O Livro dos Juízes
Introdução
O Livro de Juízes conta a história de Israel desde a conquista da terra de Canaã até o começo da monarquia. Nesse tempo surgiram os “juízes”, que eram principalmente chefes militares, mas também resolviam as questões legais do povo.
Este livro ensina que o povo de Israel só continuaria a existir se
fosse fiel a Deus, enquanto a infidelidade sempre levaria à desgraça. Porém há mais do que isso. Mesmo quando a nação era infiel e a
desgraça vinha, Deus estava sempre pronto a
salvar o seu povo quando eles se arrependiam e voltavam para ele.
Esquema do
conteúdo
1.
Introdução geral ao período dos juízes (1.1—3.6)
a.
Os israelitas se estabelecem em Canaã (1.1—2.5)
b.
Síntese histórica do período dos juízes (2.6—3.6)
2.
Os juízes de Israel (3.7—16.31)
a.
De Otniel a Sangar (3.7-31)
b.
Débora, a profetisa (4.1—5.31)
c.
Gideão e Abimeleque (6.1—9.57)
d.
Tola e Jair (10.1-5)
e.
Jefté (10.6—12.7)
f.
De Ibsã a Abdom (12.8-15)
g.
Sansão (13.1—16.31)
3.
Apêndices (17.1—21.25)
a.
O sacerdote Mica e os danitas (17.1—18.31)
b.
O levita e a sua concubina. A guerra contra os benjamitas (19.1—21.25)
Juízes 1
Novas
conquistas pelas tribos
"1 Depois da morte de Josué,
o povo de Israel perguntou ao Eterno: “Quem vai tomar a iniciativa de atacar os
cananeus?”.
2 E o Eterno respondeu:
“Judá irá. Eu entreguei a terra nas mãos deles”.
3 Os homens de Judá disseram aos
homens de Simeão, seu irmão: “Venham conosco ao nosso território para nos
ajudar a atacar os cananeus. Depois, iremos para o território de vocês”.
Então, Simeão foi com eles.
4 Judá atacou. O Eterno entregou
os cananeus e os ferezeus nas mãos deles.
Judá os derrotou em Bezeque — dez mil militares!
5 Depois, alcançaram Adoni-Bezeque
e lutaram contra ele. Massacraram os cananeus e os ferezeus. Adoni-Bezeque
fugiu, mas eles o perseguiram e o capturaram. Eles cortaram os polegares das
mãos e dos pés dele. Adoni-Bezeque disse: “Setenta reis sem os polegares das
mãos e dos pés rastejavam, comendo migalhas debaixo da minha mesa. Agora Deus
fez comigo o que eu fiz com eles”.
Eles o levaram para Jerusalém, e ele morreu ali.
8 O povo de Israel atacou e
capturou Jerusalém.
Subjugaram a cidade pela espada e a incendiaram.
Depois disso, foram atacar os cananeus que viviam nas montanhas, no Neguebe e
nas planícies. Em seguida, avançaram contra os cananeus que viviam em Hebrom
(Hebrom era chamada Quiriate-Arba) e derrotaram Sesai, Aimã e Talmai.
11 Dali, foram atacar a população
de Debir (Debir era chamada Quiriate-Sefer). Calebe tinha prometido: “Darei
minha filha Acsa em casamento a quem atacar e conquistar Quiriate-Sefer”.
13 Otoniel, filho de Quenaz, irmão
de Calebe, a conquistou; então, Calebe deu-lhe em casamento sua filha Acsa.
14 Quando ela chegou, fez que ele
pedisse um campo a seu pai. Quando ela desceu do jumento Calebe perguntou: “O
que você deseja?”. Ela respondeu: “Dê-me um presente de casamento. Você já me
deu terras desertas. Dê-me agora fontes de água!”. Então, ele lhe deu as fontes
superiores e as fontes inferiores.
16 Os descendentes de Hobabe, o
queneu, sogro de Moisés, saíram com os moradores de Judá da cidade das Palmeiras
para o deserto de Judá, na descida de Arade.
Eles passaram a viver ali com os amalequitas.
17 O povo de Judá saiu com seus
parentes simeonitas, eles atacaram os cananeus que viviam em Zefate.
Eles executaram a santa condenação e mudaram o nome de Zefate para Cidade
Maldita.
18 Judá não conseguiu conquistar
Gaza, Ascalom e Ecrom, com os seus territórios. Mas o Eterno estava com Judá,
pois eles conquistaram a região montanhosa.
Mas não conseguiram expulsar os povos das planícies, porque eles tinham carros
de ferro.
20 Eles deram Hebrom a Calebe,
como Moisés havia instruído. Calebe expulsou os três filhos de Enaque.
21 O povo de Benjamim não
conseguiu expulsar os jebuseus que viviam em Jerusalém. Os benjamitas e os
jebuseus vivem até hoje lado a lado em Jerusalém.
22 A tribo de José atacou Betel, e
o Eterno estava com eles.
José enviou espiões para examinar o lugar. Betel era chamada Luz. Os espiões
viram um homem saindo da cidade e disseram: “Mostre-nos como entrar na cidade,
e cuidaremos bem de você”. O homem mostrou como entrar. Eles mataram todos os
moradores da cidade, exceto o homem e sua família. Ele se mudou para o
território dos hititas, construiu uma cidade e deu a ela o nome de Luz — esse é
seu nome até hoje.
27 Manassés não conseguiu expulsar
o povo de Bete-Seã, Taanaque, Dor, Ibleã e Megido e do território ao redor.
Os cananeus fincaram o pé e não cederam. Quando Israel se fortaleceu, eles
submeteram os cananeus a trabalhos forçados, mas nunca se livraram deles.
29 Efraim não conseguiu expulsar
os cananeus que viviam em Gezer. Os cananeus resistiram e permaneceram na terra
com eles.
30 Nem Zebulom conseguiu expulsar
os cananeus de Quitrom e Naalol. Eles continuaram vivendo ali, mas foram
submetidos a trabalhos forçados.
31 Aser não conseguiu expulsar o
povo de Aco, Sidom, Alabe, Aczibe, Helba, Afeque e Reobe. Já que não conseguiu
expulsar os cananeus, Aser teve de conviver com eles.
33 Naftali também não conseguiu
expulsar o povo de Bete-Semes e Bete-Anate. Por isso, a tribo de Naftali ocupou
a terra, mas teve de conviver com os antigos moradores, embora os tenha
submetido a trabalhos forçados.
34 Os amorreus forçaram o povo de
Dã a ocupar as montanhas e não deixaram que eles descessem para as planícies.
Os amorreus resistiram e ficaram no monte Heres, em Aijalom e em Saalbim. Mas,
quando os descendentes de José ocuparam as regiões superiores, eles também
foram submetidos a trabalhos forçados.
36 A fronteira dos amorreus se
estendia desde a subida de Acrabim até Selá, mais adiante."
Juízes 2
Deus
repreende os israelitas
"1 O anjo do Eterno subiu de
Gilgal para Boquim e disse:
“Eu tirei vocês do Egito. Eu conduzi vocês para
a terra que prometi aos seus antepassados. Eu prometi que nunca quebraria minha
aliança com vocês — nunca! Alertei que jamais fizessem aliança com o povo que
vive nesta terra, que destruíssem seus altares! Mas vocês não me obedeceram!
O que é que vocês estão fazendo?
3 “Então,
agora, aviso que não vou mais expulsar essa gente da presença de vocês. Eles
serão um tropeço; e seus deuses, uma armadilha para vocês”.
4 Quando o anjo do Eterno falou
todas essas palavras a todo o povo de Israel, eles choraram. E como choraram!
Tanto que deram ao lugar o nome de Boquim (Chorões).
Então, ofereceram sacrifícios ao Eterno ali.
6 Depois de Josué despedir o povo
de Israel, cada um foi para o território de sua herança e tomou posse da terra.
O povo serviu ao Eterno durante toda a vida de Josué e dos líderes que o
sucederam, mas que também tinham presenciado todas as grandes coisas que o
Eterno fez por Israel. Josué, filho de Num, servo do Eterno, morreu. Ele tinha
110 anos de idade.
Foi sepultado na terra de sua herança em Timnate-Heres, nas montanhas de
Efraim, no norte do monte Gaás.
10 Tempos depois, toda aquela
geração morreu e foi sepultada.
E surgiu outra geração que não conhecia o Eterno nem as grandes coisas que ele
tinha feito por Israel.
11 Então, o povo de Israel
agiu mal diante do Eterno; eles começaram a servir aos deuses de Baal.
Abandonaram o Eterno, o Deus de seus pais que os tirou do Egito, e seguiram os
deuses dos povos ao redor. Começaram até a adorá-los! Provocaram a ira do
Eterno, adorando o deus Baal e a deusa Astarote. O Eterno ficou furioso com
Israel e os entregou aos saqueadores, que os assaltaram. Ele os entregou aos
inimigos ao redor. Israel não pôde fazer nada contra os inimigos. Sempre
que saíam para uma batalha, o Eterno os acompanhava, mas, para lutar contra
eles, como ele mesmo tinha advertido e conforme tinha jurado.
Eles ficaram muito aflitos.
16 Então, o Eterno passou a
designar juízes, que os livravam dos saqueadores. Mas eles não deram
ouvidos aos juízes; continuaram a se prostituir com outros deuses — eles os
adoraram! Não demoraram a deixar o caminho dos seus antepassados, o caminho da
obediência aos mandamentos do Eterno. Eles se negaram a seguir esse caminho.
18 Quando o Eterno levantava um
juiz para defendê-los, ele apoiava o juiz e livrava o povo da opressão dos
inimigos durante toda a vida daquele juiz, pois o Eterno sentia compaixão
sempre que pediam socorro por causa daqueles que os afligiam e os atacavam.
Mas, quando morria o juiz, o povo retornava à velha maneira de viver e eles se
tornavam piores que seus antepassados! Seguiam outros deuses, servindo-os e
adorando-os. Eram teimosos como mulas, não deixavam as suas práticas
perversas.
20 Por isso, a ira do Eterno se
acendeu contra Israel. Ele disse:
“Já que este povo desprezou a aliança que fiz
com seus antepassados, não dando ouvidos a mim, não expulsarei mais nenhum
cidadão das nações que Josué deixou quando morreu. Elas servirão de teste, para
ver se o povo de Israel permanece nos caminhos do Eterno, como seus
antepassados fizeram”.
23 Foi por isso que o Eterno
deixou aquelas nações ali. Ele não as expulsou nem permitiu que Josué as
eliminasse."
Juízes 3
Povos pagãos
no meio de Israel
"1 Estas são as nações que o
Eterno deixou para testar os israelitas que não tinham experiência nas guerras
de Canaã.
Ele permitiu que ficassem na terra a fim de treinar os descendentes de
Israel, os que não tinham experiência de guerra; na arte de lutar. Ele
deixou os cinco opressores filisteus, todos os cananeus, os sidônios e os
heveus que viviam no monte Líbano, desde o monte Baal-Hermom até Lebo-Hamate. Eles
foram deixados para testar a obediência de Israel aos mandamentos que o Eterno
transmitiu aos seus antepassados por meio de Moisés.
5 Mas o povo de Israel se sentiu à
vontade com os cananeus, os hititas, os amorreus, os ferezeus, os heveus e os
jebuseus. Eles tomaram as filhas deles em casamento e deram suas filhas
aos filhos desses povos. Também adoraram os seus deuses.
7 O povo de Israel agiu mal
perante o Eterno. Esqueceram-se do seu Deus e adoraram os deuses de Baal e as
deusas de Astarote.
A ira do Eterno se acendeu contra Israel. Ele os entregou a Cuchã-Risataim, rei
de Arã Naaraim. O povo de Israel serviu Cuchã-Risataim por oito anos.
9 Mas Israel clamou ao Eterno, e o
Eterno designou um libertador para salvá-los: Otoniel, sobrinho de Calebe,
filho de Quenaz, irmão mais novo de Calebe. O Espírito do Eterno veio
sobre ele, e Israel se reuniu sob sua liderança. Otoniel foi à guerra,
e o Eterno entregou Cuchã-Risataim, rei de Arã Naaraim.
Ele derrotou esse rei.
11 A terra teve paz por quarenta
anos. Então, morreu Otoniel, filho de Quenaz.
12 Logo depois, o povo de Israel
voltou a agir mal diante do Eterno. O Eterno instigou Eglom, rei de Moabe, a
dominar os israelitas, porque agiram mal diante do Eterno. Eglom convocou os
amonitas e os amalequitas, e eles atacaram Israel, conquistando a Cidade das
Palmeiras. O povo de Israel ficou catorze anos sob o domínio de Eglom.
15 O povo de Israel clamou ao
Eterno, e ele designou um libertador para eles: Eúde, filho de Gera, um
benjamita. Ele era canhoto. O povo de Israel enviou tributo por meio dele ao
rei Eglom de Moabe. Eúde fez para si uma espada curta de dois gumes e a prendeu
à coxa direita por baixo da roupa.
