mas, por ter ofendido o Eterno,
seu filho morrerá”.
15 Depois que Natã voltou para
casa, o Eterno afligiu o filho de Davi que a mulher de Urias deu à luz, e o
menino ficou muito doente. Davi orou desesperadamente a Deus pelo menino.
Ele jejuou, não saía do palácio e dormia no chão.
Os oficiais do palácio tentavam tirá-lo do chão, mas ele não cedia nem se
levantava para comer com eles.
Sete dias depois, a criança morreu. Os criados ficaram com medo de dar a
notícia a ele. Diziam: “O que faremos agora?
Enquanto a criança estava viva, ele não dava ouvido ao que dizíamos. Agora que
a criança morreu, se dissermos alguma coisa, não se sabe o que ele poderá
fazer”.
19 Davi percebeu que os criados
estavam cochichando e imaginou que o menino tivesse morrido. Ele perguntou:
“O menino morreu?”. Eles responderam: “Sim, morreu”.
20 Davi se levantou do chão,
lavou o rosto, arrumou o cabelo, trocou de roupa e foi ao santuário adorar ao
Eterno.
Depois, voltou para o palácio e pediu algo para comer. Puseram a comida diante
dele, e ele comeu tudo.
21 Os criados perguntaram: “O que
está acontecendo com o senhor? Enquanto a criança estava viva, o senhor jejuou,
chorou e ficou acordado a noite toda. Agora que o menino morreu, o senhor se
levanta e come!?”.
22 Ele respondeu: “Enquanto
a criança estava viva, chorei e jejuei, pensando que, talvez, o Eterno tivesse
misericórdia de mim, e a criança sobrevivesse. Mas agora que ela morreu, por
que jejuar? Posso trazê-la de volta? Posso ir me encontrar com ela, mas ela não
pode vir a mim”.
24 Davi foi consolar sua mulher,
Bate-Seba. E, depois de se deitar com ela, ela engravidou outra vez. Nasceu
um menino, e deram a ele o nome de Salomão e o Eterno o amou.
Davi o entregou nas mãos do profeta Natã, e este lhe chamou Jedidias, por amor
do Eterno.
26 Na guerra contra os amonitas em
Rabá, Joabe conquistou a cidade real. Ele mandou mensageiros a Davi, dizendo:
“Estou atacando Rabá e acabei de controlar o reservatório de água da cidade.
Reúna o restante das tropas, acampem-se perto da cidade e conquiste você mesmo
a cidade. Do contrário, eu a conquistarei e receberei as honras por isso”.
Então, Davi conduziu as tropas até Rabá, lutou e conquistou a cidade. Ele pegou
a coroa do rei dá cidade, que pesava muito por causa do ouro e das pedras
preciosas. Puseram a coroa na cabeça de Davi e saquearam a cidade, carregando
tudo que era de valor.
31 Davi tirou todos os habitantes
da cidade e os submeteu a trabalhos forçados com serras, picaretas e machados e
na fabricação de tijolos: Ele fez o mesmo com todas as cidades dos amonitas.
Depois, voltou com todo o exército para Jerusalém."
2Samuel 13
O incesto de
Amnom
"1 Algum tempo se passou.
Absalão, filho de Davi, tinha uma irmã muito atraente, chamada Tamar. Amnom,
que também era filho de Davi, se apaixonou por ela. Ficou obcecado pela irmã a
ponto de adoecer. Ela era virgem, e ele não sabia como se aproximar dela. Amnom
tinha um amigo, Jonadabe, filho de Simeia, irmão de Davi, e ele era muito
astuto. Ele perguntou a Amnom:
“Por que você está definhando dia a dia, filho do rei? Não vai me dizer o que o
perturba?”. Amnom respondeu: “É Tamar, irmã do meu irmão Absalão. Estou
apaixonado por ela".
5 Jonadabe sugeriu: “Faça o
seguinte: vá para cama e finja estar doente. Quando seu pai vier visitá-lo,
peça a ele: ‘Mande minha irmã Tamar preparar uma comida para mim e me servir,
mas ela deve prepará-la aqui, onde eu possa vê-la’".
6 Amnom foi para a cama e fingiu
estar doente. Quando o rei foi visitá-lo, Amnom pediu: “Mande minha irmã Tamar
preparar alguns bolos aqui onde eu possa vê-la e ser servido por ela!”
7 Davi mandou o recado para Tamar,
que estava em casa naqueles dias: “Vá à casa de seu irmão Amnom e prepare algo
para ele comer”.
8 Tamar foi para a casa de seu
irmão Amnom, na qual ele estava deitado. Ela fez a massa, preparou os bolos e
os assou, enquanto ele a observava de sua cama. Mas, quando ela trouxe a
assadeira para servi-lo, ele não quis comer.
9 Amnom disse: “Mande que todos
saiam da casa”. Depois que todos saíram, ele disse a Tamar: “Traga a comida ao
meu quarto no qual podemos comer com privacidade”. Ela levou os bolos que tinha
preparado para o quarto de seu irmão. Mas, quando ela estava pronta para
servi-lo, ele a agarrou e disse: “Venha para cama comigo, irmã!”.
12 Ela disse: “Não, meu
irmão! Não me violente. Isso não se faz em Israel. Não faça essa loucura! Onde
eu me esconderia depois? E você cairia em desgraça. Por favor, peça
permissão ao rei!
Ele permitirá que eu me case com você”.
14 Mas ele não quis saber.
Era mais forte que ela; por isso, a estuprou.
15 Imediatamente, Amnom
começou a sentir aversão por ela, mais intensa que o amor que tinha antes.
Ele disse: “Levante-se! Saia daqui!”.
16 Mas ela disse: “Não, meu irmão!
Por favor! Isso é pior do que o que você acabou de fazer comigo!”. Mas ele não
quis saber. Chamou seu criado e ordenou: “Leve esta mulher embora e tranque a
porta depois que ela sair!”.
O criado a mandou embora e trancou a porta.
18 Ela vestia uma túnica de manga
comprida, pois era assim que as princesas virgens se vestiam na adolescência.
Tamar jogou cinzas sobre a cabeça, rasgou a túnica, escondeu o rosto com as
mãos e saiu chorando.
20 Seu irmão Absalão
perguntou: “O que houve? Amnom abusou dê você? Deixa, minha irmã, não conte
nada a ninguém. Ele é seu irmão. Não se incomode com isso”. Tamar, muito
traumatizada, foi morar na casa de Absalão.
21 O rei Davi soube de tudo que
aconteceu e ficou furioso, mas não repreendeu Amnom. Davi o amava muito,
porque era o primogênito. Absalão não dirigiu mais a palavra a Amnom,
nem boa nem ruim. Passou a odiá-lo depois que ele abusou de sua irmã Tamar.
23 Dois anos se passaram. Certo
dia, Absalão tosquiava ovelhas em Baal-Hazor, perto do território de Efraim, e
convidou todos os filhos do rei para festejar. Convidou também o rei, dizendo:
“Estou tosquiando ovelhas e quero que venha com seus criados”.
25 Mas o rei disse: “Não meu
filho. Desta vez, não posso nem poderia levar toda a família. Seria muita gente
para você”. Apesar de Absalão insistir, Davi não aceitou, mas deu ao filho sua
bênção.
26 Absalão disse: “Se você não
vier, deixe meu irmão Amnom vir”. O rei perguntou: “Por que ele precisar ir?”. Absalão
tanto insistiu que o rei concordou e permitiu que Amnom e os demais filhos do
rei fossem festejar com ele.
28 Absalão preparou um banquete à
altura do rei e orientou os seus criados: “Fiquem atentos. Quando Amnom
tiver bebido bastante e estiver alegre, e eu disser: ‘Matem Amnom!’, vocês o
matarão sem piedade. Não tenham medo. A responsabilidade é minha.
Coragem! Vocês vão conseguir!”.
29 Os criados de Absalão fizeram a
Amnom exatamente o que o seu senhor tinha determinado. Os outros filhos do rei,
assustados, montaram em suas mulas e sumiram. Estavam ainda a caminho quando o
rei ouviu os rumores: “Absalão acabou de matar todos os filhos do rei. Não
sobrou nenhum!”. O rei imediatamente rasgou as próprias roupas e jogou-se ao
chão. Todos os que presenciaram a cena fizeram o mesmo.
32 Nesse momento, Jonadabe, filho
de Simeia, irmão de Davi, chegou e explicou: “Meu senhor, não precisa se
preocupar, pois todos os filhos do rei estão vivos. Apenas Amnom foi morto.
