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07 - Juízes

 

O Livro dos Juízes

Introdução

 

O Livro de Juízes conta a história de Israel desde a conquista da terra de Canaã até o começo da monarquia. Nesse tempo surgiram os “juízes”, que eram principalmente chefes militares, mas também resolviam as questões legais do povo.

Este livro ensina que o povo de Israel só continuaria a existir se fosse fiel a Deus, enquanto a infidelidade sempre levaria à desgraça. Porém há mais do que isso. Mesmo quando a nação era infiel e a desgraça vinha, Deus estava sempre pronto a salvar o seu povo quando eles se arrependiam e voltavam para ele.

Esquema do conteúdo

1. Introdução geral ao período dos juízes (1.1—3.6)

a. Os israelitas se estabelecem em Canaã (1.1—2.5)

b. Síntese histórica do período dos juízes (2.6—3.6)

2. Os juízes de Israel (3.7—16.31)

a. De Otniel a Sangar (3.7-31)

b. Débora, a profetisa (4.1—5.31)

c. Gideão e Abimeleque (6.1—9.57)

d. Tola e Jair (10.1-5)

e. Jefté (10.6—12.7)

f. De Ibsã a Abdom (12.8-15)

g. Sansão (13.1—16.31)

3. Apêndices (17.1—21.25)

a. O sacerdote Mica e os danitas (17.1—18.31)

b. O levita e a sua concubina. A guerra contra os benjamitas (19.1—21.25)

 

 

Juízes 1

Novas conquistas pelas tribos

"1 Depois da morte de Josué, o povo de Israel perguntou ao Eterno: “Quem vai tomar a iniciativa de atacar os cananeus?”.

2 E o Eterno respondeu:
Judá irá. Eu entreguei a terra nas mãos deles”.

3 Os homens de Judá disseram aos homens de Simeão, seu irmão: “Venham conosco ao nosso território para nos ajudar a atacar os cananeus. Depois, iremos para o território de vocês”.
Então, Simeão foi com eles.

4 Judá atacou. O Eterno entregou os cananeus e os ferezeus nas mãos deles.
Judá os derrotou em Bezeque — dez mil militares!

5 Depois, alcançaram Adoni-Bezeque e lutaram contra ele. Massacraram os cananeus e os ferezeus. Adoni-Bezeque fugiu, mas eles o perseguiram e o capturaram. Eles cortaram os polegares das mãos e dos pés dele. Adoni-Bezeque disse: “Setenta reis sem os polegares das mãos e dos pés rastejavam, comendo migalhas debaixo da minha mesa. Agora Deus fez comigo o que eu fiz com eles”.
Eles o levaram para Jerusalém, e ele morreu ali.

8 O povo de Israel atacou e capturou Jerusalém.
Subjugaram a cidade pela espada e a incendiaram.
Depois disso, foram atacar os cananeus que viviam nas montanhas, no Neguebe e nas planícies. Em seguida, avançaram contra os cananeus que viviam em Hebrom (Hebrom era chamada Quiriate-Arba) e derrotaram Sesai, Aimã e Talmai.

11 Dali, foram atacar a população de Debir (Debir era chamada Quiriate-Sefer). Calebe tinha prometido: “Darei minha filha Acsa em casamento a quem atacar e conquistar Quiriate-Sefer”.

13 Otoniel, filho de Quenaz, irmão de Calebe, a conquistou; então, Calebe deu-lhe em casamento sua filha Acsa.

14 Quando ela chegou, fez que ele pedisse um campo a seu pai. Quando ela desceu do jumento Calebe perguntou: “O que você deseja?”. Ela respondeu: “Dê-me um presente de casamento. Você já me deu terras desertas. Dê-me agora fontes de água!”. Então, ele lhe deu as fontes superiores e as fontes inferiores.

16 Os descendentes de Hobabe, o queneu, sogro de Moisés, saíram com os moradores de Judá da cidade das Palmeiras para o deserto de Judá, na descida de Arade.
Eles passaram a viver ali com os amalequitas.

17 O povo de Judá saiu com seus parentes simeonitas, eles atacaram os cananeus que viviam em Zefate.
Eles executaram a santa condenação e mudaram o nome de Zefate para Cidade Maldita.

18 Judá não conseguiu conquistar Gaza, Ascalom e Ecrom, com os seus territórios. Mas o Eterno estava com Judá, pois eles conquistaram a região montanhosa.
Mas não conseguiram expulsar os povos das planícies, porque eles tinham carros de ferro.

20 Eles deram Hebrom a Calebe, como Moisés havia instruído. Calebe expulsou os três filhos de Enaque.

21 O povo de Benjamim não conseguiu expulsar os jebuseus que viviam em Jerusalém. Os benjamitas e os jebuseus vivem até hoje lado a lado em Jerusalém.

22 A tribo de José atacou Betel, e o Eterno estava com eles.
José enviou espiões para examinar o lugar. Betel era chamada Luz. Os espiões viram um homem saindo da cidade e disseram: “Mostre-nos como entrar na cidade, e cuidaremos bem de você”. O homem mostrou como entrar. Eles mataram todos os moradores da cidade, exceto o homem e sua família. Ele se mudou para o território dos hititas, construiu uma cidade e deu a ela o nome de Luz — esse é seu nome até hoje.

27 Manassés não conseguiu expulsar o povo de Bete-Seã, Taanaque, Dor, Ibleã e Megido e do território ao redor.
Os cananeus fincaram o pé e não cederam. Quando Israel se fortaleceu, eles submeteram os cananeus a trabalhos forçados, mas nunca se livraram deles.

29 Efraim não conseguiu expulsar os cananeus que viviam em Gezer. Os cananeus resistiram e permaneceram na terra com eles.

30 Nem Zebulom conseguiu expulsar os cananeus de Quitrom e Naalol. Eles continuaram vivendo ali, mas foram submetidos a trabalhos forçados.

31 Aser não conseguiu expulsar o povo de Aco, Sidom, Alabe, Aczibe, Helba, Afeque e Reobe. Já que não conseguiu expulsar os cananeus, Aser teve de conviver com eles.

33 Naftali também não conseguiu expulsar o povo de Bete-Semes e Bete-Anate. Por isso, a tribo de Naftali ocupou a terra, mas teve de conviver com os antigos moradores, embora os tenha submetido a trabalhos forçados.

34 Os amorreus forçaram o povo de Dã a ocupar as montanhas e não deixaram que eles descessem para as planícies. Os amorreus resistiram e ficaram no monte Heres, em Aijalom e em Saalbim. Mas, quando os descendentes de José ocuparam as regiões superiores, eles também foram submetidos a trabalhos forçados.

36 A fronteira dos amorreus se estendia desde a subida de Acrabim até Selá, mais adiante."

 

Juízes 2

Deus repreende os israelitas

"1 O anjo do Eterno subiu de Gilgal para Boquim e disse:
Eu tirei vocês do Egito. Eu conduzi vocês para a terra que prometi aos seus antepassados. Eu prometi que nunca quebraria minha aliança com vocês — nunca! Alertei que jamais fizessem aliança com o povo que vive nesta terra, que destruíssem seus altares! Mas vocês não me obedeceram!
O que é que vocês estão fazendo
?

3 “Então, agora, aviso que não vou mais expulsar essa gente da presença de vocês. Eles serão um tropeço; e seus deuses, uma armadilha para vocês”.

4 Quando o anjo do Eterno falou todas essas palavras a todo o povo de Israel, eles choraram. E como choraram! Tanto que deram ao lugar o nome de Boquim (Chorões).
Então, ofereceram sacrifícios ao Eterno ali.

6 Depois de Josué despedir o povo de Israel, cada um foi para o território de sua herança e tomou posse da terra. O povo serviu ao Eterno durante toda a vida de Josué e dos líderes que o sucederam, mas que também tinham presenciado todas as grandes coisas que o Eterno fez por Israel. Josué, filho de Num, servo do Eterno, morreu. Ele tinha 110 anos de idade.
Foi sepultado na terra de sua herança em Timnate-Heres, nas montanhas de Efraim, no norte do monte Gaás.

10 Tempos depois, toda aquela geração morreu e foi sepultada.
E surgiu outra geração que não conhecia o Eterno nem as grandes coisas que ele tinha feito por Israel.

11 Então, o povo de Israel agiu mal diante do Eterno; eles começaram a servir aos deuses de Baal. Abandonaram o Eterno, o Deus de seus pais que os tirou do Egito, e seguiram os deuses dos povos ao redor. Começaram até a adorá-los! Provocaram a ira do Eterno, adorando o deus Baal e a deusa Astarote. O Eterno ficou furioso com Israel e os entregou aos saqueadores, que os assaltaram. Ele os entregou aos inimigos ao redor. Israel não pôde fazer nada contra os inimigos. Sempre que saíam para uma batalha, o Eterno os acompanhava, mas, para lutar contra eles, como ele mesmo tinha advertido e conforme tinha jurado.
Eles ficaram muito aflitos.

16 Então, o Eterno passou a designar juízes, que os livravam dos saqueadores. Mas eles não deram ouvidos aos juízes; continuaram a se prostituir com outros deuses — eles os adoraram! Não demoraram a deixar o caminho dos seus antepassados, o caminho da obediência aos mandamentos do Eterno. Eles se negaram a seguir esse caminho.

18 Quando o Eterno levantava um juiz para defendê-los, ele apoiava o juiz e livrava o povo da opressão dos inimigos durante toda a vida daquele juiz, pois o Eterno sentia compaixão sempre que pediam socorro por causa daqueles que os afligiam e os atacavam.
Mas, quando morria o juiz, o povo retornava à velha maneira de viver e eles se tornavam piores que seus antepassados! Seguiam outros deuses, servindo-os e adorando-os. Eram teimosos como mulas, não deixavam as suas práticas perversas.

20 Por isso, a ira do Eterno se acendeu contra Israel. Ele disse:
Já que este povo desprezou a aliança que fiz com seus antepassados, não dando ouvidos a mim, não expulsarei mais nenhum cidadão das nações que Josué deixou quando morreu. Elas servirão de teste, para ver se o povo de Israel permanece nos caminhos do Eterno, como seus antepassados fizeram”.

23 Foi por isso que o Eterno deixou aquelas nações ali. Ele não as expulsou nem permitiu que Josué as eliminasse."

Juízes 3

Povos pagãos no meio de Israel

"1 Estas são as nações que o Eterno deixou para testar os israelitas que não tinham experiência nas guerras de Canaã.
Ele permitiu que ficassem na terra a fim de treinar os descendentes de Israel, os que não tinham experiência de guerra; na arte de lutar. Ele deixou os cinco opressores filisteus, todos os cananeus, os sidônios e os heveus que viviam no monte Líbano, desde o monte Baal-Hermom até Lebo-Hamate. Eles foram deixados para testar a obediência de Israel aos mandamentos que o Eterno transmitiu aos seus antepassados por meio de Moisés.

5 Mas o povo de Israel se sentiu à vontade com os cananeus, os hititas, os amorreus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus. Eles tomaram as filhas deles em casamento e deram suas filhas aos filhos desses povos. Também adoraram os seus deuses.

7 O povo de Israel agiu mal perante o Eterno. Esqueceram-se do seu Deus e adoraram os deuses de Baal e as deusas de Astarote.
A ira do Eterno se acendeu contra Israel. Ele os entregou a Cuchã-Risataim, rei de Arã Naaraim. O povo de Israel serviu Cuchã-Risataim por oito anos.

9 Mas Israel clamou ao Eterno, e o Eterno designou um libertador para salvá-los: Otoniel, sobrinho de Calebe, filho de Quenaz, irmão mais novo de Calebe. O Espírito do Eterno veio sobre ele, e Israel se reuniu sob sua liderança. Otoniel foi à guerra, e o Eterno entregou Cuchã-Risataim, rei de Arã Naaraim.
Ele derrotou esse rei.

11 A terra teve paz por quarenta anos. Então, morreu Otoniel, filho de Quenaz.

12 Logo depois, o povo de Israel voltou a agir mal diante do Eterno. O Eterno instigou Eglom, rei de Moabe, a dominar os israelitas, porque agiram mal diante do Eterno. Eglom convocou os amonitas e os amalequitas, e eles atacaram Israel, conquistando a Cidade das Palmeiras. O povo de Israel ficou catorze anos sob o domínio de Eglom.

15 O povo de Israel clamou ao Eterno, e ele designou um libertador para eles: Eúde, filho de Gera, um benjamita. Ele era canhoto. O povo de Israel enviou tributo por meio dele ao rei Eglom de Moabe. Eúde fez para si uma espada curta de dois gumes e a prendeu à coxa direita por baixo da roupa.
Ele entregou o tributo a Eglom, rei de Moabe. Eglom era muito gordo. Depois de entregar o tributo, ele saiu com os carregadores do tributo. Mas, quando chegou até as imagens de pedra, perto de Gilgal, ele deu meia-volta, retornou e disse: “Tenho um assunto particular com você, ó rei!”. O rei ordenou aos que estavam na sala: “Retirem-se!”. E todos saíram.