Ele entregou o tributo a Eglom, rei de Moabe. Eglom era muito gordo. Depois de
entregar o tributo, ele saiu com os carregadores do tributo. Mas, quando chegou
até as imagens de pedra, perto de Gilgal, ele deu meia-volta, retornou e disse:
“Tenho um assunto particular com você, ó rei!”. O rei ordenou aos que estavam
na sala: “Retirem-se!”. E todos saíram.
20 Eúde aproximou-se dele — o rei
estava sozinho em sua sala de verão, no pavimento superior — e disse: “Tenho
uma mensagem da parte de Deus para você”. Eglom levantou-se do trono.
Com a mão esquerda, Eúde pegou a espada presa à coxa direita e cravou na
barriga do rei. A lâmina penetrou nele, e também o cabo. A gordura se fechou
sobre a arma; por isso, não foi possível retirá-la. Eúde escapou pelo terraço
e, depois de trancar a porta da sala, desapareceu. Quando os servos do rei
chegaram, ficaram surpresos ao ver a porta da sala trancada.
Disseram: “Provavelmente ele está no banheiro, fazendo suas necessidades”.
25 Eles aguardaram, mas, depois de
um tempo, ficaram preocupados, porque ele não abria a porta. Finalmente,
encontraram uma chave e entraram na sala.
Encontraram seu senhor deitado no chão — morto!
26 Enquanto confabulavam ao redor
do morto, tentando decidir o que fazer, Eúde já estava longe. Já tinha passado
pelas imagens de pedra e fugido para Seirá. Quando chegou ali, tocou a trombeta
nas montanhas de Efraim. O povo de Israel desceu dos montes e se uniu ao novo
líder.
28 Ele disse: “Sigam-me, pois o
Eterno entregou o inimigo — Moabe — a vocês!”. Eles desceram com ele e ocuparam
a travessia do Jordão que ficava perto de Moabe.
Assim, ninguém podia atravessar o rio.
29 Na ocasião, eles mataram cerca
de dez mil moabitas, todos bem alimentados e fortes. Ninguém escapou. Naquele
dia, Moabe foi subjugado por Israel. A terra teve paz por oitenta anos.
31 Sangar, filho de Anate, sucedeu
Eúde como juiz. Com uma aguilhada de bois, ele matou sozinho seiscentos
filisteus. Ele também libertou Israel."
Juízes 4
Servidão sob
Jabim, rei de Canaã
"1 O povo de Israel voltou a
agir mal diante do Eterno. Depois da morte de Eúde, o Eterno os entregou a
Jabim, rei de Canaã, que reinava em Hazor. Sísera, que vivia em Harosete-Hagoim,
era comandante do exército. O povo de Israel clamou ao Eterno, pois, durante
vinte anos, Jabim oprimiu cruelmente os israelitas.
Ele possuía novecentos carros de ferro.
4 Débora, esposa de Lapidote, era
profetisa. Na época, ela governava Israel e dava expediente debaixo da palmeira
de Débora, que ficava entre Ramá e Betel, nas montanhas de Efraim. O povo de
Israel a procurava para resolver suas disputas.
6 Débora mandou dizer a Baraque,
filho de Abinoão, de Quedes, em Naftali: “Está claro para mim que o Eterno, o
Deus de Israel, ordena isto a você: ‘Suba ao monte Tabor e prepare-se para a
guerra. Leve dez mil soldados de Naftali e Zebulom. Eu me encarregarei de
mandar Sísera, o comandante do exército de Jabim, ao rio Quisom com os seus
carros e tropas.
Garanto que você vencerá a batalha’”.
8 Baraque respondeu: “Se você me
acompanhar, eu vou.
Mas, se não me acompanhar, não vou”.
9 Ela disse: “Claro que vou
acompanhá-lo. Mas entenda que, com essa atitude, a honra não será sua. O Eterno
usará uma mulher para liquidar Sísera”. Débora se preparou e partiu com Baraque
para Quedes. Baraque convocou Zebulom e Naftali para irem a Quedes. Dez mil
homens o acompanharam.
Débora já estava com ele.
11 Nessa época, Héber, o queneu,
havia se separado dos outros queneus, descendentes de Hobabe, sogro de Moisés.
Ele vivia perto do carvalho de Zaanim, nas proximidades de Quedes.
Foi quando informaram a Sísera que Baraque, filho de Abinoão, tinha subido ao
monte Tabor. Sísera imediatamente levou todos os seus carros para o rio Quisom
— novecentos carros de ferro e todos os soldados que estavam com ele em
Harosete-Hagoim.
14 Débora disse a Baraque:
“Ataque! Hoje, o Eterno deu a você a vitória sobre Sísera. O Eterno irá à sua
frente”. Baraque desceu do monte, seguido por seus dez mil soldados.
15 O Eterno derrotou Sísera —
todos aqueles carros, todas aquelas tropas, diante de Baraque. Sísera pulou do
seu carro e correu. Baraque perseguiu os carros e as tropas até
Harosete-Hagoim. O exército de Sísera foi massacrado, não sobrou um soldado
sequer.
17 Enquanto isso, Sísera, em sua
fuga, chegou à porta da tenda de Jael, esposa de Héber, o queneu. Jabim, rei de
Hazor, e Héber, o queneu, eram amigos. Jael saiu para encontrar-se com Sísera e
disse: “Entre, senhor. Fique comigo. Não tenha medo”. Então, ele entrou na
tenda, e ela o cobriu com uma coberta.
19 Ele disse: “Por favor, dê-me um
pouco de água. Estou com sede”. Ela abriu uma vasilha de leite, deu de beber a
ele e, depois, o cobriu outra vez.
20 Sísera disse à mulher: “Fique
na entrada da tenda. Se alguém passar por aqui e perguntar se há alguém aqui
dentro, responda: ‘Não, ninguém’”.
21 Ele caiu num sono pesado, por
causa da exaustão. Então, Jael pegou uma estaca da tenda e um martelo,
aproximou-se de mansinho e cravou a estaca na têmpora dele, atravessando-a até
fincar a estaca no chão. Ele se contorceu e morreu.
22 Baraque, que perseguia Sísera,
chegou logo depois. Jael foi a seu encontro e disse: “Venha, vou mostrar onde
está aquele que você procura”. Ele a acompanhou e encontrou Sísera deitado,
morto, com uma estaca fincada na têmpora.
23 Naquele dia, Deus tirou o poder
de Jabim, rei de Canaã, sobre o povo de Israel, que continuou a apertar o cerco
em torno de Jabim até que não sobrou nada dele."
Juízes 5
O cântico de
Débora
"1 Naquele dia, Débora e
Baraque, filho de Abinoão, cantaram este cântico: Quando os guerreiros soltaram
o cabelo em Israel e o deixaram esvoaçar ao vento forte, o povo, numa
exclamação voluntária, bendisse o Eterno!
3 Ouçam, ó reis! Escutem, ó
príncipes! Ao Eterno, sim, ao Eterno cantarei. Vou compor um hino ao Eterno, ao
Deus de Israel.
4 Óh Eterno, quando saíste de
Seir, atravessando os campos de Edom, a terra tremeu, até os céus derramaram
chuva, e as nuvens transformaram-se em rios. Os montes saltaram diante do
Eterno, o Deus do Sinai, perante o Eterno, o Deus de Israel.
6 Na época de Sangar, filho de
Anate, e na época de Jael, as estradas públicas foram abandonadas, e os
viajantes tomavam desvios tortuosos. Os guerreiros ficaram gordos e relaxados,
não tinham mais ânimo para lutar. Até que surgiu você, Débora; você, mãe em
Israel, apareceu. Deus escolheu novos líderes que lutaram diante das portas.
Não foram vistos escudos nem lanças entre os quarenta mil soldados de Israel.
9 Entregue seu coração, ó Israel,
seja voluntário e dedicado, e todo o povo bendiga o Eterno!
10 Vocês que cavalgam jumentos de
raça, confortavelmente montados em suas selas; vocês que caminham pelas ruas,
ponderem, prestem atenção! Reúnam-se à volta do poço da cidade e ouçam-nos
cantar, celebrando as vitórias do Eterno, as vitórias conquistadas em Israel.
Então, o povo do Eterno desceu até as portas da cidade.
12 Desperta, desperta, Débora!
Desperta, cante uma canção! Levante-se, Baraque!
Leve com você os seus prisioneiros, filho de Abinoão!
13 Então, os restantes desceram
para saudar os heróis. O povo do Eterno se uniu aos poderosos. Os capitães de
Efraim desceram para o vale, seguindo você, Benjamim, com as suas tropas.
Os comandantes marcharam de Maquir, de Zebulom vieram líderes do alto escalão.
Os chefes de Issacar se uniram a Débora, Issacar permaneceu firme com Baraque,
cobrindo a retaguarda nos campos de batalha. Mas, entre as divisões de Rúben,
havia muita crítica. Por que tanta discussão em torno das fogueiras dos
pastores? As divisões de Rúben, dispersas e distraídas, não conseguiam se
decidir. Gileade não se arriscou a atravessar o Jordão, e Dã, por que partiu
com os seus navios? Aser manteve distância, preferindo a segurança dos seus
portos. Mas Zebulom arriscou a sua vida, desafiou a morte, assim como Naftali
nos altos campos de batalha.
19 Os reis vieram e atacaram, e os
reis de Canaã lutaram.
Lutaram em Taanaque, junto às águas de Megido, mas não levaram prata nem
tomaram os despojos. " As estrelas do céu se uniram na batalha, de suas
órbitas, lutaram contra Sísera.
O rio Quisom os arrastou, as torrentes os atacaram, a correnteza do Quisom. Óh!
Você pisará o pescoço dos poderosos!
Os cascos dos cavalos faziam tremer o chão, garanhões galopando em fuga.
“Amaldiçoem Meroz”, diz o anjo do Eterno. “Amaldiçoem duplamente seu povo, porque
não compareceram quando o Eterno precisou deles, não se uniram ao Eterno com os
seus valentes guerreiros”.
24 Mais bendita entre todas as
mulheres é Jael, mulher de Héber, o queneu; a mais bendita entre as mulheres
que cuidam do lar. Ele pediu água, ela trouxe leite; numa linda tigela,
ofereceu coalhada. Ela segurou uma estaca da tenda com a mão esquerda e, com a
mão direita, pegou um martelo. Ela cravou Sísera, esmagou sua cabeça,
traspassou suas têmporas. Ele se curvou aos pés dela. Caiu e ficou estendido.
Ele se curvou aos pés dela.
Ele caiu. Curvado. Prostrado. Morto.
28 A mãe de Sísera aguardava à
janela, esperava incomodada e ansiosa. Dizia: “O que teria detido seu carro?
Por que não se ouve o ruído dos carros?”. A mais sábia de suas damas respondia
calmamente, tentando animá-la: “Não seria porque estão ocupados, buscando e
repartindo os despojos? Uma moça, talvez duas, para cada soldado. Para Sísera,
uma túnica de seda lustrosa, uma roupa luxuosa! Um ou dois cachecóis coloridos,
para ornar o pescoço do espoliador”.
31 Assim, que pereçam todos os
inimigos do Eterno, e os seus amados brilhem como o sol.
A terra teve paz durante quarenta anos."
Juízes 6
A opressão
dos midianitas
"1 Outra vez o povo de Israel
agiu mal perante o Eterno. O Eterno os deixou sob o domínio dos midianitas
durante sete anos.
Os midianitas oprimiram Israel. Por causa deles, os israelitas eram obrigados a
se esconder nas cavernas ou a construir lugares seguros. Quando Israel plantava
sua lavoura, os midianitas e os amalequitas, os que viviam no leste, invadiam
os campos e acampavam neles, destruindo as plantações até Gaza.
Não deixavam nada para o sustento dos israelitas; nem ovelhas, nem bois, nem
jumentos.
Com os seus rebanhos e tendas, chegavam e tomavam conta da terra, como numa
invasão de gafanhotos.
Eles possuíam uma quantidade incrível de camelos, que pisoteavam o solo e
destruíam tudo.
O povo de Israel, reduzido à pobreza pelos midianitas, clamou pela ajuda
do Eterno.
7 Depois que certa vez o povo de
Israel clamou ao Eterno por causa dos midianitas, o Eterno lhes enviou um
profeta com esta mensagem: “O Eterno, o Deus de Israel, declarou: ‘Eu libertei vocês do Egito, Eu libertei vocês da
escravidão, resgatei vocês da crueldade do Egito e depois de todos opressores;
Eu os eliminei da sua presença e entreguei a vocês a terra deles’.
“Ele disse a vocês: ‘Eu sou o Eterno, o seu
Deus. Não tenham medo, nem por um instante, dos deuses dos amorreus, que existem
na terra em que vocês estão vivendo. Mas vocês não deram ouvidos a mim’”.
11 Um dia, o anjo do Eterno
sentou-se debaixo do carvalho que está em Ofra, pertencente a Joás, o
abiezrita. Gideão, seu filho, malhava o trigo num tanque de esmagar uvas, escondido
dos midianitas. O anjo do Eterno apareceu a ele e disse:
“O
Eterno está com você, poderoso guerreiro!”.