Isso aconteceu porque Absalão estava furioso desde que Amnom abusou de sua irmã
Tamar. Então, meu senhor, o rei não precisa imaginar o pior, achando que todos
os seus filhos morreram. Repito: apenas Amnom morreu”.
34 Depois disso, Absalão fugiu.
Naquele momento, a sentinela viu uma nuvem de poeira subindo da estrada de
Horonaim, na encosta da montanha. Ele contou ao rei: “Acabei de ver um grupo na
estrada de Horonaim, em torno da montanha”.
35 Então, Jonadabe disse ao rei:
“Veja! São os filhos do rei voltando, como eu disse!”. Logo que ele terminou de
falar, os filhos do rei entraram, chorando desesperadamente! O rei e todos os
seus criados se juntaram a eles e choraram muito.
Davi ficou de luto muito tempo pela morte de seu filho.
37 Depois de fugir, Absalão pediu abrigo
a Talmai, filho de Amiúde, rei de Gesur. Ficou ali três anos. O rei,
finalmente, desistiu de perseguir Absalão, pois já tinha se consolado pela
morte de Amnom."
2Samuel 14
Absalão volta
para Jerusalém
"1 Joabe, filho de Zeruia,
sabia que o rei, no fundo, ainda se importava com Absalão. Por isso, mandou
buscar uma mulher sábia que vivia em Tecoa e a instruiu, dizendo: “Finja que
está de luto. Use roupas pretas e não arrume o cabelo, para dar a ideia de que
você está, há muito tempo, de luto por algum ente querido. Depois, vá falar com
o rei”. Joabe a instruiu sobre o que dizer.
4 A mulher foi à presença do rei,
prostrou-se respeitosamente diante dele e disse: “Ó rei, ajude-me!”.
5 Ele perguntou: “Como posso
ajudar?”.
6 Ela disse: “Sou viúva. Meu
marido morreu. Eu tinha dois filhos, e, um dia, os dois brigaram na fazenda, e
não tinha ninguém perto para apartar a briga. Um deles feriu o outro, e ele
morreu. Depois, toda a família ficou contra mim, exigindo que eu entregasse o assassino
para que eles o executassem por causa do irmão que ele tinha matado. Eles
querem eliminar o herdeiro e apagar a última fagulha de vida que tenho. Se isso
acontecer, não restará nada de meu marido sobre a terra, nem sequer seu nome.
7 “Por isso, tive ousadia de vir
falar com o rei, o meu senhor, sobre essa questão. Eles estão destruindo a
minha vida, e estou com medo. Pensei comigo mesma: ‘Vou falar com o rei. Talvez
ele faça alguma coisa! Quando o rei souber o que está acontecendo, ele
intervirá e me salvará do abuso daquele que está querendo se livrar de mim, de
meu filho e da herança de Deus’. Como sua serva, decidi: O que o rei, o meu
senhor, decidir encerrará o assunto, pois o meu senhor é como um anjo de Deus,
que sabe discernir entre o bem e o mal. Que o Eterno seja com o senhor!”.
8 O rei disse: “Volte para casa.
Vou cuidar disso para você”.
9 A mulher de Tecoa disse: “Assumo
toda a responsabilidade pelo que acontecer. Não quero constranger o rei nem
manchar sua reputação”.
10 O rei prosseguiu: “Traga o
homem que está perturbando você. Vou fazer que ele pare de incomodar”.
11 A mulher respondeu: “Invoque o
rei o nome do Eterno, para que esse vingador não acabe com tudo, matando meu
outro filho”. Ele disse: “Assim como vive o Eterno, nem um fio de cabelo cairá
da cabeça de seu filho”.
12 Ela também perguntou: “Posso
pedir mais uma coisa ao meu senhor?”. Ele respondeu: “Certamente!”.
13 A mulher disse: “Por que,
então, o rei faz exatamente isso com o povo de Deus? Com esse veredito, o rei
condena a si mesmo, pois não deixou voltar seu filho exilado. Todos nós vamos
morrer, um dia. A água derramada não pode ser juntada novamente. Mas Deus não
tira a vida. Ele faz que o exilado possa voltar”.
18 O rei disse: “Vou fazer uma
pergunta. Peço que me responda com sinceridade”. Ela respondeu: “Com certeza.
Que o rei fale”.
19 O rei prosseguiu: “Joabe tem
alguma coisa a ver com isso?”.
A mulher respondeu: “Por sua vida, ó rei, meu senhor, ninguém pode escapar,
desviando-se para direita ou para esquerda na presença do rei! Sim. Foi o seu
servo Joabe que armou tudo isso e pôs as palavras em meus lábios. Ele fez isso
porque queria resolver o assunto. Mas o meu senhor é sábio como um anjo de
Deus. Sabe como resolver as coisas na terra”.
21 Depois disso, o rei disse a
Joabe: “Tudo bem! Farei isso.
Traga de volta o jovem Absalão”.
22 Joabe prostrou-se em profunda
reverência e bendisse o rei: “Agora reconheço que ainda conto com o favor e a
confiança do rei, pois o senhor aceitou o conselho do seu servo”.
23 Joabe se levantou, foi a Gesur
e trouxe Absalão de volta para Jerusalém. O rei determinou: “Ele pode voltar
para casa, mas não poderá comparecer à minha presença”. Assim, Absalão voltou
para casa, mas não tinha permissão para ver o rei.
25 Em todo o Israel, não havia
homem tão elogiado pela sua beleza quanto Absalão. De cima a baixo, não havia
nele nenhum defeito. Quando cortava o cabelo (ele sempre cortava bem curto, na
primavera, porque ficava muito pesado), o peso era de dois quilos e
quatrocentos gramas. Absalão teve dois filhos e uma filha. Ela se chamava Tamar
e era muito bonita.
28 Absalão viveu dois anos em
Jerusalém, mas não podia ver seu pai, Davi. Certa vez, ele pediu a Joabe
autorização para ver o rei, mas Joabe não autorizou. Tentou de novo, e Joabe se
negou a dar permissão. Então, disse a seus criados: “Prestem atenção!
A fazenda de Joabe fica ao lado da minha, e ele plantou cevada. Vão lá e ateiem
fogo na plantação". Os criados de Absalão fizeram o que ele mandou e
puseram fogo na plantação. Deu certo. Não demorou, e Joabe apareceu na casa de
Absalão, perguntando: “Por que seu pessoal queimou minha plantação?”.
32 Absalão respondeu: “Veja,
mandei chamar você, dizendo: ‘Venha depressa. Quero que você vá ao rei e
pergunte a ele:
Por que você me trouxe de volta de Gesur? Seria melhor ter ficado lá! Permita
que eu compareça à presença do rei. Se ele me considerar culpado, que mande me
matar".
33 Joabe apresentou a questão ao
rei, e Absalão foi chamado.
Ele entrou na presença do rei, prostrou-se em reverência diante dele, e o rei
beijou Absalão."
2Samuel 15
A revolta de
Absalão e a fuga de Davi
"1 Com o passar do tempo, Absalão
adquiriu um carro, cavalos e cinquenta guarda-costas. Toda manhã, ele se
posicionava na estrada perto da entrada da cidade. Sempre que alguém aparecia
com uma questão para o rei resolver, Absalão o chamava e dizia: “De onde você
vem?”. A pessoa respondia: “Sou de tal tribo de Israel".
3 Então, Absalão dizia: “Sua causa
é justa, mas o rei não dará atenção”. E dizia ainda: “Por que ninguém me
constitui juiz desta nação? Qualquer pessoa poderia trazer sua causa, e eu a
resolveria de maneira justa e transparente”. Sempre que alguém o tratava com
reverência, ele não se afetava, tratava a pessoa como igual, com abraço e
beijo. Absalão fazia isso com todos que vinham tratar de algum assunto com o
rei e conquistou a simpatia de todos em Israel.
7 Passados quatro anos, Absalão
foi falar com o rei: “Permita que eu vá a Hebrom cumprir um voto que fiz ao
Eterno. Quando morava em Gesur, em Arã, seu servo fez este voto: ‘Se o Eterno
me levar de volta a Jerusalém, prestarei culto ao Eterno’”.
9 O rei respondeu: “Vá com a minha
bênção”. Logo depois, Absalão partiu para Hebrom.