20 Eúde aproximou-se dele — o rei estava sozinho em sua sala de verão, no pavimento superior — e disse: “Tenho uma mensagem da parte de Deus para você”. Eglom levantou-se do trono.
Com a mão esquerda, Eúde pegou a espada presa à coxa direita e cravou na barriga do rei. A lâmina penetrou nele, e também o cabo. A gordura se fechou sobre a arma; por isso, não foi possível retirá-la. Eúde escapou pelo terraço e, depois de trancar a porta da sala, desapareceu. Quando os servos do rei chegaram, ficaram surpresos ao ver a porta da sala trancada.
Disseram: “Provavelmente ele está no banheiro, fazendo suas necessidades”.

25 Eles aguardaram, mas, depois de um tempo, ficaram preocupados, porque ele não abria a porta. Finalmente, encontraram uma chave e entraram na sala.
Encontraram seu senhor deitado no chão — morto!

26 Enquanto confabulavam ao redor do morto, tentando decidir o que fazer, Eúde já estava longe. Já tinha passado pelas imagens de pedra e fugido para Seirá. Quando chegou ali, tocou a trombeta nas montanhas de Efraim. O povo de Israel desceu dos montes e se uniu ao novo líder.

28 Ele disse: “Sigam-me, pois o Eterno entregou o inimigo — Moabe — a vocês!”. Eles desceram com ele e ocuparam a travessia do Jordão que ficava perto de Moabe.
Assim, ninguém podia atravessar o rio.

29 Na ocasião, eles mataram cerca de dez mil moabitas, todos bem alimentados e fortes. Ninguém escapou. Naquele dia, Moabe foi subjugado por Israel. A terra teve paz por oitenta anos.

31 Sangar, filho de Anate, sucedeu Eúde como juiz. Com uma aguilhada de bois, ele matou sozinho seiscentos filisteus. Ele também libertou Israel."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Juízes 4

Servidão sob Jabim, rei de Canaã

"1 O povo de Israel voltou a agir mal diante do Eterno. Depois da morte de Eúde, o Eterno os entregou a Jabim, rei de Canaã, que reinava em Hazor. Sísera, que vivia em Harosete-Hagoim, era comandante do exército. O povo de Israel clamou ao Eterno, pois, durante vinte anos, Jabim oprimiu cruelmente os israelitas.
Ele possuía novecentos carros de ferro.

4 Débora, esposa de Lapidote, era profetisa. Na época, ela governava Israel e dava expediente debaixo da palmeira de Débora, que ficava entre Ramá e Betel, nas montanhas de Efraim. O povo de Israel a procurava para resolver suas disputas.

6 Débora mandou dizer a Baraque, filho de Abinoão, de Quedes, em Naftali: “Está claro para mim que o Eterno, o Deus de Israel, ordena isto a você: ‘Suba ao monte Tabor e prepare-se para a guerra. Leve dez mil soldados de Naftali e Zebulom. Eu me encarregarei de mandar Sísera, o comandante do exército de Jabim, ao rio Quisom com os seus carros e tropas.
Garanto que você vencerá a batalha’”.

8 Baraque respondeu: “Se você me acompanhar, eu vou.
Mas, se não me acompanhar, não vou”.

9 Ela disse: “Claro que vou acompanhá-lo. Mas entenda que, com essa atitude, a honra não será sua. O Eterno usará uma mulher para liquidar Sísera”. Débora se preparou e partiu com Baraque para Quedes. Baraque convocou Zebulom e Naftali para irem a Quedes. Dez mil homens o acompanharam.
Débora já estava com ele.

11 Nessa época, Héber, o queneu, havia se separado dos outros queneus, descendentes de Hobabe, sogro de Moisés. Ele vivia perto do carvalho de Zaanim, nas proximidades de Quedes.
Foi quando informaram a Sísera que Baraque, filho de Abinoão, tinha subido ao monte Tabor. Sísera imediatamente levou todos os seus carros para o rio Quisom — novecentos carros de ferro e todos os soldados que estavam com ele em Harosete-Hagoim.

14 Débora disse a Baraque: “Ataque! Hoje, o Eterno deu a você a vitória sobre Sísera. O Eterno irá à sua frente”. Baraque desceu do monte, seguido por seus dez mil soldados.

15 O Eterno derrotou Sísera — todos aqueles carros, todas aquelas tropas, diante de Baraque. Sísera pulou do seu carro e correu. Baraque perseguiu os carros e as tropas até Harosete-Hagoim. O exército de Sísera foi massacrado, não sobrou um soldado sequer.

17 Enquanto isso, Sísera, em sua fuga, chegou à porta da tenda de Jael, esposa de Héber, o queneu. Jabim, rei de Hazor, e Héber, o queneu, eram amigos. Jael saiu para encontrar-se com Sísera e disse: “Entre, senhor. Fique comigo. Não tenha medo”. Então, ele entrou na tenda, e ela o cobriu com uma coberta.

19 Ele disse: “Por favor, dê-me um pouco de água. Estou com sede”. Ela abriu uma vasilha de leite, deu de beber a ele e, depois, o cobriu outra vez.

20 Sísera disse à mulher: “Fique na entrada da tenda. Se alguém passar por aqui e perguntar se há alguém aqui dentro, responda: ‘Não, ninguém’”.

21 Ele caiu num sono pesado, por causa da exaustão. Então, Jael pegou uma estaca da tenda e um martelo, aproximou-se de mansinho e cravou a estaca na têmpora dele, atravessando-a até fincar a estaca no chão. Ele se contorceu e morreu.

22 Baraque, que perseguia Sísera, chegou logo depois. Jael foi a seu encontro e disse: “Venha, vou mostrar onde está aquele que você procura”. Ele a acompanhou e encontrou Sísera deitado, morto, com uma estaca fincada na têmpora.

23 Naquele dia, Deus tirou o poder de Jabim, rei de Canaã, sobre o povo de Israel, que continuou a apertar o cerco em torno de Jabim até que não sobrou nada dele."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Juízes 5

O cântico de Débora

"1 Naquele dia, Débora e Baraque, filho de Abinoão, cantaram este cântico: Quando os guerreiros soltaram o cabelo em Israel e o deixaram esvoaçar ao vento forte, o povo, numa exclamação voluntária, bendisse o Eterno!

3 Ouçam, ó reis! Escutem, ó príncipes! Ao Eterno, sim, ao Eterno cantarei. Vou compor um hino ao Eterno, ao Deus de Israel.

4 Óh Eterno, quando saíste de Seir, atravessando os campos de Edom, a terra tremeu, até os céus derramaram chuva, e as nuvens transformaram-se em rios. Os montes saltaram diante do Eterno, o Deus do Sinai, perante o Eterno, o Deus de Israel.

6 Na época de Sangar, filho de Anate, e na época de Jael, as estradas públicas foram abandonadas, e os viajantes tomavam desvios tortuosos. Os guerreiros ficaram gordos e relaxados, não tinham mais ânimo para lutar. Até que surgiu você, Débora; você, mãe em Israel, apareceu. Deus escolheu novos líderes que lutaram diante das portas. Não foram vistos escudos nem lanças entre os quarenta mil soldados de Israel.

9 Entregue seu coração, ó Israel, seja voluntário e dedicado, e todo o povo bendiga o Eterno!

10 Vocês que cavalgam jumentos de raça, confortavelmente montados em suas selas; vocês que caminham pelas ruas, ponderem, prestem atenção! Reúnam-se à volta do poço da cidade e ouçam-nos cantar, celebrando as vitórias do Eterno, as vitórias conquistadas em Israel. Então, o povo do Eterno desceu até as portas da cidade.

12 Desperta, desperta, Débora! Desperta, cante uma canção! Levante-se, Baraque!
Leve com você os seus prisioneiros, filho de Abinoão!

13 Então, os restantes desceram para saudar os heróis. O povo do Eterno se uniu aos poderosos. Os capitães de Efraim desceram para o vale, seguindo você, Benjamim, com as suas tropas.
Os comandantes marcharam de Maquir, de Zebulom vieram líderes do alto escalão. Os chefes de Issacar se uniram a Débora, Issacar permaneceu firme com Baraque, cobrindo a retaguarda nos campos de batalha. Mas, entre as divisões de Rúben, havia muita crítica. Por que tanta discussão em torno das fogueiras dos pastores? As divisões de Rúben, dispersas e distraídas, não conseguiam se decidir. Gileade não se arriscou a atravessar o Jordão, e Dã, por que partiu com os seus navios? Aser manteve distância, preferindo a segurança dos seus portos. Mas Zebulom arriscou a sua vida, desafiou a morte, assim como Naftali nos altos campos de batalha.

19 Os reis vieram e atacaram, e os reis de Canaã lutaram.
Lutaram em Taanaque, junto às águas de Megido, mas não levaram prata nem tomaram os despojos. " As estrelas do céu se uniram na batalha, de suas órbitas, lutaram contra Sísera.
O rio Quisom os arrastou, as torrentes os atacaram, a correnteza do Quisom. Óh! Você pisará o pescoço dos poderosos!
Os cascos dos cavalos faziam tremer o chão, garanhões galopando em fuga. “Amaldiçoem Meroz”, diz o anjo do Eterno. “Amaldiçoem duplamente seu povo, porque não compareceram quando o Eterno precisou deles, não se uniram ao Eterno com os seus valentes guerreiros”.

24 Mais bendita entre todas as mulheres é Jael, mulher de Héber, o queneu; a mais bendita entre as mulheres que cuidam do lar. Ele pediu água, ela trouxe leite; numa linda tigela, ofereceu coalhada. Ela segurou uma estaca da tenda com a mão esquerda e, com a mão direita, pegou um martelo. Ela cravou Sísera, esmagou sua cabeça, traspassou suas têmporas. Ele se curvou aos pés dela. Caiu e ficou estendido. Ele se curvou aos pés dela.
Ele caiu. Curvado. Prostrado. Morto.

28 A mãe de Sísera aguardava à janela, esperava incomodada e ansiosa. Dizia: “O que teria detido seu carro? Por que não se ouve o ruído dos carros?”. A mais sábia de suas damas respondia calmamente, tentando animá-la: “Não seria porque estão ocupados, buscando e repartindo os despojos? Uma moça, talvez duas, para cada soldado. Para Sísera, uma túnica de seda lustrosa, uma roupa luxuosa! Um ou dois cachecóis coloridos, para ornar o pescoço do espoliador”.

31 Assim, que pereçam todos os inimigos do Eterno, e os seus amados brilhem como o sol.
A terra teve paz durante quarenta anos."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Juízes 6

A opressão dos midianitas

"1 Outra vez o povo de Israel agiu mal perante o Eterno. O Eterno os deixou sob o domínio dos midianitas durante sete anos.
Os midianitas oprimiram Israel. Por causa deles, os israelitas eram obrigados a se esconder nas cavernas ou a construir lugares seguros. Quando Israel plantava sua lavoura, os midianitas e os amalequitas, os que viviam no leste, invadiam os campos e acampavam neles, destruindo as plantações até Gaza.
Não deixavam nada para o sustento dos israelitas; nem ovelhas, nem bois, nem jumentos.
Com os seus rebanhos e tendas, chegavam e tomavam conta da terra, como numa invasão de gafanhotos.
Eles possuíam uma quantidade incrível de camelos, que pisoteavam o solo e destruíam tudo.
O povo de Israel, reduzido à pobreza pelos midianitas, clamou pela ajuda do Eterno.

7 Depois que certa vez o povo de Israel clamou ao Eterno por causa dos midianitas, o Eterno lhes enviou um profeta com esta mensagem: “O Eterno, o Deus de Israel, declarou: ‘Eu libertei vocês do Egito, Eu libertei vocês da escravidão, resgatei vocês da crueldade do Egito e depois de todos opressores; Eu os eliminei da sua presença e entreguei a vocês a terra deles’. “Ele disse a vocês: ‘Eu sou o Eterno, o seu Deus. Não tenham medo, nem por um instante, dos deuses dos amorreus, que existem na terra em que vocês estão vivendo. Mas vocês não deram ouvidos a mim’”.

11 Um dia, o anjo do Eterno sentou-se debaixo do carvalho que está em Ofra, pertencente a Joás, o abiezrita. Gideão, seu filho, malhava o trigo num tanque de esmagar uvas, escondido dos midianitas. O anjo do Eterno apareceu a ele e disse:
O Eterno está com você, poderoso guerreiro!”.