13 Gideão respondeu: “Comigo, senhor?
Se o Eterno está conosco, por que estamos nesta situação? Onde estão todas as
maravilhas que nossos pais e avós nos contavam, afirmando:
‘O Eterno nos libertou do Egito’. Na verdade, o Eterno não quer saber de nós —
ele nos entregou nas mãos dos midianitas”.
14 Então, se virou o Eterno para
ele e disse:
“Use a força que você tem. Liberte Israel da
opressão dos midianitas. Sou Eu quem está enviando você”.
15 Gideão respondeu: “Eu, Senhor?
Como e com que eu poderia libertar Israel? Olhe para mim. Meu clã é o menos
importante de Manassés, e, na minha família, eu sou o menor”.
16 O Eterno disse: “Eu estarei com você. Confie em mim; você derrotará os
midianitas como se fossem um só homem”.
17 Gideão respondeu: “Se você está
dizendo a verdade, faça-me um favor: Dê-me um sinal, para que eu possa
acreditar no que você está dizendo. Não saia daqui até eu voltar com um
presente para você”. Ele disse: “Pode ir. Eu
espero”.
19 Gideão foi preparar um cabrito
e providenciou uma grande quantidade de pães sem fermento (utilizou mais de uma
arroba de farinha!).
Arrumou a carne num cesto e o caldo numa panela e depositou a comida à sombra
do carvalho — uma refeição sagrada.
20 O anjo do Eterno disse: “Tome a carne e o pão sem fermento, ponha-os sobre aquela
pedra e despeje o caldo em cima”.
Gideão fez conforme a instrução do anjo.
21 O anjo do Eterno estendeu a
ponta do cajado que carregava e tocou a carne e o pão. Na mesma hora, saíram
chamas da pedra, e elas queimaram a carne e o pão, enquanto o anjo do Eterno
sumia de vista. Gideão finalmente entendeu que aquele era o anjo do
Eterno! Gideão disse: “Ah! Senhor, Eterno!
Eu vi teu anjo face a face!”.
23 Mas o Eterno o tranquilizou:
“Não se preocupe. Não se apavore. Você não
morrerá”.
24 Gideão construiu ali um altar
ao Eterno e deu a ele o nome de A Paz do Eterno, ainda chamado assim em Ofra
dos abiezritas.
25 Naquela mesma noite, o Eterno
disse a Gideão:
“Tome o melhor novilho de sete anos de seu pai.
Destrua o altar de Baal, que é de seu pai, e derrube o poste sagrado de Aserá,
que está do lado do altar. Depois, construa um altar dedicado ao Eterno, o seu
Deus, no topo do monte. Tome o novilho escolhido e ofereça como oferta
queimada, utilizando a madeira do poste sagrado de Aserá que você derrubou”.
27 Gideão escolheu dez homens
entre seus empregados e fez exatamente o que o Eterno tinha ordenado. Mas, por
causa dos seus familiares e vizinhos, teve medo de oferecer o sacrifício em
público; então, fez isso à noite.
28 De manhã cedo, o povo da cidade
ficou chocado ao ver o altar de Baal destruído, o poste de Aserá derrubado e o
novilho queimando sobre o altar recém-construído.
29 Eles perguntavam: “Quem fez
isso?”. E continuaram perguntando, até que veio a resposta: “Foi Gideão, filho
de Joás”.
30 Os homens da cidade exigiram de
Joás: “Traga seu filho para fora! Ele deve ser morto, porque destruiu o altar
de Baal e derrubou o poste de Aserá!”.
31 Mas Joás enfrentou a multidão
que o pressionava, dizendo: “Vocês vão lutar a favor de Baal? Vocês
querem salvá-lo?
Quem quiser defender Baal estará morto amanhã. Se Baal é mesmo deus, deixem que
ele mesmo lute e defenda seu altar”.
32 Naquele dia, o povo apelidou
Gideão de Jerubaal porque, depois de ter destruído o altar de Baal, ele disse:
“Deixem que Baal se defenda”.
33 Depois disso, todos os
midianitas e amalequitas (os povos do leste) se uniram, atravessaram o rio e
acamparam no vale de Jezreel. O Espírito do Eterno se apoderou de Gideão.
Ele tocou a trombeta, e os abiezritas se prontificaram a combater do lado dele.
Ele enviou mensageiros por todo o território de Manassés, convocando os homens
para a guerra.
Enviou mensageiros também a Aser, Zebulom e Naftali, e todos atenderam a
convocação.
36 Gideão disse a Deus: “Se for
isso mesmo, se quiseres libertar Israel como disseste, vou deixar um pedaço de
lã no lugar em que malhamos trigo. Se, de manhã, o orvalho estiver apenas na lã
e o chão ao redor estiver seco, vou entender que desejas me usar para libertar
Israel, como prometeste”.
38 E foi o que aconteceu.
Quando ele se levantou, logo cedo, espremeu a lã — e havia orvalho suficiente
para encher uma tigela!
39 Gideão disse a Deus: “Não te
irrites comigo, mas tenho outro pedido. Vou fazer mais um teste com a lã. Só
que desta vez a lã deve ficar seca, e o chão, encharcado de orvalho”.
40 Deus fez acontecer isso naquela
mesma noite.
Apenas a lã ficou seca, enquanto o chão ao redor estava
molhado de orvalho."
Juízes 7
Gideão, com
trezentos homens, vence os midianitas
"1 Jerubaal (Gideão)
levantou-se bem cedo no dia seguinte, e também suas tropas. Eles armaram
acampamento perto da fonte de Harode. Os midianitas acamparam no vale, ao
norte, próximo do monte Moré.
2 O Eterno disse a Gideão: “Este exército está muito grande.
Não posso entregar os midianitas em suas mãos desse jeito.
Seus homens vão ficar orgulhosos e dizer: ‘Fizemos tudo sozinhos’ e se
esquecerão de mim. Faça o seguinte anúncio: ‘Quem estiver com medo ou estiver
inseguro pode ir embora para o monte Gileade e voltar para casa”.
Vinte e dois mil homens partiram. Restaram dez mil.
4 O Eterno disse a Gideão: “Ainda tem, muita gente. Desça com eles até a beira da
água para que eu faça a última seleção. Quando eu disser: ‘Este vai com você’,
ele irá. Quando disser: ‘Este não vai’, ele não irá”.
Assim, Gideão levou todo o exército para a beira do riacho.
5 O Eterno disse a Gideão: “Separe aqueles que beberem a água lambendo como cachorro.
Do outro lado, reúna os que se ajoelharam e abaixaram o rosto para beber água”.
Foram trezentos os homens que lamberam água tirada com a mão. Os demais se
ajoelharam para beber.
7 O Eterno disse a Gideão: “Vou usar os trezentos homens que lamberam água do riacho
para libertar o povo.
Os midianitas serão entregues nas mãos deles.
O restante poderá voltar para casa”.
8 Depois de reunir as provisões
necessárias para o grupo e as trombetas, Gideão mandou o restante dos
israelitas para casa e assumiu o comando dos trezentos. O acampamento dos
midianitas ficava abaixo deles, no vale.
9 Naquela noite, o Eterno disse a
Gideão: “Levante-se e desça até o acampamento.
Eu os entreguei nas suas mãos. Se estiver receoso de descer, leve Pura, seu
guarda-costas, com você. Depois que você ouvir os comentários no acampamento
deles, terá toda a coragem e confiança de que precisa”.
Ele e seu guarda-costas desceram até onde estavam as sentinelas. Os midianitas,
os amalequitas e vários povos do leste estavam espalhados no vale como enxame
de gafanhotos. Os camelos eram tantos que pareciam os infinitos grãos de areia
da praia!
13 Gideão chegou no exato momento
em que um homem contava um sonho a seu amigo. Ele disse: “Tive este sonho: Um
pão de cevada vinha rolando na direção do nosso acampamento. Chocou-se contra a
tenda tão violentamente que ela caiu.
A tenda desmontou inteira!”.
14 Seu amigo respondeu: “Deve ser
a espada de Gideão, filho de Joás, o israelita! Deus entregou os midianitas — e
todo o acampamento nas mãos dele!”
15 Quando Gideão ouviu o relato do
sonho e a interpretação, ajoelhou-se perante Deus e orou. Em seguida, voltou
para o acampamento israelita e disse: “Vamos, levantem-se!
O Eterno nos entregou o exército midianita!”.
16 Ele dividiu os trezentos homens
em três companhias.
Entregou a cada homem uma trombeta e um jarro vazio com uma tocha dentro, dando
a seguinte instrução: “Observem e façam o que eu fizer. Quando eu chegar perto
do acampamento, façam exatamente o que eu fizer. Quando eu e os meus
companheiros tocarmos a trombeta, vocês também, em volta do acampamento,
tocarão as trombetas e gritarão: ‘Pelo Eterno e por Gideão!’”.
19 Gideão e os cem homens que
estavam com ele
aproximaram-se do acampamento no início da vigília da meia-noite, logo após a
troca da guarda. Eles tocaram as trombetas, ao mesmo tempo em que quebravam os
jarros. As três companhias tocaram as trombetas e quebraram os jarros. Os
homens seguravam as tochas com a mão esquerda e as trombetas com a mão direita.
Eles tocavam e gritavam: “À espada pelo Eterno e por Gideão!” Eles estavam
posicionados ao redor do acampamento, cada um em seu posto. Todo o acampamento
midianita despertou, assustado. Quando os trezentos homens tocaram a
trombeta, o Eterno fez que os midianitas atacassem uns aos outros e, depois,
fugissem para Bete-Sita, na direção de Zererá e da fronteira de
Abel-Meolá, perto de Tabate.
23 Os israelitas de Naftali e de
Aser e todos os homens de Manassés vieram ajudar e puseram os midianitas para
correr.
24 Gideão enviou mensageiros a
toda a região montanhosa de Efraim, convocando todos: “Venham lutar contra os
midianitas! Bloqueiem a passagem do Jordão até Bete-Bara”.
25 Todos os homens de Efraim se reuniram
e bloquearam a passagem do Jordão até Bete-Bara. Eles também capturaram dois
comandantes midianitas, Orebe (Rapina) e Zeebe (Lobo).
Eles mataram Orebe na rocha de Orebe e mataram Zeebe no lagar de Zeebe. Depois
de perseguir os midianitas, trouxeram a cabeça de Orebe e a de Zeebe a Gideão,
do outro lado do rio."
Juízes 8
Gideão aplaca
os efraimitas e mata os reis dos midianitas
"1 Os efraimitas perguntaram
a Gideão: “Por que você não nos chamou quando foi lutar contra os midianitas?”
Eles estavam indignados e o criticavam, mas Gideão respondeu: “O que foi que eu
fiz, comparado a vocês? Acaso as sobras das uvas de Efraim não são melhores que
toda a colheita de Abiezer? Deus entregou a vocês os comandantes dos
midianitas, Orebe e Zeebe. O que eu fiz em comparação a isso?” Depois de ouvir
sua resposta, eles se acalmaram e não protestaram mais.
4 Gideão e os trezentos homens que
o acompanhavam chegaram ao Jordão e atravessaram o rio. Eles estavam exaustos,
mas continuavam a perseguição. Ele perguntou aos homens de Sucote: “Por favor,
providenciem alimento para os homens que estão comigo. Eles estão exaustos, e
eu estou perseguindo Zeba e Zalmuna, os reis midianitas”.
6 Mas os líderes de Sucote
responderam:
“Vocês estão perdendo o seu tempo. Por que iríamos colaborar com uma empreitada
inútil?”.
7 Gideão retrucou: “Seja como
quiserem. Mas, depois que o Eterno me entregar Zeba e Zalmuna, vou debulhar
vocês, vou rasgar a carne de vocês com espinhos e espinheiros do deserto”.
8 Dali, partiu para Peniel e fez o
mesmo pedido. Os homens de Peniel, como os de Sucote, também se recusaram a
ajudar. Gideão prometeu: “Quando eu voltar são e salvo, vou destruir esta
torre”.
10 Zeba e Zalmuna estavam em
Carcor com um exército de quinze mil homens — os que sobraram dos exércitos dos
povos do leste. Eles haviam perdido cento e vinte mil soldados.
11 Gideão subiu pela rota dos
nômades, a leste de Noba e Jogbeá e encontrou o acampamento sem defesa e o
atacou. Zeba e Zalmuna fugiram, mas ele perseguiu e capturou os dois reis
midianitas. O acampamento inteiro entrou em pânico.
13 Gideão, filho de Joás, voltou
da guerra, passando pela subida de Heres. Capturou um jovem de Sucote e o
interrogou. O jovem escreveu o nome das setenta e sete autoridades de Sucote.
Então, Gideão procurou os homens de Sucote e disse: “Aqui estão Zeba e Zalmuna.
Vocês zombaram de mim, dizendo que eu nunca iria capturá-los. Vocês não
quiseram dar nem sequer uma sobra de pão para os meus homens exaustos e ainda
nos ridicularizaram, dizendo que o nosso esforço seria inútil”.