10 Mas, nesse meio-tempo, Absalão
tinha enviado, em segredo, mensageiros por todas as tribos de Israel com esta
mensagem: “Quando vocês ouvirem o som de trombetas, gritem: Absalão é rei em
Hebrom!’”. Duzentos homens de Jerusalém acompanharam Absalão. Mas tinham sido
convocados sem saber de nada, agiam na inocência. Enquanto oferecia
sacrifícios, Absalão conseguiu envolver Aitofel, de Gilo, conselheiro de Davi,
e tirá-lo de sua cidade. A conspiração tomou força, e o número dos seguidores
de Absalão aumentou.
13 Alguém veio dizer a Davi: “Toda
a nação está seguindo Absalão!”.
14 Davi convocou todos os que eram
leais a ele em Jerusalém e disse: “Precisamos sair daqui, do contrário, ninguém
escapará de Absalão! Vamos depressa! Ele está a ponto de atacar a cidade para
nos matar!”.
15 Os partidários do rei disseram:
“O que o rei, o nosso senhor, determinar, faremos. Estamos com o senhor até o
fim!”.
16 Então, o rei e toda a sua
família fugiram a pé. Ele deixou dez concubinas cuidando do palácio. Assim,
devagar, todos saíram e pararam na última casa da cidade. Todos os soldados
desfilaram diante dele, todos os queretitas, os peletitas e os seiscentos que
tinham vindo com ele de Gate.
19 O rei chamou Itai, de Gate, e
disse: “O que você está fazendo aqui? Volte para o rei Absalão. Você é
estrangeiro aqui e recém-chegado de seu país. Eu não arriscaria levar você, uma
vez que eu mesmo não tenho lugar certo para ficar. Volte e leve sua família com
você. Que a bondade e a fidelidade do Eterno estejam com você!”.
21 Mas Itai insistiu: “Assim como
vive o Eterno e vive o rei, meu senhor, onde o meu senhor estiver, lá estarei
também, seja para a vida, seja para a morte”.
22 Davi concordou: “Tudo bem.
Vamos, então! " E foram todos, Itai, de Gate, com todos os seus homens e
todas as crianças que estavam com ele.
23 Todo o povo chorava, vendo o
grupo passar. Quando o rei atravessou o vale do Cedrom, o exército tomou a
estrada para o deserto. Zadoque também estava lá, e os levitas estavam com ele,
carregando a arca da aliança de Deus. Eles puseram a arca de Deus no chão, e
Abiatar ficou ali até que todos deixaram a cidade.
25 Então, o rei deu ordens a
Zadoque: “Leve a arca de volta para a cidade. Se o Eterno for bondoso para
comigo, ele me trará de volta e me mostrará o lugar em que a arca estiver. Mas,
se disser: ‘Não estou contente com você, então, ele poderá fazer comigo o que
quiser”.
27 O rei orientou o sacerdote
Zadoque: “Este é o plano:
Volte para a cidade pacificamente, levando seu filho Aimaás e Jônatas, filho de
Abiatar. Ficarei esperando num lugar no deserto, do outro lado do rio, até você
me mandar notícias”.
Assim, Zadoque e Abiatar levaram a arca de Deus de volta para Jerusalém e a
deixaram lá, enquanto Davi subiu ao monte das Oliveiras, chorando,
caminhando com a cabeça coberta e os pés descalços.
31 Disseram a Davi: “Aitofel se
juntou aos conspiradores com Absalão”. E Davi orou: “Ó Eterno, que os conselhos
de Aitofel sejam insensatos”.
32 Quando Davi se aproximava do
topo da montanha, na qual se costumava adorar a Deus, o arquita Husai, com
roupas rasgadas e terra sobre a cabeça, estava aguardando. Davi disse: “Se você
vier comigo, será mais um peso na bagagem. Volte para a cidade e diga a
Absalão: ‘Estou pronto para servir a você, ó rei. Fui servo de seu pai, agora
sou seu servo. Fazendo isso, você confundirá os conselhos de Aitofel por mim.
Os sacerdotes Zadoque e Abiatar já estão lá. Conte a eles tudo que você ficar
sabendo no palácio.
Os dois filhos deles, Aimaás, filho de Zadoque, e Jônatas, filho de Abiatar,
estão com eles. Qualquer coisa que você souber poderá ser trazida a mim por
intermédio deles".
37 Husai, amigo de Davi, chegou a
Jerusalém no momento em que Absalão entrava na cidade."
2Samuel 16
Davi e Ziba
"1 Logo que Davi atravessou o
cume da montanha, ele encontrou Ziba, criado de Mefibosete, com dois jumentos
carregados com duzentos pães, cem bolos de passas, cem cestas de frutas frescas
e uma vasilha de couro de vinho
2 O rei disse a Ziba: “Para que
tudo isso?”. Ziba respondeu:
“Os jumentos são para a família do rei montar, os pães e as frutas são para
alimentar os que o acompanham, e o vinho é para os que estão cansados de andar
no deserto”. O rei perguntou:
“E onde está o neto do seu senhor?”. Ziba respondeu: “Ele ficou em Jerusalém,
mas mandou este recado: Este é o dia que Israel restituirá a mim o reino do meu
avô.
4 Davi respondeu: “Tudo que
pertenceu a Mefibosete agora pertence a você”. Ziba disse: “Como poderia
agradecer por isso? Serei eternamente devedor de meu senhor e rei. Que eu nunca
decepcione o senhor!”.
9 Quando o rei chegou a Baurim,
apareceu um homem que tinha ligações com a família de Saul. Seu nome era Simei,
filho de Gera. Ele os seguia insultando e jogando pedras contra Davi e seus
companheiros, criados e soldados. Além dos insultos, ele o amaldiçoava, aos
gritos: “Fora! Fora! Assassino! Sanguinário!
O Eterno está castigando você por todos os crimes que cometeu contra a família
de Saul e por tomar o reino dele. O Eterno já entregou o reino a seu filho
Absalão. Olhe para você mesmo: um homem derrotado! Porque não passa de um
criminoso!” Abisai, filho de Zeruia, disse: “Esse cão morto não pode amaldiçoar
o meu senhor, o rei, dessa maneira. É só mandar que eu corto a cabeça dele!”.
10 Mas o rei disse: “Por que
vocês, filhos de Zeruia, estão sempre interferindo e me atrapalhando? Se ele
está amaldiçoando é porque o Eterno mandou: Amaldiçoe Davi’.
Quem vai contrariá-lo?”.
11 Davi prosseguiu, dirigindo-se a
Abisai e ao restante do grupo: “Além disso, até meu filho, minha carne e meu
sangue, neste momento, está querendo a minha morte. Esse benjamita não está
fazendo nada comparado a isso. Não se preocupem com ele. Deixem que ele amaldiçoe
à vontade. O Eterno ordenou que ele fizesse isso. Talvez o Eterno enxergue a
minha aflição e transforme as maldições em algo bom”.
13 Davi e sua comitiva seguiram
caminho, enquanto Simei seguia ao longo da encosta da montanha, amaldiçoando e
jogando pedras e neles.
14 Quando chegaram ao rio Jordão,
Davi e sua comitiva estavam exaustos. Por isso, descansaram ali e renovaram
suas forças.
15 Enquanto isso, Absalão e seus
homens já estavam em Jerusalém. Aitofel também estava com eles.
16 Logo depois, Husai, o arquita,
amigo de Davi, foi cumprimentar Absalão: “Viva o rei para sempre! Viva o rei
para sempre!”.
17 Absalão disse a Husai: “É assim
que você mostra lealdade a um amigo? Por que não está com o seu amigo, Davi?”.
18 Husai disse: “Porque quero
estar com quem o Eterno, esse povo e todo o Israel escolheram. Quero permanecer
com ele. Além disso, quem melhor que o filho para eu servir? Assim como servi a
seu pai, estou pronto a servir ao senhor”.
20 Absalão disse a Aitofel: “Você
está pronto para me aconselhar? O que devemos fazer agora?”.
21 Aitofel disse a Absalão:
“Deite-se com as concubinas de seu pai, aquelas que ficaram para cuidar do
palácio. Todos ficarão sabendo que o senhor desonrou abertamente seu pai, e os
que estão a seu lado se animarão”. Absalão armou uma tenda no terraço, à vista
de todos, e deitou-se com as concubinas de Davi.
23 Os conselhos de Aitofel, na
época, eram considerados palavras do próprio Deus. Essa era a reputação de
Aitofel com Davi; e não era diferente com Absalão."