13 Gideão respondeu: “Comigo, senhor? Se o Eterno está conosco, por que estamos nesta situação? Onde estão todas as maravilhas que nossos pais e avós nos contavam, afirmando:
‘O Eterno nos libertou do Egito’. Na verdade, o Eterno não quer saber de nós — ele nos entregou nas mãos dos midianitas”.

14 Então, se virou o Eterno para ele e disse:
Use a força que você tem. Liberte Israel da opressão dos midianitas. Sou Eu quem está enviando você”.

15 Gideão respondeu: “Eu, Senhor? Como e com que eu poderia libertar Israel? Olhe para mim. Meu clã é o menos importante de Manassés, e, na minha família, eu sou o menor”.

16 O Eterno disse: “Eu estarei com você. Confie em mim; você derrotará os midianitas como se fossem um só homem”.

17 Gideão respondeu: “Se você está dizendo a verdade, faça-me um favor: Dê-me um sinal, para que eu possa acreditar no que você está dizendo. Não saia daqui até eu voltar com um presente para você”. Ele disse: “Pode ir. Eu espero”.

19 Gideão foi preparar um cabrito e providenciou uma grande quantidade de pães sem fermento (utilizou mais de uma arroba de farinha!).
Arrumou a carne num cesto e o caldo numa panela e depositou a comida à sombra do carvalho — uma refeição sagrada.

20 O anjo do Eterno disse: “Tome a carne e o pão sem fermento, ponha-os sobre aquela pedra e despeje o caldo em cima”.
Gideão fez conforme a instrução do anjo.

21 O anjo do Eterno estendeu a ponta do cajado que carregava e tocou a carne e o pão. Na mesma hora, saíram chamas da pedra, e elas queimaram a carne e o pão, enquanto o anjo do Eterno sumia de vista. Gideão finalmente entendeu que aquele era o anjo do Eterno! Gideão disse: “Ah! Senhor, Eterno!
Eu vi teu anjo face a face!”.

23 Mas o Eterno o tranquilizou:
Não se preocupe. Não se apavore. Você não morrerá”.

24 Gideão construiu ali um altar ao Eterno e deu a ele o nome de A Paz do Eterno, ainda chamado assim em Ofra dos abiezritas.

25 Naquela mesma noite, o Eterno disse a Gideão:
Tome o melhor novilho de sete anos de seu pai. Destrua o altar de Baal, que é de seu pai, e derrube o poste sagrado de Aserá, que está do lado do altar. Depois, construa um altar dedicado ao Eterno, o seu Deus, no topo do monte. Tome o novilho escolhido e ofereça como oferta queimada, utilizando a madeira do poste sagrado de Aserá que você derrubou”.

27 Gideão escolheu dez homens entre seus empregados e fez exatamente o que o Eterno tinha ordenado. Mas, por causa dos seus familiares e vizinhos, teve medo de oferecer o sacrifício em público; então, fez isso à noite.

28 De manhã cedo, o povo da cidade ficou chocado ao ver o altar de Baal destruído, o poste de Aserá derrubado e o novilho queimando sobre o altar recém-construído.

29 Eles perguntavam: “Quem fez isso?”. E continuaram perguntando, até que veio a resposta: “Foi Gideão, filho de Joás”.

30 Os homens da cidade exigiram de Joás: “Traga seu filho para fora! Ele deve ser morto, porque destruiu o altar de Baal e derrubou o poste de Aserá!”.

31 Mas Joás enfrentou a multidão que o pressionava, dizendo: “Vocês vão lutar a favor de Baal? Vocês querem salvá-lo?
Quem quiser defender Baal estará morto amanhã. Se Baal é mesmo deus, deixem que ele mesmo lute e defenda seu altar
”.

32 Naquele dia, o povo apelidou Gideão de Jerubaal porque, depois de ter destruído o altar de Baal, ele disse:
“Deixem que Baal se defenda”.

33 Depois disso, todos os midianitas e amalequitas (os povos do leste) se uniram, atravessaram o rio e acamparam no vale de Jezreel. O Espírito do Eterno se apoderou de Gideão. Ele tocou a trombeta, e os abiezritas se prontificaram a combater do lado dele. Ele enviou mensageiros por todo o território de Manassés, convocando os homens para a guerra.
Enviou mensageiros também a Aser, Zebulom e Naftali, e todos atenderam a convocação.

36 Gideão disse a Deus: “Se for isso mesmo, se quiseres libertar Israel como disseste, vou deixar um pedaço de lã no lugar em que malhamos trigo. Se, de manhã, o orvalho estiver apenas na lã e o chão ao redor estiver seco, vou entender que desejas me usar para libertar Israel, como prometeste”.

38 E foi o que aconteceu.
Quando ele se levantou, logo cedo, espremeu a lã — e havia orvalho suficiente para encher uma tigela!

39 Gideão disse a Deus: “Não te irrites comigo, mas tenho outro pedido. Vou fazer mais um teste com a lã. Só que desta vez a lã deve ficar seca, e o chão, encharcado de orvalho”.

40 Deus fez acontecer isso naquela mesma noite.
Apenas a lã ficou seca, enquanto o chão ao redor estava
molhado de orvalho."

 

 

 

 

Juízes 7

Gideão, com trezentos homens, vence os midianitas

"1 Jerubaal (Gideão) levantou-se bem cedo no dia seguinte, e também suas tropas. Eles armaram acampamento perto da fonte de Harode. Os midianitas acamparam no vale, ao norte, próximo do monte Moré.

2 O Eterno disse a Gideão: “Este exército está muito grande.
Não posso entregar os midianitas em suas mãos desse jeito.
Seus homens vão ficar orgulhosos e dizer: ‘Fizemos tudo sozinhos’ e se esquecerão de mim. Faça o seguinte anúncio: ‘Quem estiver com medo ou estiver inseguro pode ir embora para o monte Gileade e voltar para casa
”.
Vinte e dois mil homens partiram. Restaram dez mil.

4 O Eterno disse a Gideão: “Ainda tem, muita gente. Desça com eles até a beira da água para que eu faça a última seleção. Quando eu disser: ‘Este vai com você’, ele irá. Quando disser: ‘Este não vai’, ele não irá”.
Assim, Gideão levou todo o exército para a beira do riacho.

5 O Eterno disse a Gideão: “Separe aqueles que beberem a água lambendo como cachorro. Do outro lado, reúna os que se ajoelharam e abaixaram o rosto para beber água”.
Foram trezentos os homens que lamberam água tirada com a mão. Os demais se ajoelharam para beber.

7 O Eterno disse a Gideão: “Vou usar os trezentos homens que lamberam água do riacho para libertar o povo.
Os midianitas serão entregues nas mãos deles.
O restante poderá voltar para casa
”.

8 Depois de reunir as provisões necessárias para o grupo e as trombetas, Gideão mandou o restante dos israelitas para casa e assumiu o comando dos trezentos. O acampamento dos midianitas ficava abaixo deles, no vale.

9 Naquela noite, o Eterno disse a Gideão: “Levante-se e desça até o acampamento. Eu os entreguei nas suas mãos. Se estiver receoso de descer, leve Pura, seu guarda-costas, com você. Depois que você ouvir os comentários no acampamento deles, terá toda a coragem e confiança de que precisa”.
Ele e seu guarda-costas desceram até onde estavam as sentinelas. Os midianitas, os amalequitas e vários povos do leste estavam espalhados no vale como enxame de gafanhotos. Os camelos eram tantos que pareciam os infinitos grãos de areia da praia!

13 Gideão chegou no exato momento em que um homem contava um sonho a seu amigo. Ele disse: “Tive este sonho: Um pão de cevada vinha rolando na direção do nosso acampamento. Chocou-se contra a tenda tão violentamente que ela caiu.
A tenda desmontou inteira!”.

14 Seu amigo respondeu: “Deve ser a espada de Gideão, filho de Joás, o israelita! Deus entregou os midianitas — e todo o acampamento nas mãos dele!”

15 Quando Gideão ouviu o relato do sonho e a interpretação, ajoelhou-se perante Deus e orou. Em seguida, voltou para o acampamento israelita e disse: “Vamos, levantem-se!
O Eterno nos entregou o exército midianita!”.

16 Ele dividiu os trezentos homens em três companhias.
Entregou a cada homem uma trombeta e um jarro vazio com uma tocha dentro, dando a seguinte instrução: “Observem e façam o que eu fizer. Quando eu chegar perto do acampamento, façam exatamente o que eu fizer. Quando eu e os meus companheiros tocarmos a trombeta, vocês também, em volta do acampamento, tocarão as trombetas e gritarão: ‘Pelo Eterno e por Gideão!’”.

19 Gideão e os cem homens que estavam com ele
aproximaram-se do acampamento no início da vigília da meia-noite, logo após a troca da guarda. Eles tocaram as trombetas, ao mesmo tempo em que quebravam os jarros. As três companhias tocaram as trombetas e quebraram os jarros. Os homens seguravam as tochas com a mão esquerda e as trombetas com a mão direita. Eles tocavam e gritavam: “À espada pelo Eterno e por Gideão!” Eles estavam posicionados ao redor do acampamento, cada um em seu posto. Todo o acampamento midianita despertou, assustado. Quando os trezentos homens tocaram a trombeta, o Eterno fez que os midianitas atacassem uns aos outros e, depois, fugissem para Bete-Sita, na direção de Zererá e da fronteira de Abel-Meolá, perto de Tabate.

23 Os israelitas de Naftali e de Aser e todos os homens de Manassés vieram ajudar e puseram os midianitas para correr.

24 Gideão enviou mensageiros a toda a região montanhosa de Efraim, convocando todos: “Venham lutar contra os midianitas! Bloqueiem a passagem do Jordão até Bete-Bara”.

25 Todos os homens de Efraim se reuniram e bloquearam a passagem do Jordão até Bete-Bara. Eles também capturaram dois comandantes midianitas, Orebe (Rapina) e Zeebe (Lobo).
Eles mataram Orebe na rocha de Orebe e mataram Zeebe no lagar de Zeebe. Depois de perseguir os midianitas, trouxeram a cabeça de Orebe e a de Zeebe a Gideão, do outro lado do rio."

 

 

 

 

 

Juízes 8

Gideão aplaca os efraimitas e mata os reis dos midianitas

"1 Os efraimitas perguntaram a Gideão: “Por que você não nos chamou quando foi lutar contra os midianitas?”
Eles estavam indignados e o criticavam, mas Gideão respondeu: “O que foi que eu fiz, comparado a vocês? Acaso as sobras das uvas de Efraim não são melhores que toda a colheita de Abiezer? Deus entregou a vocês os comandantes dos midianitas, Orebe e Zeebe. O que eu fiz em comparação a isso?” Depois de ouvir sua resposta, eles se acalmaram e não protestaram mais.

4 Gideão e os trezentos homens que o acompanhavam chegaram ao Jordão e atravessaram o rio. Eles estavam exaustos, mas continuavam a perseguição. Ele perguntou aos homens de Sucote: “Por favor, providenciem alimento para os homens que estão comigo. Eles estão exaustos, e eu estou perseguindo Zeba e Zalmuna, os reis midianitas”.

6 Mas os líderes de Sucote responderam:
“Vocês estão perdendo o seu tempo. Por que iríamos colaborar com uma empreitada inútil?”.

7 Gideão retrucou: “Seja como quiserem. Mas, depois que o Eterno me entregar Zeba e Zalmuna, vou debulhar vocês, vou rasgar a carne de vocês com espinhos e espinheiros do deserto”.

8 Dali, partiu para Peniel e fez o mesmo pedido. Os homens de Peniel, como os de Sucote, também se recusaram a ajudar. Gideão prometeu: “Quando eu voltar são e salvo, vou destruir esta torre”.

10 Zeba e Zalmuna estavam em Carcor com um exército de quinze mil homens — os que sobraram dos exércitos dos povos do leste. Eles haviam perdido cento e vinte mil soldados.

11 Gideão subiu pela rota dos nômades, a leste de Noba e Jogbeá e encontrou o acampamento sem defesa e o atacou. Zeba e Zalmuna fugiram, mas ele perseguiu e capturou os dois reis midianitas. O acampamento inteiro entrou em pânico.

13 Gideão, filho de Joás, voltou da guerra, passando pela subida de Heres. Capturou um jovem de Sucote e o interrogou. O jovem escreveu o nome das setenta e sete autoridades de Sucote. Então, Gideão procurou os homens de Sucote e disse: “Aqui estão Zeba e Zalmuna. Vocês zombaram de mim, dizendo que eu nunca iria capturá-los. Vocês não quiseram dar nem sequer uma sobra de pão para os meus homens exaustos e ainda nos ridicularizaram, dizendo que o nosso esforço seria inútil”.