16 Gideão prendeu os setenta e
sete líderes de Sucote e os rasgou com espinhos e espinheiros. Depois, destruiu
a torre de Peniel e matou todos os homens da cidade.
18 Ele perguntou a Zeba e Zalmuna:
“Contem-me sobre os homens que vocês mataram em Tabor”. Eles responderam:
“Eram homens muito parecidos com você, cada um deles com fisionomia de
príncipe”.
19 Gideão disse: “Eram meus
irmãos, filhos da minha mãe.
Juro pelo Eterno que, se vocês não os tivessem matado, eu não mataria vocês”.
20 Dito isso, ordenou a Jéter, seu
filho mais velho: “Mate esses dois!”. Mas ele não conseguia, não teve coragem
de usar a espada contra eles, porque era muito jovem.
21 Zeba e Zalmuna disseram: “Faça
você mesmo se for homem!”. Assim, o próprio Gideão pôs fim a vida de Zeba e
Zalmuna.
Ele confiscou os enfeites do pescoço dos camelos deles.
22 Os israelitas pediram a Gideão:
“Seja o nosso rei, você, seu filho e seu neto. Você nos libertou da tirania dos
midianitas”.
23 Mas Gideão respondeu: “De modo
algum eu ou meu filho reinaremos sobre vocês. O Eterno é que reinará”.
24 Gideão prosseguiu: “Mas tenho
um pedido. Cada um de vocês me entregue um brinco do despojo que tomaram”. Os
ismaelitas usavam brincos de ouro; por isso, todos os homens estavam com a
bolsa cheia desses brincos.
25 Eles responderam: “Sem
problema. São seus!”. Eles estenderam um pano e cada um depositou ali os
brincos do despojo. Os brincos de ouro que Gideão pediu pesaram cerca de vinte
quilos — fora os enfeites, os pingentes e as roupas luxuosas dos reis
midianitas e os enfeites do pescoço dos camelos.
27 Gideão usou o ouro para
fazer um colete sacerdotal e a exibiu em sua cidade, em Ofra. Todo o Israel
cometeu profanação ali. Gideão e sua família também foram seduzidos por ela.
28 Os israelitas quebraram a
tirania dos midianitas, e não se ouviu mais falar deles. Enquanto Gideão viveu,
a terra esteve em paz por quarenta anos.
29 Jerubaal, filho de Joás, voltou
para casa e ali ficou. Gideão teve setenta filhos. Ele foi o pai de todos eles,
pois tinha muitas mulheres! Sua concubina de Siquém também deu a ele um filho,
que recebeu o nome de Abimeleque.
32 Gideão, filho de Joás, morreu
em idade avançada.
Foi sepultado no túmulo de seu pai, em Ofra dos abiezritas.
33 Mal Gideão foi sepultado,
e o povo de Israel se desviou e se prostituiu com Baal — elegeram Baal-Berite
como seu deus.
O povo de Israel se esqueceu do Eterno, o seu Deus, que os tinha livrado de
todos os seus opressores. Também não foram leais para com a família de Jerubaal
(Gideão), considerando-se o bem que ele havia feito a Israel."
Juízes 9
Abimeleque
mata os seus irmãos e se declara rei
"1 Abimeleque, filho de
Jerubaal, foi para Siquém, onde estavam seus tios e todos os parentes de sua
mãe, e disse a eles: “Perguntem aos homens de Siquém: ‘O que vocês preferem,
que setenta homens reinem sobre vocês, isto é, todos os filhos de Jerubaal, ou
apenas um homem? Lembrem-se de que eu também sou da família de vocês’”.
3 Os parentes de sua mãe
discutiram o assunto com as autoridades de Siquém, e eles optaram por
Abimeleque, argumentando: “Afinal, ele é um dos nossos”.
4 Eles deram a Abimeleque setenta
peças de prata do santuário de Baal-Berite. Com esse dinheiro, ele contratou o
serviço de um bando de marginais. Ele foi até Ofra, na casa de seu pai, e matou
seus meios-irmãos, filhos de Jerubaal. Matou todos os setenta sobre uma rocha,
menos o mais jovem, Jotão, que conseguiu se esconder. Foi o único sobrevivente.
6 Todos os líderes de Siquém e
Bete-Milo se reuniram debaixo do carvalho, perto da coluna de Siquém, e
coroaram Abimeleque rei.
7 Quando deram a notícia a Jotão,
ele subiu ao topo do monte Gerizim e discursou: "Ouçam-me, líderes de
Siquém. Assim, Deus ouvirá vocês! Um dia, as árvores decidiram ungir um rei
para si. Disseram à oliveira: ‘Reine sobre nós’. Mas a oliveira respondeu:
‘Acham que vou deixar o meu azeite, que honra os deuses e os homens, para
dominar sobre as árvores?’.
10 Então, as árvores disseram à
figueira: ‘Venha! Reine sobre nós’. Mas a figueira respondeu: ‘Acham que vou
deixar a minha doçura, os meus frutos que dão água na boca, para dominar sobre
as árvores?’.
12 As árvores, então, disseram à
videira: ‘Venha! Reine sobre nós.’ Mas a videira respondeu: Acham que vou
deixar o meu vinho, que alegra os deuses e os homens, para dominar sobre as
árvores?’.
14 Finalmente, as árvores disseram
ao espinheiro: ‘Venha! Reine sobre nós’. Mas o espinheiro disse às árvores: ‘Se
vocês realmente desejam que eu seja o seu rei, refugiem-se na minha sombra. Mas
se não quiserem, que saia fogo do espinheiro e queime até os cedros do
Líbano!’.
16 “Agora, ouçam: Vocês acham que
fizeram certo, coroando Abimeleque rei? Acham que respeitaram Jerubaal e sua
descendência? Deram a Gideão o que ele merecia? Meu pai lutou por vocês,
arriscou a própria vida e os libertou da opressão dos midianitas, mas vocês
acabam de traí-lo. Vocês massacraram seus filhos — setenta homens sobre uma
rocha! Vocês coroaram Abimeleque, filho de sua concubina, rei sobre os líderes
de Siquém só porque ele é parente de vocês. Se acham que honraram Jerubaal,
então, comemorem com Abimeleque e que ele se alegre com vocês. Do contrário,
que saia fogo de Abimeleque e queime os líderes de Siquém e Bete-Milo. Ou saia
fogo dos líderes de Siquém e de Bete-Milo para queimar Abimeleque”.
21 Depois desse discurso, Jotão
fugiu para se salvar. Foi para Beer e fixou residência ali, porque tinha medo
de seu irmão Abimeleque.
22 Abimeleque reinou sobre Israel
três anos. Então, Deus provocou um atrito entre Abimeleque e os líderes de
Siquém, que começaram a agir traiçoeiramente contra ele.
A violência voltou-se contra ele; o derramamento de sangue dos setenta irmãos,
filhos de Jerubaal, caiu sobre Abimeleque e os líderes de Siquém que o ajudaram
no massacre.
25 Os líderes de Siquém puseram
homens de emboscada na subida das montanhas para assaltar os viajantes. Mas
Abimeleque ficou sabendo.
26 Nesse meio-tempo, Gaal, filho
de Ebede, chegou com seus parentes para residir em Siquém e conquistou a
confiança dos líderes da cidade. Na época da vindima, foram para o campo pisar
as uvas e fizeram uma festa no santuário do deus deles, um banquete com muita
comida e bebida. A certa altura, começaram a criticar Abimeleque.
28 Gaal, filho de Ebede,
perguntou: “Quem é esse Abimeleque? E por que nós, siquemitas, temos de
obedecer a ele? Não é aquele filho de Jerubaal? O braço direito dele não se
chama Zebul?
Ora, nós pertencemos a Hamor e honramos o nome de Siquém. Por que haveríamos de
bajular Abimeleque? Se eu estivesse no comando desse povo, a primeira coisa que
faria seria me livrar desse Abimeleque! Eu diria na cara dele: ‘Mostre a sua
força, Abimeleque! Vamos ver quem manda aqui!’”.
30 Zebul, governador da cidade,
ouvindo o que Gaal, filho de Ebede, dizia, ficou furioso e enviou secretamente
alguns mensageiros a Abimeleque com este recado: “Gaal, filho de Ebede, e seus
parentes vieram para Siquém e estão tramando contra você. Faça o seguinte: Traga
suas tropas esta noite e arme uma emboscada no campo. De manhã, logo ao nascer
do sol, ataque a cidade. Gaal e suas tropas sairão ao seu encontro.
Daí em diante, você sabe o que fazer”.
34 Abimeleque e as suas tropas,
divididas em quatro companhias, saíram naquela noite e armaram uma emboscada
perto de Siquém. De manhã, Gaal, filho de Ebede, foi para a entrada da cidade.
Abimeleque e suas tropas deixaram o esconderijo. Quando Gaal os viu, disse a
Zebul: “Veja, parece que tem gente descendo das montanhas!”. Zebul disfarçou:
“Parecem homens, mas são apenas sombras nas montanhas”. E mudou de assunto.
37 Gaal insistiu: “Veja, são
tropas descendo de Tabur-Eres
(O Umbigo da Terra). Uma companhia inteira está descendo pelo caminho do
Carvalho dos Adivinhadores!”.
38 Zebul disse: “Onde está aquela
sua coragem? Não foi você que disse: ‘Quem é esse Abimeleque? Por que temos de
obedecer a ele?’. Pois aí está ele com as tropas de que você fez pouco caso.
É a sua chance. Lute contra ele!”.
39 Gaal, com o apoio dos líderes
de Siquém, enfrentou Abimeleque. Mas Abimeleque venceu.
Gaal virou as costas e fugiu, deixando muitos feridos pelo caminho até a
entrada da cidade.
41 Abimeleque permaneceu em Arumá,
e Zebul expulsou Gaal e seus parentes de Siquém.
42 No dia seguinte, o povo fugiu
para os campos, e alguém deu a notícia a Abimeleque. Ele convocou suas tropas,
dividiu-as em três companhias e armou emboscada nos campos. Quando viu que o
povo estava em campo aberto, saiu e o atacou. Abimeleque e a companhia que
estava com ele avançaram até a entrada da cidade. As outras duas companhias
perseguiram os que haviam saído da cidade e os mataram. Abimeleque lutou contra
a cidade o dia todo, até que a subjugou e massacrou todos os moradores. Ele
deixou a cidade em ruínas e jogou sal sobre ela.
46 Quando os líderes da torre de
Siquém ficaram sabendo disso, foram até a fortaleza do templo do Deus da
aliança. Alguém informou Abimeleque de que o grupo da torre de Siquém estava
reunido. Então, ele e suas tropas subiram ao monte Zalmom (Montanha Escura).
Abimeleque pegou seu machado, cortou lenha e a carregou nos ombros. Ele ordenou
aos seus homens: “Façam o que estou fazendo. Depressa!”.
Então, cada um dos homens cortou um feixe de lenha e foi atrás de Abimeleque. A
lenha foi empilhada sobre o abrigo da torre, e eles puseram fogo em tudo. Todos
os que estavam na torre de Siquém morreram, cerca de mil homens e mulheres.
50 Abimeleque prosseguiu para
Tebes. Ele sitiou Tebes e a conquistou. No centro da cidade, havia uma torre
bem protegida, e todos os habitantes da cidade, com os seus líderes, se
refugiaram ali, trancaram a porta por dentro e subiram para o topo. Abimeleque
resolveu atacar a torre. Ele se aproximou da entrada para incendiá-la. Naquele
momento, uma mulher jogou lá de cima uma pedra de moinho, que esmagou seu
crânio. Ele chamou seu escudeiro e ordenou: “Pegue a sua espada e me mate, para
que eles não digam: ‘Ele foi morto por uma mulher’". O jovem pegou
a espada e matou Abimeleque.
55 Quando os israelitas viram
Abimeleque morto, voltaram para casa.
56 Deus vingou o mal que
Abimeleque tinha feito contra seu pai matando seus setenta irmãos. Deus fez
recair sobre os homens de Siquém todo o mal que tinham feito — a maldição de
Jotão, filho de Jerubaal."
Juízes 10
Tola e Jair,
juízes dos israelitas
"1 Tolá, filho de Puá, filho de Dodô, foi o sucessor de Abimeleque. Ele também foi um
libertador de Israel. Era da tribo de Issacar e vivia em Samir, nas montanhas
de Efraim! Ele governou Israel vinte e três anos; depois, morreu e foi
sepultado em Samir.
3 Depois dele, Jair, de Gileade,
assumiu a liderança. Ele governou Israel durante vinte e dois anos. Tinha
trinta filhos, que montavam trinta jumentos e tinham trinta cidades em Gileade.
Até hoje, as cidades são chamadas Povoados de Jair.
Ele morreu e foi sepultado em Camom.
6 O povo de Israel voltou a
agir mal diante do Eterno. Eles adoraram os deuses de Baal e as deusas de
Astarote: deuses de Aram, Sidom e Moabe, além dos deuses dos amonitas e dos
filisteus. Eles se desviaram e abandonaram o Eterno, deixando de servi-lo.