2Samuel 17
O conselho de
Aitofel e de Husai
"1 Em seguida, Aitofel
aconselhou Absalão: “Deixe-me escolher doze mil homens e partir esta noite
atrás de Davi. Vou alcançá-lo quando ele estiver exausto e pegá-lo de surpresa.
O exército fugirá, e eu matarei Davi. Então, trarei o exército de volta para o
senhor como uma noiva levada de volta ao noivo! Afinal, o senhor está à procura
de um só homem. Se ele for eliminado, a paz estará de volta! "
4 Absalão achou que seria uma
excelente estratégia, e todas as autoridades de lsrael concordaram.
5 Ainda assim, Absalão ordenou:
“Chame Husai, o arquita. Vamos ouvir a opinião dele".
6 Husai chegou, e Absalão contou a
ele o plano: “Esse foi o conselho de Aitofel. O que acha? Devemos pô-lo em
prática?”.
7 Husai disse: “O conselho de
Aitofel, neste caso, não foi bom.
O senhor conhece seu pai e os homens que estão com ele. Eles são corajosos e
estão furiosos como uma ursa de quem tiraram o filhote. Seu pai é um guerreiro
experiente. Ele não será apanhado de surpresa num momento como este. Enquanto
conversamos aqui, ele provavelmente está escondido em alguma caverna ou em
outro lugar. E, se ele atacar os seus soldados de emboscada, logo se espalhará
a notícia de que o exército de Absalão foi massacrado. Ainda que os seus
soldados sejam valentes e corajosos como leões, o moral da tropa vai despencar
com a notícia, pois todos em Israel sabem que tipo de guerreiro é seu pai e
como são valentes os homens que estão com ele.
11 “O meu conselho? Reúna toda a
nação, de Dã até Berseba, formando um exército numeroso como a areia do mar,
comandado pelo senhor pessoalmente. Nós os atacaremos onde quer que estejam.
Cairemos sobre eles como o orvalho sobre a terra. Estou certo de que não vai
escapar ninguém. Se ele se refugiar em alguma cidade, o exército utilizará
todas as cordas que arranjar e arrastará tudo que estiver nessa cidade para o
vale, sem deixar um pedregulho para trás”.
14 Absalão e todas as autoridades
concordaram em que o conselho de Husai era melhor que o de Aitofel. O Eterno
tinha decidido frustrar o bom conselho de Aitofel para que Absalão fosse
arruinado.
15 Logo depois, Husai foi contar
aos sacerdotes Zadoque e Abiatar: “Aitofel aconselhou Absalão e as autoridades
de Israel daquela maneira, mas eu aconselhei assim. Agora, enviem, o quanto
antes, esta mensagem a Davi: Não passe a noite deste lado do Jordão. Atravesse
imediatamente o rio. Do contrário, o rei e todos os que estiverem com o senhor
serão massacrados”.
17 Jônatas e Aimaás estavam em
En-Rogel aguardando o recado que seria trazido por uma criada. Dali, eles
partiriam para transmiti-lo ao rei Davi, pois não se arriscavam a entrar na
cidade. Mas um soldado os viu e contou a Absalão. Os dois saíram correndo e se
refugiaram na casa de um homem em Baurim.
Ele tinha uma cisterna no quintal, e eles se esconderam ali.
A mulher cobriu a cisterna com um tapete e espalhou grãos sobre ele, para que
ninguém percebesse nada de estranho. Logo depois, os servos de Absalão chegaram
àquela casa e perguntaram: “Você viu Aimaás e Jônatas? " A mulher
respondeu: “Eles estavam indo na direção do rio". Eles os procuraram, mas
não acharam. Então, voltaram para Jerusalém.
21 Depois que eles foram embora,
Aimaás e Jônatas saíram da cisterna e foram levar o recado a Davi:
"Levante-se e atravesse o rio imediatamente. Aitofel tem um plano contra o
senhor!”.
22 Davi e seu exército não
perderam tempo e se puseram a caminho, atravessando o Jordão. Quando amanheceu,
todos já tinham atravessado o Jordão.
23 Quando Aitofel percebeu que seu
conselho não seria seguido, montou em seu jumento e partiu para sua cidade.
Depois de deixar pronto o seu testamento e de ter posto a casa em ordem,
enforcou-se e, assim, morreu.
Ele foi sepultado no túmulo da família.
24 Enquanto Davi chegava a
Maanaim, Absalão e todo o exército de Israel atravessavam o Jordão. Absalão
designou Amasa comandante do exército, no lugar de Joabe. Amasa era filho de um
homem chamado Itra, ismaelita que tinha se casado com Abigail, filha de Naás e
irmã de Zeruia, mãe de Joabe. Absalão e o exército de Israel acamparam em
Gileade.
27 Quando Davi chegou a Maanaim,
Sobi, filho de Naás de Rabá dos amonitas, e Maquir, filho de Amiel de Lo-Debar,
e Barzilai, o gileadita de Rogelim, trouxeram camas e cobertores, bacias e
potes cheios de trigo, cevada, farinha, grão tostado, feijão e lentilhas, além
de mel, coalhada e queijos de ovelha e de vaca. Entregaram tudo a Davi e seu
exército, pois pensavam:
O exército deve estar com fome, com sede e exausto no deserto.
2Samuel 18
A vitória do
exército de Davi sobre o de Absalão
"1 Davi organizou seu
exército. Designou capitães de mil e capitães de cem. Depois, dividiu as tropas
em três grupos.
O primeiro ficou sob o comando de Joabe; o segundo ficou com Abisai, filho de
Zeruia, irmão de Joabe; o terceiro ficou com Itai, o giteu. O rei anunciou: “Eu
também irei com vocês”.
3 Mas eles disseram: “Não mesmo. O
senhor não pode vir conosco. Se tivermos de retroceder, o inimigo não pensará
duas vezes. Se metade de nós morrer, o inimigo não se importará. Mas o senhor
vale por dez mil de nós. Para nós, é melhor que fique na cidade e nos ajude
daqui”.
4 O rei concordou: “Se é isso que
pensam, farei o que acharem melhor”. Ele se instalou perto da entrada da
cidade, enquanto o exército saía em pelotões de cem e de mil.
5 O rei tinha recomendado a Joabe,
Abisai e Itai: “Por amor a mim, tenham cuidado com o jovem Absalão”.
Todo o exército ouviu o que o rei ordenou aos três comandantes com respeito a
Absalão.
6 O exército de Davi saiu a campo
para enfrentar o exército de Israel. A batalha aconteceu na floresta de Efraim.
O exército de Israel, naquele dia, foi derrotado pelos homens de Davi. Houve
terrível matança: vinte mil homens morreram! Os combatentes se espalharam para
todo lado. Naquele dia, a floresta devorou mais vidas que a espada!
9 Absalão encontrou os soldados de
Davi. Ele tinha certa vantagem porque estava montado em sua mula. Mas, quando a
mula passou por baixo dos galhos de um grande carvalho, a cabeça de Absalão
ficou presa no galho, enquanto a mula seguia adiante. Ele ficou pendurado. Um
soldado viu tudo e contou a Joabe: “Acabei de ver Absalão pendurado na ramagem
de um carvalho!”.
11 Joabe perguntou ao soldado: “Se
você viu isso, por que não o matou ali mesmo? Eu teria recompensado você com
dez peças de prata e um cinturão”.
12 O homem disse a Joabe: “Mesmo
que eu ganhasse mil peças de prata, não tocaria no filho do rei. Todos nós
ouvimos a ordem que o rei deu ao senhor, a Abisai e a Itai: ‘Por amor a mim,
tenham cuidado com o jovem Absalão’. Por que, então, arriscaria a minha vida,
pois o rei ficaria sabendo, e sei que o senhor não me defenderia!”.
14 Joabe disse: “Não tenho tempo a
perder com você!”. E, com três facas, atravessou o peito de Absalão enquanto
ele ainda estava vivo, pendurado na árvore. Nessa hora, Absalão já estava
rodeado de dez escudeiros de Joabe. Eles acabaram de matá-lo.
16 Em seguida, Joabe tocou a
trombeta para cessar a perseguição contra o exército de Israel. Eles levaram o
corpo de Absalão e o jogaram numa enorme vala na floresta e empilharam uma
grande quantidade de pedras sobre ele. Enquanto isso, o exército de Israel
fugia, cada um correndo para sua casa.