16 Gideão prendeu os setenta e sete líderes de Sucote e os rasgou com espinhos e espinheiros. Depois, destruiu a torre de Peniel e matou todos os homens da cidade.

18 Ele perguntou a Zeba e Zalmuna: “Contem-me sobre os homens que vocês mataram em Tabor”. Eles responderam:
“Eram homens muito parecidos com você, cada um deles com fisionomia de príncipe”.

19 Gideão disse: “Eram meus irmãos, filhos da minha mãe.
Juro pelo Eterno que, se vocês não os tivessem matado, eu não mataria vocês”.

20 Dito isso, ordenou a Jéter, seu filho mais velho: “Mate esses dois!”. Mas ele não conseguia, não teve coragem de usar a espada contra eles, porque era muito jovem.

21 Zeba e Zalmuna disseram: “Faça você mesmo se for homem!”. Assim, o próprio Gideão pôs fim a vida de Zeba e Zalmuna.
Ele confiscou os enfeites do pescoço dos camelos deles.

22 Os israelitas pediram a Gideão: “Seja o nosso rei, você, seu filho e seu neto. Você nos libertou da tirania dos midianitas”.

23 Mas Gideão respondeu: “De modo algum eu ou meu filho reinaremos sobre vocês. O Eterno é que reinará”.

24 Gideão prosseguiu: “Mas tenho um pedido. Cada um de vocês me entregue um brinco do despojo que tomaram”. Os ismaelitas usavam brincos de ouro; por isso, todos os homens estavam com a bolsa cheia desses brincos.

25 Eles responderam: “Sem problema. São seus!”. Eles estenderam um pano e cada um depositou ali os brincos do despojo. Os brincos de ouro que Gideão pediu pesaram cerca de vinte quilos — fora os enfeites, os pingentes e as roupas luxuosas dos reis midianitas e os enfeites do pescoço dos camelos.

27 Gideão usou o ouro para fazer um colete sacerdotal e a exibiu em sua cidade, em Ofra. Todo o Israel cometeu profanação ali. Gideão e sua família também foram seduzidos por ela.

28 Os israelitas quebraram a tirania dos midianitas, e não se ouviu mais falar deles. Enquanto Gideão viveu, a terra esteve em paz por quarenta anos.

29 Jerubaal, filho de Joás, voltou para casa e ali ficou. Gideão teve setenta filhos. Ele foi o pai de todos eles, pois tinha muitas mulheres! Sua concubina de Siquém também deu a ele um filho, que recebeu o nome de Abimeleque.

32 Gideão, filho de Joás, morreu em idade avançada.
Foi sepultado no túmulo de seu pai, em Ofra dos abiezritas.

33 Mal Gideão foi sepultado, e o povo de Israel se desviou e se prostituiu com Baal — elegeram Baal-Berite como seu deus.
O povo de Israel se esqueceu do Eterno, o seu Deus, que os tinha livrado de todos os seus opressores. Também não foram leais para com a família de Jerubaal (Gideão), considerando-se o bem que ele havia feito a Israel."

 

Juízes 9

Abimeleque mata os seus irmãos e se declara rei

"1 Abimeleque, filho de Jerubaal, foi para Siquém, onde estavam seus tios e todos os parentes de sua mãe, e disse a eles: “Perguntem aos homens de Siquém: ‘O que vocês preferem, que setenta homens reinem sobre vocês, isto é, todos os filhos de Jerubaal, ou apenas um homem? Lembrem-se de que eu também sou da família de vocês’”.

3 Os parentes de sua mãe discutiram o assunto com as autoridades de Siquém, e eles optaram por Abimeleque, argumentando: “Afinal, ele é um dos nossos”.

4 Eles deram a Abimeleque setenta peças de prata do santuário de Baal-Berite. Com esse dinheiro, ele contratou o serviço de um bando de marginais. Ele foi até Ofra, na casa de seu pai, e matou seus meios-irmãos, filhos de Jerubaal. Matou todos os setenta sobre uma rocha, menos o mais jovem, Jotão, que conseguiu se esconder. Foi o único sobrevivente.

6 Todos os líderes de Siquém e Bete-Milo se reuniram debaixo do carvalho, perto da coluna de Siquém, e coroaram Abimeleque rei.

7 Quando deram a notícia a Jotão, ele subiu ao topo do monte Gerizim e discursou: "Ouçam-me, líderes de Siquém. Assim, Deus ouvirá vocês! Um dia, as árvores decidiram ungir um rei para si. Disseram à oliveira: ‘Reine sobre nós’. Mas a oliveira respondeu: ‘Acham que vou deixar o meu azeite, que honra os deuses e os homens, para dominar sobre as árvores?’.

10 Então, as árvores disseram à figueira: ‘Venha! Reine sobre nós’. Mas a figueira respondeu: ‘Acham que vou deixar a minha doçura, os meus frutos que dão água na boca, para dominar sobre as árvores?’.

12 As árvores, então, disseram à videira: ‘Venha! Reine sobre nós.’ Mas a videira respondeu: Acham que vou deixar o meu vinho, que alegra os deuses e os homens, para dominar sobre as árvores?’.

14 Finalmente, as árvores disseram ao espinheiro: ‘Venha! Reine sobre nós’. Mas o espinheiro disse às árvores: ‘Se vocês realmente desejam que eu seja o seu rei, refugiem-se na minha sombra. Mas se não quiserem, que saia fogo do espinheiro e queime até os cedros do Líbano!’.

16 “Agora, ouçam: Vocês acham que fizeram certo, coroando Abimeleque rei? Acham que respeitaram Jerubaal e sua descendência? Deram a Gideão o que ele merecia? Meu pai lutou por vocês, arriscou a própria vida e os libertou da opressão dos midianitas, mas vocês acabam de traí-lo. Vocês massacraram seus filhos — setenta homens sobre uma rocha! Vocês coroaram Abimeleque, filho de sua concubina, rei sobre os líderes de Siquém só porque ele é parente de vocês. Se acham que honraram Jerubaal, então, comemorem com Abimeleque e que ele se alegre com vocês. Do contrário, que saia fogo de Abimeleque e queime os líderes de Siquém e Bete-Milo. Ou saia fogo dos líderes de Siquém e de Bete-Milo para queimar Abimeleque”.

21 Depois desse discurso, Jotão fugiu para se salvar. Foi para Beer e fixou residência ali, porque tinha medo de seu irmão Abimeleque.

22 Abimeleque reinou sobre Israel três anos. Então, Deus provocou um atrito entre Abimeleque e os líderes de Siquém, que começaram a agir traiçoeiramente contra ele.
A violência voltou-se contra ele; o derramamento de sangue dos setenta irmãos, filhos de Jerubaal, caiu sobre Abimeleque e os líderes de Siquém que o ajudaram no massacre.

25 Os líderes de Siquém puseram homens de emboscada na subida das montanhas para assaltar os viajantes. Mas Abimeleque ficou sabendo.

26 Nesse meio-tempo, Gaal, filho de Ebede, chegou com seus parentes para residir em Siquém e conquistou a confiança dos líderes da cidade. Na época da vindima, foram para o campo pisar as uvas e fizeram uma festa no santuário do deus deles, um banquete com muita comida e bebida. A certa altura, começaram a criticar Abimeleque.

28 Gaal, filho de Ebede, perguntou: “Quem é esse Abimeleque? E por que nós, siquemitas, temos de obedecer a ele? Não é aquele filho de Jerubaal? O braço direito dele não se chama Zebul?
Ora, nós pertencemos a Hamor e honramos o nome de Siquém. Por que haveríamos de bajular Abimeleque? Se eu estivesse no comando desse povo, a primeira coisa que faria seria me livrar desse Abimeleque! Eu diria na cara dele: ‘Mostre a sua força, Abimeleque! Vamos ver quem manda aqui!’”.

30 Zebul, governador da cidade, ouvindo o que Gaal, filho de Ebede, dizia, ficou furioso e enviou secretamente alguns mensageiros a Abimeleque com este recado: “Gaal, filho de Ebede, e seus parentes vieram para Siquém e estão tramando contra você. Faça o seguinte: Traga suas tropas esta noite e arme uma emboscada no campo. De manhã, logo ao nascer do sol, ataque a cidade. Gaal e suas tropas sairão ao seu encontro.
Daí em diante, você sabe o que fazer”.

34 Abimeleque e as suas tropas, divididas em quatro companhias, saíram naquela noite e armaram uma emboscada perto de Siquém. De manhã, Gaal, filho de Ebede, foi para a entrada da cidade. Abimeleque e suas tropas deixaram o esconderijo. Quando Gaal os viu, disse a Zebul: “Veja, parece que tem gente descendo das montanhas!”. Zebul disfarçou: “Parecem homens, mas são apenas sombras nas montanhas”. E mudou de assunto.

37 Gaal insistiu: “Veja, são tropas descendo de Tabur-Eres
(O Umbigo da Terra). Uma companhia inteira está descendo pelo caminho do Carvalho dos Adivinhadores!”.

38 Zebul disse: “Onde está aquela sua coragem? Não foi você que disse: ‘Quem é esse Abimeleque? Por que temos de obedecer a ele?’. Pois aí está ele com as tropas de que você fez pouco caso.
É a sua chance. Lute contra ele!”.

39 Gaal, com o apoio dos líderes de Siquém, enfrentou Abimeleque. Mas Abimeleque venceu.
Gaal virou as costas e fugiu, deixando muitos feridos pelo caminho até a entrada da cidade.

41 Abimeleque permaneceu em Arumá, e Zebul expulsou Gaal e seus parentes de Siquém.

42 No dia seguinte, o povo fugiu para os campos, e alguém deu a notícia a Abimeleque. Ele convocou suas tropas, dividiu-as em três companhias e armou emboscada nos campos. Quando viu que o povo estava em campo aberto, saiu e o atacou. Abimeleque e a companhia que estava com ele avançaram até a entrada da cidade. As outras duas companhias perseguiram os que haviam saído da cidade e os mataram. Abimeleque lutou contra a cidade o dia todo, até que a subjugou e massacrou todos os moradores. Ele deixou a cidade em ruínas e jogou sal sobre ela.

46 Quando os líderes da torre de Siquém ficaram sabendo disso, foram até a fortaleza do templo do Deus da aliança. Alguém informou Abimeleque de que o grupo da torre de Siquém estava reunido. Então, ele e suas tropas subiram ao monte Zalmom (Montanha Escura). Abimeleque pegou seu machado, cortou lenha e a carregou nos ombros. Ele ordenou aos seus homens: “Façam o que estou fazendo. Depressa!”.
Então, cada um dos homens cortou um feixe de lenha e foi atrás de Abimeleque. A lenha foi empilhada sobre o abrigo da torre, e eles puseram fogo em tudo. Todos os que estavam na torre de Siquém morreram, cerca de mil homens e mulheres.

50 Abimeleque prosseguiu para Tebes. Ele sitiou Tebes e a conquistou. No centro da cidade, havia uma torre bem protegida, e todos os habitantes da cidade, com os seus líderes, se refugiaram ali, trancaram a porta por dentro e subiram para o topo. Abimeleque resolveu atacar a torre. Ele se aproximou da entrada para incendiá-la. Naquele momento, uma mulher jogou lá de cima uma pedra de moinho, que esmagou seu crânio. Ele chamou seu escudeiro e ordenou: “Pegue a sua espada e me mate, para que eles não digam: ‘Ele foi morto por uma mulher’". O jovem pegou a espada e matou Abimeleque.

55 Quando os israelitas viram Abimeleque morto, voltaram para casa.

56 Deus vingou o mal que Abimeleque tinha feito contra seu pai matando seus setenta irmãos. Deus fez recair sobre os homens de Siquém todo o mal que tinham feito — a maldição de Jotão, filho de Jerubaal."

 

 

 

 

 

 

 

 

Juízes 10

Tola e Jair, juízes dos israelitas

"1 Tolá, filho de Puá, filho de Dodô, foi o sucessor de Abimeleque. Ele também foi um libertador de Israel. Era da tribo de Issacar e vivia em Samir, nas montanhas de Efraim! Ele governou Israel vinte e três anos; depois, morreu e foi sepultado em Samir.

3 Depois dele, Jair, de Gileade, assumiu a liderança. Ele governou Israel durante vinte e dois anos. Tinha trinta filhos, que montavam trinta jumentos e tinham trinta cidades em Gileade. Até hoje, as cidades são chamadas Povoados de Jair.
Ele morreu e foi sepultado em Camom.