A ira do Eterno se acendeu contra Israel, e ele os entregou aos filisteus e aos
amonitas. Naquele ano, eles oprimiram sem dó o povo de Israel. Durante dezoito
anos, eles tiranizaram o povo de Israel que vivia a leste do Jordão, na terra
dos amorreus, em Gileade.
9 Então, os amonitas atravessaram
o Jordão para atacar Judá, Benjamim e Efraim, e Israel ficou profundamente
angustiado!
10 O povo de Israel clamou
ao Eterno: “Pecamos contra ti! Abandonamos o nosso Deus para adorar os deuses
de Baal!”.
11 O Eterno respondeu ao povo de
Israel: “Quando os egípcios, os amorreus, os
amonitas, os filisteus, os sidônios — até os amalequitas e os midianitas — os
oprimiram, vocês clamaram a mim e eu os libertei. Agora, vocês me abandonaram
outra vez, adorando outros deuses. Não vou ajudar desta vez.
Façam assim: Clamem aos deuses que vocês escolheram, para que eles os livrem da
encrenca em que vocês se meteram!”.
15 Mas o povo de Israel disse ao
Eterno: “Nós pecamos. Depois, podes fazer conosco o que achares melhor,
mas livra-nos desta opressão!”.
16 Eles
baniram os deuses estrangeiros das suas casas e passaram a adorar apenas ao
Eterno. O Eterno não deixou de ter compaixão das aflições de Israel.
17 Os amonitas se prepararam para
a guerra, acampando em Gileade. O povo de Israel acampou contra eles em Mispá.
Os líderes de Gileade disseram: “Quem comandará a guerra contra os amonitas?
Nós o faremos chefe de todos os moradores de Gileade”."
Juízes 11
Jefté livra
os israelitas
"1 Jefté, o gileadita, era um
guerreiro valente. Ele era filho de uma prostituta, e seu pai era Gileade. A
mulher de Gileade também deu filhos a ele. Quando eles cresceram, expulsaram
Jefté de casa, pois diziam: “Você não receberá nenhuma herança da família. Você
é filho de outra mulher”. Por isso, Jefté fugiu dos irmãos e foi morar na terra
de Tobe. Alguns marginais se juntaram a ele e formaram um bando.
4 Algum tempo depois, os amonitas
tomaram a iniciativa do ataque contra Israel. Diante daquela ameaça, os líderes
de Gileade foram procurar Jefté na terra de Tobe.
Disseram á Jefté: "Venha! Seja o nosso general para que possamos atacar os
amonitas”.
7 Mas Jefté respondeu aos líderes
de Gileade: “Vocês me odeiam. Vocês me expulsaram da casa de minha família. Por
que vieram me procurar agora? É porque estão em apuros, não é?”.
8 Os líderes de Gileade
reconheceram: “Exatamente.
Viemos atrás de você para que nos ajude a lutar contra os amonitas. Você será
comandante de todos nós, de todos os moradores de Gileade”.
9 Jefté perguntou aos líderes de
Gileade: “Se vocês me levarem de volta para lutar contra os amonitas e o Eterno
me der a vitória, serei chefe de vocês, correto?”.
10 Eles responderam: “O Eterno é
testemunha entre nós: Faremos tudo o que você mandar”. Assim, Jefté concordou
em ir com os líderes de Gileade. O povo o tornou chefe e comandante deles.
Jefté repetiu o que tinha dito diante do Eterno em Mispá.
12 Jefté enviou mensageiros ao rei
dos amonitas com a seguinte mensagem: “O que está acontecendo, para que vocês
venham procurar briga na minha terra?”.
13 O rei dos amonitas respondeu
aos mensageiros de Jefté:
“É que Israel tomou a minha terra quando veio do Egito; desde o Arnom até o
Jaboque e o Jordão. Devolvam tudo pacificamente, e deixarei vocês em paz”.
14 Jefté enviou novamente os
mensageiros ao rei dos amonitas com esta mensagem: “Jefté mandou dizer: ‘lsrael
nunca tomou terra dos moabitas nem dos amonitas. Quando os israelitas vieram do
Egito, eles vieram pelo deserto desde o mar Vermelho até Cades. Dali, Israel enviou
mensageiros ao rei de Edom dizendo: Deixe-nos atravessar a sua terra. Mas o rei
de Edom não os deixou passar. Israel também pediu permissão ao rei de Moabe,
mas ele também não os deixou passar. Eles ficaram parados em Cades. Então, eles
atravessaram o deserto e rodearam a terra de Edom e de Moabe. Eles chegaram a
leste da terra de Moabe e acamparam do outro lado do Arnom — nem sequer pisaram
em território moabita, pois Amom ficava na fronteira de Moabe. Em seguida,
Israel enviou mensageiros a Seom, rei dos amorreus, em Hesbom, pedindo:
Deixe-nos atravessar o seu território de passagem para a nossa terra.
Mas Seom não acreditou que Israel iria apenas atravessar seu território e
convocou todo o seu exército. Eles acamparam em Jaza e lutaram contra Israel.
Mas o Eterno, o Deus de Israel, entregou Seom e todas as suas tropas nas mãos
de Israel.
Israel os derrotou e conquistou toda a terra dos amorreus, desde o Arnom até o
Jaboque e desde o deserto até o Jordão. Foi o Eterno, o Deus de Israel, quem
expulsou os amorreus em benefício de Israel. Então, quem você pensa que é para
reclamar a posse desta terra? Por que não se contenta com o que o seu deus
Camos deu a você, e nós nos contentaremos com o que o Eterno, o nosso Deus, nos
deu? Você acha que é melhor que Balaque, filho de Zipor, rei de Moabe? Ele
conseguiu alguma coisa fazendo oposição a Israel? Ele arriscou lutar contra
nós?
Todo esse tempo, e já se passaram trezentos anos desde que Israel viveu em
Hesbom e seus povoados, em Aroer e seus povoados e em todas as cidades ao longo
do Arnom, por que você não tentou conquistá-las? Você está enganado. Não
tiramos nada de você. Mas você estará cometendo um grande erro, se pretende
declarar guerra contra nós. Hoje o Eterno, o verdadeiro Juiz, decidirá entre o
povo de Israel e o povo de Amom’”.
28 Mas o rei dos amonitas não deu
atenção a nada que Jefté dizia.
29 O Espírito do Eterno veio
sobre Jefté. Ele atravessou Gileade e Manassés, passou por Mispá de
Gileade e, de lá, se aproximou dos amonitas. Jefté fez um voto ao Eterno: “Se
me deres a vitória sobre os amonitas, dedicarei ao Eterno aquele que sair da
porta da minha casa para me encontrar, quando eu retornar a salvo da guerra
contra os amonitas.
Será oferecido a ti como oferta queimada”.
32 Depois disso, Jefté saiu para
lutar contra os amonitas. O Eterno os entregou em suas mãos. Ele os atacou com
todo ímpeto, desde Aroer até a região de Minite, até Abel-Queramim, e
conquistou vinte cidades! Foi um verdadeiro massacre! Os amonitas foram dominados
pelo povo de Israel.
34 Jefté voltou para Mispá, e sua
filha saiu de casa para encontrá-lo, dançando ao som de tamborins! Ela era
filha única, porque ele não tinha outros filhos e filhas.
Quando ele percebeu quem era, rasgou a própria roupa e gritou: “Ah, minha filha
querida! Estou envergonhado! Você é a causa do meu desprezo. Meu coração está
partido. Fiz um voto ao Eterno e não posso deixar de cumpri-lo!”.
36 Ela disse: “Meu pai, se você
fez um voto ao Eterno, faça comigo o que prometeu.
O Eterno fez a parte dele, livrando você dos amonitas”.
37 Ela disse também a seu pai: “Só
vou pedir uma coisa.
Dê-me dois meses, para que eu possa ir às montanhas com as minhas amigas chorar por causa da minha virgindade, já que nunca vou
poder me casar”.
38 Ele respondeu: "Você pode
ir”. E deu a ela o prazo de dois meses. Ela e as suas amigas foram para as
montanhas, chorando por ela não poder se
casar. Dois meses depois, ela estava de volta. Ele cumpriu o
voto que tinha feito a respeito dela.
Ela nunca teve relações com homem algum.
39 Tornou-se costume em Israel que
todos os anos, as moças de Israel se reuniam durante quatro dias para chorar
pela filha de Jefté de Gileade."
Juízes 12
Jefté peleja
contra os efraimitas
"1 Os homens de Efraim
convocaram as suas tropas, rumaram para Zafom e disseram a Jefté: “Por que você
foi lutar contra os amonitas sem nos chamar?
Nós vamos queimar a sua casa com você dentro”.
2 Jefté respondeu: “Eu e o meu
povo estivemos muito envolvidos em negociações com os amonitas. Eu mandei
chamá-los, mas vocês me ignoraram. Quando percebi que vocês não viriam, tomei a
decisão por mim mesmo e lutei contra os amonitas.
O Eterno os entregou nas minhas mãos!
Então, o que querem aqui? Vieram lutar contra nós?”.
4 Jefté convocou as tropas de
Gileade e atacou Efraim.
Os homens de Gileade os atacaram com fúria, porque estavam dizendo: “Os
gileaditas não são nada.
São desertores de Efraim e Manassés”.
5 Os gileaditas dominaram as
passagens do Jordão na travessia para Efraim. Quando um fugitivo
efraimita dizia: “Deixem-me passar”, os homens de Gileade perguntavam: “Você é
de Efraim?”. Ele respondia: “Não”. Então, eles pediam: “Diga: ‘Chibolete’”. Mas
eles sempre falavam: “Sibolete”, porque não conseguiam pronunciar corretamente.
Então, eles agarravam o homem e o matavam ali mesmo, na passagem do Jordão.
Naquela ocasião, foram mortos quarenta e dois mil efraimitas.
7 Jefté governou Israel seis anos.
Jefté de Gileade morreu e foi sepultado em sua cidade, Mispá de Gileade.
8 Depois dele, Ibsã, de Belém,
governou Israel. Ele tinha trinta filhos e trinta filhas. Ele deu suas filhas
em casamento a homens fora do seu clã e trouxe trinta mulheres de outros clãs para
se casarem com seus filhos.
10 Ele governou Israel durante
sete anos.
Ibsã morreu e foi sepultado em Belém.
11 Depois de Ibsã, Elom, de
Zebulom, dominou sobre Israel.
Ele governou dez anos. Elom de Zebulom morreu e foi sepultado em Aijalom, na
terra de Zebulom.
13 Depois dele, Abdom, filho de
Hilel, de Piratom, governou Israel. Ele teve quarenta filhos e trinta netos,
que montavam setenta jumentos. Ele governou Israel durante oito anos. Abdom,
filho de Hilel, de Piratom, morreu e foi sepultado em Piratom, na terra de
Efraim, na região montanhosa dos amalequitas."
Juízes 13
O nascimento
de Sansão
"1 O povo de Israel voltou a
agir mal diante do Eterno. Por isso, o Eterno os entregou ao domínio dos
filisteus por quarenta anos. Naquele tempo, vivia um homem em Zorá, chamado
Manoá, da tribo de Dã. Sua mulher era estéril. O anjo do Eterno apareceu a ela
e disse: “Sei que você não tem filhos e é
estéril. Pois você ficará grávida e terá um filho. Mas tenha cuidado: não beba
vinho nem bebida forte. Não coma nada ritualmente impuro. Você já está grávida
de um menino. Não passe a navalha na cabeça dele. O menino será consagrado a
Deus como nazireu desde o nascimento. Ele libertará o seu povo da opressão dos
filisteus”.
6 A mulher contou ao marido o que
havia acontecido:
“Um homem de Deus veio até mim. Ele parecia um anjo de Deus, um ser
impressionante, glorioso! Não perguntei de onde ele era nem ele me revelou seu
nome, mas disse: ‘Você está grávida. Você terá um menino. Não beba vinho nem
bebida forte, nem coma nenhuma comida ritualmente impura.
O menino será consagrado a Deus como nazireu desde seu nascimento até sua morte
8 Manoá orou ao Eterno: “Senhor,
peço-te que o homem de Deus que enviaste volte para nos ensinar como criar esse
menino que está para nascer”.
9 Deus ouviu o pedido de Manoá. O
anjo de Deus voltou para falar com a mulher. Ela estava sozinha no campo; Manoá
não estava com ela. Por isso, ela correu e chamou o marido:
“Ele voltou! O homem que veio outro dia!”.
11 Manoá seguiu a mulher até onde
o homem estava.
Ele perguntou ao homem: “É você o homem que falou com minha mulher?”. Ele
respondeu: “Eu sou”.
12 Manoá, então, disse: “Quando se
cumprir o que você nos disse, como cuidaremos desse menino?
Qual será o seu trabalho?”.
13 O anjo do Eterno respondeu a
Manoá: “Observe todas as instruções que dei à
sua mulher. Ele não deve comer nada que venha da videira: vinho ou bebida
forte. Não deve comer nenhuma comida ritualmente impura.
Ela deve seguir à risca tudo que ordenei a ela”.