18 Quando Absalão ainda estava
vivo, ele tinha edificado para si uma coluna no vale do Rei, dizendo: “Não
tenho filho para preservar meu nome". Por isso, ele deu seu nome à coluna.
Até hoje é chamada Memorial de Absalão.
19 Aimaás, filho de Zadoque,
disse: “Deixe-me levar ao rei a notícia de que o Eterno o livrou dos seus
inimigos”. Mas Joabe disse: “Não será você quem levará a notícia hoje. Talvez
outro dia, mas hoje a notícia não é boa, pois o filho do rei está morto”.
21 Em seguida, Joabe ordenou a um
etíope: “Vá você. Conte ao rei o que você viu”. O etíope respondeu: “Sim,
senhor! " E foi.
22 Aimaás, filho de Zadoque,
insistia com Joabe: “Não importa. Deixe-me ir com o etíope”. Joabe disse: “Para
que isso? Você não terá nenhuma recompensa”.
23 Aimaás insistiu: “Não importa.
Deixe-me ir". Joabe respondeu: “Então, está bem. Vá! " Aimaás correu,
pegando o caminho do vale inferior, e ultrapassou o etíope.
24 Davi estava sentado entre os
dois portões. A sentinela estava no alto da porta e olhava em volta. Ele viu
alguém correndo sozinho e gritou para avisar o rei. O rei disse: “Se está
sozinho, deve ser boa notícia”.
25 Enquanto o moço se aproximava,
a sentinela viu outro correndo e gritou do alto da porta: “Há outro correndo
sozinho". O rei disse: “Esse também deve trazer boas notícias”.
27 A sentinela disse: “Consigo ver
o primeiro. Parece Aimaas, filho de Zadoque”. O rei disse: “É boa pessoa. Sem
dúvida, está trazendo boa notícia”.
28 Aimaás gritou para o rei: “Paz!
" Ele se prostrou com o rosto em terra em reverência ao rei e disse:
“Bendito seja o Eterno, o seu Deus! Ele entregou em suas mãos os homens que se
rebelaram contra o meu senhor, o rei”.
29 O rei perguntou: “E o jovem
Absalão, ele está bem?”. Aimaás disse: “Vi grande confusão quando Joabe me
enviou para cá, mas não sei do que se tratava”.
30 O rei disse: “Fique aqui ao
lado”. Ele ficou ali.
31 O etíope chegou e disse: “Tenho
boa notícia para o meu senhor, o rei! Hoje o Eterno deu vitória sobre todos os
que se rebelaram contra o senhor!”.
32 O rei perguntou: “E o jovem
Absalão, ele está bem?”. O etíope respondeu: “Que todos os inimigos do meu
senhor, o rei, e todos os que agem maldosamente contra o senhor tenham o mesmo
destino dele”
33 O rei ficou abalado. Abatido,
subiu ao quarto que ficava por cima da porta e chorou. Enquanto chorava,
gritava: “Ah, meu filho Absalão! Meu querido filho Absalão! Quem me dera eu
tivesse morrido em seu lugar! Ah, Absalão, meu filho querido!”."
2Samuel 19
Joabe reprova
a Davi
"1 Foram dizer a Joabe que
Davi chorava amargamente a morte de Absalão, e aquele dia de vitória se
transformou em dia de luto à medida que se espalhava a notícia pelo exército de
que o rei chorava a morte do filho. Por isso, o exército entrou na cidade
discretamente, como um exército humilhado por uma derrota.
O rei cobria o rosto com as mãos e chorava sem parar: “Ah, meu filho Absalão!
Absalão, meu filho querido!”.
5 Joabe, em particular, censurou o
rei: “É o fim! O senhor despreza os seus servos leais, que salvaram a sua vida,
sem falar na vida de seus filhos, filhas, mulheres e concubinas. Parece que o
senhor ama quem o odeia e odeia quem o ama?
Assim, demonstra que os soldados e os oficiais não valem nada para o senhor. Se
Absalão estivesse vivo agora, todos nós estaríamos mortos. O senhor estaria
contente?
Deixe disso. Vá lá fora e dê uma palavra de ânimo a seus amigos! Assim como
vive o Eterno, se o senhor não for, todos o abandonarão. Ao anoitecer, não
haverá um único soldado aqui, a pior coisa que poderia acontecer”.
8 Então, o rei saiu e ficou em seu
lugar, na entrada da cidade. Logo, todos o notaram: “Veja! O rei veio nos
receber!”. Todo o exército se apresentou ao rei. Mas os israelitas fugiram do
campo de batalha direto para casa.
9 Enquanto isso, o povo de todas
as tribos de Israel reclamava com os líderes: “Não foi o rei que nos salvou das
mãos dos inimigos e nos livrou da opressão dos filisteus? Depois, ele teve de
fugir do país por causa de Absalão. Agora, Absalão, a quem proclamamos rei,
está morto. O que estamos esperando? Por que não trazemos o rei de volta?”.
11 Quando Davi soube do que estava
acontecendo, mandou dizer aos sacerdotes Zadoque e Abiatar: “Perguntem às
autoridades de Judá: ‘Por que estão demorando tanto para levar o rei de volta a
seu palácio? Somos todos irmãos! Vocês são meu sangue e minha carne. Então, por
que vocês seriam os últimos a me levar de volta?’. Digam ainda a Amasa: ‘Você
também é meu sangue e minha carne. Deus é testemunha de que nomeei você comandante
do exército, no lugar de Joabe’”.
14 Davi conquistou a simpatia de
Judá, e todos concordaram em dizer ao rei: “Voltem, o senhor e todos os seus
partidários”.
15 Então, o rei voltou. Ele chegou
ao Jordão no momento em que o povo de Judá chegava a Gilgal para recepcionar o
rei e ajudá-lo a atravessar o rio. Até mesmo Simei, filho de Gera, o benjamita
de Baurim, apressou-se em acompanhar os homens de Judá e recepcionar o rei. Mil
benjamitas foram com ele. Também Ziba, criado de Saul, com seus quinze filhos e
vinte escravos, atravessaram o Jordão para encontrar o rei e fazer atravessar
sua comitiva. Todos faziam o que podiam para agradar ao rei.
18 Logo que atravessou o Jordão,
Simei, filho de Gera, prostrou-se em profunda reverência diante do rei e disse:
“Não pense mal de mim, meu senhor! Esqueça meu desabafo inconsequente, naquele
dia em que o meu senhor saía de Jerusalém. Não guarde isso contra mim!
Reconheço que errei. Mas olhe para mim. Sou o primeiro de toda a tribo de José
a vir receber de volta o rei, o meu senhor! "
21 Abisai, filho de Zeruia, o
interrompeu: “Chega! Não será melhor matá-lo de uma vez? Ele amaldiçoou o
ungido do Eterno!”.
22 Mas Davi disse: “O que vocês
têm com isso, filhos de Zeruia? Por que insistem em criar confusão? Ninguém será
morto hoje. Sou rei sobre Israel outra vez! ".
23 O rei olhou para Simei e disse:
Você não morrerá”. Davi jurou isso a ele.
24 Mefibosete, neto de Saul,
também chegou de Jerusalém para saudar o rei. Ele não tinha arrumado o cabelo,
nem aparado a barba, nem trocado de roupa desde que o rei tinha saído até o seu
retorno em segurança. O rei disse: "Por que você não veio comigo,
Mefibosete? ".
26 Ele respondeu: “Ó, rei, meu
senhor! Meu servo me enganou. Dei a ele ordens para que selasse o jumento, de
modo que eu pudesse seguir o rei, pois, como o senhor sabe, sou aleijado.
Ele mentiu para o rei a meu respeito. Mas, meu senhor, o rei, tem sido como um
anjo de Deus; então fazes o que é certo. Não foram destruídos todos os da
família de meu pai? Mas o senhor me acolheu e me deu um lugar à sua mesa. Que
mais eu poderia esperar ou pedir?”.
29 O rei disse: “Chega! Não diga
mais nada. Esta é a minha decisão: você e Ziba dividam a propriedade entre
vocês".
30 Mefibosete disse: “Não. Deixe
que ele fique com tudo! A única coisa que me importa é que o meu senhor, o rei,
volte seguro para casa!”.
31 Barzilai, o gileadita, também
tinha vindo de Rogelim. Ele atravessou o Jordão com o rei para se despedir
dele. Barzilai já estava bem idoso. Tinha 80 anos de idade! Era muito rico e
tinha sustentado o rei todo o tempo em que ele esteve em Maanaim.