6 O povo de Israel voltou a agir mal diante do Eterno. Eles adoraram os deuses de Baal e as deusas de Astarote: deuses de Aram, Sidom e Moabe, além dos deuses dos amonitas e dos filisteus. Eles se desviaram e abandonaram o Eterno, deixando de servi-lo. A ira do Eterno se acendeu contra Israel, e ele os entregou aos filisteus e aos amonitas. Naquele ano, eles oprimiram sem dó o povo de Israel. Durante dezoito anos, eles tiranizaram o povo de Israel que vivia a leste do Jordão, na terra dos amorreus, em Gileade.

9 Então, os amonitas atravessaram o Jordão para atacar Judá, Benjamim e Efraim, e Israel ficou profundamente angustiado!

10 O povo de Israel clamou ao Eterno: “Pecamos contra ti! Abandonamos o nosso Deus para adorar os deuses de Baal!”.

11 O Eterno respondeu ao povo de Israel: “Quando os egípcios, os amorreus, os amonitas, os filisteus, os sidônios — até os amalequitas e os midianitas — os oprimiram, vocês clamaram a mim e eu os libertei. Agora, vocês me abandonaram outra vez, adorando outros deuses. Não vou ajudar desta vez.
Façam assim: Clamem aos deuses que vocês escolheram, para que eles os livrem da encrenca em que vocês se meteram
!”.

15 Mas o povo de Israel disse ao Eterno: “Nós pecamos. Depois, podes fazer conosco o que achares melhor, mas livra-nos desta opressão!”.

16 Eles baniram os deuses estrangeiros das suas casas e passaram a adorar apenas ao Eterno. O Eterno não deixou de ter compaixão das aflições de Israel.

17 Os amonitas se prepararam para a guerra, acampando em Gileade. O povo de Israel acampou contra eles em Mispá.
Os líderes de Gileade disseram: “Quem comandará a guerra contra os amonitas?
Nós o faremos chefe de todos os moradores de Gileade”."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Juízes 11

Jefté livra os israelitas

"1 Jefté, o gileadita, era um guerreiro valente. Ele era filho de uma prostituta, e seu pai era Gileade. A mulher de Gileade também deu filhos a ele. Quando eles cresceram, expulsaram Jefté de casa, pois diziam: “Você não receberá nenhuma herança da família. Você é filho de outra mulher”. Por isso, Jefté fugiu dos irmãos e foi morar na terra de Tobe. Alguns marginais se juntaram a ele e formaram um bando.

4 Algum tempo depois, os amonitas tomaram a iniciativa do ataque contra Israel. Diante daquela ameaça, os líderes de Gileade foram procurar Jefté na terra de Tobe.
Disseram á Jefté: "Venha! Seja o nosso general para que possamos atacar os amonitas”.

7 Mas Jefté respondeu aos líderes de Gileade: “Vocês me odeiam. Vocês me expulsaram da casa de minha família. Por que vieram me procurar agora? É porque estão em apuros, não é?”.

8 Os líderes de Gileade reconheceram: “Exatamente.
Viemos atrás de você para que nos ajude a lutar contra os amonitas. Você será comandante de todos nós, de todos os moradores de Gileade”.

9 Jefté perguntou aos líderes de Gileade: “Se vocês me levarem de volta para lutar contra os amonitas e o Eterno me der a vitória, serei chefe de vocês, correto?”.

10 Eles responderam: “O Eterno é testemunha entre nós: Faremos tudo o que você mandar”. Assim, Jefté concordou em ir com os líderes de Gileade. O povo o tornou chefe e comandante deles. Jefté repetiu o que tinha dito diante do Eterno em Mispá.

12 Jefté enviou mensageiros ao rei dos amonitas com a seguinte mensagem: “O que está acontecendo, para que vocês venham procurar briga na minha terra?”.

13 O rei dos amonitas respondeu aos mensageiros de Jefté:
“É que Israel tomou a minha terra quando veio do Egito; desde o Arnom até o Jaboque e o Jordão. Devolvam tudo pacificamente, e deixarei vocês em paz”.

14 Jefté enviou novamente os mensageiros ao rei dos amonitas com esta mensagem: “Jefté mandou dizer: ‘lsrael nunca tomou terra dos moabitas nem dos amonitas. Quando os israelitas vieram do Egito, eles vieram pelo deserto desde o mar Vermelho até Cades. Dali, Israel enviou mensageiros ao rei de Edom dizendo: Deixe-nos atravessar a sua terra. Mas o rei de Edom não os deixou passar. Israel também pediu permissão ao rei de Moabe, mas ele também não os deixou passar. Eles ficaram parados em Cades. Então, eles atravessaram o deserto e rodearam a terra de Edom e de Moabe. Eles chegaram a leste da terra de Moabe e acamparam do outro lado do Arnom — nem sequer pisaram em território moabita, pois Amom ficava na fronteira de Moabe. Em seguida, Israel enviou mensageiros a Seom, rei dos amorreus, em Hesbom, pedindo: Deixe-nos atravessar o seu território de passagem para a nossa terra.
Mas Seom não acreditou que Israel iria apenas atravessar seu território e convocou todo o seu exército. Eles acamparam em Jaza e lutaram contra Israel. Mas o Eterno, o Deus de Israel, entregou Seom e todas as suas tropas nas mãos de Israel.
Israel os derrotou e conquistou toda a terra dos amorreus, desde o Arnom até o Jaboque e desde o deserto até o Jordão. Foi o Eterno, o Deus de Israel, quem expulsou os amorreus em benefício de Israel. Então, quem você pensa que é para reclamar a posse desta terra? Por que não se contenta com o que o seu deus Camos deu a você, e nós nos contentaremos com o que o Eterno, o nosso Deus, nos deu? Você acha que é melhor que Balaque, filho de Zipor, rei de Moabe? Ele conseguiu alguma coisa fazendo oposição a Israel? Ele arriscou lutar contra nós?
Todo esse tempo, e já se passaram trezentos anos desde que Israel viveu em Hesbom e seus povoados, em Aroer e seus povoados e em todas as cidades ao longo do Arnom, por que você não tentou conquistá-las? Você está enganado. Não tiramos nada de você. Mas você estará cometendo um grande erro, se pretende declarar guerra contra nós. Hoje o Eterno, o verdadeiro Juiz, decidirá entre o povo de Israel e o povo de Amom’”.

28 Mas o rei dos amonitas não deu atenção a nada que Jefté dizia.

29 O Espírito do Eterno veio sobre Jefté. Ele atravessou Gileade e Manassés, passou por Mispá de Gileade e, de lá, se aproximou dos amonitas. Jefté fez um voto ao Eterno: “Se me deres a vitória sobre os amonitas, dedicarei ao Eterno aquele que sair da porta da minha casa para me encontrar, quando eu retornar a salvo da guerra contra os amonitas.
Será oferecido a ti como oferta queimada”.

32 Depois disso, Jefté saiu para lutar contra os amonitas. O Eterno os entregou em suas mãos. Ele os atacou com todo ímpeto, desde Aroer até a região de Minite, até Abel-Queramim, e conquistou vinte cidades! Foi um verdadeiro massacre! Os amonitas foram dominados pelo povo de Israel.

34 Jefté voltou para Mispá, e sua filha saiu de casa para encontrá-lo, dançando ao som de tamborins! Ela era filha única, porque ele não tinha outros filhos e filhas.
Quando ele percebeu quem era, rasgou a própria roupa e gritou: “Ah, minha filha querida! Estou envergonhado! Você é a causa do meu desprezo. Meu coração está partido. Fiz um voto ao Eterno e não posso deixar de cumpri-lo!”.

36 Ela disse: “Meu pai, se você fez um voto ao Eterno, faça comigo o que prometeu.
O Eterno fez a parte dele, livrando você dos amonitas”.

37 Ela disse também a seu pai: “Só vou pedir uma coisa.
Dê-me dois meses, para que eu possa ir às montanhas com as minhas amigas chorar por causa da minha virgindade, já que nunca vou poder me casar”.

38 Ele respondeu: "Você pode ir”. E deu a ela o prazo de dois meses. Ela e as suas amigas foram para as montanhas, chorando por ela não poder se casar. Dois meses depois, ela estava de volta. Ele cumpriu o voto que tinha feito a respeito dela.
Ela nunca teve relações com homem algum.

39 Tornou-se costume em Israel que todos os anos, as moças de Israel se reuniam durante quatro dias para chorar pela filha de Jefté de Gileade."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Juízes 12

Jefté peleja contra os efraimitas

"1 Os homens de Efraim convocaram as suas tropas, rumaram para Zafom e disseram a Jefté: “Por que você foi lutar contra os amonitas sem nos chamar?
Nós vamos queimar a sua casa com você dentro”.

2 Jefté respondeu: “Eu e o meu povo estivemos muito envolvidos em negociações com os amonitas. Eu mandei chamá-los, mas vocês me ignoraram. Quando percebi que vocês não viriam, tomei a decisão por mim mesmo e lutei contra os amonitas.
O Eterno os entregou nas minhas mãos!
Então, o que querem aqui? Vieram lutar contra nós?”.

4 Jefté convocou as tropas de Gileade e atacou Efraim.
Os homens de Gileade os atacaram com fúria, porque estavam dizendo: “Os gileaditas não são nada.
São desertores de Efraim e Manassés”.

5 Os gileaditas dominaram as passagens do Jordão na travessia para Efraim. Quando um fugitivo efraimita dizia: “Deixem-me passar”, os homens de Gileade perguntavam: “Você é de Efraim?”. Ele respondia: “Não”. Então, eles pediam: “Diga: ‘Chibolete’”. Mas eles sempre falavam: “Sibolete”, porque não conseguiam pronunciar corretamente. Então, eles agarravam o homem e o matavam ali mesmo, na passagem do Jordão. Naquela ocasião, foram mortos quarenta e dois mil efraimitas.

7 Jefté governou Israel seis anos. Jefté de Gileade morreu e foi sepultado em sua cidade, Mispá de Gileade.

8 Depois dele, Ibsã, de Belém, governou Israel. Ele tinha trinta filhos e trinta filhas. Ele deu suas filhas em casamento a homens fora do seu clã e trouxe trinta mulheres de outros clãs para se casarem com seus filhos.

10 Ele governou Israel durante sete anos.
Ibsã morreu e foi sepultado em Belém.

11 Depois de Ibsã, Elom, de Zebulom, dominou sobre Israel.
Ele governou dez anos. Elom de Zebulom morreu e foi sepultado em Aijalom, na terra de Zebulom.

13 Depois dele, Abdom, filho de Hilel, de Piratom, governou Israel. Ele teve quarenta filhos e trinta netos, que montavam setenta jumentos. Ele governou Israel durante oito anos. Abdom, filho de Hilel, de Piratom, morreu e foi sepultado em Piratom, na terra de Efraim, na região montanhosa dos amalequitas."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Juízes 13

O nascimento de Sansão

"1 O povo de Israel voltou a agir mal diante do Eterno. Por isso, o Eterno os entregou ao domínio dos filisteus por quarenta anos. Naquele tempo, vivia um homem em Zorá, chamado Manoá, da tribo de Dã. Sua mulher era estéril. O anjo do Eterno apareceu a ela e disse: “Sei que você não tem filhos e é estéril. Pois você ficará grávida e terá um filho. Mas tenha cuidado: não beba vinho nem bebida forte. Não coma nada ritualmente impuro. Você já está grávida de um menino. Não passe a navalha na cabeça dele. O menino será consagrado a Deus como nazireu desde o nascimento. Ele libertará o seu povo da opressão dos filisteus”.

6 A mulher contou ao marido o que havia acontecido:
“Um homem de Deus veio até mim. Ele parecia um anjo de Deus, um ser impressionante, glorioso! Não perguntei de onde ele era nem ele me revelou seu nome, mas disse: ‘Você está grávida. Você terá um menino. Não beba vinho nem bebida forte, nem coma nenhuma comida ritualmente impura.
O menino será consagrado a Deus como nazireu desde seu nascimento até sua morte

8 Manoá orou ao Eterno: “Senhor, peço-te que o homem de Deus que enviaste volte para nos ensinar como criar esse menino que está para nascer”.

9 Deus ouviu o pedido de Manoá. O anjo de Deus voltou para falar com a mulher. Ela estava sozinha no campo; Manoá não estava com ela. Por isso, ela correu e chamou o marido:
“Ele voltou! O homem que veio outro dia!”.

11 Manoá seguiu a mulher até onde o homem estava.
Ele perguntou ao homem: “É você o homem que falou com minha mulher?”. Ele respondeu: “Eu sou”.

12 Manoá, então, disse: “Quando se cumprir o que você nos disse, como cuidaremos desse menino?
Qual será o seu trabalho?”.

13 O anjo do Eterno respondeu a Manoá: “Observe todas as instruções que dei à sua mulher. Ele não deve comer nada que venha da videira: vinho ou bebida forte. Não deve comer nenhuma comida ritualmente impura.
Ela deve seguir à risca tudo que ordenei a ela
”.