15 Manoá disse ao anjo do Eterno:
“Por favor, fique conosco mais um tempo! Vamos preparar um cabrito para
você”.
16 O anjo do Eterno disse a Manoá:
“Mesmo que eu ficasse, não poderia comer a
sua comida. Mas, se quiser preparar uma oferta queimada, ofereça-a ao
Eterno!”.
Manoá não sabia que estava falando com o anjo do Eterno.
17 Então, Manoá perguntou ao anjo
do Eterno: “Qual é o seu nome? Quando essas palavras se
cumprirem, queremos homenagear você".
18 O anjo do Eterno respondeu: “Por que você pergunta pelo meu nome? Você não entenderia
— é simplesmente maravilhoso”.
19 Então, Manoá tomou o cabrito e
a oferta de cereal e sacrificou sobre um altar de pedras ao Eterno, o Deus que
faz maravilhas.
As chamas do altar subiram ao céu, e o anjo do Eterno subiu por elas. Quando
Manoá e sua mulher o viram subir, prostraram-se com o rosto em terra.
Manoá e sua mulher nunca mais viram o anjo do Eterno.
21 Só então, Manoá percebeu que
era o anjo do Eterno e disse a sua mulher: “Nós vamos morrer, porque vimos
Deus”.
23 Mas ela retrucou: “Se o Eterno
quisesse nos matar, não aceitaria nossa oferta queimada e a oferta de cereais,
nem nos teria revelado tudo isso.
Ele não teria anunciado o nascimento da criança”.
24 A mulher deu à luz um menino.
Os pais lhe deram o nome de Sansão. O menino cresceu, e o Eterno o abençoou.
O Espírito do Eterno começou a agir nele quando ele morava em
Maané-Dã entre Zorá e Estaol."
Juízes 14
O casamento
de Sansão
"1 Sansão foi à cidade de
Timna. Ali conheceu uma mulher das filhas dos filisteus. Quando voltou para
casa, disse a seu pai e sua mãe: “Vi uma mulher em Timna, do povo filisteu.
Quero me casar com ela”.
3 Seus pais disseram: “Não há uma
mulher do nosso povo que agrade a você? Tinha de ir procurar uma mulher entre
os incircuncisos, os filisteus?”. Mas Sansão insistiu: “Vão buscá-la para mim.
É ela que eu quero — é com essa que quero me casar”.
4 Seu pai e sua mãe não
tinham ideia de que o Eterno estava por trás disso, que ele estava criando uma
oportunidade contra os filisteus, porque, naquele tempo, eles dominavam os
israelitas.
5 Sansão desceu a Timna com seu
pai e sua mãe. Quando chegou perto das vinhas de Timna, um leão novo, rugindo,
correu em sua direção. O Espírito do Eterno se apoderou de Sansão,
e ele rasgou o animal com as mãos, como se fosse um cabrito.
Mas não contou aos pais o que aconteceu.
7 Então, ele foi falar com a moça
e para Sansão, ela era a escolhida.
8 Passados alguns dias, quando
retornou para buscá-la, ele fez um desvio no caminho para ver o que havia
restado do leão. Ficou admirado ao encontrar um enxame de abelhas e mel no cadáver
do leão! Ele pegou um punhado e continuou caminhando, enquanto comia o
mel. Quando reencontrou seu pai e sua mãe, deu a eles um pouco, e ambos
comeram. Mas não contou que tinha tirado o mel do cadáver do leão.
10 Seu pai desceu para
encontrar-se com a moça, enquanto Sansão preparava a festa. Era assim que os
moços faziam.
Como os filisteus desconfiavam dele, trouxeram trinta rapazes para que o
acompanhassem.
12 Sansão disse: “Quero propor uma
charada. Se vocês a solucionarem durante os sete dias da festa, darei a vocês
trinta trajes de linho e trinta mudas de roupa. Mas, se não conseguirem
solucionar, vocês é que me darão trinta trajes de linho e trinta mudas de
roupa”.
13 Eles responderam: “Proponha a
charada. Estamos ouvindo”. Então, ele disse: “Do que come saiu comida, do forte
saiu doçura”.
14 Eles não conseguiram solucionar
a charada. Três dias depois, ainda estavam pensando. No quarto dia, disseram à
mulher de Sansão: “Arranque a resposta do seu marido, do contrário, queimaremos
você e a família de seu pai. Afinal, vocês nos convidaram para nos levar à
falência?”.
16 Então, a mulher de Sansão
começou a choramingar no ouvido dele: “Você me odeia! Você não me ama! Você
propôs uma charada para o meu povo, mas não conta a resposta nem para mim”. Ele
respondeu: “Não contei nem a meus pais; por que contaria a você?”.
17 Mas ela o importunou durante os
sete dias da festa.
No sétimo dia, cansado da perturbação dela, ele revelou a solução da charada à
mulher. Ela foi imediatamente passar a resposta aos seus compatriotas.
18 Os homens da cidade procuraram
Sansão no sétimo dia, antes do pôr do sol, e disseram: “O que é mais doce que o
mel? O que é mais forte que o leão?”.
Sansão respondeu: “Se vocês não tivessem arado com a minha novilha, Não teriam
solucionado a charada”.
19 Então, o Espírito do
Eterno se apoderou dele. Ele desceu a Ascalom, matou trinta homens,
tirou as roupas deles e as entregou aos que haviam solucionado a charada.
Furioso, voltou para a casa de seu pai. A mulher de Sansão foi entregue ao seu
padrinho de casamento."
Juízes 15
Sansão põe
fogo às searas dos filisteus
"1 Mais tarde, durante a colheita
de trigo, Sansão foi visitar sua mulher e levou um cabrito. Ele dizia: “Vou ver
minha mulher e entrar no quarto dela”. Mas o pai dela não o deixou entrar,
dizendo: “Imaginei que você a odiava; por isso, ela foi dada ao seu padrinho de
casamento. Mas a irmã menor dela é muito mais bonita. Por que você não a aceita
por mulher?”.
3 Sansão respondeu: “Bom, desta
vez não me responsabilizo pelo que vou fazer aos filisteus”.
4 Ele conseguiu reunir trezentas
raposas. Amarrou-as aos pares pela cauda e prendeu uma tocha na cauda de cada
par.
Em seguida, pôs fogo às tochas e soltou as raposas nas plantações de cereais
dos filisteus. Os feixes de cereal colhido, os que iam ser colhidos, as vinhas
e os olivais — tudo foi queimado!
6 Os filisteus disseram: “Quem fez
isso?”. Alguém informou: “Foi Sansão, genro do timnita, porque o pai dela deu a
mulher ao seu padrinho de casamento”.
Os filisteus, por vingança, queimaram a
mulher e seu pai.
7 Sansão disse àqueles homens: “Se
é dessa maneira que vocês querem agir, juro que me vingarei de vocês. Vou até o
fim!”.
8 E os matou, sem misericórdia.
Foi um verdadeiro massacre. Depois, desceu e se abrigou na caverna da rocha de
Etã.
9 Os filisteus acamparam em Judá,
dispostos a atacar Leí (Queixada). Mas os homens de Judá perguntaram: “Por que
vocês estão contra nós?”.
Eles responderam: “Estamos à procura de Sansão.
Queremos pegar Sansão para retribuir o que ele fez conosco”.
11 Três mil homens de Judá foram
até a caverna da rocha de Etã dizer a Sansão: “Não percebe que os filisteus já
nos ameaçam e dominam? Por que você está piorando a situação?”.
Ele respondeu: “Apenas dei o troco. Fiz com eles o que eles fizeram comigo”.
12 Eles disseram: “Viemos aqui
para prender você e entregá-lo aos filisteus”. Sansão disse:
“Prometam que vocês não vão me machucar”.
13 Eles responderam: “Prometemos.
Vamos apenas prender e entregar você aos filisteus, mas não mataremos você”.
Então, eles o amarraram com cordas novas e o tiraram da caverna.
14 Quando se aproximavam de Leí,
os filisteus vieram ao encontro deles, com gritos de euforia. Então, o
Espírito do Eterno veio sobre ele com grande poder. As cordas que
prendiam os seus braços se romperam como fio de linho queimado, e as correias
caíram de suas mãos. Ele apanhou uma queixada de jumento ainda fresca e,
com ela, matou mil homens.
Depois, Sansão disse: “Com uma queixada de jumento fiz um montão; com uma
queixada de jumento feri mil homens.”.
17 Terminando de falar, jogou a
queixada fora e deu ao lugar o nome de Ramate-Leí (monte da Queixada).
18 Depois disso, ele sentiu uma
sede terrível e suplicou ao Eterno: “Tu concedeste uma grande vitória ao teu
servo. E agora vou morrer de sede e cair nas mãos dos incircuncisos?”. Então,
Deus abriu uma rocha em Leí, que jorrou água, e Sansão bebeu.
Depois de saciado, ele recobrou o ânimo! Por isso, aquela fonte é chamada de
En-Hacoré (Fonte de Quem Clama). Está lá até hoje.
20 Sansão governou Israel durante
vinte anos, no período da opressão dos filisteus."
Juízes 16
Sansão em
Gaza
"1 Sansão foi a Gaza,
encontrou ali uma prostituta e passou a noite com ela. A notícia correu a
cidade: “Sansão está aqui!”.
Os homens formaram um grupo e ficaram de tocaia a noite toda na entrada da
cidade, em silêncio total, pensando: “Quando o sol nascer, nós o mataremos”.
3 Mas Sansão ficou na cama com a
mulher até meia-noite. Ele foi embora e, de passagem, arrancou a porta da
cidade com os batentes e as trancas e a carregou nos ombros até o topo da
colina, que fica em frente de Hebrom.
4 Passado um tempo, ele se
apaixonou por uma mulher do vale de Soreque (Uvas), chamada Dalila. Os
líderes filisteus vieram procurá-la com uma proposta: “Seduza-o. Descubra por
que ele é tão forte e como podemos prendê-lo e subjugá-lo. Cada um de nós dará
a você treze quilos de prata”.
6 Dalila, certo dia, disse a
Sansão: “Conte-me, querido, o segredo de sua grande força e como você pode ser
amarrado e subjugado”.
7 Sansão respondeu: “Se me
amarrarem com sete cordas de arco, feitas de tendões de animal, ainda úmidas,
perco minha força e fico igual a qualquer outra pessoa”.
8 Os líderes filisteus trouxeram a
ela sete cordas de arco ainda úmidas, e ela o amarrou com as cordas, enquanto
os homens se escondiam em seu quarto. Ela disse: “Os filisteus estão atrás de
você, Sansão!”. Ele rompeu as cordas como se fossem barbantes. Assim, não
conseguiram descobrir o segredo da sua força.
10 Dalila insistiu com ele: “Diga
a verdade, Sansão! Você está brincando comigo, inventando história. Agora é
sério: Conte-me como você pode ser amarrado”.
11 Ele respondeu: “Se você me
amarrar bem com cordas novas, que nunca foram usadas, não vou conseguir
escapar.
Serei igual a qualquer outra pessoa”.
12 Dalila conseguiu cordas novas e
o amarrou.
Ela disse: “Os filisteus estão atrás de você!”. Os homens estavam escondidos no
quarto ao lado, mas ele rompeu as cordas como se fossem barbantes.
13 Dalila não desistiu: “Você
continua zombando de mim e mentindo! Por favor, conte-me como você pode ser
amarrado!”. Ele respondeu: “Se você tecer as sete tranças do meu cabelo como um
tecido no tear e as prender com um pino, não conseguirei fazer nada. Serei como
qualquer outra pessoa”. Quando ele dormiu, Dalila pegou as sete tranças do
cabelo de Sansão e as teceu como um tecido no tear e as prendeu com um pino.
Depois, disse: “Sansão, os filisteus estão atrás de você!”. Mas ele acordou e
livrou-se tanto do pino do tear quanto dos fios!
15 Ela se tomou mais insistente:
“Como você pode me dizer:
Amo você, se nem confia em mim? Já é a terceira vez que você zomba de mim e
recusa-se a me contar o segredo da sua força!”.
16 Ela continuou a perturbá-lo,
dia após dia. Finalmente, ele se cansou. Não aguentou mais e contou a ela: “Nunca
foi passada uma navalha na minha cabeça. Desde que nasci fui consagrado como
nazireu a Deus. Se raparem o meu cabelo, perco a minha força. Ficarei fraco
como qualquer outro mortal”.
18 Dalila percebeu que finalmente
tinha descoberto o segredo e mandou dizer aos líderes filisteus: “Venham
depressa.
Agora ele me contou a verdade”.
Eles vieram e trouxeram o dinheiro que tinham prometido.
19 Depois de fazê-lo dormir com a
cabeça em seu colo, ela fez sinal para um homem, que se aproximou e cortou as
sete tranças do cabelo dele. Ele começou imediatamente a enfraquecer e
perdeu toda a sua força.
20 Então, ela disse: “Sansão, os
filisteus estão atrás de você!”.
Ele acordou, pensando: “Vou fazer o que sempre fiz e escapar!’’ Pois
ainda não tinha se dado conta de que o Eterno o tinha abandonado.