33 O rei disse a Barzilai: “Venha
comigo para Jerusalém. Vou cuidar de você”.
34 Mas Barzilai recusou a oferta:
“Quanto tempo o senhor acha que eu teria de vida se fosse com o rei para
Jerusalém? Tenho 80 anos de idade e já não sou mais útil para ninguém. Não
sinto o gosto da comida e estou ficando surdo. Então, por que o meu senhor
assumiria mais esse incômodo? Vou acompanhar o rei até um pouco mais adiante do
Jordão. Mas por que o rei me retribuiria por isso? Deixe-me voltar e morrer em
minha cidade natal e ser sepultado com meu pai e minha mãe. Mas aqui está o meu
escravo Quimã. Ele poderá acompanhar o senhor em meu lugar. Faça com ele o que
achar melhor!”.
38 O rei disse: “Está bem. Quimã
irá comigo! Eu cuidarei bem dele. Se você se lembrar de alguma outra coisa,
avise-me, e eu farei por você”.
39 O exército atravessou o Jordão,
mas o rei permaneceu do outro lado. Davi beijou e abençoou Barzilai, que voltou
para casa. O rei atravessou para Gilgal, e Quimã foi com ele.
40 Todo o exército de Judá e
metade do exército de Israel acompanhavam o rei. Os homens de Israel foram
perguntar ao rei: “Por que nossos irmãos, os homens de Judá, tomaram conta de
tudo, como se mandassem no rei, escoltando o senhor, sua família e seus aliados
mais próximos na travessia do Jordão?”.
42 Os homens de Judá retrucaram:
“Porque o rei é nosso parente! Só por isso! Mas, por que criar caso? Não somos
tratados com privilégios por causa disso, somos?”.
43 Os homens de Israel
responderam: “Temos dez partes do rei comparadas com uma de vocês. Além do
mais, somos os primogênitos. Então, por que temos de ser tratados como cidadãos
de segunda categoria? Foi nossa ideia trazê-lo de volta”. Mas os homens de Judá
foram mais agressivos que os homens de Israel."
2Samuel 20
A sedição de
Seba e a sua morte
"1 Naquele momento, um jovem
imprestável chamado Seba, filho de Bicri, de Benjamim, tocou uma trombeta e
gritou para o povo: “Não temos nada com Davi, não há futuro para nós com o
filho de Jessé! Vamos embora daqui, Israel!
Volte cada um para a sua casa”.
2 Todos os homens de Israel
abandonaram Davi e seguiram Seba, filho de Bicri. Mas os homens de Judá
permaneceram leais a ele. Acompanharam o rei desde o Jordão até Jerusalém.
Quando o rei Davi chegou de volta a Jerusalém, tomou as dez concubinas que
deixara vigiando o palácio e as isolou, sob a proteção de guardas. Ele supria
as necessidades delas, mas não as visitava. Elas ficaram praticamente
prisioneiras até a morte, viúvas de marido vivo.
4 O rei deu ordens a Amasa: “Daqui
três dias, reúna os homens de Judá”. Amasa foi cumprir a ordem, mas demorou a
voltar.
Por isso, Davi disse a Abisai: “Seba, filho de Bicri, nos atacará e fará pior
que Absalão. Reúna meus homens e vá à procura dele, antes que se refugie em
alguma fortaleza na qual não consigamos apanhá-lo”. Então, sob o comando de
Abisai, os melhores soldados, os homens de Joabe, os queretitas e os peletitas
saíram de Jerusalém em busca de Seba, filho de Bicri. Aproximando-se da rocha
de Gibeom, Amasa veio ao encontro deles. Joabe estava em traje militar com uma
espada presa à cintura, mas a espada escapou e caiu no chão. Joabe cumprimentou
Amasa: “Como está, meu irmão?”. E segurou a barba de Amasa com a mão direita,
como se fosse beijá-lo. Amasa não tinha percebido que Joabe tinha uma espada na
outra mão. Joabe enterrou a espada na barriga dele, e suas entranhas caíram no
chão. Nem foi necessário outro golpe. Amasa morreu na hora. Depois, Joabe e seu
irmão Abisai seguiram caminho em busca de Seba, filho de Bicri.
11 Um dos soldados de Joabe pôs-se
a seu lado e gritou: “Todos os que quiserem ficar do lado de Joabe e apoiar
Davi sigam Joabe!”. Enquanto isso, o corpo de Amasa continuava caído no meio da
estrada, numa poça de sangue. Vendo o moço que todo o exército parava para
olhar, arrastou o corpo de Amasa para fora da estrada e o cobriu com um pano,
para não despertar curiosidade. Depois que o retirou dali, os soldados passavam
normalmente em busca de Seba, filho de Bicri. Seba percorreu todas as tribos de
Israel até Abel-Bete-Maaca. Os bicritas se juntaram a ele e entraram com ele na
cidade.
15 O exército de Joabe cercou Seba
em Abel-Bete-Maaca e construiu uma rampa de ataque contra a muralha da cidade.
O plano era destruir os muros.
16 Mas uma mulher esperta gritou
da cidade: “Ouçam! Digam a Joabe para chegar até aqui. Quero conversar com
ele”. Quando ele se aproximou, a mulher perguntou: “Você é Joabe?”. Ele
respondeu: “Sim, sou eu”. Ela disse: “Ouça o que tenho a dizer”. Ele disse:
“Estou ouvindo”. “Aqui temos um ditado: ‘Se você procura respostas, em Abel
encontrará!’. Somos pessoas tranquilas e confiáveis. Mas você está aí, tentando
destruir uma das cidades mais antigas de Israel. Por que pretende destruir a
herança do Eterno?”.
20 Joabe protestou: “Acredite,
você está enganada. Não estou aqui para ferir ninguém nem para destruir coisa
alguma de vocês. Mas um homem das montanhas de Efraim, chamado Seba, filho de
Bicri, se revoltou contra o rei Davi. Entregue-o a nós, e deixaremos vocês em
paz”. A mulher disse a Joabe: “Tudo bem. Lançaremos a cabeça dele do alto do
muro”.
22 A mulher apresentou sua
proposta aos habitantes da cidade, e eles concordaram. Cortaram a cabeça de
Seba, filho de Bicri, e a lançaram para Joabe. Ele tocou a trombeta, e todos os
seus soldados voltaram para casa.
Joabe voltou para o rei, em Jerusalém.
23 Joabe voltou a comandar o
exército de Israel. Benaia, filho de Joiada, comandava os queretitas e os
peletitas. Adonirão era chefe das equipes de trabalho. Josafá, filho de Ailude,
era arquivista. Seva era secretário. Zadoque e Abiatar eram sacerdotes. Ira, de
Jair, era sacerdote de Davi."
2Samuel 21
Vingados os
gibeonitas
"1 Durante o reinado de Davi,
houve três anos de fome.
Davi buscou o Eterno, e Deus disse: “Essa fome é
por causa do sangue dos gibeonitas, derramado por Saul e sua família”.
2 O rei reuniu os gibeonitas, que não
faziam parte de Israel. Eles representavam o que tinha restado dos amorreus e
eram protegidos por causa de um acordo com Israel. Mas Saul, fanático pela
honra de Israel e de Judá, tentou exterminá-los.
3 Davi disse aos gibeonitas: “O
que posso fazer por vocês? Como poderei compensá-los, para que vocês abençoem a
herança do Eterno?”.
4 Os gibeonitas responderam: “Não
queremos o dinheiro de Saul e de sua família. E não cabe a nós matar ninguém em
Israel”. Mas Davi insistiu: “O que querem que eu faça por vocês?”.
6 Finalmente, disseram ao rei:
“Que nos sejam entregues sete descendentes do homem que tentou nos destruir e
nos eliminar do território de Israel, para que sejam enforcados diante do
Eterno, em Gibeá de Saul, o monte santo”. Davi concordou:
“Eu os entregarei a vocês”
7 O rei poupou Mefibosete, filho
de Jônatas, filho de Saul, por causa do juramento que tinha feito a Jônatas
perante o Eterno. Mas o rei escolheu Armoni e Mefibosete, os dois filhos que
Rispa, filha de Aiá, tinha dado a Saul, e os cinco filhos que Merabe, filha de
Saul, deu a Adriel, filho de Barzilai, de Meolá. Ele os entregou aos
gibeonitas, que os enforcaram no monte perante o Eterno.