15 Manoá disse ao anjo do Eterno: “Por favor, fique conosco mais um tempo! Vamos preparar um cabrito para você”.

16 O anjo do Eterno disse a Manoá: “Mesmo que eu ficasse, não poderia comer a sua comida. Mas, se quiser preparar uma oferta queimada, ofereça-a ao Eterno!”.
Manoá não sabia que estava falando com o anjo do Eterno.

17 Então, Manoá perguntou ao anjo do Eterno: “Qual é o seu nome? Quando essas palavras se cumprirem, queremos homenagear você".

18 O anjo do Eterno respondeu: “Por que você pergunta pelo meu nome? Você não entenderia — é simplesmente maravilhoso”.

19 Então, Manoá tomou o cabrito e a oferta de cereal e sacrificou sobre um altar de pedras ao Eterno, o Deus que faz maravilhas.
As chamas do altar subiram ao céu, e o anjo do Eterno subiu por elas. Quando Manoá e sua mulher o viram subir, prostraram-se com o rosto em terra.
Manoá e sua mulher nunca mais viram o anjo do Eterno.

21 Só então, Manoá percebeu que era o anjo do Eterno e disse a sua mulher: “Nós vamos morrer, porque vimos Deus”.

23 Mas ela retrucou: “Se o Eterno quisesse nos matar, não aceitaria nossa oferta queimada e a oferta de cereais, nem nos teria revelado tudo isso.
Ele não teria anunciado o nascimento da criança”.

24 A mulher deu à luz um menino. Os pais lhe deram o nome de Sansão. O menino cresceu, e o Eterno o abençoou.
O Espírito do Eterno começou a agir nele quando ele morava em Maané-Dã entre Zorá e Estaol."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Juízes 14

O casamento de Sansão

"1 Sansão foi à cidade de Timna. Ali conheceu uma mulher das filhas dos filisteus. Quando voltou para casa, disse a seu pai e sua mãe: “Vi uma mulher em Timna, do povo filisteu.
Quero me casar com ela”.

3 Seus pais disseram: “Não há uma mulher do nosso povo que agrade a você? Tinha de ir procurar uma mulher entre os incircuncisos, os filisteus?”. Mas Sansão insistiu: “Vão buscá-la para mim. É ela que eu quero — é com essa que quero me casar”.

4 Seu pai e sua mãe não tinham ideia de que o Eterno estava por trás disso, que ele estava criando uma oportunidade contra os filisteus, porque, naquele tempo, eles dominavam os israelitas.

5 Sansão desceu a Timna com seu pai e sua mãe. Quando chegou perto das vinhas de Timna, um leão novo, rugindo, correu em sua direção. O Espírito do Eterno se apoderou de Sansão, e ele rasgou o animal com as mãos, como se fosse um cabrito.
Mas não contou aos pais o que aconteceu.

7 Então, ele foi falar com a moça e para Sansão, ela era a escolhida.

8 Passados alguns dias, quando retornou para buscá-la, ele fez um desvio no caminho para ver o que havia restado do leão. Ficou admirado ao encontrar um enxame de abelhas e mel no cadáver do leão! Ele pegou um punhado e continuou caminhando, enquanto comia o mel. Quando reencontrou seu pai e sua mãe, deu a eles um pouco, e ambos comeram. Mas não contou que tinha tirado o mel do cadáver do leão.

10 Seu pai desceu para encontrar-se com a moça, enquanto Sansão preparava a festa. Era assim que os moços faziam.
Como os filisteus desconfiavam dele, trouxeram trinta rapazes para que o acompanhassem.

12 Sansão disse: “Quero propor uma charada. Se vocês a solucionarem durante os sete dias da festa, darei a vocês trinta trajes de linho e trinta mudas de roupa. Mas, se não conseguirem solucionar, vocês é que me darão trinta trajes de linho e trinta mudas de roupa”.

13 Eles responderam: “Proponha a charada. Estamos ouvindo”. Então, ele disse: “Do que come saiu comida, do forte saiu doçura”.

14 Eles não conseguiram solucionar a charada. Três dias depois, ainda estavam pensando. No quarto dia, disseram à mulher de Sansão: “Arranque a resposta do seu marido, do contrário, queimaremos você e a família de seu pai. Afinal, vocês nos convidaram para nos levar à falência?”.

16 Então, a mulher de Sansão começou a choramingar no ouvido dele: “Você me odeia! Você não me ama! Você propôs uma charada para o meu povo, mas não conta a resposta nem para mim”. Ele respondeu: “Não contei nem a meus pais; por que contaria a você?”.

17 Mas ela o importunou durante os sete dias da festa.
No sétimo dia, cansado da perturbação dela, ele revelou a solução da charada à mulher. Ela foi imediatamente passar a resposta aos seus compatriotas.

18 Os homens da cidade procuraram Sansão no sétimo dia, antes do pôr do sol, e disseram: “O que é mais doce que o mel? O que é mais forte que o leão?”.
Sansão respondeu: “Se vocês não tivessem arado com a minha novilha, Não teriam solucionado a charada”.

19 Então, o Espírito do Eterno se apoderou dele. Ele desceu a Ascalom, matou trinta homens, tirou as roupas deles e as entregou aos que haviam solucionado a charada.
Furioso, voltou para a casa de seu pai. A mulher de Sansão foi entregue ao seu padrinho de casamento."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Juízes 15

Sansão põe fogo às searas dos filisteus

"1 Mais tarde, durante a colheita de trigo, Sansão foi visitar sua mulher e levou um cabrito. Ele dizia: “Vou ver minha mulher e entrar no quarto dela”. Mas o pai dela não o deixou entrar, dizendo: “Imaginei que você a odiava; por isso, ela foi dada ao seu padrinho de casamento. Mas a irmã menor dela é muito mais bonita. Por que você não a aceita por mulher?”.

3 Sansão respondeu: “Bom, desta vez não me responsabilizo pelo que vou fazer aos filisteus”.

4 Ele conseguiu reunir trezentas raposas. Amarrou-as aos pares pela cauda e prendeu uma tocha na cauda de cada par.
Em seguida, pôs fogo às tochas e soltou as raposas nas plantações de cereais dos filisteus. Os feixes de cereal colhido, os que iam ser colhidos, as vinhas e os olivais — tudo foi queimado!

6 Os filisteus disseram: “Quem fez isso?”. Alguém informou: “Foi Sansão, genro do timnita, porque o pai dela deu a mulher ao seu padrinho de casamento”.
 Os filisteus, por vingança, queimaram a mulher e seu pai.

7 Sansão disse àqueles homens: “Se é dessa maneira que vocês querem agir, juro que me vingarei de vocês. Vou até o fim!”.

8 E os matou, sem misericórdia. Foi um verdadeiro massacre. Depois, desceu e se abrigou na caverna da rocha de Etã.

9 Os filisteus acamparam em Judá, dispostos a atacar Leí (Queixada). Mas os homens de Judá perguntaram: “Por que vocês estão contra nós?”.
Eles responderam: “Estamos à procura de Sansão.
Queremos pegar Sansão para retribuir o que ele fez conosco”.

11 Três mil homens de Judá foram até a caverna da rocha de Etã dizer a Sansão: “Não percebe que os filisteus já nos ameaçam e dominam? Por que você está piorando a situação?”.
Ele respondeu: “Apenas dei o troco. Fiz com eles o que eles fizeram comigo”.

12 Eles disseram: “Viemos aqui para prender você e entregá-lo aos filisteus”. Sansão disse:
“Prometam que vocês não vão me machucar”.

13 Eles responderam: “Prometemos. Vamos apenas prender e entregar você aos filisteus, mas não mataremos você”. Então, eles o amarraram com cordas novas e o tiraram da caverna.

14 Quando se aproximavam de Leí, os filisteus vieram ao encontro deles, com gritos de euforia. Então, o Espírito do Eterno veio sobre ele com grande poder. As cordas que prendiam os seus braços se romperam como fio de linho queimado, e as correias caíram de suas mãos. Ele apanhou uma queixada de jumento ainda fresca e, com ela, matou mil homens.
Depois, Sansão disse: “Com uma queixada de jumento fiz um montão; com uma queixada de jumento feri mil homens.”.

17 Terminando de falar, jogou a queixada fora e deu ao lugar o nome de Ramate-Leí (monte da Queixada).

18 Depois disso, ele sentiu uma sede terrível e suplicou ao Eterno: “Tu concedeste uma grande vitória ao teu servo. E agora vou morrer de sede e cair nas mãos dos incircuncisos?”. Então, Deus abriu uma rocha em Leí, que jorrou água, e Sansão bebeu.
Depois de saciado, ele recobrou o ânimo! Por isso, aquela fonte é chamada de En-Hacoré (Fonte de Quem Clama). Está lá até hoje.

20 Sansão governou Israel durante vinte anos, no período da opressão dos filisteus."

 

 

Juízes 16

Sansão em Gaza

"1 Sansão foi a Gaza, encontrou ali uma prostituta e passou a noite com ela. A notícia correu a cidade: “Sansão está aqui!”.
Os homens formaram um grupo e ficaram de tocaia a noite toda na entrada da cidade, em silêncio total, pensando: “Quando o sol nascer, nós o mataremos”.

3 Mas Sansão ficou na cama com a mulher até meia-noite. Ele foi embora e, de passagem, arrancou a porta da cidade com os batentes e as trancas e a carregou nos ombros até o topo da colina, que fica em frente de Hebrom.

4 Passado um tempo, ele se apaixonou por uma mulher do vale de Soreque (Uvas), chamada Dalila. Os líderes filisteus vieram procurá-la com uma proposta: “Seduza-o. Descubra por que ele é tão forte e como podemos prendê-lo e subjugá-lo. Cada um de nós dará a você treze quilos de prata”.

6 Dalila, certo dia, disse a Sansão: “Conte-me, querido, o segredo de sua grande força e como você pode ser amarrado e subjugado”.

7 Sansão respondeu: “Se me amarrarem com sete cordas de arco, feitas de tendões de animal, ainda úmidas, perco minha força e fico igual a qualquer outra pessoa”.

8 Os líderes filisteus trouxeram a ela sete cordas de arco ainda úmidas, e ela o amarrou com as cordas, enquanto os homens se escondiam em seu quarto. Ela disse: “Os filisteus estão atrás de você, Sansão!”. Ele rompeu as cordas como se fossem barbantes. Assim, não conseguiram descobrir o segredo da sua força.

10 Dalila insistiu com ele: “Diga a verdade, Sansão! Você está brincando comigo, inventando história. Agora é sério: Conte-me como você pode ser amarrado”.

11 Ele respondeu: “Se você me amarrar bem com cordas novas, que nunca foram usadas, não vou conseguir escapar.
Serei igual a qualquer outra pessoa”.

12 Dalila conseguiu cordas novas e o amarrou.
Ela disse: “Os filisteus estão atrás de você!”. Os homens estavam escondidos no quarto ao lado, mas ele rompeu as cordas como se fossem barbantes.

13 Dalila não desistiu: “Você continua zombando de mim e mentindo! Por favor, conte-me como você pode ser amarrado!”. Ele respondeu: “Se você tecer as sete tranças do meu cabelo como um tecido no tear e as prender com um pino, não conseguirei fazer nada. Serei como qualquer outra pessoa”. Quando ele dormiu, Dalila pegou as sete tranças do cabelo de Sansão e as teceu como um tecido no tear e as prendeu com um pino. Depois, disse: “Sansão, os filisteus estão atrás de você!”. Mas ele acordou e livrou-se tanto do pino do tear quanto dos fios!

15 Ela se tomou mais insistente: “Como você pode me dizer:
Amo você, se nem confia em mim? Já é a terceira vez que você zomba de mim e recusa-se a me contar o segredo da sua força!”.

16 Ela continuou a perturbá-lo, dia após dia. Finalmente, ele se cansou. Não aguentou mais e contou a ela: “Nunca foi passada uma navalha na minha cabeça. Desde que nasci fui consagrado como nazireu a Deus. Se raparem o meu cabelo, perco a minha força. Ficarei fraco como qualquer outro mortal”.

18 Dalila percebeu que finalmente tinha descoberto o segredo e mandou dizer aos líderes filisteus: “Venham depressa.
Agora ele me contou a verdade”.
Eles vieram e trouxeram o dinheiro que tinham prometido.

19 Depois de fazê-lo dormir com a cabeça em seu colo, ela fez sinal para um homem, que se aproximou e cortou as sete tranças do cabelo dele. Ele começou imediatamente a enfraquecer e perdeu toda a sua força.

20 Então, ela disse: “Sansão, os filisteus estão atrás de você!”.
Ele acordou, pensando: “Vou fazer o que sempre fiz e escapar!’’ Pois ainda não tinha se dado conta de que o Eterno o tinha abandonado.