21 Os filisteus o agarraram,
arrancaram seus olhos e o levaram para Gaza. Eles o prenderam com algemas de
ferro e o puseram a trabalhar no moinho da cadeia.
Mas logo o cabelo dele começou a crescer de novo.
23 Um dia, os líderes filisteus se
reuniram para oferecer um grande sacrifício ao seu deus Dagom. Eles fizeram uma
festa e comemoraram: “Nosso deus nos entregou Sansão, nosso inimigo!”. Quando o
povo viu Sansão, louvaram, bendizendo o seu deus: “Nosso deus nos entregou nosso
inimigo, aquele que devastou o nosso povo, multiplicando cadáveres entre nós”.
25 Depois, quando todos já estavam
exaltados, alguém sugeriu: “Tragam Sansão! Que ele nos mostre o que consegue
fazer!”
E tiraram Sansão da prisão, para que os divertisse. Sansão foi posto entre duas
colunas, e ele pediu ao rapaz que o conduzia: “Ponha-me onde eu possa tocar as
colunas que sustentam o templo, para eu poder me apoiar nelas”. O templo estava
cheio de homens e mulheres, e todos os líderes filisteus estavam ali. Havia
pelo menos três mil pessoas olhando para Sansão.
28 Nessa hora, ele suplicou
ao Eterno: “Senhor, Eterno! Atenta para mim, outra vez, eu imploro! Dá-me força
mais uma vez. Deus, com um sopro de vingança, permite que eu me vingue Dos
filisteus por causa dos meus olhos!”.
29 Sansão alcançou as duas colunas
centrais que sustentavam o templo e as empurrou com o braço direito e com o
braço esquerdo. Ele gritou: “Que eu morra com os filisteus!”.
E empurrou as colunas com toda a sua força. O templo desabou sobre todos os
líderes e sobre o povo que estava ali dentro. Sansão matou mais pessoas
em sua morte que durante toda a sua vida.
31 Seus irmãos e familiares
desceram para buscar seu corpo. Eles o levaram de volta e o sepultaram no
túmulo de seu pai Manoá, entre Zorá e Estaol. Ele governou Israel por vinte
anos."
Juízes 17
Mica e o
ídolo da sua casa
"1
Havia um homem das montanhas de Efraim chamado Mica.
Ele disse a sua mãe: “Lembra-se dos treze quilos de prata que foram roubados de
você? Eu a ouvi proferindo uma maldição.
Na verdade, o dinheiro está comigo. Eu o roubei.
Mas agora estou devolvendo”.
Ela respondeu: “O Eterno abençoe você, meu filho!”.
3
Depois que ele devolveu os treze quilos de prata a sua mãe, ela disse: “Eu
consagro toda esta prata ao Eterno, para que meu filho faça uma imagem esculpida,
um ídolo fundido”. Ela entregou dois quilos e quatrocentos gramas daquela prata
a um ourives, que fundiu o metal na forma de um ídolo.
5
Esse homem, Mica, tinha uma capela particular. Ele tinha feito um colete
sacerdotal e alguns ídolos domésticos e consagrou um de seus filhos sacerdote. Naquele
tempo, não havia rei em Israel. As pessoas faziam o que bem entendiam.
7
Havia também, naquela localidade, um jovem de Belém de Judá e de uma família
dessa tribo. Ele era levita, mas estrangeiro ali. Tinha saído de Belém para
tentar a sorte em outro lugar. Chegando às montanhas de Efraim, parou diante da
casa de Mica.
9
Ele perguntou ao jovem: “De onde você vem?”. Ele respondeu: “Sou levita de
Belém de Judá. Estou à procura de um lugar para morar”.
10
Mica fez uma proposta: “Fique aqui comigo. Seja meu pai e sacerdote. Seu
salário será de cento e vinte gramas de prata por ano, além da comida e das
roupas de que precisar”.
11
O levita concordou em ficar com Mica. O jovem foi bem recebido e se tornou
membro da família. Mica designou o jovem levita seu sacerdote. Tudo isso
aconteceu dentro da casa de Mica.
13
Mica declarou: “Agora sei que o Eterno será bondoso para comigo, pois tenho um
levita como sacerdote!”.
Juízes 18
Os danitas
buscam herança maior
"1 Naquele tempo, não havia
rei em Israel, e a tribo de Dã procurava um lugar para se estabelecer. Eles
ainda não tinham ocupado território algum entre as tribos de Israel.
2 Os danitas enviaram cinco
soldados valentes de Zorá e Estaol para observar a terra, em busca de um lugar
apropriado para suas famílias.
A ordem era esta: “Vão e façam o reconhecimento da terra”.
Eles foram para as montanhas de Efraim, chegaram diante da casa de Mica e
acamparam ali.
Como estavam perto da casa de Mica, reconheceram a voz do levita. Eles se
aproximaram e perguntaram ao jovem:
“Como você veio parar aqui? O que está fazendo?”.
4 Ele respondeu: “Para encurtar a
história, Mica me contratou, e agora sou sacerdote dele”.
5 Eles disseram:
“Que bom! Assim, você pode consultar Deus em nosso favor. Queremos saber se
vamos ter sucesso em nossa missão!”.
6 O sacerdote respondeu: “Fiquem
tranquilos. O Eterno cuidará de vocês por todo o caminho”.
7 Os cinco homens partiram
rumo ao norte, para Laís, e constataram que o povo dali vivia seguro, sob a
proteção dos sidônios. Eram pacatos e confiantes. Tinham uma vida sossegada,
mas viviam muito longe dos sidônios, que habitavam a oeste, e não tinham
nenhuma relação com os arameus ao leste.
8 Quando retornaram a Zorá e
Estaol, seus irmãos perguntaram: “Então, o que descobriram?”.
9 Eles disseram: “Vamos atacá-los!
Sem dúvida, a terra é muito boa. Então, vão ficar aqui sentados, sem fazer
nada? Não percam tempo! Vamos invadir e conquistar a terra!
Quando chegarem lá, vocês verão que aquele povo é presa fácil. Eles são
vulneráveis. A terra é ampla, e Deus a está entregando em nossas mãos. Não
poderia ser melhor!”.
11 Seiscentos homens de Dã
partiram de Zorá e Estaol, armados de suas armas de guerra. No caminho,
acamparam em
Quiriate-Jearim, em Judá. Por isso, até hoje, o lugar é chamado campo de Dã.
Fica a oeste de Quiriate-Jearim.
14 Os cinco homens que tinham
explorado a região de Laís disseram a seus companheiros: “Vocês sabiam que,
naquelas casas, há um colete sacerdotal, ídolos domésticos e uma imagem fundida?
O que acham que devemos fazer?”.
15 Eles saíram da estrada e foram
até a casa do jovem levita,
na propriedade de Mica, e perguntaram como ele estava.
Os seiscentos homens de Dã, fortemente armados, ficaram de guarda na entrada,
enquanto os cinco espiões que tinham explorado a terra entraram e apanharam a
imagem esculpida,
o colete sacerdotal, os ídolos domésticos e a imagem fundida.
O sacerdote ficou na entrada com os seiscentos soldados. Quando os cinco homens
entraram na casa de Mica para apanhar a imagem esculpida, o colete, os ídolos
domésticos e a imagem fundida, o sacerdote perguntou:
“O que pensam que estão fazendo?”.
19 Eles responderam: “Quieto! Não
fale nada. Venha conosco. Seja nosso pai e sacerdote.
O que é melhor: Ser sacerdote de um único homem ou ser sacerdote de uma tribo
inteira, de um clã de Israel?”.
20 O sacerdote aproveitou a
oportunidade. Pegou o colete, os ídolos do lar e as imagens e acompanhou o
grupo.
21 Eles partiram e continuaram o
caminho, pondo adiante deles as crianças, o gado e os equipamentos. Já estavam
bem longe da casa de Mica, quando Mica e seus vizinhos conseguiram se
organizar, mas não demoraram a alcançar os homens de Dã. Gritaram para eles, e
os danitas, olhando para trás, perguntaram: “Qual o problema, que convocaste
esse povo?
24 Mica respondeu: “Vocês pegaram
o meu ídolo, que eu mesmo fiz, e levaram o meu sacerdote. Estão levando tudo
embora, me deixaram sem nada!
Como, então, perguntam: ‘Qual é o problema?”.
25 Mas os homens de Dã
responderam: “Não grite conosco.
Você pode irritar alguns destes homens, e você e sua família perderão a vida”.
26 Dito isso, os homens de Dã
prosseguiram seu caminho.
Mica, percebendo que não tinha condições de enfrentá-los, deu meia-volta e foi
para casa.
27 Eles levaram os objetos feitos
por Mica e seu sacerdote. Chegaram a Laís, a cidade das pessoas
sossegadas e confiantes, massacraram a população e queimaram a cidade.
28 Não havia ninguém por perto
para ajudá-los. Laís ficava muito longe de Sidom e não tinha contato com os
arameus. A cidade ficava no vale de Bete-Reobe. Os danitas reconstruíram
a cidade e deram a ela o nome de Dã, em homenagem ao seu antepassado, filho de
Israel, mas o nome originário era Laís.
30 Os homens de Dã adotaram a
imagem de prata.
Jônatas, filho de Gérson, filho de Moisés, e seus descendentes foram
sacerdotes na tribo de Dã até a época do cativeiro.
Durante todo o tempo em que o santuário de Deus ficou em Siló, eles mantiveram,
para uso particular, o ídolo feito por Mica."
Juízes 19
O levita e
sua concubina
"1 Naquele tempo, não havia
rei em Israel.
Um levita, que vivia nas regiões remotas das montanhas de Efraim, tomou para si
uma concubina, uma mulher de Belém de Judá. Mas a mulher cometeu
adultério e o abandonou, retornando para a casa de seu pai, em Belém de
Judá.
Depois de quatro meses, o marido resolveu procurá-la e convencê-la a
voltar para ele. Estava acompanhado de um escravo e dois jumentos. Ela
o recebeu na casa de seu pai.
Seu sogro, o pai da moça, ficou bastante feliz com a visita e insistiu em que
ele ficasse algum tempo ali. Ele ficou hospedado ali três dias, com muita
comida e bebida.
5 No quarto dia, levantaram-se de
madrugada e se preparam para partir. Mas o pai da moça pediu ao genro: “Faça
uma refeição reforçada antes de partir”.
Então, eles se assentaram e comeram juntos.
6 O pai da moça disse ao homem:
“Fique aqui ainda esta noite. Você será meu hóspede”.
O homem se levantou para partir, mas o sogro insistiu tanto que o homem
concordou em pernoitar ali mais uma vez.
8 No quinto dia, ele se levantou
de madrugada novamente.
O pai da moça disse: “Você precisa se alimentar bem”.
Enquanto comiam e bebiam, o dia passou. O homem e sua concubina estavam
preparados para partir, mas o sogro insistiu mais uma vez: “Vejam, está
ficando tarde. Por que não passam a noite aqui? Logo estará escuro. Fiquem mais
uma noite e descansem. Amanhã, vocês podem sair cedo e seguir para casa”.
10 Mas, dessa vez, o homem não
quis passar a noite ali. Preparou sua bagagem e partiu para Jebus
(Jerusalém) com os seus dois jumentos, sua concubina e seu escravo. Quando se
aproximou de Jebus, já estava escurecendo.
O escravo sugeriu ao seu senhor: “Já é tarde; vamos entrar na cidade dos
jebuseus e passar a noite ali”.
12 Mas o homem disse: “Não
entraremos em nenhuma cidade estrangeira. Seguiremos até Gibeá”.
Ele acrescentou: “Continue andando. Vamos prosseguir a viagem. Passaremos a
noite em Gibeá ou em Ramá”.
14 Assim, continuaram a viagem. Ao
pôr do sol, eles estavam perto de Gibeá, no território de Benjamim, e
entraram na cidade para passar a noite.
15 O levita foi para a praça da
cidade, mas ninguém oferecia hospedagem a ele. Mais tarde, passou por ali um
homem idoso, que voltava do trabalho no campo. Ele era da região montanhosa de
Efraim e estava morando temporariamente em Gibeá, onde todos os moradores
eram benjamitas. Quando o homem viu o viajante na praça da cidade,
perguntou:
“Para onde você está indo? De onde veio?”.
18 O levita respondeu: “Estamos de
passagem. Estamos vindo de Belém, a caminho de um lugar distante nas montanhas
de Efraim. Eu sou de lá. Fui a Belém de Judá e estou retornando para casa, mas
ninguém nos convidou para passar a noite. Não vamos dar despesa a ninguém.
Temos comida e feno para os jumentos, pão e vinho para a mulher, para o jovem e
para mim,
não precisamos de nada”.
20 O velho disse: "Tudo bem.
Eu cuido de vocês. Vocês não passarão a noite na praça”. Ele os levou para a
sua casa e alimentou os jumentos. Depois, todos se lavaram e se assentaram para
comer.