Os sete morreram ao mesmo tempo. Eles foram executados no início da colheita da
cevada.
10 Rispa, filha de Aiá, pegou um
pano de saco, fez com ele uma barraca sobre uma rocha e ficou ali desde o
começo da colheita até o início das chuvas. Durante o dia, ela impedia que os
pássaros chegassem aos corpos; durante a noite, não deixava que os animais
selvagens se aproximassem.
11 Davi foi informado do que
Rispa, filha de Aiá e concubina de Saul, estava fazendo. Então, ele foi buscar
os restos de Saul e de seu filho Jônatas, que estavam com os líderes de
Jabes-Gileade (eles os tinham resgatado da praça de Bete-Seã, depois que foram
enforcados pelos filisteus, que os tinham matado em Gilboa). Ele recolheu os
restos deles e os levou para o lugar em que estavam os outros sete corpos, e
todos foram levados de volta para a terra de Benjamim e sepultados no túmulo de
Quis, pai de Saul. Tudo foi feito conforme as ordens do rei. Depois disso, Deus
respondeu às orações de Israel a favor da terra.
15 Houve outra guerra entre os
filisteus e os israelitas. Davi e seus soldados saíram para lutar. Davi ficou
exausto. Isbi-Benobe, guerreiro descendente de Rafa, anunciou que mataria Davi.
Sua lança pesava três quilos e seiscentos gramas, e ele vestia uma armadura
nova. Mas Abisai, filho de Zeruia, socorreu Davi e matou o filisteu. Depois do
incidente, os soldados de Davi fizeram um juramento: “O senhor não sairá mais
conosco à guerra, para que a lâmpada de Israel não se apague!”.
18
Depois, houve outra guerra contra os filisteus em Gobe. Sibecai, de Husate,
matou Safe, outro guerreiro descendente de Rafa. Em outro conflito contra os
filisteus em Gobe, Elanã, filho de Jaaré-Oregim, tecelão de Belém, matou
Golias, de Gate, cuja lança tinha uma haste que parecia o eixo de um tear.
Outra
batalha foi travada em Gate. Estava ali um gigante que tinha seis dedos nas
mãos e nos pés — vinte e quatro ao todo!
Ele também era um dos descendentes de Rafa. Ele provocou Israel, e Jônatas,
filho de Simeia, irmão de Davi, o matou.
Esses
quatro eram descendentes de Rafa, naturais de Gate. Todos foram mortos por Davi
e seus soldados."
2Samuel 22
Cântico de
Davi em ações de graças
"1 Davi louvou o Eterno com
as palavras deste cântico, depois que Deus o livrou de todos os seus inimigos e
de Saul:
2 O Eterno é a minha rocha, o
castelo no qual me refúgio, o meu libertador. Meu Deus, minha rocha, para onde
corro quando preciso me proteger, e me escondo atrás da rocha, fico a salvo no
esconderijo. Minha rocha de refúgio, ele me salva do homem perverso.
4 Louvo o Eterno, é digno de
louvor, e nele encontro segurança e salvação.
5 As ondas da morte quebraram sobre
mim, torrentes de destruição me apavoraram. As cordas do inferno me prenderam e
armadilhas de morte me cercaram.
7 Clamei ao Eterno na minha
angústia, ao meu Deus clamei. Do seu aposento, ele me ouviu; o meu clamor
chegou à sua presença — uma audiência particular!
8 A terra tremeu e sacudiu; os
alicerces do céu sacudiram como folhas, Tremeram como folhas de álamo por causa
de sua ira. Das suas narinas, saiu fumaça; sua boca cuspia fogo. Línguas de
fogo foram lançadas; ele baixou o céu. Ele desceu; debaixo dos seus pés,
abriu-se um abismo. Ele montou uma criatura voadora, veloz sobre as asas do
vento. Ele se cobriu com densas nuvens de chuva. Mas o brilho da sua presença
irrompeu, como um grande leque de fogos. O Eterno trovejou do céu; o Altíssimo
provocou grande estrondo. Lançou flechas e espantou os inimigos. Arremessou
raios e os fez fugir. Os lugares secretos do oceano foram expostos, as
profundezas da terra foram descobertas quando o Eterno protestou e despejou sua
fúria.
17 Mas Deus me segurou — me
alcançou desde o céu até o mar. Tirou-me do oceano de ódio, do caos do inimigo,
do abismo em que estava me afundando. Eles me feriram quando eu estava abatido,
mas o Eterno foi o meu auxilio. Deus me pôs em lugar espaçoso; fui posto a salvo,
graças a seu amor!
21 O Eterno me recompensou por
tudo que fiz quando me apresentei diante dEle. Quando terminei a minha obra, Deus
me deu refrigério. De fato, tenho procurado seguir os caminhos do Eterno; levo
Deus a sério. Todos os dias, observo as obras de Deus, não me esqueço de nenhum
detalhe. Sinto-me refeito e continuo atento aos meus passos. O Eterno
reescreveu a minha vida quando abri o livro do meu coração diante dele.
26 Tu não abandonas os que
se apegam a ti, és correto com os que são corretos contigo, és bondoso para os
bons, mas és severo com os perversos. Acodes os abatidos, mas
humilhas os soberbos.
29 Tu, ó Eterno, és a luz do meu
caminho, o Eterno dissipa as trevas. Com Deus esmago exércitos inteiros,
transponho enormes barreiras. Que Deus grandioso! Seus caminhos são planos e
retos.
Sua palavra é provada.
Todos os que nele se refugiam encontram proteção.
32 Há outro Deus igual ao Eterno?
Não estamos sobre a rocha? Não é esse o Deus que me capacitou a lutar e dirigiu
o meu caminho? Corro como uma gazela; sou o rei da montanha. Ele me preparou
para lutar; posso vergar um arco de bronze! Tu me proteges com o escudo da
salvação; tocas em mim, e me sinto fortalecido. Alargas debaixo dos meus pés o
caminho, para que os meus passos não vacilem. Quando persigo os meus inimigos,
eu os alcanço; não desisto deles até que estejam mortos. Esmago-os: são
derrotados definitivamente; depois, passo por cima deles.
Tu me preparaste para lutar, para esmagar os soberbos. Fizeste os meus inimigos
virarem as costas, para que eu pudesse eliminar os que me odiavam. Eles
gritaram, pedindo ajuda, mas ninguém os socorreu. Clamaram ao Eterno e não
receberam resposta. Eu os transformei em pó, e eles foram espalhados ao vento.
Eu os lancei fora como lixo numa vala. Tu me livraste das rebeliões do povo e
fizeste de mim chefe das nações. Povos de que nunca ouvi falar vieram me servir
e, quando ouviram a minha voz, se renderam. Entregaram-se, saindo aterrorizados
dos esconderijos.
47 Viva o Eterno! Bendita
seja a minha Rocha, Deus, a minha Torre de Salvação! Esse Deus me
defende e faz calar os que me acusam. Ele me livrou da ira do inimigo. Tu me
livraste das garras dos arrogantes, salvaste-me dos agressores. Por isso,
engrandeço a ti, ó Eterno, entre todas as nações. Por isso, cantarei louvores
que rimam com o teu nome. O rei conquista grandes vitórias; o escolhido de Deus
é amado. Estou falando de Davi e todos os seus descendentes. Sempre."
2Samuel 23
As últimas
palavras de Davi
"1 Estas foram as últimas
palavras de Davi: “Voz do filho de Jessé, voz do homem que Deus conduziu até o
topo, A quem o Deus de Jacó tornou rei e o cantor mais conhecido de Israel!
2 O Espírito do Eterno falou por
meu intermédio, suas palavras se formaram em meus lábios. O Deus de Israel
falou a mim, a Rocha de Israel me disse: Aquele
que governa de maneira justa e correta, que administra com o temor de Deus, é
como a luz do amanhecer num dia sem nuvens; como a grama verde que cobre o
chão, crescendo sob o ar puro’. Foi assim a minha dinastia, pois
Deus cumpriu seu acordo comigo. Ele fez uma promessa e a cumpriu fielmente.
Todas as minhas vitórias e todos os meus desejos, ele fará prosperar. Mas os
ímpios são como espinhos amontoados e lançados fora. Neles não se deve tocar:
mantenham distância com um rastelo ou um cabo.
São excelentes como lenha!”.
8 Estes foram os valentes
guerreiros de Davi: Jabesão, um tacmonita. Era chefe dos três principais
oficiais. Certa vez, com sua lança, atacou oitocentos homens e matou todos num
só dia.