21 Os filisteus o agarraram, arrancaram seus olhos e o levaram para Gaza. Eles o prenderam com algemas de ferro e o puseram a trabalhar no moinho da cadeia.
Mas logo o cabelo dele começou a crescer de novo.

23 Um dia, os líderes filisteus se reuniram para oferecer um grande sacrifício ao seu deus Dagom. Eles fizeram uma festa e comemoraram: “Nosso deus nos entregou Sansão, nosso inimigo!”. Quando o povo viu Sansão, louvaram, bendizendo o seu deus: “Nosso deus nos entregou nosso inimigo, aquele que devastou o nosso povo, multiplicando cadáveres entre nós”.

25 Depois, quando todos já estavam exaltados, alguém sugeriu: “Tragam Sansão! Que ele nos mostre o que consegue fazer!”
E tiraram Sansão da prisão, para que os divertisse. Sansão foi posto entre duas colunas, e ele pediu ao rapaz que o conduzia: “Ponha-me onde eu possa tocar as colunas que sustentam o templo, para eu poder me apoiar nelas”. O templo estava cheio de homens e mulheres, e todos os líderes filisteus estavam ali. Havia pelo menos três mil pessoas olhando para Sansão.

28 Nessa hora, ele suplicou ao Eterno: “Senhor, Eterno! Atenta para mim, outra vez, eu imploro! Dá-me força mais uma vez. Deus, com um sopro de vingança, permite que eu me vingue Dos filisteus por causa dos meus olhos!”.

29 Sansão alcançou as duas colunas centrais que sustentavam o templo e as empurrou com o braço direito e com o braço esquerdo. Ele gritou: “Que eu morra com os filisteus!”.
E empurrou as colunas com toda a sua força. O templo desabou sobre todos os líderes e sobre o povo que estava ali dentro. Sansão matou mais pessoas em sua morte que durante toda a sua vida.

31 Seus irmãos e familiares desceram para buscar seu corpo. Eles o levaram de volta e o sepultaram no túmulo de seu pai Manoá, entre Zorá e Estaol. Ele governou Israel por vinte anos."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Juízes 17

Mica e o ídolo da sua casa

"1 Havia um homem das montanhas de Efraim chamado Mica.
Ele disse a sua mãe: “Lembra-se dos treze quilos de prata que foram roubados de você? Eu a ouvi proferindo uma maldição.
Na verdade, o dinheiro está comigo. Eu o roubei.
Mas agora estou devolvendo”.
Ela respondeu: “O Eterno abençoe você, meu filho!”.

3 Depois que ele devolveu os treze quilos de prata a sua mãe, ela disse: “Eu consagro toda esta prata ao Eterno, para que meu filho faça uma imagem esculpida, um ídolo fundido”. Ela entregou dois quilos e quatrocentos gramas daquela prata a um ourives, que fundiu o metal na forma de um ídolo.

5 Esse homem, Mica, tinha uma capela particular. Ele tinha feito um colete sacerdotal e alguns ídolos domésticos e consagrou um de seus filhos sacerdote. Naquele tempo, não havia rei em Israel. As pessoas faziam o que bem entendiam.

7 Havia também, naquela localidade, um jovem de Belém de Judá e de uma família dessa tribo. Ele era levita, mas estrangeiro ali. Tinha saído de Belém para tentar a sorte em outro lugar. Chegando às montanhas de Efraim, parou diante da casa de Mica.

9 Ele perguntou ao jovem: “De onde você vem?”. Ele respondeu: “Sou levita de Belém de Judá. Estou à procura de um lugar para morar”.

10 Mica fez uma proposta: “Fique aqui comigo. Seja meu pai e sacerdote. Seu salário será de cento e vinte gramas de prata por ano, além da comida e das roupas de que precisar”.

11 O levita concordou em ficar com Mica. O jovem foi bem recebido e se tornou membro da família. Mica designou o jovem levita seu sacerdote. Tudo isso aconteceu dentro da casa de Mica.

13 Mica declarou: “Agora sei que o Eterno será bondoso para comigo, pois tenho um levita como sacerdote!”.

Juízes 18

Os danitas buscam herança maior

"1 Naquele tempo, não havia rei em Israel, e a tribo de Dã procurava um lugar para se estabelecer. Eles ainda não tinham ocupado território algum entre as tribos de Israel.

2 Os danitas enviaram cinco soldados valentes de Zorá e Estaol para observar a terra, em busca de um lugar apropriado para suas famílias.
A ordem era esta: “Vão e façam o reconhecimento da terra”.
Eles foram para as montanhas de Efraim, chegaram diante da casa de Mica e acamparam ali.
Como estavam perto da casa de Mica, reconheceram a voz do levita. Eles se aproximaram e perguntaram ao jovem:
“Como você veio parar aqui? O que está fazendo?”.

4 Ele respondeu: “Para encurtar a história, Mica me contratou, e agora sou sacerdote dele”.

5 Eles disseram:
“Que bom! Assim, você pode consultar Deus em nosso favor. Queremos saber se vamos ter sucesso em nossa missão!”.

6 O sacerdote respondeu: “Fiquem tranquilos. O Eterno cuidará de vocês por todo o caminho”.

7 Os cinco homens partiram rumo ao norte, para Laís, e constataram que o povo dali vivia seguro, sob a proteção dos sidônios. Eram pacatos e confiantes. Tinham uma vida sossegada, mas viviam muito longe dos sidônios, que habitavam a oeste, e não tinham nenhuma relação com os arameus ao leste.

8 Quando retornaram a Zorá e Estaol, seus irmãos perguntaram: “Então, o que descobriram?”.

9 Eles disseram: “Vamos atacá-los! Sem dúvida, a terra é muito boa. Então, vão ficar aqui sentados, sem fazer nada? Não percam tempo! Vamos invadir e conquistar a terra!
Quando chegarem lá, vocês verão que aquele povo é presa fácil. Eles são vulneráveis. A terra é ampla, e Deus a está entregando em nossas mãos. Não poderia ser melhor!”.

11 Seiscentos homens de Dã partiram de Zorá e Estaol, armados de suas armas de guerra. No caminho, acamparam em
Quiriate-Jearim, em Judá. Por isso, até hoje, o lugar é chamado campo de Dã. Fica a oeste de Quiriate-Jearim.

14 Os cinco homens que tinham explorado a região de Laís disseram a seus companheiros: “Vocês sabiam que, naquelas casas, há um colete sacerdotal, ídolos domésticos e uma imagem fundida? O que acham que devemos fazer?”.

15 Eles saíram da estrada e foram até a casa do jovem levita,
na propriedade de Mica, e perguntaram como ele estava.
Os seiscentos homens de Dã, fortemente armados, ficaram de guarda na entrada, enquanto os cinco espiões que tinham explorado a terra entraram e apanharam a imagem esculpida,
o colete sacerdotal, os ídolos domésticos e a imagem fundida.
O sacerdote ficou na entrada com os seiscentos soldados. Quando os cinco homens entraram na casa de Mica para apanhar a imagem esculpida, o colete, os ídolos domésticos e a imagem fundida, o sacerdote perguntou:
“O que pensam que estão fazendo?”.

19 Eles responderam: “Quieto! Não fale nada. Venha conosco. Seja nosso pai e sacerdote.
O que é melhor: Ser sacerdote de um único homem ou ser sacerdote de uma tribo inteira, de um clã de Israel?”.

20 O sacerdote aproveitou a oportunidade. Pegou o colete, os ídolos do lar e as imagens e acompanhou o grupo.

21 Eles partiram e continuaram o caminho, pondo adiante deles as crianças, o gado e os equipamentos. Já estavam bem longe da casa de Mica, quando Mica e seus vizinhos conseguiram se organizar, mas não demoraram a alcançar os homens de Dã. Gritaram para eles, e os danitas, olhando para trás, perguntaram: “Qual o problema, que convocaste esse povo?

24 Mica respondeu: “Vocês pegaram o meu ídolo, que eu mesmo fiz, e levaram o meu sacerdote. Estão levando tudo embora, me deixaram sem nada!
Como, então, perguntam: ‘Qual é o problema?”.

25 Mas os homens de Dã responderam: “Não grite conosco.
Você pode irritar alguns destes homens, e você e sua família perderão a vida”.

26 Dito isso, os homens de Dã prosseguiram seu caminho.
Mica, percebendo que não tinha condições de enfrentá-los, deu meia-volta e foi para casa.

27 Eles levaram os objetos feitos por Mica e seu sacerdote. Chegaram a Laís, a cidade das pessoas sossegadas e confiantes, massacraram a população e queimaram a cidade.

28 Não havia ninguém por perto para ajudá-los. Laís ficava muito longe de Sidom e não tinha contato com os arameus. A cidade ficava no vale de Bete-Reobe. Os danitas reconstruíram a cidade e deram a ela o nome de Dã, em homenagem ao seu antepassado, filho de Israel, mas o nome originário era Laís.

30 Os homens de Dã adotaram a imagem de prata.
Jônatas, filho de Gérson, filho de Moisés, e seus descendentes foram sacerdotes na tribo de Dã até a época do cativeiro.
Durante todo o tempo em que o santuário de Deus ficou em Siló, eles mantiveram, para uso particular, o ídolo feito por Mica
."

 

 

Juízes 19

O levita e sua concubina

"1 Naquele tempo, não havia rei em Israel.
Um levita, que vivia nas regiões remotas das montanhas de Efraim, tomou para si uma concubina, uma mulher de Belém de Judá. Mas a mulher cometeu adultério e o abandonou, retornando para a casa de seu pai, em Belém de Judá.
Depois de quatro meses, o marido resolveu procurá-la e convencê-la a voltar para ele. Estava acompanhado de um escravo e dois jumentos. Ela o recebeu na casa de seu pai.
Seu sogro, o pai da moça, ficou bastante feliz com a visita e insistiu em que ele ficasse algum tempo ali. Ele ficou hospedado ali três dias, com muita comida e bebida.

5 No quarto dia, levantaram-se de madrugada e se preparam para partir. Mas o pai da moça pediu ao genro: “Faça uma refeição reforçada antes de partir”.
Então, eles se assentaram e comeram juntos.

6 O pai da moça disse ao homem: “Fique aqui ainda esta noite. Você será meu hóspede”.
O homem se levantou para partir, mas o sogro insistiu tanto que o homem concordou em pernoitar ali mais uma vez.

8 No quinto dia, ele se levantou de madrugada novamente.
O pai da moça disse: “Você precisa se alimentar bem”.
Enquanto comiam e bebiam, o dia passou. O homem e sua concubina estavam preparados para partir, mas o sogro insistiu mais uma vez: “Vejam, está ficando tarde. Por que não passam a noite aqui? Logo estará escuro. Fiquem mais uma noite e descansem. Amanhã, vocês podem sair cedo e seguir para casa”.

10 Mas, dessa vez, o homem não quis passar a noite ali. Preparou sua bagagem e partiu para Jebus (Jerusalém) com os seus dois jumentos, sua concubina e seu escravo. Quando se aproximou de Jebus, já estava escurecendo.
O escravo sugeriu ao seu senhor: “Já é tarde; vamos entrar na cidade dos jebuseus e passar a noite ali”.

12 Mas o homem disse: “Não entraremos em nenhuma cidade estrangeira. Seguiremos até Gibeá”.
Ele acrescentou: “Continue andando. Vamos prosseguir a viagem. Passaremos a noite em Gibeá ou em Ramá”.

14 Assim, continuaram a viagem. Ao pôr do sol, eles estavam perto de Gibeá, no território de Benjamim, e entraram na cidade para passar a noite.

15 O levita foi para a praça da cidade, mas ninguém oferecia hospedagem a ele. Mais tarde, passou por ali um homem idoso, que voltava do trabalho no campo. Ele era da região montanhosa de Efraim e estava morando temporariamente em Gibeá, onde todos os moradores eram benjamitas. Quando o homem viu o viajante na praça da cidade, perguntou:
“Para onde você está indo? De onde veio?”.

18 O levita respondeu: “Estamos de passagem. Estamos vindo de Belém, a caminho de um lugar distante nas montanhas de Efraim. Eu sou de lá. Fui a Belém de Judá e estou retornando para casa, mas ninguém nos convidou para passar a noite. Não vamos dar despesa a ninguém. Temos comida e feno para os jumentos, pão e vinho para a mulher, para o jovem e para mim,
não precisamos de nada”.

20 O velho disse: "Tudo bem. Eu cuido de vocês. Vocês não passarão a noite na praça”. Ele os levou para a sua casa e alimentou os jumentos. Depois, todos se lavaram e se assentaram para comer.