22 Eles estavam tranquilos e se
entretendo, quando os homens daquela cidade, uns inúteis, cercaram a casa e
começaram a bater à porta. Eles gritavam para o dono da casa:
“Traga para fora esse homem que está na sua casa.
Queremos sexo. Vamos nos aproveitar dele”.
23 O velho saiu e disse: “Nada
disso, companheiros! Não sejam tão perversos! Esse homem é meu hóspede.
Não cometam esse ultraje. Vejam, minha filha virgem e a concubina dele
estão aqui. Vou trazê-las para fora. Façam o que quiserem com elas, mas não
façam essa loucura com este homem”.
25 Mas os homens não quiseram dar
atenção ao velho. Finalmente, o levita empurrou sua concubina para fora.
Eles abusaram dela a noite toda. De madrugada, a soltaram.
A mulher voltou e ficou caída diante da porta da casa na qual estava seu
senhor. Ao clarear o dia, ela continuava ali.
27 De manhã, quando seu senhor se
levantou e abriu a porta para prosseguir viagem, sua concubina estava ali,
prostrada, com a mão na soleira da porta.
28 Ele disse: “Levante-se!
Vamos!”. Mas a mulher não respondeu.
29 Ele a pôs sobre o jumento e
seguiu viagem. Ao chegar em casa, apanhou uma faca e esquartejou sua concubina.
Ele a dividiu em doze pedaços e mandou um pedaço para cada região de Israel.
Todos os que viram isso, disseram: “Nunca aconteceu algo assim desde
quando os israelitas saíram da terra do Egito. Pensem bem! Reflitam! Façam
alguma coisa!”.
Juízes 20
Os israelitas
vingam o ultraje feito ao levita
"1 Então, todo o povo de
Israel se reuniu na presença do Eterno em Mispá. Todos estavam lá, de Dã a
Berseba, como um só homem! Os líderes do povo, representando todas as tribos de
Israel, tomaram os seus lugares na assembleia do povo de Deus. Estavam ali
quatrocentos mil soldados de infantaria armados com espada.
3 Nesse meio-tempo, os benjamitas
ficaram sabendo que os israelitas estavam reunidos em Mispá. O povo de Israel
perguntou: “Conte-nos. Como aconteceu essa perversidade?”.
4 O levita, marido da mulher
assassinada, respondeu: “Eu e minha concubina entramos em Gibeá, cidade
benjamita, para passar a noite. Naquela noite, os homens de Gibeá vieram atrás
de mim. Eles cercaram a casa em que eu me hospedava e queriam me matar.
Eles violentaram minha concubina, e ela morreu.
Levei minha concubina para casa, esquartejei-a e enviei cada um dos doze pedaços
para toda a terra da herança de Israel.
Esse crime vil e perverso foi cometido em Israel. Então, israelitas,
resolvam! Decidam o que fazer!”.
8 Todo o povo se levantou como um
só homem.
Disseram: “Ninguém vai voltar para casa.
Nem sequer uma pessoa. Este é o plano para Gibeá: nós a atacaremos por sorteio.
Tomaremos dez de cada cem homens de cada tribo de Israel (cem de cada mil, mil
de cada dez mil) para levar mantimentos para o exército. Quando as tropas
chegarem a Gibeá, irão acertar as contas com os que cometeram esse crime
horroroso em Israel”.
Assim, todos os homens de Israel, por unanimidade, se aliaram contra a cidade.
12 As tribos israelitas enviaram
uma mensagem à tribo de Benjamim, dizendo: “O que vocês dizem desse
horror cometido entre vocês? Entreguem os homens agora, esses criminosos de
Gibeá. Nós os mataremos para extirpar o mal de Israel”.
13 Mas os benjamitas não os
entregaram. Eles não deram atenção ao pedido de seus irmãos, o povo de Israel.
Pelo contrário, convocaram o exército de todas as suas cidades e se reuniram em
Gibeá para atacar o povo de Israel.
Em pouquíssimo tempo, conseguiram recrutar vinte e seis mil soldados de
infantaria armados com espada.
De Gibeá, convocaram setecentos dos melhores soldados.
Havia outros setecentos atiradores canhotos, que conseguiam, com a funda,
acertar uma pedra num fio de cabelo, sem errar.
17 Então, as tribos de Israel, sem
contar Benjamim, mobilizaram quatrocentos mil homens de infantaria armados de
espada.
18 Eles foram a Betel consultar
Deus:
“Quem de nós será o primeiro a atacar os benjamitas?”.
O Eterno respondeu: “Será Judá”.
19 O povo de Israel levantou-se,
na manhã seguinte, e acampou perto de Gibeá. O exército de Israel marchou
contra Benjamim e tomou posição, pronto para atacar Gibeá. Mas os benjamitas
saíram de Gibeá e mataram, no campo, vinte e seis mil israelitas.
22 Os israelitas voltaram ao
santuário e choraram perante o Eterno até a tarde. Outra vez, consultaram o
Eterno:
“Devemos atacar os benjamitas, nossos irmãos, outra vez?”.
O Eterno respondeu: “Vão! Ataquem!”.
24 O exército se animou. Os homens
de Israel ocuparam as mesmas posições do primeiro dia. No segundo dia, os
israelitas avançaram contra os benjamitas. Pela segunda vez, os benjamitas
saíram da cidade e mataram dezoito mil israelitas, todos armados de espada.
26 Todo o povo de Israel, o
exército inteiro, voltou para Betel. Chorando, assentaram-se perante o Eterno. Naquele
dia, jejuaram até a tarde. Apresentaram ofertas queimadas e ofertas de paz
perante o Eterno.
27 Mais uma vez, consultaram o
Eterno. Naquele tempo, a arca da aliança de Deus estava ali, com Fineias, filho
de Eleazar, filho de Arão, que ministrava como sacerdote. Eles perguntaram:
“Devemos lutar outra vez contra os benjamitas, nossos irmãos, ou devemos
desistir?”.
O Eterno respondeu: “Ataquem. Amanhã darei a
vitória a vocês”.
29 Dessa vez, Israel armou
emboscada em torno de Gibeá.
No terceiro dia, quando Israel avançou, eles ocuparam as mesmas posições diante
dos benjamitas. Quando os benjamitas saíram para atacar o exército, eles se
distanciaram da cidade.
Os benjamitas começaram a ferir parte da tropa, como tinham feito antes. Cerca
de trinta homens morreram no campo e nas estradas para Betel e para Gibeá.
32 Os benjamitas começaram a se
orgulhar: “Nós os estamos matando como moscas, todos os dias!”.
33 Mas os israelitas tinham uma
estratégia.
Disseram: “Vamos retroceder e forçá-los para fora da cidade até as estradas
principais”. Então, todos os israelitas se distanciaram na direção de
Baal-Tamar, e a emboscada dos israelitas saiu de sua posição a oeste de Gibeá.
34 Dez mil dos melhores soldados
de Israel atacaram Gibeá. Houve luta intensa e sangrenta! Os benjamitas não
imaginavam que estavam sendo derrotados. O Eterno os derrotou diante de
Israel. Naquele dia, os israelitas mataram vinte e cinco mil e quinhentos
benjamitas, todos armados com espada.
Os benjamitas reconheceram a derrota.
Os homens de Israel fizeram de conta que estavam se retirando da presença dos
benjamitas, sabendo que poderiam confiar na emboscada armada contra Gibeá.
37 Os emboscados saíram
rapidamente contra Gibeá. Os homens se espalharam e massacraram os que estavam
na cidade.
A estratégia com os da emboscada era que eles dariam um sinal de fumaça da
cidade. Então, os homens de Israel voltariam e atacariam. Quando isso
aconteceu, os benjamitas tinham matado trinta soldados israelitas. Achando que
estavam vencendo a batalha, gritavam: “Eles estão fugindo como da outra vez!”.
Até que apareceu o sinal no céu, uma enorme coluna de fumaça. Quando os
benjamitas olharam para trás, viram a cidade deles em chamas.
41 Quando os homens de Israel se
voltaram contra eles, os homens de Benjamim esmoreceram. Perceberam que estavam
cercados. Para evitar o confronto com os israelitas, tentaram escapar pela
estrada do deserto, mas eram atacados por todos os lados. Os homens de Israel
saíram das cidades, cercaram-nos por todos os lados e os atacaram.
Eles os perseguiram e os alcançaram a leste de Gibeá.
44 Dezoito mil benjamitas foram
mortos — os melhores soldados.
45 Cinco mil homens viraram e
fugiram para o deserto, em direção à rocha de Rimom, mas os israelitas os
alcançaram e os massacraram ao longo da estrada. Os israelitas continuaram a
persegui-los e derrotaram mais dois mil homens.
46 Ao todo, morreram, naquele dia,
vinte e cinco mil soldados de infantaria benjamitas, os melhores do exército,
armados com espada.
47 Seiscentos homens escaparam.
Eles conseguiram chegar até a rocha de Rimom, no deserto, e ficaram ali quatro
meses.
48 Os homens de Israel
voltaram, entraram nas cidades e ali mataram todos os benjamitas que
sobreviveram, todos os homens e animais que encontraram.
Eles incendiaram todas aquelas cidades."
Juízes 21
Esposas para
os benjamitas
"1 Israel havia feito um
juramento em Mispá: “Ninguém de nós dará sua filha em casamento a um benjamita”.
De volta a Betel, o povo permaneceu ali sentado na presença de Deus até a
tarde. Eles choravam alto e lamentavam: “Óh Eterno, Deus de Israel! Por que
aconteceu isso? Por que estamos hoje sem uma tribo inteira de Israel?”.
4 Na manhã seguinte, logo cedo, o
povo começou a edificar um altar. Sacrificaram ofertas queimadas e ofertas de
paz.
5 Os israelitas perguntaram: “Qual
das tribos de Israel não compareceu quando nos reunimos na presença do Eterno?”
Pois todos tinham feito juramento solene de que quem não comparecesse à
presença do Eterno em Mispá seria morto.
6 O povo de Israel continuava a
lamentar por Benjamim, seu irmão. Eles diziam: “Hoje foi eliminada uma tribo de
Israel. Como encontraremos mulheres para os que sobreviveram?
Pois juramos ao Eterno que não daríamos nossas filhas em casamento a eles”.
8 Alguém perguntou: “Qual das
tribos de Israel não esteve perante o Eterno em Mispá?”. Descobriu-se que
ninguém de Jabes-Gileade tinha comparecido à assembleia.
Quando conferiram a presença do povo, não foi encontrado ninguém de
Jabes-Gileade.
10 Então, a comunidade enviou doze
mil dos homens mais valentes com esta ordem: “Matem todos os moradores de
Jabes-Gileade, até mesmo mulheres e crianças.
São estas as instruções: Vocês deverão matar todo homem e toda mulher que já
teve relações sexuais. Mas poupem a vida das virgens”. Foi o que fizeram.
12 Eles encontraram quatrocentas
moças virgens entre os que viviam em Jabes-Gileade, que nunca tiveram relações
com um homem. As moças foram trazidas ao acampamento de Siló, na terra de
Canaã.
13 Então, a comunidade mandou
chamar os benjamitas que ficaram na rocha de Rimom e propuseram fazer as pazes.
Os benjamitas vieram. Os israelitas deram as mulheres que sobreviveram de
Jabes-Gileade. Mesmo assim, não havia mulheres suficientes para a quantidade de
homens.
15 O povo teve pena de Benjamim,
porque o Eterno tinha deixado de lado aquela tribo — ficou faltando aquela peça
nas tribos de Israel. Os líderes da comunidade disseram:
“Como encontraremos mulheres para o restante dos homens, já que todas as
mulheres de Benjamim foram mortas?
Como manteremos viva a herança dos sobreviventes benjamitas? Como evitaremos
que a tribo seja extinta? Não poderíamos dar nossas filhas em casamento a
eles”.
Lembrem-se, os israelitas fizeram um juramento: “Maldito aquele que oferecer
uma mulher a Benjamim”
19 Então, alguém lembrou: “Há um
festival ao Eterno todo ano em Siló, ao norte de Betel, logo a leste da estrada
principal que vai de Betel a Siquém e ao sul de Lebona”.
20 Eles disseram aos benjamitas:
“Vão e se escondam nas vinhas. Fiquem atentos. Quando vocês virem as moças de
Siló saírem para as suas danças, saiam das vinhas, tomem uma das moças de Siló
por mulher; depois, corram de volta para o território de Benjamim. Quando o pai
e os irmãos delas vierem nos acusar, diremos: ‘Tenham compaixão deles. Afinal,
não viemos lutar e matar vocês para conseguir mulheres para os homens.
Não se preocupem! Vocês não serão culpados, pois não deram suas filhas a
eles’”.
23 Foi o que os benjamitas fizeram.
Eles tiraram as moças das danças, mulheres suficientes para a quantidade de
homens, fugiram e voltaram para o seu território. Eles reconstruíram suas
cidades e viveram nelas.
24 Dali, o povo de Israel se
dispersou, cada um voltou para sua tribo e seu clã, cada um para a terra da sua
herança.
25 Naquele tempo, não havia
rei em Israel. As pessoas faziam o que bem entendiam."
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