9 Em segundo lugar entre os três
estava Eleazar, filho de Dodô, o aoíta. Ele estava com Davi quando os filisteus
os enfrentaram em Pas-Damim. Quando os filisteus se prepararam para a batalha,
Israel retrocedeu. Mas Eleazar permaneceu onde estava e matou filisteus a torto
e a direito até ficar exausto, mas sem largar a espada! Naquele dia, o Eterno
concedeu grande vitória.
O exército se juntou outra vez a Eleazar, mas apenas para saquear os filisteus.
11 Samá, filho de Agé, de Harar,
era o terceiro. Os filisteus se reuniram para a batalha em Lei, onde havia uma
lavoura de lentilhas. Israel fugiu dos filisteus, mas Samá ficou no meio da
plantação e a defendeu com coragem. Os filisteus foram derrotados. Outra grande
vitória concedida pelo Eterno!
13 Certa vez, no período da
colheita, os três se separaram dos trinta e se juntaram a Davi na caverna de
Adulão. Havia um grupo de filisteus acampados no vale de Refaim. Enquanto Davi
se escondia na caverna, os filisteus acamparam em Belém. Um dia, Davi suspirou:
“Como gostaria de beber água do poço da entrada de Belém!”. Então, os três
entraram no acampamento dos filisteus, tiraram água do poço que ficava na
entrada de Belém e a trouxeram para Davi. Mas Davi não quis beber. Ele a
derramou como oferta ao Eterno, dizendo: “De modo algum, ó Eterno, eu beberia
esta água, porque não é apenas água: é o sangue dos três. Eles arriscaram a
própria vida para trazê-la até mim!”. Por isso, Davi se recusou a beber. Era
esse tipo de coisa que esses três guerreiros faziam.
18 Abisai, irmão de Joabe e filho
de Zeruia, era chefe dos trinta. Certa vez, ele foi condecorado por matar
trezentos homens com sua lança, mas nunca recebeu as mesmas honras que os três.
Ele era o mais respeitado dos trinta e era o capitão, mas não estava incluído
entre os três guerreiros principais.
20 Benaia, filho de Joiada, de
Cabzeel, era um soldado corajoso, responsável por atos heróicos. Certa vez, ele
matou dois leõezinhos em Moabe. Outra vez, no meio da neve, entrou num buraco e
matou um leão. Em outra ocasião, matou um egípcio de grande estatura. O egípcio
estava armado com uma lança, e Benaia o enfrentou apenas com uma vara. Ele arrancou
a lança da mão do egípcio e o matou com ela.
22 Benaia, filho de Joiada, ficou
famoso por esses atos, mas não alcançou o posto dos três. Ele era muito
respeitado pelos trinta, mas não estava incluído entre os três. Davi o pôs como
chefe de sua guarda pessoal.
24 Os trinta eram: Asael, irmão de
Joabe; Elanã, filho de Dodô, de Belém; Samá e Elica, de Harode; Helez, de
Pelete; Ira, filho de Iques, de Tecoa; Abiezer, de Anatote; Mebunai, de Husate;
Zalmom, de Aoí; Maarai, de Netofate; Helede, filho de Baaná, de Netofate; Itai,
filho de Ribai, de Gibeá de Benjamim; Benaia, de Piratom; Hidai, dos riachos de
Gaás; Abi-Albom, de Arbate; Azmavete, de Baurim; Eliaba, de Saalbom; Jasém, de
Gizom; Jônatas, filho de Samá, de Harar; Aião, filho de Sarar, de Harar;
Elifelete, filho de Aasbai, de Maaca; Eliã, filho de Aitofel, de Gilo; Hezrai,
do Carmelo; Paarai, de Arabe; Igal, filho de Natã, de Zobá; o filho de Hagri;
Zeleque, de Amom; Naarai, de Beerote, escudeiro de Joabe, filho de Zeruia; Ira
e Garebe, de Jatir; e o hitita Urias. Ao todo trinta e sete."
2Samuel 24
O
levantamento do censo
"1 Mais uma vez, o Eterno se
enfureceu contra Israel. Ele testou Davi, dizendo: “Faça um censo de Israel e
de Judá”. Davi deu ordens a Joabe e aos oficiais do exército, dizendo:
“Percorram todas as tribos de lsrael, desde Dã até Berseba, e façam o levantamento
de toda a população. Quero saber o número de habitantes".
3 Joabe resistiu e disse ao rei:
“Que o Eterno multiplique cem vezes o número de pessoas à vista do meu senhor,
mas qual a necessidade disso? "
4 O rei, entretanto, insistiu, e
Joabe e os oficiais do exército se despediram do rei e saíram para levantar o
censo de Israel. Atravessaram o Jordão, começando em Aroer, pela cidade no vale
de Gade, perto de Jazer. Prosseguiram para Gileade, passaram o Hermom, depois,
seguiram para Dã e contornaram Sidom. Percorreram a fortaleza de Tiro e todas
as cidades dos heveus e dos cananeus. Finalmente, chegaram ao Neguebe de Judá,
em Berseba. Percorreram todo o país e, depois de nove meses e vinte dias,
voltaram para Jerusalém. Joabe entregou os resultados do censo ao rei. Em
lsrael, havia oitocentos mil homens capazes de lutar, e em Judá, quinhentos
mil.
10 Mas, depois de tudo feito, Davi
se sentiu culpado por ter levantado o censo da população, confiando nos dados
apurados. Davi orou ao Eterno: “Pequei contra ti no que acabei de fazer. Mas
peço-te que perdoes a minha culpa. Fui imprudente”.
11 No dia seguinte, quando Davi se
levantou, veio a palavra do Eterno ao profeta Gade, conselheiro espiritual de
Davi: “Vá dizer a Davi: ‘O Eterno diz o
seguinte: Há três castigos que posso dar.
O que você escolher, eu executarei".
13 Gade entregou a mensagem: “O
senhor prefere três anos de seca na terra, três meses fugindo dos seus inimigos
enquanto eles o perseguirem ou três dias de epidemia no país? Pense e resolva.
O que devo dizer a quem me enviou?”.
14 Davi disse a Gade: “São todos
terríveis! Mas prefiro ser punido pelo Eterno, cuja misericórdia não tem fim, a
cair nas mãos dos homens”.
15 O Eterno enviou uma epidemia
desde cedo até a noite. Desde Dã até Berseba, morreram setenta mil pessoas.
Mas, quando o anjo chegou para destruir Jerusalém, o Eterno percebeu o
sofrimento e o terror e ordenou ao anjo que estava executando a sentença: “Basta! Já chega!”. O anjo do Eterno tinha
acabado de chegar à eira de Araúna, o jebuseu. Davi olhou e viu o anjo se
movendo entre a terra e o céu com a espada pronta para ferir Jerusalém. Davi e
seus conselheiros se curvaram em oração e se vestiram de pano de saco.
17 Quando Davi viu o anjo pronto
para matar o povo, orou, dizendo: “Ah! Fui eu que pequei. Eu, o pastor,
cometi esse erro. Mas o que estas ovelhas fizeram de errado? Castigue a mim e a
minha família, mas não a eles”.
18 Naquele mesmo dia, Gade
procurou Davi e disse: “Construa um altar na eira de Araúna, o jebuseu”. Davi
foi cumprir a ordem do Eterno, transmitida por Gade.
20 Quando Araúna viu Davi e seus
homens se aproximando, prostrou-se com o rosto em terra e, respeitosamente,
disse ao rei: “Por que, meu senhor, o rei, veio me ver?" Davi respondeu:
“Vim comprar a sua eira para construir um altar ao Eterno e pôr fim a esta
calamidade”.
22 Araúna disse: “Meu senhor, pode
pegar e sacrificar o que quiser. Ali está um boi para o holocausto. A canga e
as tábuas para debulhar podem servir de lenha para a fogueira. Dou tudo isso ao
rei! Que o Eterno, seu Deus, tenha misericórdia do senhor”.
24 Mas o rei disse a Araúna: “De
modo algum! Quero pagar preço justo por tudo isso. Não oferecerei ao Eterno,
meu Deus, sacrifícios que não me custem nada”. Então, Davi comprou a eira e o
boi por cinquenta peças de prata. Ele construiu um altar ao Eterno e sacrificou
ofertas queimadas e ofertas de paz. O Eterno ouviu a sua oração e fez cessar a
calamidade."
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