22 Eles estavam tranquilos e se entretendo, quando os homens daquela cidade, uns inúteis, cercaram a casa e começaram a bater à porta. Eles gritavam para o dono da casa:
Traga para fora esse homem que está na sua casa.
Queremos sexo. Vamos nos aproveitar dele
”.

23 O velho saiu e disse: “Nada disso, companheiros! Não sejam tão perversos! Esse homem é meu hóspede. Não cometam esse ultraje. Vejam, minha filha virgem e a concubina dele estão aqui. Vou trazê-las para fora. Façam o que quiserem com elas, mas não façam essa loucura com este homem”.

25 Mas os homens não quiseram dar atenção ao velho. Finalmente, o levita empurrou sua concubina para fora.
Eles abusaram dela a noite toda. De madrugada, a soltaram.
A mulher voltou e ficou caída diante da porta da casa na qual estava seu senhor. Ao clarear o dia, ela continuava ali.

27 De manhã, quando seu senhor se levantou e abriu a porta para prosseguir viagem, sua concubina estava ali, prostrada, com a mão na soleira da porta.

28 Ele disse: “Levante-se! Vamos!”. Mas a mulher não respondeu.

29 Ele a pôs sobre o jumento e seguiu viagem. Ao chegar em casa, apanhou uma faca e esquartejou sua concubina. Ele a dividiu em doze pedaços e mandou um pedaço para cada região de Israel. Todos os que viram isso, disseram: “Nunca aconteceu algo assim desde quando os israelitas saíram da terra do Egito. Pensem bem! Reflitam! Façam alguma coisa!”.

 

 

 

 

 

 

Juízes 20

Os israelitas vingam o ultraje feito ao levita

"1 Então, todo o povo de Israel se reuniu na presença do Eterno em Mispá. Todos estavam lá, de Dã a Berseba, como um só homem! Os líderes do povo, representando todas as tribos de Israel, tomaram os seus lugares na assembleia do povo de Deus. Estavam ali quatrocentos mil soldados de infantaria armados com espada.

3 Nesse meio-tempo, os benjamitas ficaram sabendo que os israelitas estavam reunidos em Mispá. O povo de Israel perguntou: “Conte-nos. Como aconteceu essa perversidade?”.

4 O levita, marido da mulher assassinada, respondeu: “Eu e minha concubina entramos em Gibeá, cidade benjamita, para passar a noite. Naquela noite, os homens de Gibeá vieram atrás de mim. Eles cercaram a casa em que eu me hospedava e queriam me matar. Eles violentaram minha concubina, e ela morreu.
Levei minha concubina para casa, esquartejei-a e enviei cada um dos doze pedaços para toda a terra da herança de Israel.
Esse crime vil e perverso foi cometido em Israel. Então, israelitas, resolvam! Decidam o que fazer!”.

8 Todo o povo se levantou como um só homem.
Disseram: “Ninguém vai voltar para casa.
Nem sequer uma pessoa. Este é o plano para Gibeá: nós a atacaremos por sorteio. Tomaremos dez de cada cem homens de cada tribo de Israel (cem de cada mil, mil de cada dez mil) para levar mantimentos para o exército. Quando as tropas chegarem a Gibeá, irão acertar as contas com os que cometeram esse crime horroroso em Israel”.
Assim, todos os homens de Israel, por unanimidade, se aliaram contra a cidade.

12 As tribos israelitas enviaram uma mensagem à tribo de Benjamim, dizendo: “O que vocês dizem desse horror cometido entre vocês? Entreguem os homens agora, esses criminosos de Gibeá. Nós os mataremos para extirpar o mal de Israel”.

13 Mas os benjamitas não os entregaram. Eles não deram atenção ao pedido de seus irmãos, o povo de Israel.
Pelo contrário, convocaram o exército de todas as suas cidades e se reuniram em Gibeá para atacar o povo de Israel.
Em pouquíssimo tempo, conseguiram recrutar vinte e seis mil soldados de infantaria armados com espada.
De Gibeá, convocaram setecentos dos melhores soldados.
Havia outros setecentos atiradores canhotos, que conseguiam, com a funda, acertar uma pedra num fio de cabelo, sem errar.

17 Então, as tribos de Israel, sem contar Benjamim, mobilizaram quatrocentos mil homens de infantaria armados de espada.

18 Eles foram a Betel consultar Deus:
“Quem de nós será o primeiro a atacar os benjamitas?”.
O Eterno respondeu: “Será Judá”.

19 O povo de Israel levantou-se, na manhã seguinte, e acampou perto de Gibeá. O exército de Israel marchou contra Benjamim e tomou posição, pronto para atacar Gibeá. Mas os benjamitas saíram de Gibeá e mataram, no campo, vinte e seis mil israelitas.

22 Os israelitas voltaram ao santuário e choraram perante o Eterno até a tarde. Outra vez, consultaram o Eterno:
“Devemos atacar os benjamitas, nossos irmãos, outra vez?”.
O Eterno respondeu: “Vão! Ataquem!”.

24 O exército se animou. Os homens de Israel ocuparam as mesmas posições do primeiro dia. No segundo dia, os israelitas avançaram contra os benjamitas. Pela segunda vez, os benjamitas saíram da cidade e mataram dezoito mil israelitas, todos armados de espada.

26 Todo o povo de Israel, o exército inteiro, voltou para Betel. Chorando, assentaram-se perante o Eterno. Naquele dia, jejuaram até a tarde. Apresentaram ofertas queimadas e ofertas de paz perante o Eterno.

27 Mais uma vez, consultaram o Eterno. Naquele tempo, a arca da aliança de Deus estava ali, com Fineias, filho de Eleazar, filho de Arão, que ministrava como sacerdote. Eles perguntaram: “Devemos lutar outra vez contra os benjamitas, nossos irmãos, ou devemos desistir?”.
O Eterno respondeu: “Ataquem. Amanhã darei a vitória a vocês”.

29 Dessa vez, Israel armou emboscada em torno de Gibeá.
No terceiro dia, quando Israel avançou, eles ocuparam as mesmas posições diante dos benjamitas. Quando os benjamitas saíram para atacar o exército, eles se distanciaram da cidade.
Os benjamitas começaram a ferir parte da tropa, como tinham feito antes. Cerca de trinta homens morreram no campo e nas estradas para Betel e para Gibeá.

32 Os benjamitas começaram a se orgulhar: “Nós os estamos matando como moscas, todos os dias!”.

33 Mas os israelitas tinham uma estratégia.
Disseram: “Vamos retroceder e forçá-los para fora da cidade até as estradas principais”. Então, todos os israelitas se distanciaram na direção de Baal-Tamar, e a emboscada dos israelitas saiu de sua posição a oeste de Gibeá.

34 Dez mil dos melhores soldados de Israel atacaram Gibeá. Houve luta intensa e sangrenta! Os benjamitas não imaginavam que estavam sendo derrotados. O Eterno os derrotou diante de Israel. Naquele dia, os israelitas mataram vinte e cinco mil e quinhentos benjamitas, todos armados com espada.
Os benjamitas reconheceram a derrota.
Os homens de Israel fizeram de conta que estavam se retirando da presença dos benjamitas, sabendo que poderiam confiar na emboscada armada contra Gibeá.

37 Os emboscados saíram rapidamente contra Gibeá. Os homens se espalharam e massacraram os que estavam na cidade.
A estratégia com os da emboscada era que eles dariam um sinal de fumaça da cidade. Então, os homens de Israel voltariam e atacariam. Quando isso aconteceu, os benjamitas tinham matado trinta soldados israelitas. Achando que estavam vencendo a batalha, gritavam: “Eles estão fugindo como da outra vez!”.
Até que apareceu o sinal no céu, uma enorme coluna de fumaça. Quando os benjamitas olharam para trás, viram a cidade deles em chamas.

41 Quando os homens de Israel se voltaram contra eles, os homens de Benjamim esmoreceram. Perceberam que estavam cercados. Para evitar o confronto com os israelitas, tentaram escapar pela estrada do deserto, mas eram atacados por todos os lados. Os homens de Israel saíram das cidades, cercaram-nos por todos os lados e os atacaram.
Eles os perseguiram e os alcançaram a leste de Gibeá.

44 Dezoito mil benjamitas foram mortos — os melhores soldados.

45 Cinco mil homens viraram e fugiram para o deserto, em direção à rocha de Rimom, mas os israelitas os alcançaram e os massacraram ao longo da estrada. Os israelitas continuaram a persegui-los e derrotaram mais dois mil homens.

46 Ao todo, morreram, naquele dia, vinte e cinco mil soldados de infantaria benjamitas, os melhores do exército, armados com espada.

47 Seiscentos homens escaparam. Eles conseguiram chegar até a rocha de Rimom, no deserto, e ficaram ali quatro meses.

48 Os homens de Israel voltaram, entraram nas cidades e ali mataram todos os benjamitas que sobreviveram, todos os homens e animais que encontraram.
Eles incendiaram todas aquelas cidades."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Juízes 21

Esposas para os benjamitas

"1 Israel havia feito um juramento em Mispá: “Ninguém de nós dará sua filha em casamento a um benjamita”.
De volta a Betel, o povo permaneceu ali sentado na presença de Deus até a tarde. Eles choravam alto e lamentavam: “Óh Eterno, Deus de Israel! Por que aconteceu isso? Por que estamos hoje sem uma tribo inteira de Israel?”.

4 Na manhã seguinte, logo cedo, o povo começou a edificar um altar. Sacrificaram ofertas queimadas e ofertas de paz.

5 Os israelitas perguntaram: “Qual das tribos de Israel não compareceu quando nos reunimos na presença do Eterno?”
Pois todos tinham feito juramento solene de que quem não comparecesse à presença do Eterno em Mispá seria morto.

6 O povo de Israel continuava a lamentar por Benjamim, seu irmão. Eles diziam: “Hoje foi eliminada uma tribo de Israel. Como encontraremos mulheres para os que sobreviveram?
Pois juramos ao Eterno que não daríamos nossas filhas em casamento a eles”.

8 Alguém perguntou: “Qual das tribos de Israel não esteve perante o Eterno em Mispá?”. Descobriu-se que ninguém de Jabes-Gileade tinha comparecido à assembleia.
Quando conferiram a presença do povo, não foi encontrado ninguém de Jabes-Gileade.

10 Então, a comunidade enviou doze mil dos homens mais valentes com esta ordem: “Matem todos os moradores de Jabes-Gileade, até mesmo mulheres e crianças.
São estas as instruções: Vocês deverão matar todo homem e toda mulher que já teve relações sexuais. Mas poupem a vida das virgens”. Foi o que fizeram.

12 Eles encontraram quatrocentas moças virgens entre os que viviam em Jabes-Gileade, que nunca tiveram relações com um homem. As moças foram trazidas ao acampamento de Siló, na terra de Canaã.

13 Então, a comunidade mandou chamar os benjamitas que ficaram na rocha de Rimom e propuseram fazer as pazes.
Os benjamitas vieram. Os israelitas deram as mulheres que sobreviveram de Jabes-Gileade. Mesmo assim, não havia mulheres suficientes para a quantidade de homens.

15 O povo teve pena de Benjamim, porque o Eterno tinha deixado de lado aquela tribo — ficou faltando aquela peça nas tribos de Israel. Os líderes da comunidade disseram:
“Como encontraremos mulheres para o restante dos homens, já que todas as mulheres de Benjamim foram mortas?
Como manteremos viva a herança dos sobreviventes benjamitas? Como evitaremos que a tribo seja extinta? Não poderíamos dar nossas filhas em casamento a eles”.
Lembrem-se, os israelitas fizeram um juramento: “Maldito aquele que oferecer uma mulher a Benjamim”

19 Então, alguém lembrou: “Há um festival ao Eterno todo ano em Siló, ao norte de Betel, logo a leste da estrada principal que vai de Betel a Siquém e ao sul de Lebona”.

20 Eles disseram aos benjamitas: “Vão e se escondam nas vinhas. Fiquem atentos. Quando vocês virem as moças de Siló saírem para as suas danças, saiam das vinhas, tomem uma das moças de Siló por mulher; depois, corram de volta para o território de Benjamim. Quando o pai e os irmãos delas vierem nos acusar, diremos: ‘Tenham compaixão deles. Afinal, não viemos lutar e matar vocês para conseguir mulheres para os homens.
Não se preocupem! Vocês não serão culpados, pois não deram suas filhas a eles’”.

23 Foi o que os benjamitas fizeram. Eles tiraram as moças das danças, mulheres suficientes para a quantidade de homens, fugiram e voltaram para o seu território. Eles reconstruíram suas cidades e viveram nelas.

24 Dali, o povo de Israel se dispersou, cada um voltou para sua tribo e seu clã, cada um para a terra da sua herança.

25 Naquele tempo, não havia rei em Israel. As pessoas faziam o que bem entendiam."

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